quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Gonzaga por Cascudo






TEXTO DE CÂMARA CASCUDO NA CONTRACAPA DO DISCO "LUIZ GONZAGA", 1973 (Emi-Odeon):

"LUIZ GONZAGA é uma legitimidade do sertão tradicional. Sua inspiração mantém as características do ambiente poderoso e simples, bravio e natural, onde viveu. Não imita. Não repete. Não pisa rastro de nome aclamado. E ele mesmo sozinho, inteiro, solitário, povoando os arranha-céus com as figuras imortais do Nordeste, ardente e sedutor, fazendo florir cardeiros e mandacarus, levantando os mormaços dos tabuleiros através das cidades tumultuosas onde permanece.
Fui menino no Sertão, 1909-1913. Tenho na memória o timbre das grandes vozes infatigáveis, ímpeto de guerrilhas no açodamento dos "crescendo", nasalamente infalível na modulação para "fechar" na dominante. Sertão sem rodovias, luz elétrica, gasolina. Vaqueiros, cantadores, romeiros de São Francisco de Canindé, Juazeiro, Santa Rita dos Impossíveis. Poeira heroica das feiras e das vaquejadas. Viola do rojão de dois-por-quatro, sanfonas de oito baixos, pobreza milionária na emoção irradiante, inexplicável alegria das coisas suficientes.
Luiz Gonzaga é um documento da Cultura Popular. Autoridade da lembrança e idoneidade da convivência. A paisagem pernambucana, águas, matos, caminhos, silêncio, gente viva e morta. Tempos idos nas povoações sentimentais voltam a viver, cantar e sofrer quando ele põe os dedos no teclado da sanfona de feitiço e de recordação.
Não posso compará-lo a ninguém. Luiz Gonzaga é uma coordenada humana que as ventanias urbanas fazem vibrar sem modificação. Não é retentiva, artificialismo, sabedoria de recursos mentais "aproveitando" o Sertão. Ele próprio é a fonte, cabeceira e nascente de suas criações. Sertão é ele, como a Bretanha está no bretão e a Provença em Mistral. Bem logicamente, a sua terra muda a fisionomia pelas mãos de ferro do Progresso. Técnicas, máquinas, combustíveis, sonhos novos. Mas, pelo lado de dentro, o Homem não muda, como a sucessiva aparelhagem em serviço do seu interesse. Luiz Gonzaga presta-nos, a nós, devotos das permanentes culturais brasileiras, a colaboração sem preço de uma informação viva, pessoal, humana.
Sanfoneiro do Sertão, brasileiro do Brasil, os que amam terra e gente nativa te saúdam na hora em que tua voz se eleva, vivendo a sensibilidade profunda da tu'alma sertaneja...

LUÍS DA CÂMARA CASCUDO - Natal, janeiro de 1973.
Fonte: Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

SECA, FOME E DESCASO


  1. Patativa, foto de Tiago Santana


A  MORTE  DE  NANÃ

Patativa do Assaré

Eu vou contá uma históra
Que eu não sei como comece,
Pruquê meu coração chora,
A dô do meu peito cresce,
Omenta o meu sofrimento
E fico uvindo o lamento
De minha arma dilurida,
Pois é bem triste a sentença
De quem perdeu na isistença
O que mais amou na vida.

Já tou véio, acabrunhado,
Mas inriba deste chão,
Fui o mais afurtunado
De todos fios de Adão.
Dentro da minha pobreza,
Eu tinha grande riqueza:
Era uma quirida fia,
Porém morreu muito nova.
Foi sacudida na cova
Com seis ano e doze dia.

Morreu na sua inocença
Aquele anjo incantadô,
Que foi na sua isistença,
A cura da minha dô
E a vida do meu vivê.
Eu bejava, com prazê,
Todo dia, demenhã,
Sua face pura e bela.
Era Ana o nome dela,
Mas, eu chamava Nanã.

