segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

CEGO ADERALDO



Entre o real e o imaginário

|Em produção | Cantador que recebeu homenagens de Baden, Gismonti, Luiz Gonzaga e do Grupo Opinião reviverá num "drama figural do sertão"



Publicado por O POVO em 30/04/2019



Imagens de Rosemberg Cariry e Cego Aderaldo (Foto: DIVULGAÇÃO)

O cineasta cearense Rosemberg Cariry, autor de Cego Aderaldo, O Cantador e o Mito, longa documental sobre Aderaldo Ferreira de Araújo (1878-1967), prepara agora a versão ficcional da vida do menino pobre que tornou-se fonte de inspiração de Baden Powell, Egberto Gismonti, Luiz Gonzaga, do Grupo Opinião (nas vozes de Nara Leão, Zé Ketti e João do Vale) e de Téo Azevedo. O filme, em fase adiantada de roteirização, se chamará A Lenda do Cego Cantador.
Para muitos especialistas, as composições que Baden e Gismonti dedicaram ao cego cearense estão entre as criações supremas de nossa música popular. Prova disso, é que artistas internacionais da grandeza de Ravi Shankar, Simone Zanchini, Grazyna Auguscik, Naná Vasconcelos e Ricardo Hersz emprestaram o virtuosismo de seus instrumentos e, no caso de Grazyna, sua voz, a gravações antológicas da composição gismontiana.

Rosemberg Cariry, 65 anos, é hoje o mais importante difusor da obra e vida de Aderaldo. Em 2012, ele lançou, no Cine Ceará, o documentário Cego Aderaldo, O Cantador e o Mito. Em 2017, o diretor de Corisco & Dadá lançou poderoso livro-álbum - Cego Aderaldo - O Homem, O Poeta e o Mito. Recheou, com vigorosa narrativa sobre os 89 anos de vida do artista nascido no Crato, alentadas 779 páginas. E, para enriquecer seu ensaio sobre a criação popular nordestina, o autor mobilizou monumental iconografia direta ou indiretamente ligada a Cego Aderaldo. Acervo de imagens de um cantador (e seu entorno) jamais reunido em um só volume. O álbum, editado pela Interarte, traz ainda CD com o longa documental que o cineasta dedicou ao popular conterrâneo.

Ao regressar, agora pela vereda ficcional, à vida do Cego Aderaldo, Rosemberg Cariry promete dar asas à imaginação. "Vou contar em A Lenda do Cego Cantador" - promete - "a história real e imaginária do poeta, cordelista, trovador, músico, projecionista de filmes, empresário, negociante, propagandista, dono de circo, violeiro-cantador-repentista Aderaldo Ferreira de Araújo". O roteirista não exagera. O cego exerceu todos estes ofícios. Desprovido da visão desde os 18 anos, mesmo assim dedicou-se à projeção de filmes e foi, inclusive, fonte inspiradora (e transfigurada) de um dos longas ficcionais de Cariry: Cine Tapuia (2008).
O cego do Crato teve infinitos e importantes pares e amigos, dispostos a tudo para perpetuar sua obra. A começar por Rachel de Queiroz (1910-2003), amiga sincera que o recebia em sua fazenda Não Me Deixes, no Quixadá.

Em uma das crônicas que dedicou ao conterrâneo em sua importante coluna na revista O Cruzeiro (outubro de 1959), a autora de O Quinze registrou: "Ele é a voz cantadeira de toda uma gente que não tem outra forma de expressão própria, que não lê nem escreve e, na sua necessidade de poesia e comunicação, fala e se entende pela boca do cantador. Ele é o lírico, o épico, o noticioso, o cômico".
Cariry será obrigado a resumir a acidentada e longa saga do Cego Aderaldo em sua "narrativa ficcional e lendária". Para materializar em imagens "o desejo de revelar também o mito e a narrativa romanceada", poderá abrir o filme com o doloroso momento em que o jovem perdeu a visão frente à caldeira de uma fábrica, na qual era trabalhador (mal) assalariado.

