sábado, 14 de maio de 2011

O DISCO DA SEMANA

Compacto raro de Luiz Gonzaga


capa1
Colaboração do Jairo Melo, de Vicência – PE
contra-capa

Produção de Luiz Bandeira e arranjos de Orlando Silveira.

Compacto – Luiz Gonzaga
1980 – RCA
01 – Louvação a João XXIII (Nerthan Macedo – Monsenhor Mourão)
02 – Obrigado João Paulo (Pe. Gothardo Lemos – Luiz Gonzaga)
Para baixar esse disco, clique aqui.

Fonte: FORRÓ EM VINIL
http://www.forroemvinil.com/compacto-luiz-gonzaga-2/

A LETRA DE "LOUVAÇÃO A JOÃO XXIII, de Nertan Macedo, é cordel puro!


Cantador desse Nordeste
Afinei o meu bordão
Eu agora vou fazer
Uma bonita louvação
Ao velhinho lá de Roma
Ao bondoso Papa João } bis

Vinte e três de santidade
Oitenta de coração
Nove mil de caridade
Não sei quanto de atenção
Pastor de toda pobreza
Vaqueiro dessa nação } bis


Que ama Nosso Senhor
E se alimenta do pão
Que mata a fome de todos
Até dos sem precisão
E não se assa no forno
E nem conhece balcão } bis


Água, luz e alimento
De todos sem exceção
Mata a sede da pobreza
Atravessa a escuridão
Alenta toda a tristeza
Acaba com a escravidão }bis


É a lei do mundo livre
Na pureza do cristão
Que não odeia e trabalha
Pela humana redenção
A linguagem do amor
Do Santo Papa João } bis


Escreveu no Vaticano
A sábia e grande lição
Da igreja mãe e mestra
Com a sua própria mão
E alegrou todo universo
No esplendor da união } bis


Do cristianismo puro
Que se levanta do chão
Como a semente de trigo
Do mais puro e branco pão
Uva dourada do vinho
Do Cristo da Comunhão } bis


Senhor de toda a bondade
Senhor de todo perdão
Que mandou chamar bem cedo
O bondoso Papa João
A quem fiz e farei sempre
Esta bela louvação } bis

A letra de OBRIGADO JOÃO PAULO II está em outra postagem deste blog:
BIOGRAFIA DO PAPA EM CORDEL

Video no youtube: OBRIGADO JOÃO PAULO II
Link: http://www.youtube.com/watch?v=eV4-0wDZf2E


Ao ouvir a canção, o papa disse: - Obrigado, cantador!


sexta-feira, 13 de maio de 2011

MEMÓRIA RESGATADA

JOSÉ AMÂNCIO DE MOURA


Repentista, glosador e humorista

Tive a grata satisfação de receber ontem um exemplar do livro “Memórias de um poeta – José Amâncio de Moura”, organizado por sua filha Ana Cristina Freitas de Moura e Maurilo Freitas. O livro já está na segunda edição e vem tendo grande aceitação em toda a região do alto e baixo Jaguaribe, principalmente em Limoeiro do Norte, sua terra Natal. Zé Amâncio foi repentista notável, glosador inspirado e sobretudo um grande humorista. Pobre, deficiente de um pé desde a infância, nada disso o impediu de revelar ao mundo seu maravilhoso estro poético, sobretudo nas muitas cantorias que realizou e também através de programas de rádio, atuando com diversos parceiros.
Um resgate mais que oportuno, pois além dos maravilhosos versos recolhidos, há também todo um anedotário em torno do poeta que nasceu no distrito limoeirense de Sapé.
Às vezes, por pura gozação, ele fazia versos na escola de Zé Limeira, talvez até mais engraçados do que aqueles atribuídos ao bardo da Serra do Teixeira:

Com a ponta da vara de um quintal
Com um bode que berra no chiqueiro
Com um galo que cisca no terreiro
E com a ponta da tábua de um jirau
Com o som do saudoso berimbau
Com os botões da batina do vigário
Com o cós da cueca do Olegário,
Com um peba que caga no arisco,
Com as flores do altar de S. Francisco
Enfeitamos seu lindo aniversário.

O poeta, apesar das dificuldades da vida, jamais perdia a sua fé em Deus. Vejam que linda estrofe:

Eu me atrevo a viver
Sem viajar, sem dormir,
Sem cantar, sem divertir,
Sem jogar e sem beber.
Sem café, sem de comer,
Sustento os esforços meus
E sem os auxílios seus
Eu sei a luta enfrentar
Só não me atrevo a passar
Sem a palavra de DEUS.