Nanã tinha mais primô
De que as mais bonita jóia,
Mais linda do que as fulô
De um tá de Jardim de Tróia
Que fala o dotô Conrado.
Seu cabelo cachiado,
Preto da cô de viludo.
Nanã era meu tesôro,
Meu diamante, meu ôro,
Meu anjo, meu céu, meu tudo.



Pelo terrêro corria,
Sempre sirrindo e cantando,
Era lutrida e sadia,
Pois, mesmo se alimentando
Com fejão, mio e farinha,
Era gorda, bem gordinha
Minha querida Nanã,
Tão gorda que reluzia.
O seu corpo parecia
Uma banana-maçã.

Todo dia, todo dia,
Quando eu vortava da roça,
Na mais compreta alegria,
Dentro da minha paioça
Minha Nanã eu achava.
Por isso, eu não invejava
Riqueza nem posição
Dos grande deste país,
Pois eu era o mais feliz
De todos fio de Adão.

Mas, neste mundo de Cristo,
Pobre não pode gozá.
Eu, quando me lembro disto,
Dá vontade de chorá.
Quando há seca no sertão,
Ao pobre farta fejão,
Farinha, mio e arrôis.
Foi isso o que aconteceu:
A minha fia morreu,
Na seca de trinta e dois.

Vendo que não tinha inverno,
O meu patrão, um tirano,
Sem temê Deus nem o inferno,
Me dexou no desengano,
Sem nada mais me arranjá.
Teve que se alimentá
Minha querida Nanã,
No mais penoso matrato,
Comendo caça do mato
E goma de mucunã. 

E com as braba comida,
Aquela pobre inocente
Foi mudando a sua vida,
Foi ficando deferente.
Não sirria nem brincava,
Bem pôco se alimentava
E inquanto a sua gordura
No corpo diminuía,
No meu coração crescia
A minha grande tortura.

Quando ela via o angú, 
Todo dia demenhã,
Ou mesmo o rôxo bejú
Da goma da mucunã,  
Sem a comida querê,  
Oiava pro dicumê,   
Depois oiava pra mim
E o meu coração doía,
Quando Nanã me dizia:
Papai, ô comida ruim!



Foto: http://www.naturezabela.com.br

Se passava o dia intêro
E a coitada não comia,
Não brincava no terrêro
Nem cantava de alegria,
Pois a farta de alimento
Acaba o contentamento,
Tudo destrói e consome.
Não saía da tipóia
A minha adorada jóia,
Infraquecida de fome.

Daqueles óio tão lindo
Eu via a luz se apagando
E tudo diminuindo.
Quando eu tava reparando
Os oinho da criança,
Vinha na minha lembrança
Um candiêro vazio
Com uma tochinha acesa
Representando a tristeza
Bem na ponta do pavio.

E, numa noite de agosto,
Noite escura e sem luá, 
Eu vi crescê meu desgosto,
Eu vi crescê meu pená.   
Naquela noite, a criança
Se achava sem esperança
E quando vêi o rompê
Da linda e risonha orora,
Fartava bem pôcas hora
Pra minha Nanã morrê.  

Por ali ninguém chegou,
Ninguém reparou nem viu
Aquela cena de horrô   
Que o rico nunca assistiu,
Só eu e minha muié,   
Que ainda cheia de fé
Rezava pro Pai Eterno,
Dando suspiro maguado
Com o seu rosto moiado
Das água do amô materno.

E, enquanto nós assistia
A morte da pequenina,
Na menhã daquele dia,
Veio um bando de campina,
De canaro e sabiá
E começaro a cantá
Um hino santificado,
Na copa de um cajuêro
Que havia bem no terrêro   
Do meu rancho esburacado.

Aqueles passo cantava,
Em lovô da despedida,
Vendo que Nanã dexava
As misera desta vida,
Pois não havia ricurso,
Já tava fugindo os purso,
Naquele estado misquinho,
Ia apressando o cansaço,
Seguido pelo compasso
Da musga dos passarinho.