Ou será que escolherá a tragédia da perda da mãe, aquela que cuidava do filho cego, em momento em que a pobreza da família era humilhante? Tão humilhante, que para conseguir mortalha para embalar o corpo materno, Aderaldo dirigiu-se a local onde paroaras (cearenses que iam trabalhar nas seringas da Amazônia e conseguiam acumular dinheiro) se divertiam. Mesmo com o coração mortificado, se dispôs a tocar sua viola e cantar em troca de tostões que lhe permitissem "amortalhar a mãe".
Se preferir momento menos sofrido, Cariry poderá abrir seu filme com as festivas chegadas do Cego Aderaldo à fazenda Não Me Deixes. Rachel de Queiroz relembrou, também em crônica, o que acontecia com os trabalhadores quando o Cego aparecia por lá: "Os homens largavam a enxada nos roçados, as mulheres deixavam o milho no pilão, esquecendo o pão e a hora da janta. (...) E quando se deu fé, o terreiro e o alpendre estavam cheios de gente, e Aderaldo, sentado na cadeira de lona, dava a sua grande risada e contava causos e desfiava motes e depois pegava no grande violão e cantava e rememorava desafios, e fazia, como é de praxe, a louvação dos presentes".
Respaldado pelas pesquisas que alimentaram seu longa documental, Rosemberg garante "dramaturgia que beberá nas fontes da oralidade", ao mesmo tempo em que "retomará uma estética mais ousada, elaborada a partir das manifestações dramáticas populares".

Se conseguir transformar seu roteiro em realidade (apesar das dificuldades impostas por tempos de crise econômica e governo avesso à produção cultural), o realizador cearense promete "um drama figural do sertão, com estrutura de musical popular, alegórico e transbarroco".
Cariry já visualiza "sequências e cenas compostas ao modo do romanceiro do cordel", tendo como "fio condutor da história, o grande amor de Aderaldo por Angelina, um amor trágico e irrealizado, que lhe marcará, para sempre, a vida, a poesia e a morte".
Angelina Coelho de Moraes, há que se esclarecer, foi o amor de juventude de Aderaldo. Mas ao vê-lo cego, a moça desistiu do casamento. Casou-se com outro. O Cego morreu solteiro e alimentou-se, pelos muitos anos que viriam, daquele amor de juventude.
Rosemberg Cariry prevê, em seu drama figural, o registro das principais criações ("cantorias") do Cego Aderaldo, interpretadas por grandes nomes da viola contemporânea do Nordeste.
É mais que natural que Rosemberg Cariry, assim como Rachel de Queiroz, ame as cantorias de Cego Aderaldo. Afinal, na qualidade de conterrâneos do artista, ambos tiveram proximidade com seus versos e seu original toque de viola (rabeca, ou bandolim). Mas o que levou dois fluminenses como Baden Powell (1937-2000) e Egberto Gismonti, a se interessarem pelo cantador nordestino a ponto de imortalizá-lo em composições que Zuza Homem de Melo e Tárik de Souza (ver Ponto de Vista) consideram verdadeiras obras-primas?
Tudo indica que Baden Powell conheceu a arte do Cego Aderaldo graças ao antológico Show Opinião, que estreou em Copacabana, em dezembro de 1964. O espetáculo, dirigido por Augusto Boal, uniu Nara Leão, Zé Ketti e João de Vale, e transformou-se em espécie de "missa leiga".
Perplexa com o triunfo do golpe militar de 1964, a esquerda dedicada à criação artística resolveu produzir espetáculo capaz de somar música e protesto político, mas sem perder o humor. Entre os momentos mais divertidos do Show Opinião está o que evoca peleja entre o Cego Aderaldo e Zé Pretinho, materializada em mais de 370 versos (exatas 63 sextilhas rimadas). Nara, cautelosa, enfrenta o trava-língua "Quem a paca cara compra/ cara a paca pagará", com variações ("Quem a cara cara compra/ Caca cara Cacará"). Estes versos fazem parte da Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum (este debocha da cegueira de Aderaldo, que responde com impropérios sobre a negritude do contendor, mais politicamente incorreto, impossível). O público que, todas as noites, lotava o Teatro Opinião, ria satisfeito da trinca Nara-Zé-João evocando o cantador cearense.

Como Baden participou de shows do Grupo Opinião (e deve ter ouvido infinitas vezes o elepê que resultou do espetáculo, em 1965), era natural que conhecesse e admirasse a obra do Cego Aderaldo. Além do mais, graças ao apoio de políticos e, em especial do poderoso paraibano Assis Chateaubriand e de seu império radiofônico e televisivo, o Cego teve viagens patrocinadas ao sudeste brasileiro. Viajou a São Paulo e/ou Rio por cinco vezes.

Baden compôs Cego Aderaldo, umas mais sublimes faixas de seu clássico 27 Horas de Estúdio em 1969. A composição de mesmo nome (Cego Aderaldo), do multi-instrumentista Egberto Gismonti, foi criada em 1981. O artista do Carmo era, naquele momento, um astro internacional, festejado por artistas da Índia, Polônia, Itália, Alemanha, França, Noruega, etc.

Numa tarde de domingo, em março deste ano, conversamos, por telefone, com Gismonti. O virtuose do violão confessou ter poucas lembranças da origem de Cego Aderaldo, uma de suas "800 composições". Gismonti não deu o relevo merecido à sua composição, gravada por muitos e grandes artistas, incluindo Ravi Shankar e a voz aliciante da polonesa Grazyna Auguscik.