Um de seus versos mais notáveis, incluído (salvo engano), na Antologia de Cantadores de Otacílio Batista e Dr. Linhares é esta glosa que alude ao roubo de sua bicicleta, num dos bairros de Limoeiro do Norte:

Roubaram um pobre poeta
Além de pobre, doente,
Inda mais deficiente
Com uma perna incompleta
Levaram-lhe a bicicleta
Com pneu, câmara e catraca
Um ladrão de alma fraca,
Esse roubo não descobre
Quem rouba um poeta pobre
Vendo Jesus, mete a faca!

Quem quiser adquirir um exemplar deste excelente livro deverá entrar em contato com a filha do poeta, Ana Cristina Moura (Fone 88-9625-6920).

Em meu livro “A mala da cobra – Almanaque Matuto”, inacreditavelmente inédito, depois de quase 10 anos que foi escrito, eu faço uma ampla pesquisa sobre o anedotário cearense e o humor na cantoria e na Literatura de Cordel. Nessa obra encontra-se esta pequena homenagem ao grande humorista do Sapé:

ZÉ AMÂNCIO, O BARDO SAPEZISTA

Nascido em Sapé, distrito de Limoeiro do Norte, o cantador José Amâncio de Moura figura nas páginas de diversas antologias como um dos glosadores mais geniais e engraçados de todos os tempos. Considerado “imoral” por alguns puritanos, o aedo sapezista ainda não teve o seu valor totalmente reconhecido. Eis uma de suas tiradas mais famosas, que foi repassada pelo seu conterrâneo Aurélio Menezes, repórter do Programa Paulo Oliveira, na Verdes Mares AM: contam que certa feita, Zé Amâncio andava na companhia dos irmãos Dimas e Otacílio Batista, quando o genial autor de “Mulher Nova, Bonita e Carinhosa” saiu-se com esta:

“   Vou tomar uma cachaça
Pra lembrar Manoel Chudu...”

Dimas, aproveitando a métrica perfeita da frase de Otacílio, filosofa:

“... Toda cachaça é gostosa,
Toda roupa veste o nu...”

É a deixa que Zé Amâncio esperava para aproveitar a riqueza da rima:

“... menos gravata e colete,
porque nem cobrem o cacete
nem as beiradas do c*!”

NOTA DO AUTOR - Recebemos e-mail de Maurilo Freitas informando que essa estrofe também é atribuída a outro poeta, da Paraíba. Coisas como esta são muito frequentes na cantoria, uma arte que tem a ORALIDADE como seu maior meio de expressão. É curioso notar que muitas coisas produzidas por poetas cearenses acabam sendo atribuídas a Pinto do Monteiro ou aos Irmãos Batista.

No livro do humorista Waldy Sombra “Os poetas lá de nós  Viva o Sapé nº 2”, encontram-se várias glosas do poeta, das quais pinçamos as mais engraçadas e irreverentes. No pinicar de um desafio, uma lagartixa assustada com o barulho da cantoria desprega-se do telhado e cai no meio do salão. O pequeno réptil ainda corria pelo salão quando Zé Amâncio improvisou essa sextilha:

“ - No meio dos cantadores
caiu uma lagartixa!
Chamem o dono da casa
Para matar essa bicha,
É carne que não se come
É couro que não se espicha.”

Durante anos, Zé Amâncio manteve um programa de cantoria na rádio Educadora, de Limoeiro do Norte. Certa feita, tendo chegado atrasado, o locutor Maurílio Freitas o interpela ao vê-lo entrando no estúdio:

“   Meu amigo Zé Amâncio
vamos cantar um poema?

O irreverente bardo do Sapé não perde tempo:

“   Vá logo tirando as calças
que eu resolvo seu problema...”

CLÁSSICO DO CORDEL


E TUDO VEM A SER NADA...
Autor: Silvino Pirauá de Lima


Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa,
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida;
Oh! que idéia perdida.
Oh! que mente tão errada,
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza,
E tudo vem a ser nada.

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade,
Ali só reina bondade,
Nesse mortal orgulhoso,
Quer se fazer caprichoso,
Vive até de venta inchada,
Sua cara empantufada,
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada.

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer,
É somente para ter,
Que ele tanto moureja,
As vezes chove e troveja
E ele nessa enredada
À lama, ao sol, ao chuveiro,
Ajuntam tanto dinheiro,
E tudo vem a ser nada.

Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores,
Ministros e senadores,
E mais vultos majestosos;
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada,
Temos também a espada
De soberbos generais,
Comandantes, Marechais,
E tudo vem a ser nada.


Honra, grandezas, brasões;
Entusiasmos, bondades;
São completas vaidades
São perfeitas ilusões,
Argumentos, discussões;
Algazarra, palavrada,
Sinagoga, caçoada,
Murmúrios, tricas, censura,
Muito tem a criatura,
E tudo vem a ser nada.

Vai tudo numa carreira
Envelhece a mocidade,
A avareza e a vaidade
É quer queira ou não queira;
Tudo se torna em poeira,
Cá nesta vida cansada
É uma lei promulgada
Que vem pela mão Divina,
O dever assim destina
E tudo vem a ser nada.