Na sua pequena boca
Eu via os laibo tremendo
E, naquela afrição loca,
Ela também conhecendo
Que a vida tava no fim,
Foi regalando pra mim
Os tristes oinho seu,
Fez um esforço ai, ai, ai,
E disse: “abença, papai!”
Fechô os óio e morreu.

Enquanto finalizava
Seu momento derradêro,
Lá fora os passo cantava,
Na copa do cajuêro.
Em vez de gemido e choro,
As ave cantava em coro.
Era o bendito prefeito
Da morte de meu anjinho.
Nunca mais os passarinho
Cantaro daquele jeito.

Nanã foi, naquele dia,
A Jesus mostrá seu riso
E omentá mais a quantia
Dos anjo do Paraíso.
Na minha maginação,
Caço e não acho expressão
Pra dizê como é que fico.
Pensando naquele adeus
E a curpa não é de Deus,
A curpa é dos home rico.

Morreu no maió matrato
Meu amô lindo e mimoso.
Meu patrão, aquele ingrato,
Foi o maió criminoso,
Foi o maió assarsino.
O meu anjo pequenino
Foi sacudido no fundo
Do mais pobre cimitero
E eu hoje me considero
O mais pobre deste mundo.

Soluçando, pensativo,
Sem consolo e sem assunto,
Eu sinto que inda tou vivo,
Mas meu jeito é de defunto.
Invorvido na tristeza,
No meu rancho de pobreza,
Toda vez que eu vou rezá,
Com meus juêio no chão,
Peço em minhas oração:
Nanã, venha me buscá!

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O CICLO DAS PELEJAS NO CORDEL


PELEJA DE BERNARDO NOGUEIRA 
COM PRETO LIMÃO

Quase todas as "PELEJAS" na literatura de cordel são imaginárias, criação individual de determinado poeta que usa o nome de dois cantadores famosos para engendrar a contenda. Algumas são tidas como verdadeiras, caso de INÁCIO DA CAATINGUEIRA E ROMANO DA MÃE D'ÁGUA ou mesma a de CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO DO TUCUM. Esta peleja de Bernardo Nogueira com Preto Limão é atribuída a João Martins de Athayde, poeta-editor paraibano que adorava esse gênero:

TRECHOS

PELEJA DE BERNARDO NOGUEIRA COM PRETO LIMÃO
Autor: João Martins de Athayde

Em Natal já teve um negro
Chamado Preto Limão
Representador de talento
Poeta de profissão
Em toda parte cantava
Chamando o povo atenção

Esse tal Preto Limão
Era um negro inteligente
Em toda parte que chega
Já dizia abertamente
Que nunca achou cantador
Que lhe desse no repente

Nogueira sabendo disto
Prestava pouca atenção
Dizendo: – eu nunca pensei
Brigar com Preto Limão
Sendo assim da raça dele
Eu não deixo nem pagão


O encontro destes homens
Causou admiração
Que abalou o povo em roda
Daquela povoação
Pra ver Bernardo Nogueira
Brigar com Preto Limão


Eu sou Bernardo Nogueira
Santificado batismo
Força de água corrente
Do tempo do Sacratíssimo
Quando eu queimo as alpercatas
Pareço um magnetismo

  
Me chamam Preto Limão
Sou turuna no reconco
Quebro jucá pelo meio
Baraúna pelo tronco
Cantador como Nogueira
Tudo obedece meu ronco

(...)


BN - Cantador com Nogueira não peleja
Sendo assim como o tal Preto Limão
Só se for pra tomar minha lição
Ele engole calado e não bodeja
Vai comendo da mesa o que sobeja
Precisa me tratar com muito agrado
No instante fazer o meu mandado
É de pressa, é ligeiro, é sem demora
Qu’eu não gosto de moleque que se escora
Pois assim é qu’eu o quero por criado.

