terça-feira, 3 de abril de 2012

MEU TRABALHO É FAZER UM CORDEL...


 
Quase todo dia recebo em meu blog Mundo Cordel manifestações como essas:

“Ai eu tô presisando de um cordel para um trabalho da escola, eu ñ sei fazer e por isso pesso a ajuda de vcs por favor me manda um ainda hoje!!!!!!!” 

“eu não sei fazer um cordel pois minha Professora de Lingua Portuguesa quer que eu e meus colegas de sala passem um cordel mais ninguem sabe tem como voçes mim ajudarem um pouco ou então da uma dica de como é um cordel ?” 

“ahhhhhhh ate vc (…) a prof de poRTUGUES Passou esse mtrabalho!!!!!!!!!!!!!poiser gente nao tenho a minima como criar um cordel me ajudemm………..por favor” 

“n sei fazer cordel presiso pra 2 trabalho de arte”
 

Longe de querer tripudiar sobre a dificuldade que essas pessoas demonstram para a comunicação por meio da Língua Portuguesa – até porque em geral são crianças, que dão seus primeiros passos na linguagem escrita – pretendo chamar a atenção para um fato que parece estar relacionado com a popularidade que a Literatura de Cordel vem reconquistando nos últimos anos.

Bem se sabe que atualmente, nas escolas brasileiras, é comum se falar de Cordel na sala de aula, seja para o estudo da Literatura de Cordel como manifestação artística, seja usando o Cordel para estudar outros temas, como ecologia, história e até matemática.

Para mim, que sou cordelista – e penso que, para os cordelistas em geral – é animador ver o Cordel ocupando esse espaço na educação, seja de crianças, seja de jovens e adultos. A linguagem simples e direta, associada ao ritmo da escrita rimada e metrificada, sem dúvida são fatores que ajudam no aprendizado, e, ao que tudo indica, os resultados já são sentidos pelos educadores que lançam mão do Cordel em seu trabalho.

A par disso, parece-me estranho que alguns professores estabeleçam a criação de um Cordel, tratando desse ou daquele assunto, como trabalho a ser desenvolvido pelos alunos, valendo nota. Quando recebo os pedidos de ajuda dos estudantes internautas, pergunto-me: “É razoável exigir de um estudante, especialmente uma criança, que aborde determinado tema em versos, observando as regras de rima e de métrica características da Literatura de Cordel?”.

Ainda não cheguei a uma posição definitiva, mas, até agora, o estabelecimento da criação de um Cordel como tarefa válida para obtenção de nota, tem me parecido um tanto forçado. Chego a pensar se os professores que agem assim vêem o Cordel com algo banal, que qualquer pessoa poderia criar. Por outro lado, não posso crer nisso, pois sei que os professores que utilizam o Cordel como ferramenta educativa são exatamente aqueles que o valorizam e admiram, e quem estuda a Literatura de Cordel sabe que não é fácil escrever rimando, metrificando e, ainda por cima, sintetizando o conteúdo para desenvolver ideias, às vezes complexas, em estrofes de seis, sete ou dez linhas.

Aliás, até se torna relativamente fácil para quem tem o dom, o que não depende de educação e cultura, pois muitos são os cordelistas de renome que praticamente não tiveram estudo, embora a maioria reconheça que a leitura enriquece o vocabulário e amplia as possibilidades para a abordagem de assuntos mais variados.

Sabendo disto, parece-me natural que, em um grupo de estudantes, um ou outro tenha condições para escrever em forma de Cordel, mas boa parte simplesmente não conseguirá. Afinal, é de arte que se está a tratar, e arte requer um mínimo de talento.

“Mas, crianças não desenvolvem atividades com tintas e pincéis, sem ser artistas plásticos?”, é a pergunta que me vêm à mente. E junto me vem uma resposta: “É verdade. Como é verdade também que crianças fazem pequenas dramatizações sem ser atores e atrizes, mas, não é comum que crianças componham canções ou executem peças musicais ao violino”. No final, salvo os casos de crianças-prodígio, nem o quadro será arte plástica, nem a dramatização será uma peça de teatro, mas alguma coisa será feita. Já a canção, pode ser que nunca fique pronta. Quanto ao violino, além de ser complicado até para músicos, o ruído que faz quando mal utilizado é simplesmente insuportável.