Por Maria do Rosário Caetano (pesquisadora e crítica de cinema)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

CORDELTECA EM BRASÍLIA


O xilogravador Valdério Costa e o poeta e pesquisador cearense
Arievaldo Vianna participam da inauguração da CORDELTECA
JOÃO MELCHÍADES FERREIRA DA SILVA, em Brasília.


Cordelteca João Melchíades, na Casa do Cantador, 
será inaugurada no dia 11/12


Espaço terá painel homenageando artista paraibano e acervo de 1200 obras com catalogação eletrônica


Valdério Costa

O artista plástico Valdério Costa começou a levar pincéis e tinta para a Casa do Cantador hoje (3). Vai criar um painel de 4 x 2,5 metros quadrados a fim de dizer ao mundo que Ceilândia é Nordeste e vice-versa.
O painel pretende representar vaqueiro ladeado por pavão misterioso, referências a romance de cordel (1923) do paraibano João Melchíades Ferreira da Silva (1869-1933), patrono do espaço. “É uma doação minha, por eu fazer parte deste do universo da literatura de cordel”, explica.

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), responsável pelo equipamento, vai inaugurar no dia 11 às 10h uma cordelteca (biblioteca de cordéis) no Cantador e, com isso, dar um centro de referência para o gênero de arte no DF. Graduado em Artes Plásticas pela UnB, também poeta, escritor e ilustrador, Valdério inspira-se nas xilogravuras características do cordel para fazer suas pinturas.


O professor de língua portuguesa e membro do coletivo Cordel Malungada, Sabiá Canuto, integrante de uma nova geração de cordelistas no DF, explica que seu grupo “vê o cordel hoje como a mesma força da tradição original que, numa linguagem poética rígida e calçada na oralidade, aborda uma infinidade de temas do cotidiano e históricos”.

Canuto, que apresenta o trabalho do grupo no Instagram, acredita na capacidade do cordel de dialogar com as novas tecnologias, “pois existem diversas plataformas digitais que divulgam e disponibilizam cordéis para leitura gratuita, além de muitas delas trazerem informações históricas sobre cordelistas”, diz ele.


Casa do Cantador, em Brasília-DF

Sobre a cordelteca na Casa do Cantador, ele entende que será “uma ótima referência” para pessoas que desejam pesquisar e conhecer mais sobre essa literatura. “Estamos entusiasmados também com o atual [2018] registro do cordel pelo IPHAN como patrimônio imaterial. Fazemos parte desta história”.

O subsecretário do Patrimônio Cultural (Supac), Demétrio Carneiro Oliveira, destaca na inauguração da cordelteca a reafirmação da Casa do Cantador como referência para a cultura nordestina, a volta às raízes representadas pelo cordel e, ao mesmo tempo, a renovação da arte pela presença da nova geração de cordelistas. 

A gerente de acervos da Supac, Aline Ferrari de Freitas, explica que a cordelteca é fruto de um esforço coletivo, contando com doações e trabalhos voluntários. O acervo de 1200 títulos cresceu com as aquisições feitas por anônimos, por cordelistas de Guarabira (PB), do Instituto Ricardo Brennand (PE) e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (RJ). 

As janelas da Casa do Cantador receberam película de proteção contra luz solar e calor, e o espaço ganhou decoração temática, com tapetes, almofadas e adesivos em padrões de xilogravuras estamparão as paredes.
Os cordéis, peças delicadas, serão dispostos dois a dois em pastas adaptadas. Estas vão ser acondicionadas em caixas doadas pela Mala do Livro, programa da Secec para divulgação da leitura. Por fim, o arranjo será catalogado no sistema integrado de bibliotecas do Distrito Federal e os cordéis poderão ser localizados digitalmente.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

ADEUS AO POETA


Escritor Paulo Nunes, de João Pessoa, morre neste domingo em Anápolis–GO


Poeta, repentista e cordelista, era bacharel em Direito e jornalista por profissão.

Por Walter Santos | Portal WSCOM

O escritor Paulo Nunes Batista, natural de João Pessoa, morreu na manhã deste domingo, 1° de dezembro, aos 95 anos de idade. Poeta, repentista e cordelista, era bacharel em Direito e jornalista por profissão.
Trabalhou como vendedor ambulante de folhetos de cordel e livros.Conquistou vários prêmios literários.
É citado na enciclopédia Delta Larousse. Teve poemas traduzidos para o espanhol, inglês e japonês e mais de dez livros publicados.
ORIGEM – Natural de João Pessoa, filho do poeta e editor Chagas Batista (foto), um dos pioneiros da Literatura de Cordel, Paulo Nunes Batista deixou a Paraíba ainda na adolescência, indo para o Rio de Janeiro e depois morando em cerca de 20 cidades brasileiras até se radicar em Anápolis a partir de 1950. Em terras goianas tornou-se funcionário público estadual e membro da Academia Goiana de Letras.
Foi importante militante do Partido Comunista do Brasil entre 1946 e 1952. Leia trecho do seu Poesia Popular.