Formosuras e ilusões,
Passatempos e prazeres;
Mandatos, altos poderes;
De distintos figurões,
Cantilenas de salões;
E festa engalanada,
Virgem donzela enfeitada
No gozo de namorar,
Mancebos a flautear,
E tudo vem a ser nada.

Lascivas, depravações
Na imoral petulância,
São enlevos da infância,
São infames Corrupções;
São fingidas seduções
Que faz a dama enfeitada
Influi-se a rapaziada
Velhos também de permeio
E vivem nesse paleio,
E tudo vem a ser nada.

Bailes, teatros, festins,
Comadre, drama, assembléia,
Clube, liceu, epopéia;
Todos aguardam seus fins,
Flores, relvas e jardins,
Festas com grande zoada,
Outeiro e Campinada
Frondam, copam e florescem,
Brilham, luzem, resplandecem
E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,
Repleto de garantia,
De brasões e fidalguia
É ele considerado,
Mas, quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada.
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final;
E tudo vem a ser nada.

Tudo quanto se divisa
Neste cruento torrão,
As árvores, a criação,
Tudo em fim se finaliza,
Até mesmo a própria brisa,
Soprando a terra escarpada,
Com força descompassada
Se transformando em tufão,
Deita pau rola no chão,
E tudo vem a ser nada.

Infindo só temos Deus,
Senhor de toda a grandeza,
Dos céus e da natureza,
De todos os mundos seus.
Do Brasil, dos Europeus,
Da terra toda englobada
Até mesmo da manada
Que vemos no arrebol:
Nuvem, lua, estrela e sol,
Tudo mais vem a ser nada.

FIM


 
Silvino Pirauá de Lima (Patos-PB)
Poeta falecido em 1913.

HISTÓRIA DO BRASIL EM CORDEL

As proezas do cordel no estrangeiro

Um dos principais divulgadores da arte do cordel fora do País, o norte-americano Mark Curran, relança o panorâmico estudo "Retrato do Brasil em Cordel"
 

 
Fonte: Caderno 3 - Diario do Nordeste (13 de maio de 2011)
Ainda que faça parte, permanentemente, da paisagem cultural de boa parte do Brasil, o cordel é capaz de provocar estranhamentos. Se encanta seus leitores habituais por converter em literatura seu cotidiano e seus valores, um outro tipo de leitor vê nele uma aparição, como se o passado irrompesse o presente e abrisse passagem para tradições antiquíssimas da poesia popular. Não são poucos os exemplos de pesquisadores europeus que, por ele, quedaram-se encantados.

Remetia-os à Idade Média europeia, com seus personagens a promover a intercessão entre o oral e o impresso. Trovadores, jograis e outros artistas da palavra; e também as folhas volantes, que haviam levado o invento de Gutemberg para além dos círculos nobres e burgueses. O espanhol Jesús Martin Barbero e o suíço Paul Zumthor foram alguns dos leitores encantados - este, um afamado medievalista, autor de uma sólida antropologia da voz; aquele, um dos nomes mais destacados no estudo das comunicações nos últimos 20 anos.

O estranhamento é devolvido. Estrangeiros a conhecer algo que é tão nosso - e que nossa própria academia ainda não dá o devido reconhecimento. Contudo, se deste círculo europeu há muito se fala, o mesmo não se dá a respeito da repercussão do cordel nos EUA. Registro deste outro olhar, talvez ainda mais distante da realidade da literatura de folhetos, é o livro "Retratos do Brasil em Cordel", de Mark Curran, professor de língua e literatura portuguesa e brasileira da Arizona State University (EUA). O livro foi lançado originalmente em 1998, pela Editora da Universidade de São Paulo, e, desde então, estava fora de catálogo. O título volta às livrarias, em nova e ilustrada edição, pela Ateliê Editorial.

O encontro
Em entrevista, por e-mail ao Diário do Nordeste, Mark Curran confirma este estranhamento. "Não sou perito nisso, mas acho que a cultura dos EUA não tem nada igual à tradição do cordel", conta o autor. "Há ´chapbooks´ (pequenos folhetos, também ilustrados com gravuras, contendo contos populares, baladas, poemas, comum entre os séculos XVI e XIX) da Inglaterra e uns poucos nos EUA, mas nada que se compare à grandeza do cordel", avalia.