PL - Vale a pena não seres cantador
É melhor trabalhares alugado
Vai cumprir por aí teu negro fado
Vai viver sob o ferro dum feitor
Da senzala já és um morador
Teu trabalho é lá na bagaceira
O que ganhas não dá pra tua feira
Renego tua sorte tão mesquinha
Que te sujeitas às amas da cozinha
E te ofereces pra delas ser chaleira.

BN - Este homem já vive desvalido
É descrente de Deus e da Igreja
Lúcifer o teu nome já festeja
Tu só podes viver é sucumbido
Sois tão ruim que só andas escondido
Para Deus nunca mais serás fiel
Tua raça é descendente de Lusbel
Que do Céu já perdeste a preferência
Farás tua eterna convivência
Lá embaixo dos pés de São Miguel

PL - Tu pareces que vinhas na carreira
Sempre olhando pra frente e para trás
Como quem chega assim veloz de mais
Eu vi bem quatro paus de macaxeira
Uma jaca partida e outra inteira
Também vi dois balaios de algodão
Creio que tu já foste um ladrão
Com o peso fazia andar sereno
Às dez horas da noite, mais ou menos

Encontrei-te com esta arrumação.





O POETA-EDITOR JOÃO MARTINS DE ATHAYDE

Naturalidade: Ingá do Bacamarte – PB
Nascimento: 23 de junho de 1880 / Falecimento: 7 de agosto de 1959
Atividades artístico-culturais: Poeta popular, escritor e editor
João Martins de Athayde nasceu em Cachoeira de Cebolas, povoado de Ingá do Bacamarte – PB. Não frequentou a escola, aprendeu a ler e escrever sozinho. Segundo seu próprio depoimento, aos oito anos, assistindo pela primeira vez a um desafio de Pedra Azul, um famoso cantador da região, começou a se interessar e fazer poesia popular.
Migrou para Recife, vizinho Estado de Pernambuco. Publicou o seu primeiro folheto em 1908, impresso na Tipografia Moderna. Um preto e um branco apurando qualidades. Embora seja da primeira geração dos poetas de cordel, não pertenceu ao grupo que frequentava a Popular Editora, de Francisco das Chagas Batista.
Em 1909, conseguiu montar uma pequena tipografia na Rua do Rangel, no  bairro de São José, tornando-se um dos maiores editores de folhetos de cordel do País. Da sua oficina saíram, durante mais de quarenta anos, estórias fantásticas, recriações de estórias famosas, crítica de costumes, notícias de acontecimentos da época que divertiam, informavam e educavam o homem da cidade grande e das localidades mais distantes do Nordeste brasileiro.
João Martins de Athayde contribuiu grandemente para o desenvolvimento da arte e da comercialização do folheto popular no Recife. Foi o desbravador da indústria do folheto de cordel no País. Industrializando e comercializando sua produção e a de outros artistas, criou uma grande rede de atividades lucrativas no Nordeste, que se espalhou para outras regiões brasileiras, possibilitando a diversos poetas populares se dedicarem exclusivamente à poesia como atividade profissional.
Foi o responsável por profundas mudanças na edição de folhetos de cordel, no que se refere à relação entre os artistas e a tipografia, criando, inclusive, contratos de edição com o pagamento de direitos de propriedade intelectual, o uso de subtítulos e preâmbulos em prosa e a sujeição da criação poética ao espaço disponível, fixando-se o padrão dos folhetos pelo número de páginas em múltiplos de quatro.  A apresentação gráfica dos folhetos deu-se devido às ideias de João Martins de Atayde.
Sua admiração por Leandro Gomes de Barros não era correspondida. Ao contrário: por duas vezes foi destratado (na resposta ao folheto Discussão de Leandro Gomes de Barros com João Athayde e na contestação que recebeu o seu poema O marco do meio mundo). Para Ruth Terra, as respostas de Leandro, apesar de serem contraditas, revelam o seu reconhecimento da importância de Athayde. Em 1918, Athayde escreveu A pranteada morte do grande poeta Leandro Gomes de Barros.
Em 1921, adquiriu os direitos de publicação de toda a obra de Leandro e iniciou a republicação, inicialmente, se indicando como editor e, posteriormente, retirando a informação da autoria de Leandro.
Foi aclamado na década de 1940 como o maior poeta popular do Nordeste.
João Martins de Athayde, no ano de 1949, após haver passado por um acidente vascular cerebral, se afastou da atividade de editor, vendeu a sua tipografia para José Bernardo da Silva, repassando-lhe os estoques e os direitos de edição sobre tudo o que publicou. O cordelista faleceu 10 anos depois em Limoeiro – PE, no ano de 1959.