O cordel é brasileiro
fala do que o Povo sente
no verso lido na praça
ou cantado no repente,
pois cordel é voz da raça,
é (em)canto de nossa gente.



ALGUNS FOLHETOS DE PAULO NUNES BATISTA





Escrevi esta singela homenagem ao poeta 

Paulo Nunes Batista em 2011. 

No dia 02 de agosto de 2019, esse mestre do cordel 

completou 95 anos de idade.

(Arievaldo Vianna)

É uma justa homenagem
Para um renomado artista
Escritor de nomeada
Inspirado cordelista
Lenda viva da poesia
O Paulo Nunes Batista.

Filho de Chagas Batista
Um famoso menestrel,
No universo das letras
Desempenha o seu papel
Levando sempre adiante
A bandeira do cordel.

É autor de vários livros
E centenas de folhetos
E compõe, com maestria
Acrósticos, glosas, sonetos
Transborda filosofia
Até mesmo em poemetos.

Um literato de fibra
Sob meu ponto de vista,
Espírito humanitário
Quem tem saber altruísta
Parabéns à Biblioteca
E ao Paulo Nunes Batista.

Ficou órfão muito cedo
Mas venceu este empecilho
Estava predestinado
A ser poeta de brilho
Quando criança ajudava
Manoel D’Almeida Filho.

Descende de um velho tronco
Da fina-flor repentista
Do qual brotaram Hugolino
E Agostinho Batista;*
Seu mano, o Sebastião
Também foi bom cordelista.

* Hugolino do Sabugi e Agostinho Nunes da Costa são ancestrais de Paulo Nunes Batista. Do grande poeta Agostinho Nunes da Costa (1797 – 1858), seu bisavô, ficou registrada essa bela estrofe onde fica evidente o desejo de liberdade que sempre alimentou essa família de poetas:

Nasci livre, Deus louvado
E até sem medo fui feito
Porque meu pai, com efeito,
Com minha mãe foi casado;
Também nunca fui pisado
Como terra ou capim
E se alguém pensar assim
É engano verdadeiro:
Olhe para si primeiro
Quem quiser falar de mim.

Voltemos ao Paulo Nunes, nosso homenageado:

Ainda na Era Vargas
Enfrentou a Ditadura
Ingressou no Partidão
Com alma sincera e pura
A arma que mais usou
Foi sua literatura.

Viveu no Rio de Janeiro
Aonde foi estudante
Porém a mão do destino
O lançou na vida errante
Até que chega em Goiás
Do seu Nordeste distante.

Comunista e agnóstico
E nesta louca ciranda
Paulo Nunes vai um dia
Num terreiro de Umbanda
Sua vida, nesse instante,
Recebe outra demanda.

Uma surra dos “caboclos”
Naquele dia levou
E por ver a coisa séria
Naquela seita ingressou
Mais tarde, o Espiritismo
De Allan Kardec abraçou.

Sobre seu ingresso na Umbanda e suas convicções políticas, assim se expressou o poeta:

Inimigo de tiranos
Tenho horror à hipocrisia
Para festejar a Vida
Troco a noite pelo dia.
O caboclo “Cachoeira”
É – nas Umbandas – meu guia...

O certo é que Paulo Nunes
Não levou a vida a esmo
Nem esqueceu o Nordeste,
Da rapadura e torresmo,
Vejamos umas estrofes
Do ABC para mim mesmo:

“Operário da caneta,
Já vivi só de escrever.
Poeta de profissão
Em Goiás pude viver
Dos folhetos que escrevia
Para nas praças vender.

Trovador: escrevo trovas,
Sonetos, sambas, canções,
Contos rimados, poemas,
Num mar de improvisações,
Tenho setenta folhetos
Com diversas edições.

Versejador, viajante,
Das estrelas do Repente:
Abro a boca, o verso nasce,
Como nasce água corrente,
Tenho feito alexandrinos
Em três minutos somente...”

O certo é que Paulo Nunes
É bamba na poesia
Em 2000 ele ingressou
Na goiana Academia
De Letras e se orgulha
Desse luminoso dia.