O que mais estaria próximo de nossa tradição poética, de fortes marcas orais, é exatamente a poesia da voz. "As baladas de Appalachia, no Leste, muitas delas de origem irlandesa. Ainda mais, as baladas do ´faroeste´ americano - canções de bandidos, de índios ferozes que defendiam suas terras e, mais, a tradição do vaqueiro americano, também acompanhado de seu cavalo corajoso. A balada ´The Strawberry Roan´ tem muito em comum com ´O Boi Mandingueiro e o Cavalo Misterioso´ (de Luiz da Costa Pinheiro) ou até ´O Boi Misterioso´ (de Leandro Gomes de Barros). Há um filme de faroeste que sempre aponto: ´Monty Walsh´ (no Brasil, ´Um Homem Difícil de Matar´), a primeira versão, com Lee Marvin. Uma das cenas mais impressionantes é a do vaqueiro Monty tentando domar um cavalo tão brabo, tão épico, que dá muito a recordar ´O Boi Misterioso´ do cordel", enumera o pesquisador.

Mark Curran lembra que seu primeiro encontro com a literatura de folhetos se deu em uma aula de literatura na Saint Louis University, St. Louis, Missouri, em 1965. Especialista na obra de Jorge Amado, a professora Doris Turner trouxe curiosos livrinhos artesanais para mostrar aos alunos do PhD. O aluno que teve a certeza de que aquilo era muito mais uma curiosidade acabou ganhando uma bolsa de estudo pela Fulbright. Fez sua pesquisa de campo no Brasil entre os anos de 1966 e 1967, para erigir uma tese sobre os pontos de contato da literatura popular em verso ("assim era conhecido o cordel daqueles dias") e literatura "erudita" brasileira. A cearense Rachel de Queiroz e o paraibano Ariano Suassuna foram alguns dos autores explorados neste estudo comparativo.

Traçando o mapa
De lá para cá, Curran já fez mais de 20 viagens ao Brasil, com roteiros cheios de proezas. "Um ano intenso de estudos em 1966-1967, leitura e pesquisa de campo através o Nordeste, a bacia do Rio São Francisco, a Feira Nordestina no Rio, Brasília e até em Belém do Pará e Manaus, no Amazonas, à cata de folhetos, romances de cordel, entrevistas com poetas e público. Foi isso o começo. Depois fiz mais de 20 viagens ao Brasil, sempre à cata do cordel", reconstitui o pesquisador.

O norte-americano se tornou dono de uma coleção "respeitável", adquirida em feiras, além de outro tanto copiado (por vezes manualmente), nos principais acervos de cordel do País, como aquele que pertence a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Foi através deste vasto material que Mark Curran estabeleceu um mapa, quase tão vasto, pelo qual passeia em seu livro. Aos invés de fazer uma história desta mídia da tradição popular, o autor encadeia núcleos temáticos. À maneira do xilógrafos, quando investe em obras mais extensas, com séries de gravuras, cada capítulo ganha o nome de álbum e traz tanto temas tradicionais como aparentemente incomuns, indo da religião popular à questões atuais de gênero.

Fique por dentro
A Voz do Verso
A francesa Martine Kunz caiu de amores pelo Brasil ainda nos anos 70, quando conheceu o Nordeste. Estudava clássicos de seu país, caso do poeta Charles Baudelaire e do romancista Marcel Proust, mas optou trilhar um novo caminho, o cordel. Professora da Universidade Federal do Ceará, Kunz é autora de obras consistentes sobre o tema, caso do breve e profundo "Cordel, A Voz do Verso", sexto volume da coleção Outras Histórias, no Museu do Ceará, e a antologia de poemas do poeta-jangadeiro Zé Melancia, editado pela Hedra.

Literatura
Retrato do Brasil em Cordel Mark Curran, Ateliê editorial, 2011, 368 páginas, R$ 70
DELLANO RIOS - EDITOR

quarta-feira, 11 de maio de 2011

NOTICIA

Justiça proíbe cordelista de usar a expressão

“Seu Lunga” em suas publicações


“A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) determinou que o cordelista Abraão Bezerra Batista se abstenha de utilizar a expressão “Seu Lunga” em publicações ou qualquer outra forma de divulgação. A decisão foi proferida nessa segunda-feira (09/05) e reformou sentença proferida pelo Juízo da 3ª Vara de Juazeiro do Norte.
“Constata-se que houve prática de ato ilícito no presente caso, na medida em que os cordéis violam os direitos do apelante inerentes à personalidade, à dignidade e à honra, na medida em que tais publicações desnaturam a sua imagem perante à comunidade”, afirmou o relator do processo, desembargador Francisco Sales Neto.
Conforme os autos, Abraão Bezerra Batista publicou, sem a devida autorização de Joaquim Santos Rodrigues, popularmente conhecido como “Seu Lunga”, o cordel intitulado “As histórias de Seu Lunga, o homem mais zangado do mundo”.

