quinta-feira, 5 de abril de 2012

PAIXÃO DE CRISTO EM CORDEL


OS SOFRIMENTOS DE JESUS CRISTO
Autor: José Pacheco da Rocha



Oh! Jesus, meu redentor
Dos altos céus infinitos
Abençoai meus escritos
Por vosso divino amor
Leciona um trovador
Com divina inspiração
Para que vossa paixão
Seja descrita em clamores
Desde o princípio das dores
Até a ressurreição.



Dentro do livro sagrado
São Marcos com perfeição
Nos faz a revelação
De Jesus crucificado;
Foi preso e foi arrastado
Cuspido pelos judeus
Por um apóstolo dos seus
Covardemente vendido
Viu-se amarrado e ferido
Nas cordas dos fariseus.



Dantes predisse o senhor
Meus discípulos me rodeiam
E todos comigo ceiam
Mas um me é traidor,
Sobre a mão do pecador
Meu  corpo ao suplício vai
Porém vos digo que ai
Do homem que, por dinheiro,
Transforma-se em traiçoeiro
Contra o Filho do Deus Pai.



Todos na mesa consigo
Clamavam em alta voz
Senhor, Senhor, qual de nós
Vos trai, dos que estão contigo?
Disse Cristo: - É quem comigo
Justamente molha o pão
E todos me deixarão
Mas São Pedro respondeu:
- Mestre, garanto que eu
Não vos deixarei de mão.



Em verdade deixarás
Nessa noite, sem tardar,
Antes do galo cantar
Três vezes me negarás
Pedro com gestos leais
Disse em voz compadecida
És-me a morte preferida
Mas não serei teu contrário
Ainda que necessário
Me seja perder a vida.



Estava tudo benquisto
Com Pedro dizendo igual
Até na hora fatal
Da prisão de Jesus Cristo,
Então quando se deu isto
Pedro a espada puxou
Num fariseu despejou
Um golpe tão desmedido
Que destampou-lhe o ouvido
Quando a orelha voou...



Ouviu a voz sublimada
De Cristo em reclamação
Dizendo em repreensão
Pedro, guarda a tua espada,
Deixa, não promovas nada,
Porque tudo é permitido
Não sejas enfurecido
Não tentes e nem te alteres
Pois se com o ferro feres
Com ele serás ferido!


(...)






quarta-feira, 4 de abril de 2012

A vida de Jesus na Literatura de Cordel


O trabalho a seguir é um dos textos mais inspirados sobre a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi concluído em 1966, pelo grande poeta DIMAS BATISTA:


JESUS, FILHO DE MARIA

I PARTE - A INFÂNCIA DO SALVADOR

Autor: Dimas Batista
Dedicado à Silvestre Alves da Silva
Trabalho concluído em 17 de abril de 1966


Ó sagrada onipotência
Dá-me inspiração dileta,
Pois sou um pobre poeta
Despido de inteligência.
Muito embora sem ciência
De História ou Teologia,
Pretendo, em fraca poesia,
Descrever todo o passado
Do Santo Verbo Encarnado
Jesus, Filho de Maria!



Quatro Evangelhos no mundo
Firmados na lei de Deus,
Primeiro, o de São Mateus,
De São Marcos, o segundo,
Sendo o terceiro, profundo,
Que São Lucas anuncia,
O quarto tem primazia,
Foi escrito por São João,
Que amava de coração
Jesus, Filho de Maria!



Uma Virgem Soberana,
Natural de Nazaré,
Esposa de São José,
Filha de Joaquim e Ana;
Dentre toda a raça humana,
Sendo Virgem, Pura e Pia,
Por Deus, escolhida, havia,
De ser a Mãe de Jesus,
Futuro mártir da cruz,
Jesus, Filho de Maria!



Entre os hebreus consagrados
Essas coisas foram ditas,
Nas verdades infinitas
Dos profetas inspirados!
Há muitos anos passados,
Afirmava a profecia,
Que, lá dos céus, desceria
Pra remir o mundo inteiro,
O Sacrossanto Cordeiro
Jesus, Filho de Maria!



