segunda-feira, 20 de novembro de 2017

XILOGRAVURAS

Novas xilogravuras de ARIEVALDO VIANNA (Direitos Reservados)


Che Guevara - Tamanho da cópia 30 x 21cm.
(DIREITOS RESERVADOS)



Patativa do Assaré - Xilo de Arievaldo Vianna
Tamanho da cópia: 30 x 21cm.





INTERESSADOS em adquirir cópias podem entrar em contato através do e-mail acordacordel@hotmail.com

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

SÃO JOÃO E CORDEL NO RS




São João de Cachoeirinha 

Um Encontro entre o Sul e o Nordeste


No último dia 14/11, estive no município de Cachoeirinha-RS, na companhia do ilustrador Jô Oliveira, participando do lançamento da programação prévia do São João de Cachoeirinha - Um Encontro entre o Sul e o Nordeste, que acontecerá em junho de 2018. Nossa visita atendeu convite da jornalista Sônia Zanchetta, coordenadora da Feira do Livro de Porto Alegre.
O evento ocorreu na Escola Portugal, com a participação de alunos e professores que haviam lido obras dos autores previamente; da secretária de Educação, Rosinha Lippert; do secretário de Assistência Social, Cidadania e Habitação, Francisco Belarmino Dias; e de representantes do Centro de Tradições Nordestinas de Cachoeirinha.

A equipe de produção do evento esteve representada por João Batista Fraga.


Clique na imagem para AMPLIAR

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ARIEVALDO NO BAZAR DAS LETRAS




Algumas fotos do nosso lançamento no projeto BAZAR DAS LETRAS, do SESC da Avenida Duque de Caxias (Teatro Emiliano de Queiróz), noite inspirada, com a ótima participação do público e o auxílio luxuoso dos amigos escritores Raymundo Neto, Rouxinol do Rinaré, Silas Falcão e Gláucia Lima.

Fotos: Nice Arruda



Escritor Raymundo Netto


Recebendo homenagem do INSTi, das mãos da escritora Gláucia Lima


Com Nice Arruda






terça-feira, 31 de outubro de 2017

AINDA O MESTRE LEANDRO



Na Escola dos Saberes de Barbalha, encontrei-me com o escritor Batista de Lima, da Academia Cearense de Letras, que como eu, participava de um evento promovido pelo incansável agitador cultural Rosemberg Cariri. Na ocasião, Batista de Lima tomou conhecimento da biografia de Leandro Gomes de Barros, que lancei em 2015, no sesquicentenário de nascimento do ilustre poeta paraibano. No último dia 17/10, o livro foi assunto da sua coluna semanal no Caderno 3, do jornal Diário do Nordeste:

Leandro Gomes de Barros
XILOGRAVURA de Arievaldo Vianna
(Todos os direitos reservados)


Batista de Lima: Leandro, 

o Cordel e Arievaldo
  

BATISTA DE LIMA
caderno3@diariodonordeste.com.br •

Arievaldo Viana publicou em 2014 o livro "Leandro Gomes de Barros - Vida e obra". Ainda hoje distribui esse livro em feiras, congressos e encontros literários. Até parece que na atualidade não importa a qualidade do livro, o difícil é encontrar leitor. Nesse caso, Arievaldo apresenta uma biografia crítica do mestre da Literatura de Cordel, para muitos o pioneiro desse gênero literário no Nordeste.

Em 170 páginas das Edições Fundação Sintaf, de Fortaleza, e da Queima-Bucha, de Mossoró, a vida e a obra de Leandro Gomes de Barros são apresentadas ao leitor com o zelo de pesquisador que não dispensa o mergulho em fontes primárias para trazer à tona tudo que diz respeito ao biografado. Para Pedro Nunes Filho, que escreve as orelhas do livro, Leandro Gomes de Barros é "o mais famoso cordelista do Brasil". Já na apresentação do livro, Marco Haurélio o classifica como "patriarca da literatura de cordel e autor de, pelo menos, vinte clássicos incontestáveis do gênero". Isso comprova o respeito com que intelectuais de nomeada ainda hoje reverenciam Leandro como um clássico do cordel.

