segunda-feira, 23 de outubro de 2017

LANÇAMENTO NO SESC



No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), às 19 horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de Caxias (Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da obra “Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio autor.
Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC, através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por ele criado em 2001.
Arievaldo atuou também como consultor e redator de uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ. 



Caricatura: Jô Oliveira

OUTRAS ATIVIDADES MARCAM
CINQUENTENÁRIO DO POETA

63ª Feira do Livro de Porto Alegre-RS

No período de 13 a 15 de novembro, Arievaldo Vianna e o ilustrador pernambucano Jô Oliveira participarão de várias atividades da programação da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorrerá no período de 1º a 19 de novembro, como autores enviados pela Editora IMEPH. Além das atividades programadas no próprio espaço da Feira, que incluem visita à Escola Portugal (palestra para turmas do EJA) e no projeto Autor no Palco, no Teatro Carlos Urbim, a dupla foi convidada pela Associação Centro de Tradições Nordestinas e a Secretaria Municipal de Educação da cidade de Cachoeirinha (que fica a 17 quilômetros de Porto Alegre) para fazer uma palestra sobre cordel no bairro Granja Esperança (onde está radicada a maior parte da colônia nordestina). 



Com o parceiro Jô Oliveira - Bienal do Rio de Janeiro (2012)


IMPLANTAÇÃO DE CORDELTECA EM MADALENA-CE 
E LANÇAMENTO DE UM NOVO LIVRO 
“NO TEMPO DA LAMPARINA”



Também em novembro próximo, em data a ser definida, a Prefeitura Municipal de Madalena irá inaugurar uma Biblioteca de Cordel com acervo selecionado por Arievaldo Vianna. A Cordelteca Alzira Vianna de Sousa Lima é uma homenagem à avó do escritor. Foi com ela que Arievaldo aprendeu as primeiras letras e deu seus primeiros passos como poeta, pois dona Alzira utilizava os folhetos de cordel como ferramenta auxiliar na educação do neto.

Ainda este ano, Arievaldo Vianna pretende lançar seu 32º livro, oitavo em prosa, intitulado “No Tempo da Lamparina – II Volume de Memórias”. A obra reúne crônicas que retratam a sua infância e adolescência nos municípios de Quixeramobim, Madalena e Canindé. O texto alterna lembranças pessoais com fatos importantes ocorridos no período e trata também das transformações que afetaram o Sertão Central cearense ao longo dos últimos 50 anos, sob a ótica de quem viveu e testemunhou de perto.
Assim, o autor desfila suas reminiscências falando de artes e tradições esquecidas, como o reisado, a cantoria, o forró de latada, corridas de cavalo, farinhadas, sonhos com botijas e assombrações, novenas e procissões invocando chuva. A fazenda Ouro Preto, onde nasceu e se criou, não tinha luz elétrica. O entretenimento que o poeta conheceu na infância foram somente o rádio, as cantorias e os folhetos de cordel, guardados com carinho pela avó numa maleta encantada. Por falar nisso, Arievaldo também descreve as histórias de encantamento repassadas aos meninos de sua geração pela velha Bastiana. Uma delas falava de três castelos encantados, localizados na comunidade vizinha de Três Irmãos, onde está situada a Fonte das Coronhas, um lugar mágico, tido por alguns como a morada da Iara ou Mãe D’água sertaneja.

EIS UM TRECHO DO LIVRO:


Xilogravura da capa: Maércio Siqueira

“Na infância eu considerava as histórias de encantamento dos folhetos de cordel como verdadeiras ou, pelo menos, plausíveis. Por estarem impressas no papel me pareciam mais dignas de crédito que as histórias de Trancoso contadas oralmente pela velha Bastiana e sua neta Rita Maria. A própria Bíblia, tida como o mais sagrado e verdadeiro dos livros, não encerrava a história da jumenta de Balaão, que adquirira voz humana e falara fluentemente? Moisés não abrira o Mar Vermelho para que os israelitas o atravessassem a pé enxuto, com a mesma facilidade com que se corta uma talhada de melancia? O profeta Elias não fizera cair fogo do céu? Não havia dividido as águas do Rio Jordão com o simples toque de sua capa? O profeta Eliseu, seu sucessor, não multiplicara milagrosamente o azeite da viúva em cuja casa se hospedara?       O combate do pequeno Davi contra o gigante Filisteu não poderia ser a própria Batalha de Oliveiros com Ferrabrás, de que nos fala o livro de Carlos Magno e dos Doze Pares de França? Se São Jorge, um santo reconhecido pela Igreja Católica, combatera um dragão, por quê Juvenal, personagem do folheto do poeta Leandro Gomes de Barros, não poderia ter realizado um feito similar?
Para completar esse universo místico e encantado, eu ouvia constantemente, no alpendre da casa de meus avós, histórias de botijas, de alma penada, de lobisomens e até de discos voadores como coisa absolutamente real, palpável e natural. Nascidos e criados no “tempo da lamparina”, os meninos de minha geração não dispunham de outras diversões que não fossem as cantigas de roda, a audição de velhos contos de fadas adaptados à linguagem sertaneja, os folhetos de cordel e o rádio de pilha. Some-se a isso, cantorias, vaquejadas, forrobodós, leilões, reisados e novenas.
Eu gostava mesmo era de escutar a prosa dos adultos, à sombra dos alpendres, em noites de lua cheia ou sob a luz do candeeiro. Tudo isso era projetado pelo caleidoscópio de uma imaginação fértil e prodigiosa, da qual sempre fui dotado. De modo que, quando me via sozinho no meio do mato, imaginava encontrar um desses entes fabulosos descritos pelos adultos e registrados nas páginas dos cordéis. Dentre todos, o que eu mais       ansiava encontrar era o gênio da lâmpada, das histórias de Alladim, a fim de realizar os três pedidos. O primeiro deles, sem dúvidas, seria um passeio no tapete voador, elevando-se do pátio da fazenda de meu avô com destino a serra dos Três Irmãos, Serra do Peitão, Serrinha do Teixeira e Serra da Cacimba Nova. Desde a mais tenra idade eu nutria verdadeiro encanto pelas serras, lugar de onde me parecia vir a chuva. E, como toda criança, eu queria voar. Nessa fase da vida quantas vezes não sonhei voando?
Complementando tudo isso, havia as histórias mirabolantes do Chico Pavio, filho da velha Bastiana, que também possuía uma imaginação prodigiosa. Às vezes ele fazia parte do adjunto de trabalhadores que auxiliavam meu pai na sua lavoura. No próprio eito ele desfiava alguns causos interessantes, que eram intercalados pela voz do Chico Cazuza, o Cazuzinha, fã de cantorias, que sabia de memória muitas glosas atribuídas aos famosos Bentevi Neto e Cego Aderaldo. Papai dava larga preferência ao segundo, eu gostava, também, das lorotas do primeiro. Eis um causo contado pelo Chico Pavio: segundo ele, os serrotes dos Três Irmãos eram três reinos encantados, erguidos em remotas eras, por uma raça nobre e desconhecida, exuberante e rica. Mas os três castelos foram encantados pelo poder de gênios do espaço e transformados em três gigantescos blocos de pedra. Quando eu ia buscar água na companhia de meu pai, na Fonte das Coronhas, que fica no sopé do primeiro serrote, ansiava encontrar alguma princesa encantada, avistar a lendária Mãe D’água e até mesmo o dragão que guardava a porta de entrada do Reino Encantado. Dei asas à imaginação e descrevi tudo isso em um poema chamado “O Marco Cibernético do Reino dos Três Monólitos”, que se encontra reproduzido integralmente neste livro.
(...)
Há quase 300 anos os troncos familiares que deram origem à minha raça habitam este pedaço de chão. A história desses clãs é minunciosamente descrita no primeiro livro desta série, cujo título é “Sertão em Desencanto – I Volume de Memórias”, obra de menor teor poético, porém fortemente embasada em documentos, daí o seu valor como relato histórico.
Por quê “Sertão em Desencanto”? Dentre muitos outros motivos e explicações eu diria que aquele encantamento pelo maravilhoso, pelo heroico e pelo fantástico que acalentei na infância foi quebrado pelo rude martelo da realidade. Foi minado pelos espinhos e dissabores que inevitavelmente nos agridem ao longo de nossa caminhada. Mas também pela descaracterização de nossa cultura, pelo desaparecimento de velhas tradições, pelo aniquilamento de nossos costumes mais simples e fraternos. O sertão de hoje em dia está muito modificado!

