segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

TROVAS NATALINAS



Geraldo Amancio 
Trovas Natalinas

CRISTO EM SEU PLANO DIVINO,
FEZ DE NÓS TODOS SEUS ALVOS,
SENDO DEUS SE FEZ MENINO
PARA OS HOMENS SEREM SALVOS.

NA CELEBRAÇÃO DO AMOR 
QUE AS MÃOS OPOSTAS SE DÊEM,
E A LUZ DA FÉ DO SENHOR
ILUMINE OS QUE NÃO CRÊEM.

OH CRISTO DEUS FEITO CRIANÇA
QUE A SUBLIME ESTRELA TUA,
ENCHA DE PAZ E ESPERANÇA
OS MORADORES DE RUA.

LIVRAI NOSSOS SEMELHANTES
MEU JESUS DE NAZARÉ
DOS PREGADORES FARSANTES
EXPLORADORES DA FÉ.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

VIVA GONZAGÃO




O amigo do Rei


Sinval Sá teve a honra de escrever a primeira biografia sobre Gonzagão. O sanfoneiro do Riacho da Brígida — Vida e andanças de Luiz Gonzaga foi lançado em 1966. Agora, por conta do centenário de nascimento do mestre, a ser comemorado em 13 de dezembro, o livro chega à 9ª edição. Sá estará presente na solenidade comemorativa, em Recife, apresentando a nova versão de seu rebento. “Na época, o lançamento em Fortaleza teve a presença do próprio Luiz”, relembra o escritor, orgulhoso, aos 90 anos. Sinval vive em Brasília há 46 anos e já publicou outros dois romances e dois livros de contos.

Segundo o autor, foi o próprio Gonzaga quem tratou de divulgar a biografia: levava para os shows Brasil afora e a vendia em suas andanças. Na época, os 10 mil exemplares se esgotaram rapidamente. Paraibano de Conceição, filho de pais pernambucanos, Sá morava no Ceará quando escreveu o retrato do sanfoneiro, no começo dos anos 1960. “Eu ia ao Rio, onde ele morava, e passava algumas temporadas na casa dele. A convivência era muito boa. Era uma pessoa maravilhosa, bem educada. Vinha à minha casa quando estava em Brasília. Me chamava de ‘doutorzão do Ceará’”, diverte-se.

O sanfoneiro... é contado de forma fiel aos relatos de Gonzaga, com pitadas de ficção. Sá até tentou romancear um pouco, mas o biografado não aprovou e pediu que o escritor se ativesse ao que haviam conversado. Ele assistiu à cinebiografia que está nos cinemas e notou que algumas passagens são parecidas com as retratadas em seu livro. “Sei que eles se basearam no Gonzaguinha e Gonzagão, da Regina Echeverria, mas ela me consultou para fazer o livro dela e, inclusive, me cita”, destaca. Na película de Silveira, entretanto, Sinval não teve nenhuma participação — pelo menos não diretamente. (Gabriel Sá - Correio Brasiliense)



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PELAS TERRAS POTIGUARES

Com o poeta Antonio Francisco Teixeira de Melo, à sombra do juazeiro
em Água Nova, município do Rio Grande do Norte




Participei ontem de um maravilhoso evento realizado no município de Água Nova-RN, em companhia do poeta Antônio Francisco, de Mossoró: A II FEIRA LITERÁRIA do projeto "Contágio pela Leitura", realizado pelos Voluntários da Leitura na Escola Municipal Manoel Raimundo, naquele município.
Estive lá, atendendo convite das coordenadoras do projeto Keutre Gláudia Soares Bezerra e Sédima Ferreira França Viana. Acolhida maravilhosa, platéia lotada, público atento e participativo foram as marcas desse momento inesquecível. Agradecemos a todos os envolvidos no projeto e parabenizamos o município de ÁGUA NOVA-RN pela grande iniciativa, que deve ser imitada por outros municípios Nordestinos. Uma verdadeira SEMENTE DE LUZ nesses momentos de ESCURIDÃO CULTURAL que enfrentamos. As imagens são do site www.aguanovanews.com