ILUSTRAÇÃO: Jô Oliveira

Paulo Nunes Batista
(02/08/1924)

Do site: https://memoriasdapoesiapopular.wordpress.com

Paulo Nunes Batista, nascido dia 02 de agosto de 1924, capital do Estado da Paraiba, ou seja, Parahyba do Norte, que posterior a revolução de 1930 e após a morte de João Pessoa, passando a chamar-se João Pessoa. O poeta já nasceu circundado por intelectuais e cordelista. Conforme Haurélio, seu pai, Francisco das Chagas Batista era cordelista, apoiado pelo blog da Casa Rui Barbosa que acrescenta a atividade de folclorista e o nome da genitora do poeta Hugolina Nunes Batista. Alem de cordelista, escritor, contista é advogado e jornalista.
Pelas suas posições ideias políticas Santana e Oliveira narra, que: “Na década de 1930, foi preso em diversas cidades brasileiras, pela sua participação e envolvimento com o Partido Comunista.” Embora se tenha conhecimento do fato e se dizendo comunista Nunes jamais se agregou oficialmente a qualquer legenda política.
No entanto, com relação as suas atividades intelectuais e culturais, faz parte de algumas instituições, ocupando a cadeira de número 8 na  qual foi empossado em 31 de agosto de 2000  diz Santana e Oliveira. Publicou mais de 130 folhetos de cordel e 28 livros de contos e poemas grande número através da Editora e Gráfica Franciscana, Petrolina, Ceará, 2007,  desta forma, seus escritos estão presentes na literatura brasileira.
Sua formação intelectual teve inicio em João Pessoa onde estudou o primário e, em Goiânia concluiu o curso de Madureza, “do curso de educação de jovens e adultos Após – e também do exame final de aprovação do curso – que ministrava disciplinas dos antigos ginásio e colegial, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1961.” formou-se em Direito, na Faculdade de Direito de Anápolis, em 1977.
Em 1969, por concurso público, ingressou no Fisco Estadual e trabalhou em diversas cidades goianas. Hoje é aposentado.
Após morar em vários estados do Nordeste Alagoas e Bahia, Sudoeste Rio de Janeiro e São Paulo e Minas Gerais. Em 1947 fixou residência em Anápolis no estado de Goiás. Ali, em 1949, publicou o seu primeiro folheto de cordel pela Tipografia do jornal A luta. De acordo com Haurélio, “Seus textos poéticos foram traduzidos até para o japonês”.

Ainda com relação a publicação da sua obra,  Santana e Oliveira firmam que: “Suas obras foram traduzidas para  o inglês, espanhol, italiano, esperanto e braille.”

“Escreveu e editou dezenas de livros, sendo, no cordel, o ABC a modalidade que mais abraçou” garante Aurélio. O blog da casa de Rui Barbosa relata que: “Outra característica do poeta são os folhetos de utilidade pública voltados para o esclarecimento da população”. Para Altimar de Alencar Pimentel citado por Antônio Miranda  em seu blog, acrescenta: […] é esse lirismo, expressão maior do seu amor ao próximo, às coisas, à vida, o ponto mais alto da poesia de Paulo Nunes Batista, onde ele se despoja de compromissos ideológicos, para permitir que o poema surja pleno, límpido, cristalino”, a exemplo do poema Velhas Praias, dedicado a Francisco Miguel de Moura:

Ó minhas lavas praias nordestinas,
enfeitadas com velas de jangadas,
que, sobre o mar, vão leves, enfunadas
ao vento bom das ilusões meninas.


Praias perdidas na longíngua infância,
mas que retornam na sutil fragancia,
no adeus dos coqueirais, que o ser me invade…


Praias de brisas mansas soluçando…
Os olhos do Menino marejando…
E o coração chorando de saudades…

Atuou “também como professor lecionando a língua portuguesa no Colégio Comercial daquela cidade em 1950”.

Leitores eu vou contar
A vida de Bico Doce
Sujeito mais sabido
Que neste mundo encontrou-se
O próprio Cancão de Fogo
Com ele um dia embrulhou-se.

   Bico Doce nasceu
Disse-me quem assistiu
Antes do tempo esperado
Para o mundo ele existiu;
Nasceu andando e falando
Coisa que nunca existiu

 FONTES CONSULTADAS

BATISTA, Paulo Nunes. Disponível em: <http://academiagoianadeletras.org/membro/paulo-nunes-batista/>. Acesso em: 28 out. 2014.

BATISTA, Paulo Nunes. Sonetos seletos. Petrolina, PE: Franciscana, 2005. 100 p.

PERFIS biográficos. Paulo Nunes Batista. Disponível em: <www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 28 out. 2014.

CORDEL Atemporal. BATISTA, Paulo Nunes. In: DICIONÁRIO básico de autores de Cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 20 out. 2014.

MENEZES, Ebenezer Takuno de;  SANTOS, Thais Helena dos. Madureza” (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira: EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002. Disponível em:  <http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/ dicionario.asp?id=293>. Acesso em: 28 nov. 2014.

