terça-feira, 12 de julho de 2016

FESTA DE GADO NA CAATINGA



Montagem sobre pintura de Fabiano Chaves


PRODUÇÃO DA NOVELA "VELHO CHICO" 

REALIZARÁ FILMAGEM COM VAQUEIROS


A produção da novela VELHO CHICO, da Rede Globo de Televisão, faz um convite aos diversos vaqueiros do Sertão Central. O objetivo é reunir cerca de 200 vaqueiros, trajados a rigor na vestimenta tradicional, para gravação de uma pega de boi na caatinga. Não se trata, obviamente, do esporte que hoje é conhecido como "vaquejada" e sim da atividade tradicional do vaqueiro, que vem desde os tempos do Brasil Colônia, o trato entre o vaqueiro e o gado em seu habitat natural. Os participantes deverão usar a indumentária tradicional, que é composta de gibão, chapéu de couro, perneiras e outros artefatos de couro.

Além das cenas com os vaqueiros a produção da novela quer ainda gravar um momento de descontração dos vaqueiros em um forró pé de serra. Os contatos com a produção foram intermediados pelo poeta Marco Haurélio. Apresentamos algumas alternativas de espaço para gravação, dentre as quais a Fazenda Serrote, em Caridade. A produção de Velho Chico deve chegar ao Ceará na próxima sexta-feira, 15. As filmagens devem ocorrer no sábado, 16.

Vaqueiros de Caridade, Canindé, Paramoti, Itatira, Madalena, Quixeramobim, Quixadá, Boa Viagem, Choró, Morada Nova e municípios adjacentes podem participar.

A novela VELHO CHICO vem promovendo o resgate da legítima cultura popular nordestina. A Prefeitura de Caridade apoiará a iniciativa e convida os vaqueiros da região para abrilhantar esse momento.


TRADIÇÃO QUE VEM DO CICLO DO COURO

O escritor Antônio Bezerra, cearense de Quixeramobim, no livro O Ceará e os Cearenses, publicado em 1906, assim descreve o vaqueiro nordestino:

“Apesar dos pesares o vaqueiro é um tipo que não desaparecerá do Ceará. Vestido airosamente de estreitas perneiras, espécie de calças de couro, guarda-peito, gibão e chapéu, tudo feito da melhor e da mais bem curtida pele de veado capoeiro (cervus rufus), bem pespontado em admiráveis desenhos a linha (...)

Nas juntas, quando nalguma várzea se rodeia o gado, basta que uma rês se desprenda do magote e corra em busca da mata para que se precipite em vertiginosa carreira até emparelhar e, nesse momento inclinando-se o vaqueiro sobre a sela para o lado direito, enrola na mão o extremo da cauda da rês e num rápido empuxão atira-o ao solo, onde é imediatamente presa ou peada.”

Como se vê, tal atividade era desenvolvida no tempo em que as cercas eram raras no sertão e o gado pastava em grandes soltas, sendo necessário um esforço sobre humano para conduzir os rebanhos para os currais.