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

PROFECIAS DE FREI VIDAL DA PENHA

Município de São Rafael, no Rio Grande do Norte

Às vezes minha avó Alzira tinha umas conversas fragmentadas, um tanto misteriosas, que fugiam inteiramente à minha compreensão de menino curioso e o jeito que havia era perguntar até dizer “chega”, para tentar entender pelo menos vinte por cento do assunto. Dentre essas conversas estavam as profecias de antigos pregadores que palmilharam os nossos sertões infundindo uma fé sedimentada no terror e no fim das Eras. Como ocorre desde que o mundo é mundo, profecia que se preza tem que ser dita em linguagem cifrada, misteriosa, o que possibilita as mais variadas interpretações.
Nessa lista de profetas se incluíam Antonio Conselheiro, Padre Cícero, Frei Damião de Bozzano e o mais acreditado de todos: o catastrófico Frei Vidal da Penha, famoso missionário do Século XVIII, ainda lembrado em todos os quadrantes onde realizou o seu apostolado. Para o povo Nordestino, esse profeta é mais importante que o próprio Nostradamus. Minha avó dizia sempre que, estando ele em Quixeramobim e tendo sido mal recebido por parte da população predisse que aquela cidade um dia se tornaria “cama de baleia”, dando a entender que seria inundada ou vítima de um grande abalo sísmico. Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, deve ter sido fortemente influenciado pela crônica popular a respeito deste célebre pregador. Sua profecia mais famosa anuncia que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. De certo modo, isso cumpriu-se com a construção da barragem de Cocorobó, que alagou o antigo Arraial de Canudos. E Quixeramobim? Será que algum dia vai virar mesmo “cama de baleia”, como predisse Frei Vidal?
Aliás, diversas cidades foram ameaçadas com essa tétrica profecia, dentre as quais Santana do Acaraú, onde um gaiato pregou uma peça de extremo mau gosto no virtuoso sacerdote. Conta-se que tendo parado às margens do rio que corta aquela cidade, Frei Vidal aproveitou para beber água e banhar-se, tendo deixado o seu chapéu no galho de uma árvore. Um sujeito de maus bofes aproveitou sua distração para defecar dentro do mesmo. Ao sair dali, Frei Vidal fez exatamente como os apóstolos de Jesus, retirou suas sandálias, bateu o pó que as impregnava e vaticinou que Santana estaria fadada a tornar-se “cama de baleia” e crescer sempre baixo, como o rabo de sua alimária. As cidades que nasceram às margens do Rio Jaguaribe também foram ameaçadas com igual vaticínio, pois segundo ele, Aracati seria a primeira da lista e as águas invasoras de um possível Tsunami iriam transformar a distante Icó em porto de navio.
 
Seu verdadeiro nome era Vitale da Frascarolo (ou Frescolero). Esse missionário capuchinho também é citado como Frei Vidal de Fraccardo. O nome “da Penha” é em alusão ao convento de Nossa Senhora da Penha, localizado em Recife no estado de Pernambuco, onde o mesmo vivia antes das suas missões. Italiano que peregrinava pelos sertões de Pernambuco e Ceará nos últimos anos do século XVIII, tinha como marca registrada a catequese dos habitantes e índios da região.
No Aracati deu-se um fato extremamente curioso. Conta-nos em suas memórias o escritor José Correia da Silva (O Aracati que eu vivi - Editora Queima-Bucha, 2011) que de passagem por aquela cidade, Frei Vidal estarreceu a todos com uma estranha revelação. Uma moça de certa posição social engravidara e conseguira esconder sua gravidez até da própria família. Quando o bebê nasceu, ela procurou livrar-se do mesmo, abandonando-o no mato. Tida com virgem e virtuosa, freqüentava os atos litúrgicos e gostava de sentar-se nos primeiros bancos da igreja. Quando Frei Vidal iniciou a sua pregação, uma cobra enorme veio se contorcendo e entrou na igreja. O frade serenou o alvoroço da turba dizendo que a mesma estava a procura de uma certa pessoa e que não faria mal a ninguém. De fato a cobra parou exatamente diante da moça que havia se livrado do bebê, fitando-a de maneira estranha. O padre teria dito então: - Mulher, bota o teu seio para fora e amamenta o teu filho! Teria o Frei Vidal adivinhado o crime daquela jovem ou teria sabido do fato através de alguma beata mexeriqueira? Prefiro acreditar na primeira hipótese, pois a virtude desse profeta italiano não é questionada por nenhum outro escritor.
Diz o mesmo José Correia da Silva que em meados do Século XVIII, quando o avô de Santos Dummont ainda nem era nascido, o frade profetizou que no Século XX “gafanhotos de ferro haveriam de cruzar os ares”. Falou também de “cavalos sem cabeça correndo pelas ruas”, cento e tantos anos antes da invenção do automóvel.
 Bisbilhotando no Google e no Wikipédia, duas ferramentas de grande valia para a pesquisa moderna, embora pouco confiáveis, encontrei o seguinte:
“Era seu costume mandar construir, por onde passava, igrejas e cruzeiros, muitos deles foram marcos para o começo de formações de povoados e futuras cidades, como exemplo a cidade de Itapajé e Bela Cruz no Ceará. Há registro de sua passagem por várias regiões do Ceará. Também ficou famoso por suas profecias catastróficas de fim do mundo, que por muitos anos permaneceram no imaginário da população local, que acreditava em suas palavras, e propagavam seus relatos. Um fato peculiar de suas profecias lendárias é que ele sempre mencionava "o rabo baleia" ou "a baleia adormecida", animal que segundo ele, vivia adormecido sob as cidades da região. Segundo ele, ao se acordar e se mover nas entranhas da terra, a "baleia" provocaria grande devastação. Outra lenda, que ele teria contado foi na cidade de Santana do Acaraú, afirmou que a mesma e outras cidades vizinhas seriam inundadas por arrombamento de um açude pelo movimento do lendário mamífero adormecido nas entranhas da terra, previa ainda que esse açude seria construído no Rio Acaraú, afirmando ainda que o açude teria nome de um pássaro. Lenda ou não o açude realmente fora construído, o Açude Araras, e nos últimos anos diversas cidades da Região Norte do Ceará, próximas a Sobral sofreram abalos sísmicos.
 Por onde passava, a multidão ouvia-o enternecida à sua palavra de ouro e fé. Ao longo do vale de Crateús, certo dia, manhã clara de sol intenso, Frei Vidal bate a porta da casa grande do fazendão do Coronel José Ferreira de Melo, onde foi recebido alegremente. Era uma honra hospedar a figura singular e marcante do notável missionário. Anunciada a prédica, juntou-se uma multidão de gente, vinda de toda parte. Foi nesta oportunidade que Frei Vidal, fez veemente um apelo ao rico fazendeiro, no sentido de que mandasse construir uma capela. Homens daqueles tempos idos e vividos, não faltavam com a palavra, promessa feita, promessa cumprida.”
Hoje, Frei Vidal da Penha empresta seu nome a uma movimentada rua da cidade de Crateús. Teria ele predito a sina de municípios como Jaguaribara-CE e São Rafael-RN, inundados pelas águas de suas barragens? E o Tsunami que tragará Fortaleza, que há mais de cinco anos vem sendo anunciado pela moderna imprensa, estaria mesmo por vir? Com a palavra, os “profetas” da FUNCEME.
Arievaldo Viana