Vindo da Santa Mansão
Gabriel desceu do espaço,
A vinte e cinco de março,
Dia da Anunciação!
Fez o anjo a saudação:
“Bendita és tu, Virgem Pia,
Deus a dizer-te, me envia,
Que, em teu ventre imaculado,
Gerar-se-á, sem pecado,
Jesus, Filho de Maria!



Guardar sempre a virgindade
Maria a Deus prometeu
São José, esposo  seu,
Também jurou castidade!
Mas a virgem de bondade
Que, santamente, vivia,
Dessa forma concebia
Por obra do Espírito Santo
Gerado estava, portanto,
Jesus, Filho de Maria!


Depois disso, nas montanhas,
A Santa Esposa Fiel
Foi visitar Isabel,
Já com Jesus nas entranhas
Chegando, foram tamanhas,
As sensações de alegria,
Que Isabel estremecia,
Vendo a mãe do Deus menino,
Bendito, Verbo Divino,
Jesus, Filho de Maria!



Dessa visita que fez,
Com três meses, regressava,
E, n’Ela, já se notava
Sintomas de gravidez!
Faltavam, no entanto, seis
Meses pra chegar o dia,
Em que d’Ela nasceria
Repleto de Luz e Fé,
Sem ser filho de José,
Jesus, Filho de Maria!



José encheu-se de espanto
Vendo Maria pejada!
E, ali sem dizer nada,
Ficou triste o esposo santo!
O seu ciúme foi tanto,
Que nem de noite dormia,
Pois São José não sabia
Desse mistério divino,
Que era gerado o menino
Jesus, Filho de Maria!



Assim, planejou, ciumento,
Sua esposa abandonar!
Mas veio um anjo avisar:
“ – José, não sejas violento;
Não faças mau pensamento,
Nem sofras melancolia:
Pois Deus mesmo é quem confia,
Dela, o mistério profundo,
Do qual surgirá, no mundo,
Jesus, Filho de Maria!



José, depois de avisado
Pelo enviado bendito,
Ficou triste  muito aflito
Por ter, assim, censurado!
Indo viver consolado
Com divina regalia,
Pois, agora, conhecia,
Que a divina esposa virgem
Concebeu, por santa origem
Jesus, Filho de Maria!



César Augusto, o soberano,
Decretou, com fundamento,
Um geral recenseamento
Do grande império romano.
E, naquele mesmo ano
Esse édito se cumpria;
São José, que não sabia,
Foi lá, cumprir seu dever,
Onde havia de nascer
Jesus, Filho de Maria!



Maria fez a viagem
Para se recensear,
Já perto de descansar,
Ninguém lhe dava hospedagem!
São José fez estalagem
Numa pobre estrebaria,
Nessa humilde hospedaria,
Cheia de paz e pureza,
Nasceu, em  plena pobreza,
Jesus, Filho de Maria!



Naquela gruta singela
Tão pobre, humilde e serena,
A Virgem Mãe nazarena
Deu à luz, ficou donzela,
São José, pertinho dela,
Imenso gosto sentia;
Enquanto alegre, sorria,
Na mais divina ternura,
Nos braços da Virgem pura
Jesus, Filho de Maria!



Os três magos do Oriente
Vieram adorar Jesus,
Guiados por uma luz
Duma estrela refulgente.
O astro pairando em frente,
Da escura gruta sombria,
Os Magos viram que havia,
De palha, um berço, no centro,
Onde, alegre, estava dentro,
Jesus, Filho de Maria!



Herodes foi informado
De haver, no reino, nascido,
O Messias Prometido,
O Salvador desejado!
E os Magos tendo chegado,
Herodes que os percebia,
Disse, fingindo alegria:
“Ide e vinde me informar,
Quero também adorar
Jesus, Filho de Maria!”



