sábado, 3 de dezembro de 2011

CONVITE AOS POETAS


O Ministério da Cultura enviou este convite a todos os participantes do Prêmio MAIS CULTURA 2010 - Edital PATATIVA DO ASSARÉ. O evento será no próximo dia 07 de dezembro, em Fortaleza.

Eis o teor do convite:

CONVITE
O Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional/MinC convidam
para a entrega dos certificados do
Prêmio Mais Cultura de Literatura de
Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré
. O evento acontecerá no dia 07 de
dezembro de 2011, das 14h00 às 16h30, no Teatro do Centro Cultural do Banco
do Nordeste do Brasil, na sede da CCBNB, em Fortaleza-CE.
Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

NOVA PELEJA DE PETER PAN X ARIZONA




ARIZONA DIZ:



Se trabalho fosse bom

Jumento seria louro

Teria o casco de ouro

E só chupava bombom

Jumenta usava batom

Perfume e água de cheiro

Bebia uísque estrangeiro

Trajava seda e cetim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.



PETER PAN:



Mas eu já penso o contrário

Pois no meu modo de ver

Tem gente que quer fazer

Quem trabalha, de otário

Trabalhar pra salafrário

É melhor ser pirangueiro

Vender pimenta de cheiro

Pedir esmola no cais

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - O trabalho é desgastante

Pois traz cansaço e fadiga

Queima mais do que urtiga

Pois é tarefa estafante

Pobre não vai adiante

Mesmo sendo interesseiro

Porque um patrão fuleiro

Me rouba e zomba de mim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.



PP - Trabalho dignifica

Favorece a honradez

Quem não trabalha, talvez

Malvisto no mundo fica

Tem gente que se dedica

Ao trabalho a vida inteira

Mas se o cabra der bobeira

Só trabalha e nada faz

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - Eu trabalhei certa vez

Para um prefeito ladrão

Embusteiro, falastrão,

E sabe o que ele me me fez?

Aquele rato pedrês

Era um fino trambiqueiro

Deu-me um "chêcho" tão certeiro

E ainda veio com pantim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.



PP – Eu também já trabalhei

Uns seis meses enfincado

Num servição empreitado

Por um tal de Sidney

Quando um dia me cansei

Sem da grana “ver o cheiro”

Virei um pai-de-chiqueiro

Dei pinote e tudo o mais

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - Deus estava no seu posto

E disse ao pobre do Adão

Irás ganhar o teu pão

Com o suor do teu rosto

Adão com muito desgosto

Seguiu o triste roteiro

Não saiu do atoleiro

E morreu bem "pobrezim"

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.





PP – Veja o caso de Jacó

Que trabalhou pra Labão

Querendo ganhar a mão

Da filha dele tão só

Mas Labão passou-lhe um nó

Jacó prosseguiu solteiro

Enganou-lhe o sorrateiro

Covarde velho e sagaz

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - Porém Jacó foi esperto

E findou virando o jogo

Igual o Cancão de Fogo

Aplicou um golpe certo

Nas quebradas do deserto

Ele fez um mealheiro

Ovelha, bode e carneiro

Tudo isso ele deu fim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.





BREVE SERÁ LANÇADO UM FOLHETO

COM A PELEJA COMPLETA!

AGUARDEM!!!








quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MESTRES DO CORDEL - VII

João Melchíades Ferreira da Silva (2)




Clique no vídeo para reproduzir

João Melchiades Ferreira, violeiro e poeta da Literatura de Cordel
Bananeiras / PB

João Melchíades Ferreira da Silva nasceu em Bananeiras-PB, aos 7 de setembro de 1869 e faleceu em João Pessoa-PB, no dia 10 de dezembro de 1933. Foi sargento do exército. Combateu na Guerra de Canudos e na questão do Acre. É autor do primeiro folheto sobre Antônio Conselheiro.

João Melchíades é autor de mais de 20 folhetos, dos quais destacamos os seguintes:

- ROMANCE DO PAVÃO MYSTERIOZO
- COMBATE DE JOSÉ COLATINO COM CARRANCA DO PIAUÍ
- HISTÓRIA DE JUVENAL E LEOPOLDINA
- AS QUATRO ÓRFÃS DE PORTUGAL
- ROLDÃO NO LEÃO DE OURO
- HISTÓRIA DO VALENTE ZÉ GARCIA
- A GUERRA DE CANUDOS
- PELEJA DE JOÃO MELQUÍADES COM JOAQUIM JAQUEIRA
- CAZUZA SÁTIRO, O MATADOR DE ONÇAS
- DESAFIO DE JOÃO MELCHÍADES COM CLAUDINO ROSEIRA