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

UM CONTO DE CÂMARA CASCUDO

 

Um conto do mestre Luís da Câmara Cascudo, para "calanguear" essa quinta feira modorrenta:



LAGARTIXA DE OURO
Luís da Câmara Cascudo

 

Frei Serafim de Catania, da ordem dos capuchinhos, chegou ao Recife em 11 de setembro de 1841, começando a percorrer todo o Nordeste em pregação catequística. Foi o grande missionário dos sertões de pedra, dirigindo as "Santas Missões" que ficaram relembradas nas memórias coletivas das regiões visitadas. Irradiava energia, persuasão, bondade. A fama de fazer milagres derramou-se.

O brigadeiro Dendé Arcoverde, rico, poderoso, com um exército de guarda-costas e um harém de seis mulheres, domina o solar de Cunhaú como o derradeiro barão feudal. Frei Serafim foi visitá-lo. Quando o deixou, Dendé Arcoverde dispersou seu bando guerreiro, despediu as mulheres, desarmou-se e nunca mais mandou matar alguém, exceto a si próprio, pois suicidou-se, para não ser preso, a 26 de julho de 1857.

Frei Serafim, a 21 de fevereiro de 1858, benze a primeira pedra da futura matriz do Ceará-mirim, a mais linda igreja da província.

Foi de inexcedível dedicação na epidemia de cólera-morbo.

Henrique Castriciano, estudando O último enforcado (Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, V, nº 2, 381, Natal, 1907), registra que a mulher Josefa Maria da Conceição avisara ao amásio Alexandre José Barbosa que não matasse a vítima, "porque o santo padre frei Serafim estava a chegar e podia adivinhar". Era esta a fama do capuchinho já em 1845.

Velho, doente, cansado, frei Serafim voltou à Itália, para sua amada Catania, na Sicília, onde faleceu a 14 de maio de 1887.

Veio várias vezes ao Rio Grande do Norte e, entre outras, deixou esta lenda de sua intervenção miraculosa.

Um homem de bem, pobre, com família numerosa, estava sendo impaciente de receber os 100 mil réis, e não sabia que fazer para enfrentar a vida difícil. Foi procurar frei serafim de Catania no consistório da igreja de Santo Antônio, expondo, com lágrimas, sua desventurada situação. O frade ouviu-o, animou-o e erguendo-se, olhou ao derredor, vendo apenas uma lagartixa que balançava a cabeça numa janela. O capuchinho fez o sinal da cruz e o animal imobilizou-se como feito de bronze. Frei Serafim embrulhou-o num pedaço de papel e entregou-o ao necessitado penitente.

"Peça dinheiro emprestado sob este penhor e livre-se da miséria. Daqui a um ano volte, trazendo o objeto e o coloque no altar, nos pés de Santo Antônio. Promete?"