Talvez as coisas sejam assim mesmo. Algumas manifestações artísticas suportam bem que pessoas que não têm vocação para elas brinquem com suas ferramentas, outras nem tanto. Pelo que tenho visto nos pedidos de ajuda que chegam ao Mundo Cordel, parece-me que, tendo como ferramenta a palavra, e sendo necessário que o uso da palavra observe algumas regras rígidas, a Literatura de Cordel é muito divertida para ser lida, declamada, interpretada, mas a sua criação costuma deixar em pânico aqueles que não têm pelo menos um pouco de habilidade inata para fazê-lo.

Nessa linha de pensamento, creio que até faça sentido adotar como atividade escolar a tentativa de elaboração textos em forma de Cordel, como trabalho de grupo, mas sem o dever de se chegar a um resultado final muito elaborado. Isso daria oportunidade para que cada um desenvolvesse o seu talento e criatividade, mas sem gerar pressão sobre os que não conseguissem chegar a um resultado apresentável.

Claro que essa é a minha visão, como cordelista, sem qualquer garantia de que outros cordelistas pensem assim, e sem saber o que pensam os educadores sobre o assunto. Estes talvez tenham explicações que afastem totalmente essas minhas ponderações, e eu bem que gostaria de conhecê-las.


Por: MARCOS MAIRTON
Fonte: Mundo Cordel


P.S.  O kit do projeto ACORDA CORDEL tem um capítulo intitulado "Como fazer um cordel em classe passo a passo". O kit é composto de um livro, um CD e uma caixa com 12 folhetos de vários autores. Preço: R$ 70.00.

23 comentários:

  1. NOTA DO BLOG:
    Achei muito interessante a abordagem do poeta Marcos Mairton. Muitos cordelistas e até diletantes dessa arte se metem a fazer oficinas de cordel com a intenção de formar novos poetas e transformar suas técnicas em algo manipulável e flexível, esquecendo que a poesia é antes de tudo um dom, um estado de espírito.
    Na página 64 do meu livro "ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA", segunda edição, eu digo textualmente o seguinte:

    "O objetivo desta atividade não é “formar” poetas e sim despertar o interesse pela leitura, utilizar o potencial didático dos folhetos no aprendizado e apresentar aos estudantes e professores uma ferramenta de ensino alternativa, que possui grande identificação com a cultura brasileira. Entretanto, nas muitas oficinas e palestras realizadas pelos facilitadores deste projeto, percebemos que há um forte interesse das pessoas, principalmente crianças, em produzir versos e montar seus próprios folhetos em classe. Diante disto, segue um manual de instrução mostrando como fazer um folheto, passo a passo."

    Fica claro, portanto, que o exercício de produzir um folheto em classe é uma atividade lúdica, que envolve escolha de tema, elaboração de uma sinopse da trama, construção dos versos, criação da capa, impressão, exposição dos folhetos etc. Mas isto é muito bom quando há o acompanhamento de alguém do ramo, ou mesmo de algum professor que tem o necessário conhecimento sobre as técnicas do cordel. Em suma, o folheto produzido em sala de aula - tirando rarissimas exceções, deve ser visto, antes de tudo, como um exercício lúdico, uma bricandeira, e não como uma peça literária.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu precizo d um cordel sobre esquistomosse!!!!
      a prof quer q eu entregue amanha!!!
      desespero total aki :v

      Excluir
  2. Meu amigo Ari,
    Fico feliz que minha abordagem esteja conforme o seu modo de pensar.
    Você sabe que a minha única preocupação é que o uso do cordel na educação seja algo positivo para todos, estudantes, professores e para a própria Literatura de Cordel.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. literatura de cordel é arte!!!e é uma coisa muito boa ,porque voce tem tanto preconceito sera que é porque o cordel é originado principalmente pelo meu nordeste....

      Excluir
  3. Excelente discussão. Muitas vezes os professores pedem para que os seus alunos façam um folheto apenas porque o livro didático está abordando o assunto e solicitando que os mesmos façam um como trabalho. O que acontece, na maioria das vezes, é que os próprios professores desconhecem as regras básicas para se fazer uma pequena estrofe(rima e métrica) e que o cordel é composto das duas citadas em parênteses mais a oração. Penso que, antes de tudo, também é necessário se fazer oficinas com professores, assim eles vão ter uma noção melhor deste tipo de literatura, serão despertados para a leitura de folhetos e, em muitos casos, se libetarão do pensamento de que o cordel é apenas folclore ou um livreto exótico. Também acredito nas oficinas da mesma maneira que vocês! Não sei se a minha opinião valeu, tentei dar a minha contribuição. P.S: quando um poeta dá uma oficina e descobre um aluno que leva jeito, não pode deixar de alertá-lo que depois da inspiração, a transpiração (esforço pra se aprimorar) é fator fundamental para que o dom não se perca. Um abraço! Dalmo Sérgio - poetadalmo@bol.com.br