É tanto que ele transforma tragédias gregas em folhetos populares. Confronta o sagrado com o profano sem apelos para sectarismos. Por isso que Gilmar de Carvalho lembra, no Prefácio, que esse poeta, pioneiro do nosso cordel, transita da tradição oral para os livros de cavalaria e para as tragédias gregas com a mesma desenvoltura.

Isso prova que Leandro Gomes de Barros era um homem de instrução. Acontece que muita coisa sobre ele e dele não nos chegou até hoje por escrito.

A tradição oral às vezes acrescenta, às vezes se omite a propósito desse famoso poeta. Foi por isso que Arievaldo Viana teve que viajar pelo Nordeste, entrevistar familiares do poeta e consultar arquivos credenciados do cordel como o da Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Foi a cartórios e a velhos cantadores que estiveram próximos a Leandro durante seus últimos anos de vida.

Desse trabalho incansável e demorado surge essa obra de resgate de uma personalidade em vias de cair no ostracismo.

De acordo com a pesquisa de Arievaldo Vianna, Leandro Gomes de Barros nasceu na fazenda Melancia, em Pombal (PB), no dia 19 de novembro de 1865, e faleceu em Recife (PE), em 04 de março de 1918. Seus principais cordéis são "A Vida de Cancão de Fogo e seu Testamento", "Donzela Teodora", "Alonso e Marina", "Sofrimentos de Alzira", "Soldado Jogador" e "Meia-noite no Cabaré". Este foi inspirado em "Noite na Taverna", de Álvares de Azevedo. Há entretanto muitos outros cordéis de sua autoria, além de muitos de onde seu nome foi retirado e colocada outra autoria.

Essa questão da autoria dos cordéis é um problema para pesquisadores sobre o tema. Geralmente quando o espólio de um poeta era vendido, seu comprador comprava também os direitos sobre a obra e mudava a autoria do folheto. Talvez tenha sido Leandro Gomes de Barros uma das maiores vítimas desse comércio. Afinal, sabe-se que após sua morte, sua esposa, D. Venustiniana, vendeu todo seu patrimônio poético a João Martins de Athayde. Daí por diante o novo proprietário, também poeta popular, começou a colocar seu nome em algumas obras que foram de Leandro.

Da mesma forma sabe-se que com o falecimento de João Martins de Athayde, anos depois, todo esse material foi vendido por seus familiares a José Bernardo da Silva, de Juazeiro do Norte, proprietário da Gráfica São Francisco e da Lira Nordestina. Só mais recentemente a Casa Rui Barbosa vem tentando, através de seus pesquisadores, organizar e catalogar essas obras dispersas e de autorias nem sempre verdadeiras.



Acredita-se, pois, que essa pesquisa de Arievaldo seja também uma contribuição para esse trabalho da Fundação.

Nesse processo de venda do patrimônio poético de famosos cordelistas pelos seus descendentes, há razões inquestionáveis que norteiam esses comportamentos. No caso de Leandro Gomes de Barros, constata-se que ao morrer com 53 anos, o poeta deixa a mulher e os filhos numa situação financeira em que não possuíam nem casa própria. Por toda a vida, o cordelista morou de aluguel. Vivia da renda dos seus folhetos.

Além disso Leandro era boêmio e passava tempos fora de casa em viagens de venda do seu material poético. Dona Vênus, e era assim que ele a chamava, quando se viu viúva tendo que sobreviver com os filhos, o único bem que possuía era o espólio poético deixado pelo marido. Assim, ao final da leitura desse livro de Arievaldo Vianna, o leitor se sente confortável para concluir ter mantido contato com um valoroso apanhado crítico e biográfico do pioneiro do cordel nordestino.