Quando os três Magos chegaram
Fizeram do seu tesouro,
O incenso, a mirra, o ouro,
Como oferta consagraram,
Prostrados, O adoraram,
Cheios de gosto e alegria;
Iam voltar no outro dia,
Com a glória de terem visto,
Rei Santo, Sagrado, Cristo,
Jesus, Filho de Maria!



Herodes fez mau juízo
De assassinar a criança;
Da projetada vingança,
Os Magos tiveram aviso.
Uma voz do Paraíso,
Aos três, em sonho, dizia:
“Regressai por outra via,
Que Herodes, pra se vingar,
Tem pretensão de matar
Jesus, Filho de Maria!”



Indo os Magos de regresso
Por caminho diferente,
Herodes, ao ser ciente,
De raiva ficou possesso!
E decretou, por excesso,
De bruta selvageria,
A morte dura e sombria
Das crianças de Belém,
A fim de matar também
Jesus, Filho de Maria!


Mas, por um anjo, foi dito,
Que por decreto divino,
José, Maria e o menino
Fugissem para o Egito.
Que Herodes, rei maldito,
Matar Jesus pretendia!
São José, em companhia
De sua fiel consorte,
Fugiu, livrando da morte,
Jesus, Filho de Maria!


Lá no Egito altaneiro,
Nação mui celebrizada,
Teve a Família Sagrada
Seu refúgio hospitaleiro,
Junto ao Nilo prazenteiro,
Gigante d’água bravia,
Que goza a supremacia
Doutros rios africanos,
Onde viveu sete anos,
Jesus, Filho de Maria!



São José já regressava,
Maria e Jesus também,
Não para Jerusalém,
Onde Arquelau dominava!
Pois esse príncipe odiava
Tudo que a Deus pertencia,
E, por isso, poderia,
Querer perseguir os três
Ou mesmo, matar, talvez
Jesus, Filho de Maria!



Jesus, Maria e José
Por ordem da Providência,
Fixaram residência
Numa casa, em Nazaré.
Viviam cheios de fé,
De paz, de amor, de harmonia;
A Luz da Sabedoria
Divina multiplicava
Mais a mais, iluminava,
Jesus, Filho de Maria!



São José, bom carpinteiro,
Trabalhava a toda hora;
Lutava Nossa Senhora
No seu serviço caseiro!
No tear o dia inteiro,
Belas túnicas tecia;
Diariamente se via,
Na tenda de Nazaré,
Ajudando a São José,
Jesus, Filho de Maria!



Com sábios e professores,
Certa vez, Jesus, no templo,
Do seu saber deu exemplo,
Discutindo com os doutores!
Calaram-se os demais senhores
E o povo, abismado, ouvia,
Frases de sabedoria
Jorravam dos lábios d’Ele,
Doze anos tinha Aquele
Jesus, Filho de Maria!

(...)



Dimas Batista Patriota, nasceu no ano de 1921, na então Vila Umburanas, município de São José do Egito, hoje cidade de Itapetim-PE. Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Batista Patriota ambos paraibanos. Dotado de uma intelência Privilegiada, aos cinqüenta anos de idade, formou-se em letras clássicas na mesma faculdade de onde seria professor de língua portuguesa. Era considerado o cantador mais culto de todos os tempos. Além de repentista renomeado, era historiador geógrafo e poliglota. Dimas fez a sua primeira cantoria aos quinze anos de idade, na cidade de São José do Egito. Faleceu em Fortaleza em 1986, vítima de acidente vascular cerebral; sepultou-se em tabuleiro do Norte, local onde residia. Obras: Jesus Filho de Maria; História da CNEC (Em versos); As Três cruzes;Desafio (Dimas e Cabeleira)”

terça-feira, 3 de abril de 2012

MEU TRABALHO É FAZER UM CORDEL...


 
Quase todo dia recebo em meu blog Mundo Cordel manifestações como essas:

“Ai eu tô presisando de um cordel para um trabalho da escola, eu ñ sei fazer e por isso pesso a ajuda de vcs por favor me manda um ainda hoje!!!!!!!” 