Joaquim Santos Rodrigues afirma que teve a dignidade ferida, pois o cordelista fantasiou situações ao atribuir-lhe a prática de atos que nunca fez, contribuindo para consolidar a imagem negativa de “grosseirão dotado de incomum rudez”.
Em decorrência, ajuizou ação ordinária, com pedido liminar, requerendo que Abraão Bezerra Batista não publicasse mais cordéis com a expressão “Seu Lunga”. Alegou que, em virtude das publicações, tem sido alvo de chacota na sociedade Juazeirense, impedindo-o de ascender socialmente.
Em contestação, o cordelista afirmou que publicou apenas dois “trabalhos” referente ao “Seu Lunga”. Sustentou que não cometeu nenhum ato ilícito, uma vez que apenas deu eco a inúmeras histórias jocosas sobre o “personagem”.

Poeta Abraão Batista, o primeiro a fazer folhetos sobre "Seu Lunga"

Em 7 de maio de 2008, o juiz da 3ª Vara da Comarca de Juazeiro do Norte, Gúcio Carvalho Coelho, julgou extinto o feito sem resolução de mérito. O magistrado fundamentou a decisão ao considerar a “carência de ação pela ausência de interesse processual”, uma vez que a proteção à personalidade buscada pelo autor não poderia ser concedida pelo Poder Judiciário.
Inconformado, Joaquim Santos Rodrigues interpôs recurso apelatório no TJCE (nº 200600219706-5/1), pleiteando a reforma da decisão. Defendeu que a Constituição Federal (CF/88) lhe assegura o direito de buscar o Judiciário para se proteger do mencionado ilícito.
Ao relatar o caso, o desembargador Francisco Sales Neto destacou que “o inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal apresenta-se como o fundamento maior para que se admita uma tutela geral de prevenção do ilícito, em razão de estabelecer que, além da lesão, a ameaça a direito igualmente é passível de amparo por parte do Poder Judiciário. Com esse entendimento, a 1ª Câmara Cível deu provimento ao recurso e reformou a sentença do magistrado. Em caso de descumprimento da decisão, fixou multa diária de R$ 1.000,00.”

(Site do TJ-CE) – Via Eliomar de Lima


Problema de autoria no CORDEL

O Cantor da Borborema e o Pavão Mysterioso
Arievaldo Viana *
Pavão Misterioso - desenho de Arievaldo Viana
 
JOÃO MELCHÍADES FERREIRA O Cantor da Borborema, nasceu em Bananeiras-PB aos 07 de setembro de 1869 e faleceu no dia 10 dezembro de 1933. Sentou praça no exército aos 19 anos de idade, ainda na monarquia, sendo promovido a sargento após a Guerra de Canudos, onde combateu. Em 1897 casou-se com Senhorinha Melchíades, com quem teve quatro filhos. Sua filha Santina Melchíades da Silva, prestou excelentes informações sobre o poeta à pesquisadora Ruth Brito Lêmos Terra, autora do livro "Memória de Lutas: Literatura de Folhetos do Nordeste 1983-1930. Nesta obra, a autora publicou a íntegra de uma correspondência dirigida por João Melchíades à sua esposa, em 1914, onde o poeta fala da primeira edição de CAZUZA SÁTIRO, "que sairia com 66 páginas, maior que o de ESMERALDINA E OTACIANA". O poeta informa ainda o custo de impressão e o preço de revenda dos folhetos, o que torna a correspondência uma verdadeira preciosidade.
João Melchíades Ferreira da Silva, o cantor da Borborema