É uma obra de cunho também didático porque possibilita conhecer o mais popular de nossos gêneros literários. O cordel, no auge de sua evolução, chegou a ser a crônica principal das populações sertanejas. Isso aconteceu por se configurar uma literatura de fácil absorção pelos seus leitores e ouvintes e também por trazer às camadas populares uma legião de mitos e as lendas que os cercavam. Assim, verifica-se que Arievaldo, com essa publicação, presta uma enorme contribuição para os estudos e para a preservação da cultura popular entre nós.


PUBLICADO no Diário do Nordeste, Caderno 3, edição de 17.10.2017


A quem possa interessar: 
o livro LEANDRO GOMES DE BARROS, VIDA E OBRA 
custa R$ 30,00 e pode ser adquirido através deste e-mail: acordacordel@hotmail.com

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

LANÇAMENTO NO SESC


No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), às 19 horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de Caxias (Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da obra “Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio autor.

Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC, através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por ele criado em 2001.


Arievaldo atuou também como consultor e redator de uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ. 

TRECHOS DA OBRA




Meus leitores vou narrar
Um caso que foi passado
Num livro muito decente
Foi o fato relatado
Minhas são somente as rimas
Nada aqui é inventado.

O senhor Ramiro Chaves
Um grande caminhoneiro
Que nasceu e se criou
Nos vales de Tabuleiro
Em seu livro de memórias
Diz que o caso é verdadeiro.

Pois bem, vamos a história.
Do jeito que foi narrada
Dizem que um fazendeiro
De vida boa e honrada
Nas estradas do destino
Caiu em grande cilada.

Leonel dos Santos era
Este dito fazendeiro
Morava nos Inhamuns
Era pacato e ordeiro
Por ser muito inteligente
Sabia ganhar dinheiro

Em novecentos e seis
Do outro século passado
Veio ele à Fortaleza
Pedir dinheiro emprestado
Pra comprar gado de corte
Com um lucro avantajado.

(...)

Nesse tempo se vivia
Com certa tranqüilidade
O povo de antigamente
Prezava a honestidade
Seu Leonel era um desses
Que não pensava em maldade.

Mas foi a fatalidade
Que este dano originou
Chegando na oiticica
Os seus alforjes tirou
Num galho da dita árvore
Com cuidado pendurou.

Dentro de um dos alforjes
A sua fortuna estava
Mais de cem contos de réis
O fazendeiro levava
Com um lapso de memória
Este pobre não contava.

Depois que almoçou bem
Armou a rede e dormiu
Quando bateu duas horas
Selou o burro e saiu
Lá os alforjes ficaram
E seu Leonel não viu.

Esqueceu sua fortuna
Talvez devido à soneira
No seu burro de valor
Galopou a tarde inteira
Coitado, sem se dar conta.
Da sua grande leseira.

Na casa de um compadre
Dormir ele pretendia
Como de fato chegou
Ao toque da Ave-Maria
Cumprimentou o compadre
Com afeto e alegria.

Mas veio o golpe fatal
Quando tirou a bagagem
Que não viu os seus alforjes
Pensou que fosse visagem
Junto com o seu compadre
Ganhou de novo a rodagem.


(...)






Caricatura: Jô Oliveira

OUTRAS ATIVIDADES MARCAM
CINQUENTENÁRIO DO POETA

63ª Feira do Livro de Porto Alegre-RS

No período de 13 a 15 de novembro, Arievaldo Vianna e o ilustrador pernambucano Jô Oliveira participarão de várias atividades da programação da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorrerá no período de 1º a 19 de novembro, como autores enviados pela Editora IMEPH. Além das atividades programadas no próprio espaço da Feira, que incluem visita à Escola Portugal (palestra para turmas do EJA) e no projeto Autor no Palco, no Teatro Carlos Urbim, a dupla foi convidada pela Associação Centro de Tradições Nordestinas e a Secretaria Municipal de Educação da cidade de Cachoeirinha (que fica a 17 quilômetros de Porto Alegre) para fazer uma palestra sobre cordel no bairro Granja Esperança (onde está radicada a maior parte da colônia nordestina). 