“eu não sei fazer um cordel pois minha Professora de Lingua Portuguesa quer que eu e meus colegas de sala passem um cordel mais ninguem sabe tem como voçes mim ajudarem um pouco ou então da uma dica de como é um cordel ?” 

“ahhhhhhh ate vc (…) a prof de poRTUGUES Passou esse mtrabalho!!!!!!!!!!!!!poiser gente nao tenho a minima como criar um cordel me ajudemm………..por favor” 

“n sei fazer cordel presiso pra 2 trabalho de arte”
 

Longe de querer tripudiar sobre a dificuldade que essas pessoas demonstram para a comunicação por meio da Língua Portuguesa – até porque em geral são crianças, que dão seus primeiros passos na linguagem escrita – pretendo chamar a atenção para um fato que parece estar relacionado com a popularidade que a Literatura de Cordel vem reconquistando nos últimos anos.

Bem se sabe que atualmente, nas escolas brasileiras, é comum se falar de Cordel na sala de aula, seja para o estudo da Literatura de Cordel como manifestação artística, seja usando o Cordel para estudar outros temas, como ecologia, história e até matemática.

Para mim, que sou cordelista – e penso que, para os cordelistas em geral – é animador ver o Cordel ocupando esse espaço na educação, seja de crianças, seja de jovens e adultos. A linguagem simples e direta, associada ao ritmo da escrita rimada e metrificada, sem dúvida são fatores que ajudam no aprendizado, e, ao que tudo indica, os resultados já são sentidos pelos educadores que lançam mão do Cordel em seu trabalho.

A par disso, parece-me estranho que alguns professores estabeleçam a criação de um Cordel, tratando desse ou daquele assunto, como trabalho a ser desenvolvido pelos alunos, valendo nota. Quando recebo os pedidos de ajuda dos estudantes internautas, pergunto-me: “É razoável exigir de um estudante, especialmente uma criança, que aborde determinado tema em versos, observando as regras de rima e de métrica características da Literatura de Cordel?”.

Ainda não cheguei a uma posição definitiva, mas, até agora, o estabelecimento da criação de um Cordel como tarefa válida para obtenção de nota, tem me parecido um tanto forçado. Chego a pensar se os professores que agem assim vêem o Cordel com algo banal, que qualquer pessoa poderia criar. Por outro lado, não posso crer nisso, pois sei que os professores que utilizam o Cordel como ferramenta educativa são exatamente aqueles que o valorizam e admiram, e quem estuda a Literatura de Cordel sabe que não é fácil escrever rimando, metrificando e, ainda por cima, sintetizando o conteúdo para desenvolver ideias, às vezes complexas, em estrofes de seis, sete ou dez linhas.

Aliás, até se torna relativamente fácil para quem tem o dom, o que não depende de educação e cultura, pois muitos são os cordelistas de renome que praticamente não tiveram estudo, embora a maioria reconheça que a leitura enriquece o vocabulário e amplia as possibilidades para a abordagem de assuntos mais variados.

Sabendo disto, parece-me natural que, em um grupo de estudantes, um ou outro tenha condições para escrever em forma de Cordel, mas boa parte simplesmente não conseguirá. Afinal, é de arte que se está a tratar, e arte requer um mínimo de talento.

“Mas, crianças não desenvolvem atividades com tintas e pincéis, sem ser artistas plásticos?”, é a pergunta que me vêm à mente. E junto me vem uma resposta: “É verdade. Como é verdade também que crianças fazem pequenas dramatizações sem ser atores e atrizes, mas, não é comum que crianças componham canções ou executem peças musicais ao violino”. No final, salvo os casos de crianças-prodígio, nem o quadro será arte plástica, nem a dramatização será uma peça de teatro, mas alguma coisa será feita. Já a canção, pode ser que nunca fique pronta. Quanto ao violino, além de ser complicado até para músicos, o ruído que faz quando mal utilizado é simplesmente insuportável.