De uns tempos para cá, afirmam os pesquisadores mais autorizados que o Pavão publicado por João Melchíades era na verdade um "plágio" ou "recriação" de obra criada por José Camelo de Melo. Aterrizando esse Pavão voador e dissipando todo o mistério que o envolve, é bom que se esclareça a verdade: o pavão de alumínio, pilotado sorrateiramente pelo cantador Romano Elias, fugiu em noite silenciosa da oficina de seu criador JOSÉ CAMELO DE MELO (nascido na povoação de Pilõezinhos, município de Guarabira-PB e falecido em Rio Tinto-PB, aos 28 de outubro de 1964), um poeta que "cantou, mas não teve sorte" como ele próprio afirma no final de um romance de sua autoria - indo parar no "telhado" de Melchíades. Camelo já havia composto a história do Pavão mas não a havia publicado, limitando-se apenas a cantá-la em suas apresentações.
Melchíades, de posse de uma cópia do poema e aproveitando-se da ausência de Camelo, reescreveu o tema e o publicou. Uma versão deste episódio, atribuída ao poeta Joaquim Batista de Sena, (admirador da obra de Camelo e seu amigo pessoal), dá conta de que na época em que o "Pavão" foi publicado, José Camelo teve que deixar a Paraíba para refugiar-se no interior do Rio Grande do Norte devido uma situação complicada. José Camelo de Melo era, além de grande poeta, um exímio xilógrafo, dado que vem a ser confirmado por Átila de Almeida e José Alves Sobrinho em seu Dicionário Biobibliográfico dos Repentistas e Poetas de Bancada. Como tal, teve seu trabalho de xilógrafo requisitado por donos de alambiques para falsificar selos e burlar a fiscalização da Fazenda paraibana. A atividade ilícita veio a ser descoberta e José Camelo fugiu de seu estado natal temendo ser preso. Teria sido justamente nesse período que o cantador Romano Elias, de posse de uma cópia do poema, o teria apresentado a João Melchíades que reescreveria o tema e o publicaria em seguida.
É inadmissível a afirmativa de que João Melchíades teria simplesmente usurpado a autoria da obra. No mínimo, ele reescreveu a história do Pavão, fazendo sensíveis modificações em sua estrutura (alguns afirmam que para pior), o que achamos mais provável. Vejamos o depoimento de Maria de Jesus Silva Diniz, filha de José Bernardo da Silva: ela assegura que o Pavão de José Camelo teria 40 páginas, enquanto a versão de Melchíades, que chegou ao nosso conhecimento e que ela publicava em sua tipografia, tem apenas 32 páginas, tratando-se evidentemente de uma versão mais resumida. O poeta Expedito Sebastião da Silva, chefe gráfico da Lira Nordestina, ainda teria mais um dado a acrescentar. Segundo ele, José Camelo de Melo ficou revoltado porque o público tinha larga preferência pela versão de Melchíades o que o levou a destruir os seus originais. Detalhe, na versão de José Camelo de Melo, publicada após a de Melchíades, Evangelista, o personagem central da trama, destrói o Pavão Misterioso a pedido do engenheiro Edmundo, inventor do aeroplano.
A RELEITURA DO PAVÃO - Em 1992, encontrei o já consagrado cartunista/ilustrador JÔ OLIVEIRA no Salão Nacional de Humor de Campina Grande-PB e ele me mostrou, empolgado, as primeiras pranchas do Pavão Misterioso, com texto em prosa e um formato que mais lembrava um álbum de HQ. Posteriormente, ele utilizou o tema para desenvolver selos para os Correios. O Pavão voou os quatro cantos do mundo no traço de Jô Oliveira, e acabou ganhando três edições com texto em prosa. Início de 2007, reencontrei o Jô por acaso e ele me falou do seu desejo de recontar a história do PAVÃO em cordel, com linguagem mais atual, mais apropriada para o público infanto-juvenil, colocando alguns personagens no Nordeste (no caso os irmãos João Batista e Evangelista, o cavalo Ventania e o cachorro Corisco, estes últimos criação sua, que não aparecem na antiga versão de Melchíades/Camelo). Topei o desafio e fiz uma síntese da trama em sextilhas, apresentando novos personagens e fazendo ajustes necessários para o público de hoje (a versão primitiva é de 1926). O resultado ficou satisfatório e a prova disso é que antigos fãs do folheto de cordel ficaram encantados com o novo formato. É gratificante, também, notar o interesse de pedagogos e arte-educadores, que o adotam como paradidático desde 2007. A edição do mesmo ficou a cargo da editora cearense IMEPH, que atua no mercado há poucos anos, mas já tem um catálogo de mais de 100 publicações, a maioria utilizando a linguagem do Cordel. A parceria com Jô Oliveira vem rendendo novos frutos...  Além do "Pavão Misterioso" ilustrado, temos também na versão "cordelivro" A AMBIÇÃO DE MACBETH, O BICHO FOLHARAL, CASOS DE ROMUALDO EM CORDEL, JOÃO DE CALAIS E SUA AMADA CONSTANÇA, ARTIMANHAS DE JOÃO GRILO, e EL CID, todos em cordel, pelas editoras IMEPH, CONHECIMENTO, CORAG, FTD e CORTEZ.

* Arievaldo Viana. Poeta popular, radialista e publicitário, nasceu em Fazenda Ouro Preto, Quixeramobim-CE, aos 18 de setembro de 1967. Desde criança exercita sua verve poética, mas só começou a publicar seus folhetos em 1989, quando lançou, juntamente com o poeta Pedro Paulo Paulino, a Coleção Cancão de Fogo. Em 2000, foi eleito membro da ABLC. É o criador do Projeto ACORDA CORDEL na Sala de Aula, que utiliza a poesia popular na alfabetização de jovens e adultos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

OBRIGADO PELA VISITA!



Desenho: JÔ OLIVEIRA

Hoje o blog "ACORDA CORDEL" completa exatamente um mês que foi criado e já atingiu a marca de mais de TRÊS MILvisitas, inclusive muitas do exterior: Portugal, Espanha, Estados Unidos, Alemanha e até India e Armênia.
Agradecemos a todos que nos visitaram. Vamos continuar postando matérias interessantes como "Folhetim Global", "Chico César x Bandas de Forró", "Bin Laden em cordel" e "Carta do satanás a Roberto Carlos", que foram as mais visitadas ao longo deste mês.