MIRANDA, Antonio. Paulo Nunes Batista. In: POESIAS dos Brasis. Disponível em: <http://www.antoniomiranda. com.br/poesia_brasis/goias/paulo_nunes_batista.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

SANTANA Ana Elisa; OLIVEIRA, Noelle. Cordelista e escritor, Paulo Nunes Batista fala de seus mais de 28 livros publicados. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/ cultura/2014/04/cordelista-e-escritor-paulo-nunes-batista-fala-de-seus-mais-de-28-livros-publicados>. Acesso em: 20 out. 2014.

Fonte: Anápolis 360

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

DE QUIXERAMOBIM A CANUDOS




Minha Terceira Expedição a Canudos

Por: Bruno Paulino | Blog Cariri Cangaço



Fui pela primeira vez em Canudos em 2007, assistir o espetáculo Os Sertões, montado pelo diretor teatral José Celso Martinez. Era um jovem de 17 anos querendo compreender alguma coisa do livro vingador de Euclides da Cunha, que eu vinha lendo desde que me entendi por gente. Outra vez fui numa excursão, dez anos depois, com um grupo de amigos no ano de 2017. Todas essas viagens tiveram significados muito particulares para mim. Então, por isso, pela terceira vez, visitei a cidade de Canudos na Bahia. Uma terceira expedição de amor àquela cidade. Continuo, como pesquisador e sujeito, em busca do mistério daquele lugar, sagrado para uns e maldito para outros tantos. Quando assunto é Conselheiro e Canudos, creio que somos todos sempre meros principiantes.
Lá estive no último fim de semana participando da I Feira Literária de Canudos-BA (22,23 e 24 de novembro, de 2019), estiveram reunidos no evento os maiores pesquisadores do tema Antônio Conselheiro e Canudos no Brasil: Pedro Lima Vasconcelos, Luitgarde Oliveira, Sergio Guerra, Fabio Paes, Aleiton Fonseca, Antônio Olavo, Evandro Teixeira, Oleone Coelho e o cantor Jereba dentre outros.  A feira foi um sucesso, sem dúvidas, pois conseguiu o nobre objetivo de envolver parte significativa da comunidade canudense, sobretudo, fiquei feliz de ver a participação das crianças expondo seus trabalhos através da flicanzinha, emocionante.


Paula Georgia e Bruno Paulino

Saímos de Quixeramobim na madruga às três horas da manhã da sexta, 22. Embarcaram comigo nessa aventura os amigos: Pedro Igor, Rabelo, Paula Georgia e Neto Camorim. No caminho conversas diversas, o som moderno dos Novos Baianos alternando com a melodia amorosa e saudosista das canções de Roberto Carlos; a paisagem sertaneja e muita estrada pela frente. Chegamos em Canudos quase duas da tarde, antes almoçamos no distrito de Bendengó, a terra onde caiu o meteoro que no ano passado foi uma das poucas peças a resistir ao incêndio no museu nacional, mais simbólico impossível.
Na sexta à tarde ainda assistimos algumas mesas-redondas e conferências, visitamos uma exposição e compramos livros, pegamos o sol se pondo lindo do mirante onde está assentada uma estatua do Conselheiro que abençoa a cidade; e definitivamente não existe por do sol mais bonito que o de Canudos. À noite uma banda de pífanos se apresentava no palco principal do evento – uma tenda de circo improvisada - enquanto eu comprava artesanatos. Logo depois nos jardins do memorial, escambei alguns de meus livros com outros autores entre conversas e troca de contatos de whatsapp.