Fonte:
www.camarabrasileira.com/cordel35.htm


JOÃO MELCHÍADES FERREIRA

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

O poeta popular e cantador João Melchíades Ferreira da Silva nasceu em Bananeiras, Paraíba, em 7 de setembro de 1869.
Filho de pequenos proprietários ficou órfão de pai muito cedo. Nunca freqüentou a escola. Aprendeu a ler com o beato Antônio Simão que pregava o catolicismo e alfabetizava adultos e crianças, por ordem do Padre Ibiapina.
Entrou para o exército aos 19 anos e, cinco anos depois, foi promovido a sargento. Combateu os partidários de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos, em 1897, e participou das campanhas do Acre, na disputa de território entre o Brasil e a Bolívia, em 1903.
Em 1904, depois de reformado do Exército voltou a morar na capital paraibana, onde casou e teve quatro filhos, tornando-se poeta popular e cantador. Segundo alguns, era mais poeta popular do que cantador, não se enquadrando como um repentista nato.
Intitulava-se o Cantor da Borborema e é invocado, com nome e codinome, na obra de Ariano Suassuna A Pedra do Reino.
É autor do folheto A Guerra de Canudos, o primeiro cordel sobre Antônio Conselheiro, publicado no início do século XX que, apesar de não ter sido assinado, foi identificado como seu pelo pesquisador José Calasans.
Os seus folhetos, na sua grande maioria, eram revisados e impressos na tipografia do seu amigo Francisco das Chagas Batista.
Considerado um dos grandes poetas populares da primeira geração de cordelistas do Nordeste brasileiro, Melchíades já publicava folhetos com regularidade em 1914.
Era um poeta-cronista da sua região de origem, principalmente da Serra da Borborema, narrando histórias e feitos dos seus habitantes, beatos, heróis e valentes, além de descrever seus usos e costumes.
Estima-se que seja autor de 36 cordéis. Da sua obra podem ser destacados, além d'A Guerra de Canudos, O Pavão Misterioso; História do valente sertanejo Zé Garcia; As quatro órfãs de Portugal ou o valor da honestidade; Combate de José Colatino com o Carranca do Piauí; História de Rosa Branca de castidade; História de Antonio Silvino; A história de Carlos Magno e os 12 pares de França; Peleja de Joaquim Jaqueira com João Melquíades; História do Rei do Meio Dia e a moça pobre; História sertaneja; Quinta peleja dos protestantes com João Melquíades; História do viadinho e a moça da floresta; O príncipe Roldão no Leão de Ouro; A besta de sete cabeças; As quatro moças do céu: fé, esperança, caridade e formosura
João Melchíades Ferreira da Silva morreu em João Pessoa no dia 10 de dezembro de 1933.


Recife, 15 de dezembro de 2008.


FONTES CONSULTADAS:

ALMEIDA, Átila Augusto F. de; ALVES SOBRINHO, José. Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada. João Pessoa: UFPB, Editora Universitária; Campina Grande: Centro de Ciências e Tecnologia - UFPB, 1978. v. 1.
BENJAMIM, Roberto. João Melchíades Ferreira: biografia. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMelquiades/joaoMelquiades_biografia.html>. Acesso em: 5 dez. 2008.
GRILLO, Maria Ângela de Faria. A arte do povo: histórias na literatura de cordel (1900-1940). 255 f. 2005. Tese (Doutorado em História).- Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, 2005.
JOÃO Melchíades Ferreira: poeta popular. Disponível em: <http://fotolog.terra.com.br/editora_coqueiro%3A503>. Acesso em: 5 dez. 2008.
COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: GASPAR, Lúcia. João Melchíades Ferreira. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DEZEMBRO CHEGOU...


Soneto de Natal
Machado de Assis



Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"


Texto extraído do livro "
Poesias Completas - Ocidentais", 1901, pág. s/nº.

Conheça o autor e sua obra visitando "
Biografias".

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

AVE-MARIA DA ELEIÇÃO

Ave Maria da eleição
Leandro Gomes de Barros
Recife, 1907

Fonte: http://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=\\Acervo01\drive_q\Trbs\RuiCordel\Cordel.DocPro&pasta=&pesq=LC6046
Acervo de cordel da Fundação Casa de Rui Barbosa


No dia da eleição
O povo todo corria
Gritava a oposição
Ave Maria

Via-se grupos de gente
Vendendo voto nas praças
E a arma dos governos
Cheia de Graça

Uns e outros perguntavam
- O Sr. vota conosco?
Um chaleira respondia
Este Senhor é convosco.

Eu avistei duas panelas
Com miúdo de dez bois
Cumprimentei-a dizendo
Bendita sois.

Os eleitores com medo
Das espadas dos alferes
Chegavam a se esconderem
Entre as mulheres.

Os candidatos chegavam
Com seu ameaço bruto
Pois um voto para eles
É bendito fruto.

O mesário do governo
Pegava a urna contente
E dizia me gloreio
Do teu ventre.

A oposição gritava
De nós não ganha ninguém
Respondia os do governo
Amém.

Fonte: www.folhetodecordel.com.br

domingo, 27 de novembro de 2011

O DISCO DA SEMANA



Mais um disco do excelente site FORRÓ EM VINIL (www.forroemvinil.com). Um disco do tempo em que DUPLO SENTIDO era feito com inteligencia e criatividade. Nessa época começa a parceria entre Genival Lacerda e João Gonçalves, fato que deu um grande impulso à carreira de Genival.

Colaboração do José Everaldo Santana. Um exelente álbum do Genival Lacerda, no caso o álbum que lançou a “Severina Xique xique”, sucesso que projetou o Genival Lacerda em nível nacional. Iniciando ai uma evolução sensível nos seus arranjos e composições, fato que pode ser observado nos álbuns lançados posteriormente a esse, mostrando duas fases distintas, separadas por esse disco.



Direção artística de Oséas Lopes (Carlos André), destaque para “Ela é do contra” de Durval Vieira e para “Tenente Bezerra” de Gordurinha.

Genival Lacerda – Aqui Tem Catimberê
1975 – Copacabana


01. Severina Xique Xique (João Gonçalves / Genival Lacerda)
02. A filha de Mané Bento (João Gonçalves / Genival Lacerda)
03. Deixem ela sofrer (Joca de Castro / Genival Lacerda)
04. Bahia do Catimberê (Haroldo Francisco / Orlando Deco)
05. Benzinho (Brito Lucena)
06. Ela é do contra (Durval Vieira)
07. Para papagaio (Antônio Barros)
08. Meu barco afundou (Luis Boquinha)
09. Leão de gafieira (Severino Ramos)
10. Vamos brincar de roda (João Gonçalves / Genival Lacerda)
11. Morena faceira (Brito Lucena)
12. Tenente Bezerra (Gordurinha)


Para baixar esse disco, clique aqui.