Com o parceiro Jô Oliveira - Bienal do Rio de Janeiro (2012)


IMPLANTAÇÃO DE CORDELTECA EM MADALENA-CE 
E LANÇAMENTO DE UM NOVO LIVRO 
“NO TEMPO DA LAMPARINA”



Também em novembro próximo, em data a ser definida, a Prefeitura Municipal de Madalena irá inaugurar uma Biblioteca de Cordel com acervo selecionado por Arievaldo Vianna. A Cordelteca Alzira Vianna de Sousa Lima é uma homenagem à avó do escritor. Foi com ela que Arievaldo aprendeu as primeiras letras e deu seus primeiros passos como poeta, pois dona Alzira utilizava os folhetos de cordel como ferramenta auxiliar na educação do neto.

Ainda este ano, Arievaldo Vianna pretende lançar seu 32º livro, oitavo em prosa, intitulado “No Tempo da Lamparina – II Volume de Memórias”. A obra reúne crônicas que retratam a sua infância e adolescência nos municípios de Quixeramobim, Madalena e Canindé. O texto alterna lembranças pessoais com fatos importantes ocorridos no período e trata também das transformações que afetaram o Sertão Central cearense ao longo dos últimos 50 anos, sob a ótica de quem viveu e testemunhou de perto.
Assim, o autor desfila suas reminiscências falando de artes e tradições esquecidas, como o reisado, a cantoria, o forró de latada, corridas de cavalo, farinhadas, sonhos com botijas e assombrações, novenas e procissões invocando chuva. A fazenda Ouro Preto, onde nasceu e se criou, não tinha luz elétrica. O entretenimento que o poeta conheceu na infância foram somente o rádio, as cantorias e os folhetos de cordel, guardados com carinho pela avó numa maleta encantada. Por falar nisso, Arievaldo também descreve as histórias de encantamento repassadas aos meninos de sua geração pela velha Bastiana. Uma delas falava de três castelos encantados, localizados na comunidade vizinha de Três Irmãos, onde está situada a Fonte das Coronhas, um lugar mágico, tido por alguns como a morada da Iara ou Mãe D’água sertaneja.

EIS UM TRECHO DO LIVRO:


Xilogravura da capa: Maércio Siqueira

“Na infância eu considerava as histórias de encantamento dos folhetos de cordel como verdadeiras ou, pelo menos, plausíveis. Por estarem impressas no papel me pareciam mais dignas de crédito que as histórias de Trancoso contadas oralmente pela velha Bastiana e sua neta Rita Maria. A própria Bíblia, tida como o mais sagrado e verdadeiro dos livros, não encerrava a história da jumenta de Balaão, que adquirira voz humana e falara fluentemente? Moisés não abrira o Mar Vermelho para que os israelitas o atravessassem a pé enxuto, com a mesma facilidade com que se corta uma talhada de melancia? O profeta Elias não fizera cair fogo do céu? Não havia dividido as águas do Rio Jordão com o simples toque de sua capa? O profeta Eliseu, seu sucessor, não multiplicara milagrosamente o azeite da viúva em cuja casa se hospedara?       O combate do pequeno Davi contra o gigante Filisteu não poderia ser a própria Batalha de Oliveiros com Ferrabrás, de que nos fala o livro de Carlos Magno e dos Doze Pares de França? Se São Jorge, um santo reconhecido pela Igreja Católica, combatera um dragão, por quê Juvenal, personagem do folheto do poeta Leandro Gomes de Barros, não poderia ter realizado um feito similar?
Para completar esse universo místico e encantado, eu ouvia constantemente, no alpendre da casa de meus avós, histórias de botijas, de alma penada, de lobisomens e até de discos voadores como coisa absolutamente real, palpável e natural. Nascidos e criados no “tempo da lamparina”, os meninos de minha geração não dispunham de outras diversões que não fossem as cantigas de roda, a audição de velhos contos de fadas adaptados à linguagem sertaneja, os folhetos de cordel e o rádio de pilha. Some-se a isso, cantorias, vaquejadas, forrobodós, leilões, reisados e novenas.
Eu gostava mesmo era de escutar a prosa dos adultos, à sombra dos alpendres, em noites de lua cheia ou sob a luz do candeeiro. Tudo isso era projetado pelo caleidoscópio de uma imaginação fértil e prodigiosa, da qual sempre fui dotado. De modo que, quando me via sozinho no meio do mato, imaginava encontrar um desses entes fabulosos descritos pelos adultos e registrados nas páginas dos cordéis. Dentre todos, o que eu mais       ansiava encontrar era o gênio da lâmpada, das histórias de Alladim, a fim de realizar os três pedidos. O primeiro deles, sem dúvidas, seria um passeio no tapete voador, elevando-se do pátio da fazenda de meu avô com destino a serra dos Três Irmãos, Serra do Peitão, Serrinha do Teixeira e Serra da Cacimba Nova. Desde a mais tenra idade eu nutria verdadeiro encanto pelas serras, lugar de onde me parecia vir a chuva. E, como toda criança, eu queria voar. Nessa fase da vida quantas vezes não sonhei voando?
Complementando tudo isso, havia as histórias mirabolantes do Chico Pavio, filho da velha Bastiana, que também possuía uma imaginação prodigiosa. Às vezes ele fazia parte do adjunto de trabalhadores que auxiliavam meu pai na sua lavoura. No próprio eito ele desfiava alguns causos interessantes, que eram intercalados pela voz do Chico Cazuza, o Cazuzinha, fã de cantorias, que sabia de memória muitas glosas atribuídas aos famosos Bentevi Neto e Cego Aderaldo. Papai dava larga preferência ao segundo, eu gostava, também, das lorotas do primeiro. Eis um causo contado pelo Chico Pavio: segundo ele, os serrotes dos Três Irmãos eram três reinos encantados, erguidos em remotas eras, por uma raça nobre e desconhecida, exuberante e rica. Mas os três castelos foram encantados pelo poder de gênios do espaço e transformados em três gigantescos blocos de pedra. Quando eu ia buscar água na companhia de meu pai, na Fonte das Coronhas, que fica no sopé do primeiro serrote, ansiava encontrar alguma princesa encantada, avistar a lendária Mãe D’água e até mesmo o dragão que guardava a porta de entrada do Reino Encantado. Dei asas à imaginação e descrevi tudo isso em um poema chamado “O Marco Cibernético do Reino dos Três Monólitos”, que se encontra reproduzido integralmente neste livro.
(...)
Há quase 300 anos os troncos familiares que deram origem à minha raça habitam este pedaço de chão. A história desses clãs é minunciosamente descrita no primeiro livro desta série, cujo título é “Sertão em Desencanto – I Volume de Memórias”, obra de menor teor poético, porém fortemente embasada em documentos, daí o seu valor como relato histórico.
Por quê “Sertão em Desencanto”? Dentre muitos outros motivos e explicações eu diria que aquele encantamento pelo maravilhoso, pelo heroico e pelo fantástico que acalentei na infância foi quebrado pelo rude martelo da realidade. Foi minado pelos espinhos e dissabores que inevitavelmente nos agridem ao longo de nossa caminhada. Mas também pela descaracterização de nossa cultura, pelo desaparecimento de velhas tradições, pelo aniquilamento de nossos costumes mais simples e fraternos. O sertão de hoje em dia está muito modificado!

Por isso tomei a iniciativa de escrever estes livros de memórias, permeados de causos, de sonhos e encantamentos, para que as gerações futuras não percam o fio da meada e saibam que o nosso sertão nem sempre foi assim, displicente, desleixado, alienado e ignorante de suas matrizes culturais. Subam comigo, a bordo desse tapete voador, e retornemos ao sertão dos tempos da lamparina, fazendo de conta que o velho candeeiro é a lâmpada de Alladim.”