Por isso tomei a iniciativa de escrever estes livros de memórias, permeados de causos, de sonhos e encantamentos, para que as gerações futuras não percam o fio da meada e saibam que o nosso sertão nem sempre foi assim, displicente, desleixado, alienado e ignorante de suas matrizes culturais. Subam comigo, a bordo desse tapete voador, e retornemos ao sertão dos tempos da lamparina, fazendo de conta que o velho candeeiro é a lâmpada de Alladim.”

terça-feira, 17 de outubro de 2017

XILOGRAVURAS À VENDA





Depois de uma pausa de quase três anos resolvi retomar a minha atividade como XILOGRAVADOR. Imprimi antigas matrizes e também gravei novos tacos, dentre os quais uma série sobre astros da música popular brasileira, que inclui Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Roberto Carlos, Belchior, dentre outros. As cópias, em geral, medem 32 x 22 cm. Cada cópia custa R$ 25,00 (em papel vergê) e R$ 30,00 (em papel canson importado).

A seguir, fotos de algumas etapas do trabalho.







sábado, 14 de outubro de 2017

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA

LANÇAMENTO NO SESC
(Projeto Bazar das Letras)



Ilustrações: Arievaldo Vianna

SESC COMEMORA CINQUENTENÁRIO DO ESCRITOR ARIEVALDO VIANNA COM LANÇAMENTO NO PROJETO “BAZAR DAS LETRAS”

No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), a partir das 19 horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de Caxias (Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da obra “Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio autor.
Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC, através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por ele criado em 2001.

Arievaldo atuou também como consultor e redator de uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA

Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em todos os tempos. As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Vianna.



Autor: Arievaldo Vianna
Ilustração: Arievaldo Vianna
Indicação: Para crianças de 8 a 80 anos
Temas relacionados: Honra, honestidade
Valor: 34,00
Formato: 20,0 x 27,0 cm
Número de páginas: 28
ISBN: 978-85-7974-182-1



HISTÓRIAS DE CAMINHONEIRO
(Texto de apresentação da obra)

Encontro com a consciência é o trabalho basicamente inaugural de Arievaldo Viana como romancista da Literatura de Cordel. Esta sua narrativa em versos surgiu com o alvorecer do século presente, dois anos depois de o já consagrado poeta lançar a primeira edição do seu livro O baú da gaiatice, que demarcou o ressurgimento do Cordel por aqui e mais além. Com seu faro aguçado para a temática do romanceiro popular, Arievaldo enxergou um belo roteiro nessa história escrita em 1977 por Ramiro Monteiro Chaves, antigo caminhoneiro da região jaquaribana, que por sua vez reuniu em livro suas aventuras pelas estradas do Brasil. Reeditado em 2001, Com o pé na estrada  memórias de um caminhoneiro traz “Encontro com a consciência” em sua versão original e na adaptação para o Cordel.

Agora, o mesmo trabalho ganha publicação individual, em edição primorosa e ricamente ilustrada com desenhos em cores assinados pelo próprio Arievaldo e inspirados nos mestres do traço Percy Lau (1903-1972), Lanzellotti (1926-1992) e Raimundo Cela (1890-1954), que de tal forma são também homenageados. As aquarelas do poeta-desenhista emprestam um novo brilho à sua obra e atestam mais uma vez a evolução constante do Cordel no mercado editorial.

Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em todos os tempos. Conquanto o enredo encontre paralelo numa obra de Simões Lopes Neto (1865-1916), intitulada Trezentas onças, a coincidência pára por aí, pois o desfecho do primeiro é sensivelmente mais vibrante; e ainda se há de supor que Ramiro Monteiro Chaves, incansável em sua luta de caminhoneiro, não tenha sequer conhecido a obra do escritor e regionalista gaúcho.
As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Viana. O arremate, como sugere o título, tem o seu cunho de grandeza moral e de lição de vida. O relançamento de “Encontro com a consciência”, por outro lado, acontece no momento em que a adaptação da prosa para o cordel, inclusive de obras clássicas, tornou-se um dos filões mais explorados pelos poetas populares e também um dos mais aceitos pelo público. É ainda, não há dúvida, uma alternativa de se preservar e recontar com novo jeito tantas velhas e boas histórias. Assim seja.



Pedro Paulo Paulino (Poeta Popular)


Programa Bazar das Letras
LANÇAMENTO DE "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA"
QUANDO: 31 DE OUTUBRO DE 2017 - a partir das 19 horas
ONDE: SESC da Avenida Duque de Caxias


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

MINHA ESCOLA DA INFÂNCIA


Nessa casinha funcionou a escola onde recebi as melhores lições desta vida.

Hoje, 12 de outubro, Dia da Criança, resolvi prestar uma homenagem às minhas professoras da infância, em especial à minha tia Heliodória, responsável pela minha educação entre os anos de 1975 e 1977. Dedico essa crônica a todos os meus companheiros de escola: Oswaldo, Marquinhos, Totonho, Walberto, Dário José, Evaldo, Ana Clara, Vânia, Isabel Cristina, Marly e Joana D'Arc Calixto (in memórian). Vejam se está no prumo:


Minha querida professora, Heliodória de Sousa Lima (Dodóia)


DECIFRANDO O BÊ-A-BÁ

(A ESCOLINHA DA ‘DODÓIA’)

Aprendi em casa as primeiras letras, motivado, principalmente, pelo desejo de ler ‘versos’ e ‘romances’, nomes pelos quais a minha avó conhecia os folhetos de Literatura de Cordel. Os meus prediletos eram Juvenal e o Dragão, Princesa da Pedra Fina, A vida de Cancão de Fogo e o seu testamento, A chegada de Lampião no Inferno e As proezas de João Grilo. Desde os cinco anos (ou antes disso), eu prestava muita atenção nas leituras que minha avó fazia em voz alta, para uma roda de ouvintes, à luz de um lampião a gás. De tanto pedir que ela repetisse tais leituras (quase sempre os mesmos títulos) ela resolveu que já era tempo de me alfabetizar.
Trouxeram uma Carta de ABC daquelas antigas, de Landelino Rocha, onde se aprende inicialmente o alfabeto maiúsculo, depois o minúsculo e, finalmente, começa-se a juntar as sílabas. Eu estava tão empenhado nisso que aprendi em pouco tempo. Minha avó tinha umas técnicas interessantes. Uma delas era pegar uma folha de papel em branco, fazer um pequeno orifício no centro, por onde se avistasse somente uma letra da cartilha, para que o menino a reconhecesse sem associá-la com as letras vizinhas. Mais tarde, quando eu já estudava com minha tia Heliodória, tinha dificuldade de decorar a sequência correta dos planetas do Sistema Solar, tendo por base a distância de cada um em relação ao Astro Rei. Ela me repassou uma fórmula infalível, que aprendera no colégio das freiras, em Canindé:
Meu filho, é muito simples. Decore esta frase: “Minha Velha Traga o Meu Jantar. Sopa, Uva, Noz e Pão. Minha = Mercúrio, Velha = Vênus, Traga = Terra, Meu = Marte, Jantar = Júpiter, Sopa = Saturno, Uva = Urano, Noz – Netuno e Pão = Plutão.