Folhetos atribuídos a João Martins de Athayde: A Bela Adormecida no Bosque; A Garça Encantada; A Menina Perdida; A Moça Que Foi Enterrada Viva; A Paixão de Madalena; A Pérola Sagrada; A Sorte de uma Meretriz; História Da Moça Que Foi Enterrada Viva; História Da Princesa Eliza História de Joãozinho E Mariquinha; História de José do Egito; História de Natanael e Cecília; História de Roberto do Diabo; História do Valente Vilela; Mabel Ou Lágrimas De Mãe – Dois Volumes; O Balão do Destino e a Menina da Ilha (2 Volumes); O Estudante que se Vendeu ao Diabo; O Marco do Meio Mundo; O Namoro de um cego com uma Melindrosa da Atualidade; O Prisioneiro do Castelo da Rocha Negra; O Retirante; O Segredo da Princesa; Peleja de Antônio Machado com Manoel Gavião; Peleja de Bernardo Nogueira Com Preto Limão; Peleja de Laurindo Gato com Marcolino Cobra Verde; Peleja De Ventania Com Pedra Azul; Raquel e a Fera Encantada; Romance de José de Sousa Leão do Amazonas, Romeu e Julieta e Um Passeio no Escuro.

Pesquisa de José Paulo Ribeiro (Guarabira-PB)

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

ZÉ LIMEIRIANDO


Uns sessenta e tantos anos antes de Orlando Tejo nos apresentar ZÉ LIMEIRA, o Poeta do Absurdo, o velho LEANDRO GOMES DE BARROS andou praticando umas estrofes "limeirianas", incluindo o famoso farmacêutico ALPHEU RAPOSO, de Recife. O poema é da primeira década do século passado. Confiram:

O ANTIGO E O MODERNO

Leandro Gomes de Barros


Quando o velho Santo Jó
Viu-se doente e leproso
No Recife Alfeu Raposo
Mandou-lhe uma fricção,
A mulher dele mandou
Pedir ao Dr. Tomé
Na farmácia São José
O Elixir da Salvação.


Nas bodas de Canaã
Que Cristo fez da água vinho
A Lanceta de Agostinho
Exagerou sem limite
Soares Raposo deu
Carne para lombo e bife
E o Jornal do Recife
Fez os cartões de convite.


São Pedro era pescador
Antes de seguir Jesus
Quando o Dr. Santa Cruz
Tomou conta de Monteiro
Nero Imperador Romano
Mandou um seu paladino
Chamar Antônio Silvino
Para ser seu cangaceiro.

Leandro Gomes de Barros


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Estação do Cordel:



(Fotografias do acervo de Nando Poeta)