Entrega do Diploma do Cariri Cangaço ao Professor Luiz Paulo Neiva em Canudos

A noite fechou magicamente com um show de Fabio Paes cantado clássicos de Canudos e outros Cantos do Sertão, foi nesse momento que ao lado dos escritores; Oleone Fontes, Pedro Igor e Zé Bezerra entregamos com muita honra e de forma solene, o Diploma do Cariri Cangaço ao Curador da FLICAN, professor Luiz Paulo Neiva; em representação a Manoel Severo e toda a família Cariri Cangaço, como o primeiro passo para realizarmos o grande Cariri Cangaço Canudos em 2021 !!!
Sábado de manhã, 23, visitamos o Parque Estadual de Canudos, guiados pelo professor Neto Camorim, que já fez inúmeras visitas ao parque. Emocionei-me, sobretudo, ao ver o marco denominado “Outeiros de Maria” para homenagear as mulheres canudenses vitimas do massacre republicano, que durante a guerra, às seis da tarde, se reuniam para rezar, entoar ladainhas e incelenças. Não preciso e nem quero lembrar o triste destino que muitas delas tiveram após a guerra.
Outra alegria que tivemos foi reencontrar dentro do parque, as margens do Cocorobó, com o professor Pedro Lima Vasconcelos, que me presentou com seu trabalho Antônio Conselheiro por ele mesmo, onde recupera os manuscritos do beato. O professor comentou conosco que está escrevendo um novo trabalho que em breve virá a publico, como o sol estava insuportavelmente quente a conversa não se prolongou.
Saindo do parque fomos ao jorrinho, um balneário local, almoçamos um “bodinho baiano” e peixe com baião de dois. De lá partimos para ver o jogo do Flamengo, com o amigo Pedro Igor, flamenguista dos mais doentes. Findado o jogo só festa. Canudos estava feliz como todo o resto do Brasil pelo titulo do time brasileiro em cima do River Plate, mesmo não torcendo pelo rubro-negro guardarei para sempre essa lembrança comigo. Para findar a noite um show sensacional de Gereba, entoando os versos: “... A história fará sua homenagem à figura de Antônio Conselheiro...”. Domingo de manhã, antes de retornar à Quixeramobim, visitamos Canudos Velha e enquanto olhava para o pequeno museu histórico, montado por seu Manoel Travessa, lembrei-me do filme Bacurau, e era impossível não pensar: Canudos é hoje! Pegamos a estrada no caminho de volta. Canudos, até breve, volto outra vez!

domingo, 24 de novembro de 2019

MESTRES DO CORDEL



JOSÉ PACHECO DA ROCHA, 
O MESTRE DO GRACEJO


Fotografia de JOSÉ PACHECO, restaurada por Klévisson Vianna


Sempre tive profunda admiração pela obra do poeta pernambucano José Pacheco da Rocha, autor, dentre outros, do clássico ‘A chegada de Lampião no Inferno’. Mestre do gracejo, com pleno domínio da métrica e da rima, sobressaía-se mais ainda na condução do enredo, que os estudiosos do cordel classificam como “oração”, ou seja, a sequência dos fatos relatados, já que o cordel é, por excelência, uma poesia narrativa.
Dentre os muitos folhetos de gracejo escritos pelo poeta, destacam-se ainda “A intriga do Cachorro com o Gato”, “A vaca da costela de pau”, “Encontro de Lampião com a Velha Feiticeira”, “Grande debate de Lampião com São Pedro” e este intitulado “A FESTA DOS CACHORROS”, que é o meu predileto, embora seja um dos menos conhecidos.

Seguem algumas estrofes desse maravilhoso folheto, descrevendo o modus vivendi da cachorrada:

Havia um cachorro velho
Chefe da localidade
Os outros lhe veneravam
Com respeitabilidade
Tanto porque era o chefe
Como pela sua idade.

Tinha uma filha bonita
Trabalhava em seu socorro
Dessas que se diz assim:
- Por aquela eu mato e morro
Capaz de embelezar
O coração de um cachorro.

Certo dia um primo dela
Vindo de uma batucada
Passando pelo terreiro
Ela estava acocorada
Catando pulga e matando
No batente da calçada.

- Bom dia, querida prima!
O cachorro assim falou.
Ela respondeu: - Bom dia,
E disse, como passou?
- Então, como vai meu tio?
O mesmo lhe perguntou.

E palestraram bastante
Cada qual mais satisfeito
Foi um namoro pesado
Porém com muito respeito
Mas para se apartarem
Quase que não tinha jeito.

Trocaram dúzias de beijos
Ambos ali abraçados
Choravam um pelo outro
E todos dois agarrados,
Devido a grande amizade
Quase que ficam pegados.

Chegou em casa escreveu:
"Prima do meu coração,
eu não posso deslembrar-me
de tua linda feição,
portanto venho pedir-te
tua delicada mão.

Recomendações à todos,
Um abraço em minha tia
Sem mas assunto desculpe
A ruim caligrafia
Deste teu primo Cachorro,
Etcetera & companhia."

Depois fez no envelope
Um ramalhete de flor
Ele mesmo foi levar
Pra dar mais prova de amor
E mesmo é muito custoso
Cachorro ter portador.

(...)


Quando os pais e os irmãos da ‘moça’ tomaram conhecimento das intenções do Cachorro enamorado, foram radicalmente contra àquela união por ele almejada. O motivo? O dito cachorro além de ser “cachaceiro” era liso e desempregado:

Disseram: - Ele é parente,
Mas anda de cachaçada,
É um liso, não trabalha
Portanto não vale nada!
E por fim até juraram
De botar-lhe uma emboscada.

A Cachorra noiva disse:
- A ele vocês não comem,
E acho conveniente
Que nova reforma tomem
Porque eu só não me caso
Se Cachorro não for homem!

- Ou fazem meu casamento,
Ou então de madrugada,
Eu vou arribar com ele
E fico sendo amigada
Embora a nossa família
Fique desmoralizada!