Vó Alzira

Hoje em dia os astrônomos acharam por bem retirar o pão do jantar, certamente para diminuir as calorias da refeição planetária. Ou, quem sabe, por contenção de despesas, já que se fala tanto em crise atualmente. Eu, de minha parte, não acho que uvas e nozes sejam um bom acompanhamento para um jantar a base de sopa. Prefiro o pão.
Vovó costurava e dava aulas ao mesmo tempo. Passava a lição e voltava para a sua máquina de costura. Quando não podia me acompanhar na tarefa, incumbia minha tia Augediva desse mister. Havia uma escola na casa velha da Morada Nova mas eu não frequentava, porque além de ser distante, diziam que por lá ainda persistia o velho castigo da palmatória e minha tia não queria me expor a esse vexame.

* * *

Pois bem. Depois que “desasnei” nessa escola caseira e bem informal, fui encaminhado à escola da Terezinha Terceiro de Araújo, uma moça contratada pela Prefeitura de Quixeramobim para manter uma escola chamada Ismael Pordeus, historiador nascido em nosso município que fez um ótimo livro comparativo da obra de Oliveira Paiva, Dona Guidinha do Poço, com um episódio real ocorrido no século XIX, o crime de Marica Lessa. A Escola Ismael Pordeus existia de fato, mas não de direito. Não tinha prédio próprio. A professora ensinava em sua própria casa, no turno da manhã, e a tarde ensinava outra turma na sala da casa do meu tio José Oswaldo que era bem ampla e espaçosa, iluminada por duas portas e três janelas. Tal iniciativa devia-se ao fato de que metade dos alunos eram filhos do meu tio e os demais sobrinhos ou filhos de amigos que moravam na vizinhança. Isso foi no correr do ano de 1974.
Em 1975 minha tia Heliodória, recém-chegada do Rio Grande do Norte, onde estivera internada em colégio de freiras, resolveu abrir uma escola para ensinar os sobrinhos. Primeiramente funcionava na sala da casa do meu avô, com poucos alunos. Depois passou para uma casinha de taipa que ainda hoje está de pé. Essa casinha servia de escola e moradia, pois ela era recém-casada e nascera-lhe a primeira filha, Clara Artures (que eu chamava de Tuinha), que por sinal é minha afilhada. Digo sem demagogia que foi a melhor escola que frequentei em toda a minha vida, de onde retirei o maior proveito, aliado ao fato de estar perto dos meus, cercado de carinho e atenção.
A professora tinha um jeito doce e maternal para com todos, sem distinção, e pleno domínio das matérias que estudávamos. Tanto que ela reunia na mesma classe alunos do segundo, terceiro e quarto ano letivo, distribuindo as tarefas de cada um, sem perder o fio da meada. Eu e o Marquinhos fomos os únicos que ganhamos apelidos da professora: Dodóia me chamava de borrego preto e o Marquinhos era o borrego melado. Em 1977, a Tuinha, que já aprendera a falar e era uma verdadeira pimenta, já aprendera os nossos apelidos. Também pastorava as pessoas que passavam na estrada para puxar conversa. Uma vez, flagrei o seguinte diálogo da Tuinha com Vanilda, uma moça que morava nos Três Irmãos:
— Ei, Vanilda! Vai pra onde?
— Oi Tuinha, vou ali na bodega...
— Vanilda, passe por aqui, venha tomar um cafezinho.
Ora vejam só, que criança hospitaleira. E olhem que essa pestinha devia ter, no máximo, uns dois anos quando aprontou essa.