"Juro pela salvação da minha alma!" — respondeu o pobre homem.

Correu ao agiota, pedindo a fortuna de 500 mil, deixando um depósito. O onzenário abriu o embrulho e encontrou uma lagartixa de ouro, com a boca de rubis e os dois olhos de brilhantes. Valia o triplo. Pesou, provou, experimentou e deu os 500 mil réis ao freguês. Este, com menos de um ano, estava livre de preocupações. Possuía casa própria, gado, uma loja, a família tranqüila e feliz, cavalo de sela para o trato dos negócios. Foi ao usurário, liquidar o débito. Este propôs comprar a lagartixa de ouro. "Não é minha", explicou o abastado negociante.

Recebendo o penhor, foi à igreja de Santo Antônio e, feita a vênia, depôs o pacote aos pés do orago. Imediatamente o papel mexeu-se e dele saiu, esfomeada e rápida, uma lagartixa, viva e veloz, em desabalada carreira. O homem percebeu o milagre de frei Serafim de Catania e, ajoelhando, rezou longamente, agradecendo a mercê.

O inimitável Ricardo Palma conta episódio semelhante ocorrido em Lima, no Peru. O taumaturgo é outro franciscano, frei Gomez, nascido em 1560 na Estremadura e falecido a 2 de maio de 1631. Era frade leigo, enfermeiro durante quarenta anos. (Ricardo Palma, Flor de tradiciones, "El alacran de Fray Gomez", p.88-94, México DF, 1943).

Um castelhano honrado e velho veio procurar frei Gomez, suplicando-lhe o milagre de uma esmola de 500 duros por seis meses. Frei Gomez nunca tivera uma peseta. Ouvindo o suplicante, comoveu-se e, arrancando uma página de um livro, encolveu com ela um escorpião que atravessava o recanto. Era o lacrau agressivo, anzol na cauda, tesouras abertas, pequenino e feroz. O homem levou o escorpião ao agiota pelo empréstimo de 500 duros.

Transformara-se numa jóia de rainha. Er aum broche, com forma de lacrau. O corpo formado de uma esmeralda magnífica, engastada em ouro, a cabeça de brilhantes com dois rubis por olhos. O agiota ofereceu emprestar-lhe o quádruplo. O homem aceitou unicamente os 500 duros e tão bem os movimentou que estava farto e sereno de economia no fim do semestre. Foi pagar a dívida e recobrar a jóia.

Levou-a a frei Gomez. Este repôs o escorpião no peitoril da janela, abençoou-o: "Animalito de Dios, sigue tu caminho..."

E o lacrau recomeçou a andar livremente pelas paredes da cela.

Não ponho dúvidas em crer que a divina intervenção ter-se-á realizado na cidade do Natal na segunda metade do século XIX e na cidade de Lima nos princípios do XVII.

Mas há outra, irmã e bem expressiva, René Basset (Mélanges africains et orientaux, p.307, Paris, 1915), comentando E. Gaultier no Contribution à l’étude de la littérature copté (Cairo, 1905) divulga o caso que na América do Sul tivera personagens como frei Gomez e frei Serafim de Catania.

É uma tradição cristã no Egito. Ligada ao ciclo taumatúrgico de São Basílios.

Um pobre, protegido pelo santo, toma emprestado 40 dinares a seu padrinho, dando de caução uma serpente ordinária que São Basílios tornara de ouro, com a cabeça de esmeralda e os olhos de rubis. No fim do ano, o agiota, levado pela avidez e aconselhado pela mulher, recusou devolver o penhor, raro e precioso. Mas a jóia voltou a ser serpente, venenosa e viva. O episódio dos coptas egípcios mantém as mesmas pedras, esmeralda, rubi e o ouro. O ensinamento moral copta em nada altera a substância temática das tradições brasileira e peruana.

(Cascudo, Luís da Câmara. "Lagartixa de ouro". O Estado de São Paulo, 12 de outubro de 1958
 
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Aniversário de LEANDRO e do FITICO


 
19 de novembro, dia da Bandeira nacional, é a data de aniversário do maior poeta da Literatura de Cordel, Leandro Gomes de Barros (1865) e também de meu bisavô Francisco de Assis de Souza — o Fitico do Castro —, que embora não tenha se dedicado a esse ofício, também fazia os seus versinhos...  testamentos de Judas e segundo alguns teria escrito também A Onça da mão torta e O Boi Vermelhinho, dois cordéis que tiveram certa repercussão no limiar do século XX, mas que circularam somente de forma manuscrita em cadernos de família.

De Leandro eu já falei bastante neste blog e estou prestes a lançar a sua biografia pela Editora Coqueiro, do Recife. O projeto inicial previa, além da biografia, uma Antologia Comentada do grande poeta. Estou tentando captar recursos para executar essa idéia.