O CORDEL NO CENTRO DE NATAL




A Estação do Cordel, ANLIC (Associação Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel), com o apoio da SPVA (Sociedade dos Poetas Vivos) começaram as comemorações alusivas ao dia 19, dia do cordelista, data do nascimento de Leandro Gomes de Barros, no III Círculo Natalense do Cordel, realizado nos dias 15,16 e 17 de novembro na cidade de Natal.
O III Círculo Natalense do Cordel foi a culminância do ano Leandrino, já que em março deste ano, celebramos os 100 anos de seu encantamento e iniciamos durante o ano inteiro atividades que lembraria a obra e vida de Leandro Gomes de Barros.
Aproveitamos o evento para celebrar a importância dos 120 anos de Luis da Câmara Cascudo, os 90 anos de encantamento de Fabião das Queimadas, o centenário de Zé Saldanha e os 90 anos da passagem de Mario de Andrade por Natal, todos eles impulsionadores da nossa arte e cultura.
A congregação de poetas vindo de várias partes do país e do Rio Grande do Norte, foi o coroamento. Durante os três dias, realizamos 8 palestras e dois lançamentos que se transformaram em grandes debates, com uma participação envolvente de todos os presentes.
Nas mesas estiveram os poetas e pesquisadores: Irani Medeiros/RN, Gustavo Luz/RN, Jefferson Campos/RN, Aderaldo Luciano/RJ, Varneci Nascimento/SP, Tonha Mota/RN, Marco Haurélio/SP, Gutemberg Costa/RN, Daliana Cascudo/RN, Marciano Medeiros/RN, Kydelmir Dantas/PB, Carlos Alberto/RN, Nando Poeta/RN, Eduardo Santa Rosa, Zeca Pereira/BA,Manoel Cavalcante/RN, Geralda Efigênia/RN, Maria Alice Amorim/PE , Izabel Nascimento/SE, Cláudia Borges/RN, Ozany Gomes/RN, Marconi Branco/RN, Jussiara Soares/RN,  Sírlia Lima/RN  e Tereza Custódio/RN, dentre outros.
No evento foi realizada uma Mesa de Glosa, sob a coordenação de Moura Galvão, que reuniram os poetas: Jadson Lima/RN, Marciano Medeiros/RN, Felipe Pereira/RN e Marcos Teixeira/RN, que chamaram a concentração de todos os presentes, que atentos acompanharam a criação poética (motes) e a desenvoltura dos poetas na mesa.
A Presidente Tonha Mota da ANLIC (Associação Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel) com seus confrades presentes conduziu o Necrológio dos confrades (Antonio Sobrinho,Domingo Tomás,Luiz Campos, Aldivam Honorato e Manoel Justino) da ANLIC-RN, foi um momento de reconhecimento aos poetas da Academia que se encantaram.


Kydelmir Dantas, Gustavo Luz, Paulo Varela e Nando Poeta

Durante três noites, muitos poetas e músicos passaram pelo palco da praça, abrilhantando cada noite do Círculo, entre eles: Jadson Lima/RN, Rodrigão/RN, Lino Sapo/RN, Claudson Faustino/RN, Léo Medeiros, Cláudia Borges/RN, Filipe Borges/RN, Tonha Mota/RN, Manoel Cavalcante/RN, Antonio Francisco/RN, Paulo Varela/RN, José Acaci/RN, Ed Carlos/RN, Carlinhos Zens e Antonia. A condução do Sarau ficou com a coordenação da jornalista Idyane França.
Os Poetas Mirins entraram em cena, encantando todos os presentes. A caravana de poetas mirins desembarcaram na praça, iluminando uma das noites mais bela do III Círculo Natalense do Cordel. Estiveram, Filipe Borges-São José do Mipibu/RN, Davi Lima-Bom Jesus/RN, Tiago Camilo-Currais Novos/RN, Moises-Mossoró-RN e Clara Bezerra-Carnaúbas dos Dantas/RN. Foi um show a parte, com o estrelato mirim interagindo com o poeta Antonio Francisco, que foi recebido pela meninada com grande carinho.
Vários grupos musicais marcaram sua presença, como: Zé Martins e Banda Fibra de Coco, Trio de Forró Du Sete, Fuxico de Feira e o Bando de Fabião, com Tonha Mota e seu Forró pé de serra.
O III Círculo Natalense do Cordel ganhou as ruas de Natal, na concentração na Praça Padre João Maria, o João Redondo abriu o caminho para o Boi Misterioso desfilar pelas ruas da Cidade Alta, animando os brincantes e chamando a atenção dos populares.
Durante todo evento, tivemos a visitação de escolas, com os estudantes e profissionais vivenciando os espaços do III Círculo. A escola Coronel Miguel Teixeira do município de Jardim de Angicos abriu o evento ainda no feriado de 15 de novembro.
Foram três dias intensos de alegria, que contou com o apoio de inúmeros colaboradores que ajudam a edificar no coração do centro histórico da Cidade Alta do Natal, um espaço de arte independente, que tem aglutinado os amantes da arte, populares e turistas que aproveitaram o feriadão e transbordaram na arte e cultura de nossa cidade.
Todos os que participaram do evento, dizem por uma só boca, VIDA LONGA AO CÍRCULO NATALENSE DO CORDEL, e que venha o de 2019.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