Eis a turma que estudava na “Escolinha da Dodóia”, em 1976/77: Totonho, Oswaldo e Marquinhos (filhos do José Oswaldo); Dário José e Walberto (filhos do tio José Viana); Vânia, da tia Mily; Isabel Cristina, da Cleide Viana; Ana Clara e Evaldo (filhos do primo José Augusto Viana); Marly, do Raimundo Viana e Joana D’arc Calixto (Era filha do Antônio Calixto. Faleceu precocemente, vítima de um câncer letal). D'arc era um amor de pessoa, muito simpática, risonha, e tinha um sinalzinho no rosto. Ela, Ana Clara, Vânia e Marly eram todas pré-adolescentes. Deviam ter entre 12 e 15 anos na época. Eu só tinha 8 anos, era um inocente, mas bem que gostava da companhia das meninas. Quantas vezes não suspendi a minha tarefa para me enlevar com o sorriso da Joana D’arc? Os meninos do tio José Viana, Dário e Walberto já pensavam em namoro, eram mais velhos que eu. Na opinião geral, eu ainda fedia a mijo, embora não tivesse o hábito de mijar na rede. Não obstante, todos admiravam a minha inteligência e ótimo desempenho em quase todas as matérias, embora fosse o caçula da classe. Foi, sem sombra de dúvidas, o lugar onde estudei com mais prazer e dedicação em toda a minha vida.

domingo, 8 de outubro de 2017

08 DE OUTUBRO


Ilustração: Jô Oliveira - PE

DIA DO NORDESTINO


"Sou o coração do folclore nordestino 
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá 
Sou o boneco do Mestre Vitalino 
Dançando uma ciranda em Itamaracá..."


Leão do Norte - Lenine

"O sertanejo (nordestino) é, antes de tudo, um forte", já escrevia o fluminense Euclides da Cunha no seu clássico Os Sertões. Neste domingo (08/10) é comemorado o Dia do Nordestino, sinal de uma resposta positiva aos inúmeros preconceitos que essa população ainda sofre por parte de uma minoria supostamente elitizada, fascista e desinformada, sobretudo no Sudeste e no chamado Sul maravilha.

Ilustração: William Jeovah - PB


Basta um rápido olhar na contribuição que o Nordeste tem dado para o país no campo das artes, em especial na Literatura, para conhecermos o potencial dessa raça forte e guerreira da Nação Nordeste, berço de Jorge Amado, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Marinês, Gordurinha, Evaldo Gouveia, Gilberto Gil, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiróz, Coelho Neto, Humberto de Campos, Gonçalves Dias, José de Alencar, Câmara Cascudo, Leonardo Mota, Celso Furtado, Gilberto Freire, Ariano Suassuna, Joaquim Nabuco, Fagner, Patativa do Assaré, Leandro Gomes de Barros, Zé da Luz, Lucas Evangelista, Ivanildo Vila Nova, Geraldo Amâncio, Rosemberg Cariri, Cego Aderaldo, Chico Anysio, Cassiano, Xangai, Ednardo, Amelinha, Belchior, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Raul Seixas, só para citar uma pequena parcela dos nossos talentos. VIVA O NORDESTE, VIVA O POVO NORDESTINO!


FAMÍLIA SOUZA-VIANNA, no Brasil desde o descobrimento e no Ceará desde o Século XVIII. Somos todos MESTIÇOS - brancos, índios, negros e orientais - mouros e judeus, somos a amálgama de todas as raças. Não somos "quatrocentões" nem "arianos", nós habitamos o planeta desde que o mundo é mundo. SOMOS BRASILEIROS, acima de tudo. VIVA O POVO BRASILEIRO.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ATENÇÃO!