Voltemos ao meu bisavô, figura que desejo homenagear nesta data dos 143 anos do seu nascimento. O velho Fitico era um danado… Possuía uma pequena, porém ótima biblioteca com livros editados no Brasil, Portugal e até Alemanha, quase todos de temática sacra e gostava muito de escrever, em bom português e ótima caligrafia. Olympio Viana (o Pai Viana da Cacimbinha), um de meus bisavós maternos, também tinha esse hábito. Quanto ao Miguel do Castro dizem que também era poeta de nomeada, pois quando estava moribundo ainda teve fôlego para compor essa quadrinha para uma comadre que viera visitá-lo: 

— Quatro coisas me aborrecem,
Fora faca que não corta...
Dormir cedo, acordar tarde,
Mulher feia e besta torta! 

— Pegue esta pra você, comadre! — Teria dito o enfermo. 
 

Francisco de Assis de Sousa nasceu no dia 19 de novembro de 1870 e casou-se com uma sobrinha, Maria das Mercês Viana de Sousa, filha de sua irmã Francisca, mais conhecida como ‘Mãe Souza’ e de Miguel Martins Viana. A moça era 14 anos mais jovem, pois nascera no dia 18 de fevereiro de 1884. Ainda adolescente, Fitico estudou na capital, nos bons tempos da Fortaleza descalça, quando chegou a conhecer a famosa Marica Lessa (Maria Francisca de Paula Lessa), personagem que inspirou Manoel de Oliveira Paiva em seu célebre romance Dona Guidinha do Poço. Já senil e amalucada, a velha ainda teimava em protestar inocência no caso do assassinato do seu marido, o coronel Domingos Victor Abreu, morto pelo escravo Corumbé, a mando da própria Marica Lessa e de seu amante Senhorinho, segundo se dizia.

Fitico foi contemporâneo e admirador do Padre Cícero Romão e protetor do Padre Azarias Sobreira, o melhor e mais fidedigno biógrafo do patriarca do 'Joaseiro'. Encontrando-o adoentado, ainda adolescente, a caminho do Convento de Canindé, onde foi seminarista, Fitico prontificou-se a cuidar de sua saúde na Fazenda Castro, de sua propriedade. No Castro, o jovem Azarias recebeu calorosa acolhida durante meses, até recuperar-se e poder retornar aos estudos religiosos, pois era esse o seu intento. Quando ordenou-se sacerdote, veio celebrar uma missa na capelinha do Castro, erguida pelo meu bisavô, dedicada à Jesus, Maria e José, capela na qual eu viria a me batizar pelas mãos do padre Vital Elias, então vigário de Madalena. Ali também fiz a primeira comunhão que me foi ministrada pelo Padre Nery Feitosa, escritor e historiador dedicado.

Minha avó Alzira Viana de Sousa Viana (Lima, após o matrimônio) era leitora contumaz dos clássicos do cordel e papai, Francisco Evaldo de Sousa Lima, um apaixonado por cantoria que não aventurou-se pelo mundo com uma viola às costas porque a família (meu avô, principalmente) não foi de acordo. Mas adquiriu um vasto cabedal de livros e folhetos que decorava com grande facilidade e lia ou declamava para os filhos sempre que tinha tempo. Dois de meus irmãos também fazem versos com grande facilidade, são eles Klévisson e Itamar.
 
Casa do Fitico, construída por seu pai Miguel do Castro em 1851
 
 
O BOI VERMELHINHO (TRECHOS)
Autoria atribuida ao FITICO

Caros amigos leitores
Todos prestem atenção
Que agora eu vou contar
A história dum barbatão
Que aconteceu algum tempo
Aqui no nosso sertão,


"Nasci nas Lages dos Lessas
Debaixo de um juazeiro
Minha mãe me disse um dia
Que eu ia ser cangaceiro
E eu prometi a ela
De nunca entrar em chiqueiro.


No dia em que eu nasci
A vinte e sete do mês
Num dia de sexta-feira
Foi esta a primeira vez
Que houve um eclipse total
Em novecentos e seis.

 

O FITICO E SUA FAMÍLIA

Nome: Francisco de Assis de Souza

Nascimento: 19 de Nov de 1870

Morte: 22 de Abr de 1962

Pais: Miguel José de Sousa e Francelina Paulino do Amor Divino

Irmãos: Maria Joaquina do Espírito Santo (Mariazinha), Antonio José de Sousa, Francisca de Sousa, Maria do Rosário de Sousa, Raquel de Sousa, Izabel de Sousa (Zabilinha), Maria de Santana de Sousa, Joaquim José de Sousa (Quinca), José Joaquim de Sousa (Dedé), Maria dos Reis de Sousa

Esposa: Maria das Mercês Sousa Viana

Filhos: Assis, Moça, Mariquinha, Francelina, Alice, Raimundinha, Álvaro, Zezinho, Alzira, Luizinho, Zequinha e Carmelita.