    ResponderExcluir
  4. Olá DALMO. Seu comentário com certeza veio enriquecer o debate. Vamos levar o cordel para a sala de aula, mas com responsabilidade, orientando o professor como utilizar essa poderosa ferramenta. É para isso que existe esse blog.

    Arievaldo Viana

    ResponderExcluir
  5. muito bom concordo com você

    ResponderExcluir
  6. LIVROS E CORDÉIS À VENDA:


    Enviamos pelo correio para qualquer parte do Brasil, mediante depósito em conta corrente do Banco do Brasil. Maiores informações: acordacordel@ig.com.br

    Acorda cordel na sala de aula – R$ 30,00
    João Bocó e o ganso de ouro – Ed. Globinho – R$ 35,00
    O coelho e o jabuti – Ed. Globinho – R$ 35,00
    A peleja de chapeuzinho vermelho com o lobo mau - – Ed. Globinho – R$ 35,00
    O que é literatura de cordel – Franklin Maxado – R$ 25,00
    A Lira do poeta Expedito – Gilmar de Carvalho – R$ 20,00
    O baú da gaiatice – Arievaldo Viana – R$ 25,00
    Encontro de Zé Ramalho com Raul Seixas na cidade de Thor – R$ 10,00

    NOSSO CONTATO:
    acordacordel@ig.com.br


    FOLHETOS SIMPLES
    ALGUNS TÍTULOS EM ESTOQUE:


    - O valente Zé Garcia - 40 páginas
    - Batalha de Oliveiros com Ferrabras - 32 páginas
    - A prisão de Oliveiros - 32 páginas
    - Artimanhas de João Grilo (Arievaldo Viana) - 32 páginas
    - O misterioso crime das tres maçãs - 24 páginas
    - João Bocó e o Ganso de Ouro - 16 páginas
    - Mil e uma maneiras de manter seu casamento - 16 páginas
    - Luiz Gonzaga, o rei do baião - 16 páginas
    - Yoyô, o bode misterioso - 20 páginas
    - O batizado do gato - 8 páginas
    - Discussão de seu Lunga com um corno - 8 páginas
    - As peripécias da vaqueira Rosadina - 16 páginas
    - Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês - 16 páginas
    - A donzela Teodora - 32 páginas
    - Iracema, a virgem dos lábios de mel - 32 páginas
    - A visita da morte - 16 páginas
    - O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas
    - A chegada de Lampião no inferno - 8 páginas
    - Romualdo entre os bugios (40 páginas) - Ed. CORAG
    - Quinta de São Romualdo (40 páginas) - Ed. CORAG
    - A didática do cordel - 16 páginas
    - A gramática em cordel - 16 páginas
    - Meu martelo - 8 páginas.
    - A festa dos cachorros - José Pacheco - 16 páginas
    - A cura da quebradeira - Leandro G. de Barros - 08 páginas
    - A intriga do cachorro com o gato - 08 páginas
    - O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas*
    - O valente Zé Garcia - 40 paginas
    - Peleja de Romano com Inácio da Caatingueira - 16 páginas
    - Peleja de Pinto com Milanês - 16 páginas.

    FOLHETOS DA EDITORA LUZEIRO, CAPA COLORIDA, formato 13x18cm – R$ 5,00 cada – Mais de 50 títulos diferentes.

    * Temos também O jumento melindroso desafiando a ciência (formato livro infanto-juvenil ilustrado - 24 páginas - R$ 15,00

    ResponderExcluir
  7. Nossa MARCOS MAIRTON, a sua opinião reflete muito o que eu trabalhei com os/as meus/minhas alunos/as, eu pedi que tentassem fazer um cordel, depois de ter explicado e mostrado alguns exemplos, mas não exigi que eles/as chegassem à um resultado tao elaborado, o importante foi que eles/as conhecessem a cultura da literatura de cordel e fizessem alguns versos mesmo que estes nao chegassem a ser da forma exata de um cordel.