LIVROS E CORDÉIS À VENDA:
(Preços atualizados – 2017)

Quer montar ou enriquecer a sua coleção particular de Literatura de Cordel? Quer implantar uma CORDELTECA na sua escola? Temos um estoque variado, abrangendo a obra de vários autores, antigos e contemporâneos, além de obras essenciais sobre o tema.
Enviamos pelo correio para qualquer parte do Brasil, mediante depósito em conta corrente do Banco do Brasil. Maiores informações: acordacordel@hotmail.com



VEJA A LISTA DE LIVROS E FOLHETOS DISPONÍVEIS:

Acorda cordel na sala de aula – R$ 40,00
Kit completo ACORDA CORDEL (+ caixa com 12 folhetos e CD) – R$ 80,00
Sertão em Desencanto – Volume I de Memórias – R$ 30,00
Biografia de Leandro Gomes de Barros – R$ 30,00
Biografia de Santaninha – R$ 40,00
Pavão Misterioso em quadrinhos – R$ 30,00
A batalha de Oliveiros e Ferrabrás em quadrinhos – R$ 30,00
O Rei do Baião do Nordeste para o mundo – Editora Planeta - R$ 30,00
João Bocó e o ganso de ouro – Ed. Globinho – R$ 35,00
O coelho e o jabuti – Ed. Globinho – R$ 35,00
A peleja de chapeuzinho vermelho com o lobo mau – Ed. Globinho – R$ 35,00
O que é literatura de cordel – Franklin Maxado – R$ 30,00
A Lira do poeta Expedito – Gilmar de Carvalho – R$ 20,00
O baú da gaiatice – Arievaldo Viana – R$ 30,00
Encontro de Zé Ramalho com Raul Seixas na cidade de Thor – R$ 15,00
O jumento melindroso desafiando a ciência – R$ 20,00
Dez cordéis num cordel só, de Antônio Francisco – R$ 25,00
Antologia crítica – LULA na Literatura de Cordel, de Crispiniano Neto – R$ 100,00
Antologia da ABLC – 100 Cordéis históricos, 02 volumes – R$ 200,00



MALA DE ROMANCES – Maleta com 120 folhetos de cordel, caixas temáticas e três livros – R$ 400,00



NOSSO CONTATO:

acordacordel@hotmail.com


FOLHETOS SIMPLES
ALGUNS TÍTULOS EM ESTOQUE:

Folhetos de 08 a 16 páginas = R$ 2,50
Folhetos de 24 a 32 páginas = R$ 3,00
Folhetos de 40 a 48 páginas = R$ 4,00

- O valente Zé Garcia - 40 páginas
- Batalha de Oliveiros com Ferrabras - 32 páginas
- A prisão de Oliveiros - 32 páginas
- Artimanhas de João Grilo (Arievaldo Viana) - 32 páginas
- O misterioso crime das tres maçãs - 24 páginas
- João Bocó e o Ganso de Ouro - 16 páginas
- Mil e uma maneiras de manter seu casamento - 16 páginas
- Luiz Gonzaga, o rei do baião - 16 páginas
- Yoyô, o bode misterioso - 20 páginas
- O batizado do gato - 8 páginas
- Discussão de seu Lunga com um corno - 8 páginas
- As peripécias da vaqueira Rosadina - 16 páginas
- Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês - 16 páginas
- A donzela Teodora - 32 páginas
- Iracema, a virgem dos lábios de mel - 32 páginas
- A visita da morte - 16 páginas
- O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas
- A chegada de Lampião no inferno - 8 páginas
- Romualdo entre os bugios (40 páginas) - Ed. CORAG
- Quinta de São Romualdo (40 páginas) - Ed. CORAG
- A didática do cordel - 16 páginas
- A gramática em cordel - 16 páginas
- Meu martelo - 8 páginas.
- A festa dos cachorros - José Pacheco - 16 páginas
- A cura da quebradeira - Leandro G. de Barros - 08 páginas
- A intriga do cachorro com o gato - 08 páginas
- O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas*
- O valente Zé Garcia - 40 paginas
- Peleja de Romano com Inácio da Caatingueira - 16 páginas
- Peleja de Pinto com Milanês - 16 páginas.


FOLHETOS DA EDITORA LUZEIRO, CAPA COLORIDA, formato 13x18cm – R$ 7,00 cada – Mais de 50 títulos diferentes.