Talvez as coisas sejam assim mesmo. Algumas manifestações artísticas suportam bem que pessoas que não têm vocação para elas brinquem com suas ferramentas, outras nem tanto. Pelo que tenho visto nos pedidos de ajuda que chegam ao Mundo Cordel, parece-me que, tendo como ferramenta a palavra, e sendo necessário que o uso da palavra observe algumas regras rígidas, a Literatura de Cordel é muito divertida para ser lida, declamada, interpretada, mas a sua criação costuma deixar em pânico aqueles que não têm pelo menos um pouco de habilidade inata para fazê-lo.

Nessa linha de pensamento, creio que até faça sentido adotar como atividade escolar a tentativa de elaboração textos em forma de Cordel, como trabalho de grupo, mas sem o dever de se chegar a um resultado final muito elaborado. Isso daria oportunidade para que cada um desenvolvesse o seu talento e criatividade, mas sem gerar pressão sobre os que não conseguissem chegar a um resultado apresentável.

Claro que essa é a minha visão, como cordelista, sem qualquer garantia de que outros cordelistas pensem assim, e sem saber o que pensam os educadores sobre o assunto. Estes talvez tenham explicações que afastem totalmente essas minhas ponderações, e eu bem que gostaria de conhecê-las.


Por: MARCOS MAIRTON
Fonte: Mundo Cordel


P.S.  O kit do projeto ACORDA CORDEL tem um capítulo intitulado "Como fazer um cordel em classe passo a passo". O kit é composto de um livro, um CD e uma caixa com 12 folhetos de vários autores. Preço: R$ 70.00.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dia Internacional do LIVRO INFANTIL

Do blog do jornalista ASSIS ÂNGELO, extraímos esse texto:

UM PAÍS SE FAZ COM HOMENS E LIVROS
Era uma vez um mundo muito doido, onde os pais não davam bola nem à História nem a histórias de ninar, aquelas de fazer bem a crianças do mundo todo.
E nem aos filhos os pais davam bola.
E não era bola de jogar pelada, era bola de desatenção.
E assim cresciam os filhos ao Deus dará, diante dos aparelhos de televisão.
Cresciam jogando game, matando gente e bicho por brincadeira.
Cresciam à toa, sem passado nem futuro.
...E os filhos iam à escola por obrigação.
Na escola, os professores não sabiam ensinar.
Na escola, os professores até errado falavam.
Mas os filhos dos pais que os mandavam à escola não ligavam pra isso e fingiam aprender a língua-mãe, Geografia. Matemática, Ciências e outras matérias.
Os professores fingiam que ensinavam e os alunos fingiam que aprendiam.
Era aquele um mundo muito doido.
Espécie de reino do faz-de-conta, às avessas.
Espécie péssima dos reinos encantados de verdade, aqueles habitados por príncipes e fadas e guerreiros valentes que não titubeavam um milésimo de segundo sequer para salvar princesas em apuros, fosse combatendo com espadas mágicas dragões ferozes, fosse pondo pra correr bruxas malvadas.
Até que um dia...
Bem, até que um dia alguém disse que um país se faz com homens e livros.
E aí tudo mudou.
Os pais começaram a se interessar por História e leitura.
Os pais começaram a dar importância aos filhos, que deixaram de lado o vício de ver TV e jogar games e assim nunca mais mataram gente nem bicho.
Na escola, os professores passaram a ensinar de verdade e de verdade os alunos passaram a aprender e descobriram durante pesquisas em livros didáticos o autor da frase que tratava de homens e livros: o paulista de Taubaté Monteiro Lobato.
E descobriram mais: que em homenagem a Lobato, autor de uma infinidade de obras para crianças e adolescentes, foi criado o Dia Nacional do Livro Infantil: 18 de abril.
Mas hoje é 2 de abril...
Descobriram que foi num 2 de abril que nasceu outro ilustre escritor: o dinamarquês Hans Christian Andersen.
Como Lobato, Andersen dedicou a vida a escrever histórias para o público infantojuvenil.
Como Lobato, Anderson nos legou à História obras-primas do gênero, como O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia e O Patinho Feio.*
E como Lobato, Andersen ganhou o Dia Internacional do Livro Infantil.
É bom contar e ouvir histórias.
Você já leu A Menina Inezita Barroso?