Netos e bisnetos: Uma infinidade, quase tão numerosos como os descendentes do patriarca Abraão.

 

LAGARTIXAS VERDINHAS PELO CHÃO


Poema de Patativa do Assaré ilustrado por Mariza Viana e lançado pelas Edições Demócrito Rocha. Trabalho bastante pitoresco, com belas ilustrações. O véi Patativa entendia do riscado! Sabia muito de poesia e manjava também de engenharia genética...
TRECHOS:
Um calango nas árvores trepou
E ficou a vagar de copa em copa
Qual vaidoso rapaz, que tudo topa,
Lagartixa do mesmo se agradou
E com ele ao seu lado passeou
Pelos matos frondosos do sertão
Surgiu logo uma nova produção
Porque Deus desta forma permitiu
E mais tarde, na Terra, a gente viu
Lagartixas verdinhas pelo chão.
Essa história que eu conto aconteceu,
Foi por isso que um tal naturalista
Exibindo um papel de cientista
De saber o segredo prometeu,
Pelejou porém nada resolveu
A pesquisa do mestre foi em vão
E depois que não teve solução,
Ficou ele a dizer que não sabia
Porque neste Brasil a gente via
Lagartixas verdinhas pelo chão.
(...)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

ARTIMANHAS DE JOÃO GRILO



Autor: Arievaldo Viana
Ilustrações: Jô Oliveira
 
 
TODOS conhecem João Grilo
Um menino diferente
Pequeno, feio e franzino
Porém muito inteligente,
Uma mente talentosa,
Bem dotada e engenhosa,
Sagaz e irreverente.
 
Quando nasceu esse ente
Caiu neve em Teresina
E detonou um vulcão
Pras bandas de Petrolina
De Fortaleza a Belém
Os carros correram sem
Precisar de gasolina!
 
Ele tinha a perna fina
E a boca de 'Mãe-da-lua'
Nunca gostou de cantar
A cantiga da perua,
Tudo na vida enfrentava
E satisfeito gritava:
- Manda brasa! Senta a pua!
 
Foi um quengo muito fino
Legítimo cabra da peste
Existiu outro na Europa
Esse viveu no Nordeste
O de lá era um lesado
O daqui era um danado
E não há quem me conteste.
 
O João Grilo português
Meteu-se a decifrador
Rei das adivinhações
E só saiu vencedor
Devido um golpe de sorte
Assim escapou da morte
Recebendo algum louvor.
 
Nosso Grilo foi criado
Com tareco e mariola
Nunca se viu outro cabra
Com tão medonha cachola
Encantou até sultões
Pois nas adivinhações
Foi ele quem fez escola.
 
Nasceu lá na Paraíba
Criou-se em Taperoá
Foi camelô em Sergipe
Fez carimbó no Pará
E foi encontrar a sorte
No Rio Grande do Norte
Fronteira com o Ceará.
 
(...)
 
 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

HANS STADEN EM QUADRINHOS


NOVO ÁLBUM DE JÔ OLIVEIRA


No século XVI, o aventureiro alemão Hans Staden participou de duas expedições ao Brasil. Em sua segunda viagem, foi feito prisioneiro pelos índios Tupinambá, em Bertioga, que praticavam rituais de antropofagia. No período de cativeiro, escapou várias vezes de ser devorado pelos nativos, porque fingia ser frânces (os franceses eram amigos dos Tupinambá) e poque chorava muito (o que era considerado sinal de covardia pelos indígenas). Com esse estratagemas, conseguiu adiar seu sacrifício.
Em 1989 os deliciosos quadrinhos inspirados nessa aventura foram publicados na Itália, na revista "Corto Maltese", e, agora, chegaram em cores às mãos dos leitores brasileiros.



O Editor


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

TARANTELA E MACARRÃO



TARANTELA E MACARRÃO 

EM SÃO JOSÉ DOS CACETES


Eu fiz muitas travessuras
No meu tempo de menino
Já roubei cuia de cego
Já cortei corda de sino
Só nunca fui pederasta
Mas passei tirando um fino.
(O poeta gozador – Oliveira de Panelas)