O velho considerando
Da desmoralização,
Disse pra ela: - Eu te caso,
Mas sustento a opinião
De nem cruzar teus batentes
Nem te botar mais benção!

(...)

Finalmente os familiares da cachorra consentem seu casamento com o primo cachaceiro e, para não fazer feio, resolvem fazer um banquete de arromba. Pacheco começa pela descrição dos presentes recebidos pela noiva e os objetos que o Cachorro noivo adquiriu para mobiliar sua casa:

Vamos tratar dos presentes
Que a noiva recebeu:
Sapato, roupa e capela,
A dona Preguiça deu
Aranha mandou um véu
Que ela mesma teceu

Guariba deu-lhe um buquê
Da barba do Guaribão
O Gato deu aliança
O Timbu uma loção
O Preá lhe deu um bilro
O Rato deu-lhe um botão.

O noivo também comprou
Agulha, linha e dedal
Uma panela e dois pratos,
Uma colher de metal,
Balaio de guardar ovos
Vasilha de botar sal.

Abano, esteira, pilão
Um ralo e um samburá
Marmita, gamela e cuia
Vassoura, estopa e puçá
Fez a conta e depois disse:
- Pra quem é pobre já dá!

No dia do casamento
Estava tudo arrumado,
Faltava somente a carne
Para tratar do guisado
Com pouco, cada cachorro
Chegava mais carregado.

Um trazia um pinto morto,
(Não sei onde foi achá-lo )
Outro trazia também
Uma ossada dum galo.
Teve um que trouxe até
A ossada dum cavalo.

Vinha um com tanto troço
Que no caminho quase cansa,
Uma queixada de burro
Os encontros de uma gansa
Pedaços de couro velho
Pontas de boi da matança.

O mais engraçado de tudo é o “asseio” da cozinheira contratada para fazer o banquete. Uma cachorra velha parteira, que se encontravam doente de rabugem e catarro:

Uma parenta do velho
Era até boa parteira
Pegava cachorro novo
Ali naquela ribeira
Por ser curiosa e limpa
Foi servir de cozinheira.

Chegou e disse: - Meu povo,
Eu vim porque fui chamada,
Porém estou com rabugem
E muito encatarroada
O dono da casa disse:
- Ora comadre, isto é nada!

- Temos aí muita carne
Arroz, macarrão, farinha,
Guise lombo,  faça bife,
Torre porco, asse galinha,
Eu quero é que todos digam
Que na festa tudo tinha.

- Está certo meu compadre!
Disse um cachorro cotó,
Disse a noiva: - Sendo assim,
Eu hoje encho o bozó.
Disse o noivo: - Eu como tanto,
Chega o rabo dá um nó!

BIOGRAFIA DO POETA JOSÉ PACHECO
Por Leonardo Vieira de Almeida*

José Pacheco da Rocha, ou José Pacheco, como é mais conhecido, nasceu no Município de Corrientes, em Pernambuco, residindo algum tempo na cidade de Caruaru, naquele mesmo estado.
Viveu muitos anos em Maceió, Alagoas, vindo a falecer naquela cidade, provavelmente em 1954. Folhetos de sua autoria foram publicados pela Luzeiro Editora, de São Paulo. Recentemente, a Editora Queima-Bucha, de Mossoró (RN), publicou o folheto A intriga do cachorro com o gato. Além disso, há edições de suas obras pela Catavento, de Aracaju (SE); Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte (CE); Coqueiro, de Recife (PE), e por outras editoras.
Seus folhetos mais importantes são História da princesa Rosamunda ou a morte do gigante e A chegada de Lampião no inferno. As histórias de gracejos são um dos aspectos marcantes dos cordéis de José Pacheco, considerado um dos maiores cordelistas satíricos do Brasil. Mas o poeta se dedicou também a outros temas, como histórias de bichos, religião e romances.

Referências

▪ GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Secretaria do Estado de Ciência e Cultura e Departamento de Cultura – INEPAC/Divisão de Folclore. O cordel no Grande Rio. Rio de Janeiro: 1978.
▪ LOPES, Ribamar. Literatura de cordel: antologia. Fortaleza (CE): 1983, BNB.
▪ PROENÇA, Manoel Cavalcanti (Org.). Literatura popular em verso: antologia. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1986.
▪ CARDOSO, Tânia Maria de Souza Cardoso. Cordel, cangaço e contestação: uma análise dos cordéis "A chegada de Lampião no inferno" (José Pacheco da Rocha) e "A chegada de Lampião no céu" (Rodolfo Coelho Cavalcante). Rio Grande do Norte: Coleção Mossoroense, 2003.

* FONTE: CASA DE RUI BARBOSA