SACI X HALLOWEN


(Imagem: reprodução/ Facebook/ Sociedade dos Observadores de Saci)

31 de outubro (31/10):
Dia do Saci ou Dia das Bruxas?
Entenda a história
As duas comemorações são no mesmo dia e não anulam uma a outra. O Dia do Saci prega a perpetuação da cultura e do folclore brasileiro

O Dia das Bruxas, Halloween em inglês, que surgiu nos Estados Unidos, ganhou o mundo e é uma das datas comemorativas mais lucrativas e comerciais sob o pretexto de "doces e travessuras" e pela compra de fantasias e adereços. No Brasil, a abrangência não é diferente, mas há quem defenda que o dia seja comemorado sob outra ótica e destaque outro protagonista: o Saci Pererê.

Pensando em homenagear e perpetuar a cultura do País e ir de encontro ao consumismo e comercialização que acontecem no Dia das Bruxas, estudiosos e entusiastas do foclore brasileiro criaram o Dia do Saci e instituiram a celebração para o mesmo dia do Halloween. A ideia surgiu da Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci), criada em 2003 em São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, para estudar não só o saci, como outros mitos brasileiros.

Flávio Paiva, colunista de cultura do O POVO e membro da Sosaci, explica a escolha da data. "A ideia que fosse no mesmo dia foi pra criar um conflito e ir de encontro com a data americana. Não é uma festa 'do contra', é uma festa para dar alternativa a quem gosta desse tipo de manifestação e quer celebrar a brasilidade", aponta.

Leia matéria completa na edição de hoje de O POVO: https://www.opovo.com.br/noticias/curiosidades/2018/10/31-de-outubro-31-10-dia-do-saci-ou-dia-das-bruxas.html

LEIA TAMBÉM: http://maladeromances.blogspot.com/2016/10/saci-perere-x-hallowen.html



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Leandro no Itaú Cultural




LEANDRO GOMES DE BARROS
Biografia

Leandro Gomes da Nóbrega (Pombal, PB, 1865 - Recife, PE, 1918). Cordelista. Nasce em Pombal, Paraíba, na fazenda Melancia, e é sobrinho materno do padre Vicente Xavier de Farias (1822- 1907), que ajuda a criá-lo. Sua relação com o tio, entretanto, não é fácil, o que faz com que fuja de casa com 11 anos, por causa dos maus-tratos que sofre. Muda seu sobrenome de Nóbrega para Barros depois de ter sido prejudicado pelo padre na partilha dos bens da família. Na infância, mora em Teixeira, Paraíba, onde convive com diversos violeiros, até que, em 1880, a família se muda para Vitória de Santo Antão, Pernambuco. Em 1889, começa a publicar seus versos, sendo um dos pioneiros da literatura de cordel. Produzindo de maneira intensa e independente, adquire, em 1906, uma pequena gráfica para imprimir e distribuir os próprios trabalhos. Com sua morte, o genro e escritor Pedro Batista (1890-1938) obtém os direitos de publicação de sua obra. Porém, três anos depois, a viúva de Barros, Venustiniana Eulália de Souza, vende esses direitos para o editor e poeta João Martins de Ataíde (1880-?), que passa a publicar os textos sem creditar-lhe a autoria e fazendo alterações nos originais, o que torna difícil compilação da obra de Barros, estimada em mais de 600 títulos.

FONTE: Itau Cultural
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5873/leandro-gomes-de-barros