P.S. - Essa é a postagem de número 700. O blog está no ar desde maio de 2011 e já ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

XILOGRAVURAS À VENDA





Depois de uma pausa de quase três anos resolvi retomar a minha atividade como XILOGRAVADOR. Imprimi antigas matrizes e também gravei novos tacos, dentre os quais uma série sobre astros da música popular brasileira, que inclui Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Roberto Carlos, Belchior, dentre outros. As cópias, em geral, medem 32 x 22 cm. Cada cópia custa R$ 25,00 (em papel vergê) e R$ 30,00 (em papel canson importado).

A seguir, fotos de algumas etapas do trabalho.









Xilogravuras de ARIEVALDO VIANNA (Direitos Reservados)


sábado, 14 de outubro de 2017

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA

LANÇAMENTO NO SESC
(Projeto Bazar das Letras)



Ilustrações: Arievaldo Vianna

SESC COMEMORA CINQUENTENÁRIO DO ESCRITOR ARIEVALDO VIANNA COM LANÇAMENTO NO PROJETO “BAZAR DAS LETRAS”

No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), a partir das 19 horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de Caxias (Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da obra “Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio autor.
Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC, através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por ele criado em 2001.

Arievaldo atuou também como consultor e redator de uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA

Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em todos os tempos. As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Vianna.



Autor: Arievaldo Vianna
Ilustração: Arievaldo Vianna
Indicação: Para crianças de 8 a 80 anos
Temas relacionados: Honra, honestidade
Valor: 34,00
Formato: 20,0 x 27,0 cm
Número de páginas: 28
ISBN: 978-85-7974-182-1



HISTÓRIAS DE CAMINHONEIRO
(Texto de apresentação da obra)

Encontro com a consciência é o trabalho basicamente inaugural de Arievaldo Viana como romancista da Literatura de Cordel. Esta sua narrativa em versos surgiu com o alvorecer do século presente, dois anos depois de o já consagrado poeta lançar a primeira edição do seu livro O baú da gaiatice, que demarcou o ressurgimento do Cordel por aqui e mais além. Com seu faro aguçado para a temática do romanceiro popular, Arievaldo enxergou um belo roteiro nessa história escrita em 1977 por Ramiro Monteiro Chaves, antigo caminhoneiro da região jaquaribana, que por sua vez reuniu em livro suas aventuras pelas estradas do Brasil. Reeditado em 2001, Com o pé na estrada  memórias de um caminhoneiro traz “Encontro com a consciência” em sua versão original e na adaptação para o Cordel.

Agora, o mesmo trabalho ganha publicação individual, em edição primorosa e ricamente ilustrada com desenhos em cores assinados pelo próprio Arievaldo e inspirados nos mestres do traço Percy Lau (1903-1972), Lanzellotti (1926-1992) e Raimundo Cela (1890-1954), que de tal forma são também homenageados. As aquarelas do poeta-desenhista emprestam um novo brilho à sua obra e atestam mais uma vez a evolução constante do Cordel no mercado editorial.

Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em todos os tempos. Conquanto o enredo encontre paralelo numa obra de Simões Lopes Neto (1865-1916), intitulada Trezentas onças, a coincidência pára por aí, pois o desfecho do primeiro é sensivelmente mais vibrante; e ainda se há de supor que Ramiro Monteiro Chaves, incansável em sua luta de caminhoneiro, não tenha sequer conhecido a obra do escritor e regionalista gaúcho.
As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Viana. O arremate, como sugere o título, tem o seu cunho de grandeza moral e de lição de vida. O relançamento de “Encontro com a consciência”, por outro lado, acontece no momento em que a adaptação da prosa para o cordel, inclusive de obras clássicas, tornou-se um dos filões mais explorados pelos poetas populares e também um dos mais aceitos pelo público. É ainda, não há dúvida, uma alternativa de se preservar e recontar com novo jeito tantas velhas e boas histórias. Assim seja.



Pedro Paulo Paulino (Poeta Popular)


Programa Bazar das Letras
LANÇAMENTO DE "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA"
QUANDO: 31 DE OUTUBRO DE 2017 - a partir das 19 horas
ONDE: SESC da Avenida Duque de Caxias