Que viva a criança em todos nós!

* Os livros O SOLDADINHO DE CHUMBO e O PATINHO FEIO ganharam versão em cordel de Arievaldo Viana e serão lançados em breve pela FRANCO EDITORA, de Minas Gerais.

Fonte: www.assisangelo.blogspot.com

domingo, 1 de abril de 2012

CLÁSSICOS DO CORDEL

Lucilane e Carmelita
A VIDA DE UM VAQUEIRO VALENTE
OU A VAQUEJADA NO CÉU
Autor: Lucas Evangelista




Sou um poeta que vive
  da poesia somente 
porém gosto d'uma história 
versada em alta patente
  que se vê moça bonita
  casar com rapaz valente.

Para quem gosta de luta
  de ver a palha voar
  penetre neste meu livro
  que daqui pra terminar
  se sabe como um rapaz
  tem estética pra brigar.
 

  Dando volta na memória
  vou traçar em poesia
  um romance destacado
  que todo mundo aprecia
  a história de um vaqueiro
  que passou-se na Bahia.

Chamava-se Lucilane
  o leitor bem compreenda
  pois ele desde menino
  já nasceu de encomenda
  pra montar cavalo brabo
  e trabalhar em fazenda.

Logo desde criancinha
  Seu pai lhe deu a um senhor
  A um cidadão ricaço
  Por nome João Salvador
  Tinha diversas fazendas
  Era grande agricultor.

Em cada fazenda ele
  Apoiava cangaceiro
  Apreciava na vida
  Moça bonita e dinheiro
  Cavalo de campear
  Homem valente e vaqueiro.


Quando o pai de Lucilane
  Foi o menino entregar
  Disse: - Seu João, cuidado
  Pois eu vou lhe avisar
  Que meu filho é impossível
  De ninguém lhe aguentar.

 
O velho disse: - O garoto
  Tem traços de valentão
  Vou criá-lo com cuidado
  Quando ficar rapagão
  Quero ver se ele presta
  Para pegar barbatão.

E começou o menino
  No traquejo muito cedo
  Tinha muito amor a gado
  Campeando no degredo
  Nunca temia a visão
  Nem de nada tinha medo.

Ele só tinha um defeito
  Nunca gostou de amigo
  Menino nas unhas dele
  Corria grande perigo
  Dava num, batia noutro,
  Que parecia um castigo.


O Major tinha uma filha
  por nome de Carmelita
  Contava dezesseis anos
  era uma moça bonita
  além de ser filha única
  era fidalga e bendita.


Vou comparar pelo mínimo
  Sua beleza em meu tema
  Embora que seja fraco
  Para expressá-la em poema
  Pois era muito mais linda
  Que as atrizes do cinema.

Os olhos acastanhados
  E as faces cor de rosa
  Entre as moças camponesas
  Ela era a mais formosa
  Mesmo sem usar perfume
  Carmelita era cheirosa.

Tinha o coração fechado
  Pois nunca amara a ninguém
  Mas quando viu Lucilane
  Começou lhe querer bem
  E o menino gostava
  De Carmelita também.

(...)

Trabalho com a venda de cordéis há quase 15 anos. Em todos os lugares por onde tenho passado ouço as pessoas comentarem a respeito desse poema de Lucas Evangelista. Na década de 70, muitas crianças foram batizadas com o nome de Lucilane em homenagem ao personagem central desse romance. O autor vendeu os direitos autorais ao editor Benedito Antonio de Matos, que imagino já ser falecido. Por isso o romance não vem sendo reeditado há pelo menos 30 anos. Trata-se, sem dúvidas, de um clássico da Literatura de Cordel.