Cheguei para morar em Canindé-CE com 12 anos de idade, em fevereiro de 1980 e ali permaneci ininterruptamente por mais 12, até 1992, quando mudei-me para capital em busca de trabalho. Naquele tempo todo mundo curtia a música brega que tocava nos botequins e barracas do rio Canindé durante os festejos de São Francisco. A grande novidade era o maranhense Raimundo Soldado & Grupo de Ouro, com um disco que parecia ter sido gravado dentro de uma cumbuca (seria Cumbuca Records, o nome do estúdio?), onde pontificava o mega-sucesso Não tem jeito que dê jeito. Dez entre dez romeiros do Piauí e Maranhão pediam essa música quando chegavam num desses estabelecimentos. Trabalhando como camelô eu freqüentava esses locais e me familiarizava com essas músicas. A penúltima faixa do disco (uma das menos conhecidas) era uma música de ‘protesto’ intitulada Vamos economizar, onde o autor criticava a inflação, a violência no trânsito etc. Eu fiz uma paródia da mesma com o título de Desse jeito assim não dá recheada de versos ingênuos, mas que já continham métrica, rima e alguma visão social. Essa ‘pérola’ foi inscrita num show de calouros promovido pelo colégio em parceria com o comércio local, dentre os quais o ex-prefeito Antônio Monteiro dos Santos. Eis a minha paródia da música de Raimundo Soldado:

Eu não gosto de ver rico
Com o bolso cheio de grana
E dinheiro pra gastar
Enquanto o pobre com fome
No trabalho se consome
Desse jeito assim não dá...

(Refrão: ai, ai, desse jeito assim não dá / ai, ai, desse jeito assim não dá)

Tem rico que até trabalha
Porém tem outro que falha
Com a sua obrigação
Praticando a malandragem
Vivendo de agiotagem
Promovendo a inflação.

O político brasileiro
Fica esperto e bem matreiro
Quando é tempo de eleição
Levando o povo no bico
Só pensando em ficar rico
E lascando com a nação.

(...)


Tinha outras estrofes que não recordo. Ora, quando fui apresentar a tal paródia, devidamente acompanhado pelos músicos Chico Dentão e Filomeno Pereira, num palco improvisado no pátio do colégio Frei Policarpo, eu tremia de nervoso. Acho que era a primeira vez que eu pegava num microfone e depois de cantar a primeira estrofe, esqueci alguns versos da segunda e só então me dei conta que havia perdido a ‘cola’ onde havia anotado a letra da música. Senti-me tal e qual o Charlie Chaplin, cantando aquela famosa tarantela em Tempos Modernos. Foi aí que um dos violonistas teve uma idéia ‘salvadora’.

- Você sabe outra música?

Lembrei-me do grande sucesso do momento nas barracas do Rio Canindé, o coco “Briga em São José dos Cacetes”, da dupla Cachimbinho e Geraldo Mouzinho, e já fui logo enfiando o danado, sem esperar que os músicos fizessem pelo menos uma introdução. Chico Dentão ria, fazendo uma espécie de percussão no tampo do instrumento, enquanto eu desfiava os versos da dupla:

No sítio do Periquito
Eu fui nascido e criado
No São José dos Cacetes
Onde eu fui batizado;
Fui a primeira festa
Perto de Pau Enfincado.

No São José dos Cacetes
Lá ninguém se ‘afragela’
Lá o povo briga tanto
No beiço de uma panela
Nem tampouco fura o fundo
Nem ofende as beiras dela!

(...)



O Sr. Antônio Monteiro fazia sinais de incentivo, de lá da platéia. Mal terminou a apresentação, levantou-se aplaudindo. A nota máxima era cinco, mas ele foi logo dizendo:

- Dez! Dez para o São José dos Cacetes!!!

E eu, todo empolgado, pensei cá comigo: Ganhei o premio. Se não me engano era uma roupa patrocinada pela Casa Campos.

Que nada, o jurado seguinte, uma professora moralista e puritana foi logo protestando:

- Isso não é musica pra se cantar em colégio, principalmente cantada por uma criança, Minha nota é zero!


Foi uma ducha de água fria nas minhas pretensões de intérprete do cancioneiro popular nordestino. As notas seguintes também foram baixas, influenciadas, talvez, pelo discurso moralista da tal professora. Resultado: ganhei, como premio de consolação, um fardo de macarrão da marca Veneza, fabricado pioneiramente em Canindé pelo saudoso Antonio Monteiro dos Santos.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

MALA DE ROMANCES

CORDELTECA BÁSICA




Taí um presente de FIM DE ANO para ninguém botar defeito! O projeto MALA DE ROMANCES é um kit formado por 100 folhetos, reunidos numa bela maleta. CUSTO: R$ 300,00, incluindo o frete. Reserve já o seu, temos apenas 20 unidades. Maiores informações: acordacordel@ig.com.br
 
A MALA DE ROMANCES inclui clássicos como:

- Pavão Misterioso
- Vida de Cancão de Fogo e seu Testamento
- Chegada de Lampião no Inferno
- Peleja de Pinto com Milanês
- Como se amansa uma sogra
- A cura da quebradeira
- A Festa dos Cachorros
- A intriga do cachorro com o gato
- O rico ganancioso e o pobre abestalhado
- João Bocó e o ganso de ouro
- O batizado do gato
- Quirino, o vaqueiro que não mentia
- As proezas de João Grilo
 
DENTRE OUTROS.