OBRIGADO A VOCÊ, AMIGO VISITANTE!

MISTÉRIO NO SERTÃO...

PREMONIÇÃO E PROFECIA NO CORDEL
A caveira do ET encontrada em Quixadá
Ufólogo de Quixadá exibe a caveira do suposto ET

Lembram da estranha ossada encontrada na cidade cearense de Quixadá, em novembro de 2005? Ufólogos juravam de pés juntos que se tratava da caveira de um extra-terrestre. É que em Quixadá existe até pista para pouso de discos voadores e não são poucos os relatos de aparições de ET’s por aquelas bandas. Pois bem... O fato ganhou projeção nacional, foi notícia em muitos blogs e jornais e saiu até no programa do Ratinho, no SBT.
O cordelista não perde a oportunidade de escrever sobre um assunto tão curioso. Faz parte de seu ofício. Otávio Menezes, conhecido “poeta-repórter” de Fortaleza, fez um folheto baseado nas matérias que saíram no Diário do Nordeste. Usou, inclusive, a mesma foto do jornal na capa de seu folheto.
Convidei o poeta Pedro Paulo Paulino para escrever um folheto sobre o tema, mas abordando a coisa de maneira ficcional, com fortes doses de gracejo, enfim, uma verdadeira sátira à altura de uma notícia tão bizarra. O resulto foi o melhor possível...

Na famosa Quixadá
Terra da “Galinha Choca”
De Rachel e Aderaldo
De baião e de paçoca
U'a velha desocupada
Encontrou uma ossada
Escondida numa loca.

Era uma ossada estranha
Com gente não parecia,
De bicho também não era,
(Isso a velha garantia)
Era um esqueleto gigante
Com estrutura semelhante
À ossada de uma jia.

A cabeça muito grande
Parecendo imenso ovo,
Os ossos se desmanchando
(Não era um “defunto” novo)
Mal a velha viu aquilo
Foi pulando feito um grilo
Espalhando para o povo:

- Meu povo preste atenção
Que eu tenho novidade!!!
Encontrei uma caveira
Na saída da cidade
Um esqueleto medonho
Tão grande que eu suponho
Ser uma “calamidade”.

- O espinhaço da bicha
Mais parece um “garajau”
As canelas muito curtas
É vê dois tocos de pau
De dente ela tem um mói
E pela caixa dos zói
Parece com um bacurau!

A velha logo juntou
Uma multidão de gente
Todo mundo curioso
Para ver aquele ente
Em cidade populosa
Notícia assim cavilosa
Se espalha rapidamente.

Chegou um veterinário
Tirando onda de mestre
Dizendo assim: - Eu garanto
Não é uma ossada eqüestre
Por seu estranho formato
Posso garantir de fato
Que é de um extra-terrestre.

Quixadá há muito tempo
É motivo de pesquisa
Ufologistas garantem
Que muito ET ali pisa...
E ai de quem duvidar
É perigoso levar
Uma retumbante pisa!

A cidade é conhecida
Aqui no Sertão Central
Segundo os ufologistas
Ali existe um “portal”
De consistência esquisita
É a sala de visita
Para o espaço sideral.

Seres de outro planeta
Por ali já têm pousado
Se socam entre as pessoas
Cada qual bem disfarçado
E alguém jura ter sido
Por um disco abduzido
Sendo tele-transportado.

(...)


Biólogos da Petrobras acabaram com o mistério em poucos dias. Tratava-se, na verdade, do crânio de uma gigantesca tartaruga marinha. Tanto eu, quanto Pedro Paulo, tivemos a mesma desconfiança...

Quem conhece astronomia
Vê isso com parcimônia
Mas quem não sabe de nada
Espalha sem cerimônia
Que os ET's de Quixadá
Vieram pro Ceará
Pra fundar uma colônia.

E foram à delegacia
Solicitar um legista
(Que por sinal também era
Ardoroso ufologista)
Munido de aparelhos
Bisturis, lupas, espelhos,
A fim de dar uma pista.

De acordo com o seu laudo
Que na rádio divulgou
De fato era um ET
Que em Doze aqui chegou
Vindo do Planeta “NINZE”
Morreu na seca do Quinze
Porque o Cedro secou.

A nossa TV Diário
Sempre “na cola” do fato
Enviou logo uma equipe
Ao município pacato
E a notícia da caveira
Saiu no “Paulo Oliveira”
E no DN, o retrato.

Pesquisadores de todos
Os recantos do Planeta
Acorreram à Quixadá
Velozes como um cometa
Devido à temperatura
E o preço da rapadura
Alguns fizeram careta...

Veio gente da Sorbone
Da NASA e do Vaticano
O Papa exigiu um osso
Para tirar o engano
Todo mundo a espera
Pra saber se era u'a fera
Um ET ou ser humano...