    ResponderExcluir
  8. eu preciso de um cordel baseado numa historia de um livro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. meu deus!!! presizo fazer um pro projeto de biologia O.o
      eh pra amanha!!!
      omg mi ajuda
      #esquistomosse

      Excluir
  9. Meu caro, existem centenas de cordéis baseados em livros.
    De minha autoria, eu destaco:
    LUZIA HOMEM - Baseado no romance de Domingos Olympio
    A AMBIÇÃO DE MACBETH - Baseado na obra de Shakespeare
    O TRONCO DO IPÊ - Baseado na obra de José de Alencar
    QUINTA DE SÃO ROMUALDO - Baseado em Casos de Romualdo, de Simões Lopes Neto e muitos outros.

    ResponderExcluir
  10. Com certeza podemos ensinar diversas técnicas, mas o ponto de partida é a vocação, o dom, que pode estar adormecido lá no fundo e precisando de um movimento para se desenvolver.
    Se a pessoa tem essa vocação, ela se apropria das técnicas e macetes, dirige a imaginação ao éter e lança a caneta ao papel.
    Tenho a alegria de ver o desenvolvimento de jovens e adultos que aprendem as técnicas que ensino e automaticamente aprimoram sua qualidade e velocidade de produção.
    Parabéns, Marco e Mundo Cordel pela abordagem!

    ResponderExcluir
  11. Muito lúcido e oportuno o seu comentário, poeta João Santana. Conversando recentemente com o poeta Chico Pedrosa, fazíamos uma análise da grande enxurrada de versejadores que publicam "cordel" nos últimos 15 anos. Dizia-me o sábio menestrel que no meio dessa produção, espremendo muito, talvez se encontrem 10 ou 12 POETAS.

    ResponderExcluir
  12. Informo que acabo de lançar a BIOGRAFIA DE LEANDRO GOMES DE BARROS. Posso enviá-la pelo correio para qualquer parte do Brasil. Maiores informações: acordacordel@hotmail.com

    ResponderExcluir
  13. quero fazer o meu pois escrevo vários poemas preciso !!!

    ResponderExcluir
  14. Sua opinião muito me ajuda e os comentários também. A professora de minha filha apresentou um poema em cordel e passou como tarefa individual elaborar um cordel com o tema "uso consciente da água ". Eu não me conformo que crianças de 7 (sete) anos, segundo ano fundamental, tenham que produzir cordel individualmente. Não é trabalho em grupo. As crianças não convivem com o cordel no interior de São Paulo, estão sendo apresentaras ao gênero. Perguntei se a tarefa era para as crianças ou para os pais, pois quem cumpri-la terá sido feita pelos pais, moldando a criança a deixar para os pais os problemas difíceis. Os que não levarem, não tiverem pais disponíveis, se sentirão frustrado se fracassados. Pedidos absurdos e sem pesar as consequências emocionais na formação das crianças. Acho até que é a promoção do corrupto, do que manda os outros fazerem e leva os loros.

    ResponderExcluir
  15. Me interesso por literatura de cordel,sou nordestina e amo minhas raízes, hj por exemplo irá haver uma reunião de amigos somente para falarmos a respeito e recitarmos literatura de cordel.Que nunca deixemos morrer esta arte tão linda e divertida que é o cordel.Ensinando os nossos filhos o valor desta literatura p nossa cultura brasileira.

    ResponderExcluir
  16. oiiiii tenho um problema....n tenho tempo de ler tudo isso tenho que fazer um trabalho ainda hoje! Eu n Faço ideia de como se faz um

    ResponderExcluir
  17. Eu estou precisando de um cordeu vou entregar na escola amanha a tarde podem mim ajudar

    ResponderExcluir
  18. Estou precisando de um cordel vcs podem mim ajudar ie pra eu entregar amanha

    ResponderExcluir
  19. Boa noite, Arievaldo! Que bom que existe esse trabalho e que está sendo difundido em nosso país! Gostaria de adquiri o kit para sala de aula (não sei se o nome é esse). De fato, minha mãe havia comentado algo sobre conto de fadas em cordel e eu fiquei animada, pois gosto muito de textos lúdicos e que tenham movimento. Também gostaria da "oficina" que dá dicas de como fazer um cordel em sala de aula. Quero fazer um projeto que envolva todos os alunos de minha escola (fundamental I e II) e gostaria de construir uma feira literária com eles. Desde já, muito obrigada!

    ResponderExcluir