 
 
 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CABRA DESEMPENADO


JOSÉ FREIRE SOBRINHO 

O Baú da Gaiatice teve a primazia de apresentar dezenas de tipos populares de Canindé e cidades adjacentes, que ainda não haviam sido retratados por nenhum cronista. De parelha com Pedro Paulo Paulino, traçamos em prosa e versos o perfil de figuras como Broca da Silveira, Bunaco, Zé Adauto Bernardino, Muquila, Zuquinha das Campinas e o impagável Zé Freire que começaram, a partir de então, a aparecer com freqüência na obra de outros autores. Iniciamos esse trabalho nos idos de 1997 e o livro veio à lume dois anos depois, tornando-se referência no gênero. 

Quanto ao Zé Freire, um dos personagens mais interessantes do livro, temos a grata satisfação de encontrá-lo vivo e com saúde, a narrar suas peripécias e encantar seus interlocutores com a sua prosa engenhosa e divertida. Pedro Paulo Paulino, no seu blog Vila Campos Online (www.vilacamposonline.blogspot.com) continua pesquisando e publicando uma série de crônicas a respeito do Zé Freire, de quem é amigo pessoal, para deleite dos milhares de leitores que visitam aquela página na internet. Ninguém melhor do que ele conseguiu captar a graça e irreverência do curioso personagem, tampouco logrou reproduzir com tanta perfeição o seu modo de conversar e graça peculiar. Dizem que o saudoso Leota dava um verdadeiro show em suas palestras, falando desses tipos sertanejos. Eu imagino se ele tivesse tido a honra de conhecer o Zé Freire...
 
Vejamos a nova crônica que Pedro Paulo Paulino preparou após a recente visita que fez ao Zé Freire, em sua fazendola nas imediações do distrito de Esperança:


Zé Freire mora numa pequena propriedade rural nos arredores da vila que tem o auspicioso nome de Esperança. Foi ali que há mais ou menos um par de décadas ele resolveu se aboletar, trabalhar e viver. Encontrei-o pela manhã remontando a cerca de varas que o “Sereno”, seu Pégaso indomável, havia derrubado, num ímpeto próprio dos eqüinos corajosos.

Logo que me avistou, Zé Freire caminhou de onde estava e fez esta saudação: “Deus te traga em boa hora, feliz do homem que encontra outro trabalhando!” O rosto empoeirado e queimado do sol, mas conservando o vigor; bigode escuro e imponente, olhos acinzentados pelos 80 janeiros completos, mãos grossas cujas riscas são como riachos escorrendo suor, Zé Freire pareceu-me um velho bruxo em estado de abandono.

Do alto da chapada, ele abre os braços para um lado e outro e mostra o produto do seu labor diário: cerca bem cuidada, capim verde para o gado, bebedouro limpo junto à represa onde resiste um punhado dágua, mas em cuja vazante nunca faltam a batata, o jerimum, o feijão de corda e a melancia.

Ao redor, a caatinga pintada de preto toma conta do resto.

– Este verde é um pequeno oásis, comento. – Ele desconhece a palavra oásis e dá seu parecer, vitaminando bem a conversa, como é de seu bom natural:

– Isto aqui, Pedro, abaixo de Deus, é obra minha e do seu Chico, meu ajudante. Acordo primeiro que o galo e já dou de garra da luta. Desde o dia que nasci não parei de trabalhar um minuto, já sofri mais do que jumento fazendo açude.

E prossegue falando caudalosamente da sua trajetória no mundo, seja como boiadeiro, seja como curandeiro, quiromante, feitor de obra, mochador de boi, poeta e profeta, motorista de horário, e agora criador e roceiro, enfrentando pau e pedra, chuva e seca.

– Não reclamo a Deus nem ocupo Ele com pouca coisa. Conheço 23 estados do Brasil, fiz 55 filhos, perdi a conta dos netos e dos bisnetos e das carrada de mulher que apareceu na minha vida. Quando eu era novo, num só ano de bom inverno emprenhei 14 companheira, inclusive uma das sogras.

Dito isto, me convida para o café com pão de milho da hora, servido pela D. Laninha que, segundo ele, foi sua derradeira conquista, a qual lhe deu os herdeiros caçulas: o Cidrak, já engrossando o cangote, e o José Freire Sobrinho Jr., de apenas três anos. “Este último”, diz Zé Freire, “puxou noventa e nove por cento do meu sangue. Só é menino na parença, mas já tem ação de cabra macho disposto e namorador”.
 
(...)
 
Ver postagem completa aqui: www.vilacamposonline.blogspot.com