(...)

Agora, preparem-se para a parte mais curiosa e interessante dessa história! Sem querer, em novembro de 2005 nós profetizamos a volta do INDIANA JONES. Dissemos no folheto, que o cineasta Steve Spilberg, atraído pela notícia, teria vindo a Quixadá em companhia do ator Henry Ford realizar mais um filme da série INDIANA JONES, fato que só ocorreria em 2008, quase três anos após a divulgação deste folheto.
Premonição? Profecia? Mera coincidência? Quem saberá dizer com precisão? O certo é que todo poeta tem momentos em que a inspiração vem de lugares desconhecidos, das regiões mais ocultas de seu cérebro, sintonizadas talvez com forças externas que muitas vezes passam desapercebidas e até fogem de sua compreensão. Vejam agora as estrofes do folheto que falam da volta da dupla Henry Ford/Steve Spilber que, curiosamente, batizaram seu novo filme de 'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal':

(...)

Spilberg veio filmar
E voltou muito empolgado
Nas mais famosas revistas
O caso foi comentado
Fizeram até camiseta
Chaveiro, botton, luneta,
Com a foto do achado.

Veio um paleontólogo
Por sinal um Darwinista
Um discípulo de Asimov
E Henry Ford, o artista,
Que fez Indiana Jones
Até o pastor Tim Tones
Um famoso vigarista.

(...)

E agora? O que dizer? Porquê cargas d’água nós tivemos essa bendita idéia três anos antes de Henry Ford realizar seu novo filme? Mistérios. Pura premonição de poeta cordelista.
Acompanhem abaixo, algumas manchetes e trechos de matérias que tomaram conta da mídia:

Ufólogos encontram crânio e dizem ser de ET em cidade onde há pista para Ovni

QUIXADÁ, CEARÁ. - Uma ossada está intrigando os moradores de Quixadá, a 157 km de Fortaleza. Há 15 dias, um estudante encontrou em uma área deserta do município cearense um crânio que não se pareceria com o de nenhum animal da região, e ufólogos da cidade acreditam ser de extraterrestre.  (...)
Em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, o ufólogo Robisson Alencar garante que a prova encontrada é "misteriosa".
Postado por Rede Ceará em 17/11/2005

Ceará: Ossada misteriosa atrai mídia e origem continua desconhecida
Quixadá (Sucursal) — A reportagem do Diário do Nordeste sobre um crânio “misterioso”, encontrado em Quixadá, despertou o interesse de emissoras de televisão, jornais e rádios de todo o País. Ufólogos locais defendem que o crânio seria de extraterrestre. Na tarde de ontem, a ossada foi levada à Faculdade Católica Rainha do Sertão (FCRS), onde foi analisada por biólogos, que não souberam precisar a origem do material.
O coordenador do Núcleo de Ciências da FCRS, professor Carlos Tatmatsu, e o especialista em anatomia, Marcelo Figueredo, crêem que a ossada é de algum réptil, lagarto ou tartaruga. Eles se basearam na dimensão do crânio e na formação óssea.
No entanto, os ufólogos ainda defendem que a caveira é de origem extraterrestre. O quixadaense Robisson Alencar, que estuda a aparição de Ovnis na região há mais de 20 anos, explica que a caveira despertou sua atenção e de outros ufólogos, porque, na cidade, ninguém conseguiu definir a qual espécie pertenceria a ossada. Além disso, segundo ele, Quixadá é um dos eixos de constantes aparições de Ovnis.
"Diário do Nordeste", 17-11-2005:

'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal' é diversão garantida
Fonte: O GLOBO – Matéria publicada em 22/05/2008

RIO - "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" traz o famoso arqueólogo de volta às telas após 19 anos. O retorno, mundialmente aguardado, irá fazer a alegria de milhares de fãs da série. Mesclando elementos antigos (como o uso de dublês) com atuais (como o uso da computação gráfica), Spielberg conseguiu fazer um filme equilibrado e, mais importante, digno da franquia. Por mais que algumas pessoas possam reclamar por acharem que o retorno de Indiana Jones poderia ser melhor.
Após quase duas décadas de espera, a expectativa dos fãs jamais poderia ser completamente satisfeita. Afinal, não se pode agradar a todos, a todo o momento e de todas as formas.
(...)
E, para encerrar o assunto com chave de ouro, uma inspirada décima de autoria do grande poeta Oliveira de Panelas:

Da esfera marciana
Descem discos toda hora
Fazem pequena demora
No meio da raça humana...
Talvez queiram ver a grana
Das multinacionais
Que estão passando pra trás
Os nossos trabalhadores
Esses discos voadores
Me preocupam demais.

Por: ARIEVALDO VIANA

Todos os direitos do folheto são reservados aos autores.