sexta-feira, 5 de abril de 2013

A LIRA DO POETA EXPEDITO

O escritor Gilmar de Carvalho traz à lume mais uma importante contribuição para a história do cordel no Ceará, o livro 'A lira do poeta Expedito', onde trata da vida e obra de um dos maiores expoentes do gênero, Expedito Sebastião da Silva, que teve a vida inteira dedicada à lendária Tipografia São Francisco, de José Bernardo da Silva, rebatizada Lira Nordestina por sugestão de Patativa do Assaré.  

Um dos aspectos mais interessantes da obra é o resgate de nove folhetos inéditos do autor, cujos direitos autorais foram negociados com o poeta Abraão Batista, grande amigo de Expedito. 

Interessados em adquirir a obra poderão entrar em contato conosco através do e-mail acordacordel@hotmail.com.  O livro de 176 páginas custa R$ 20,00 + despesas postais.



TRAÇOS BIOGRÁFICOS DE
EXPEDITO SEBASTIÃO DA SILVA

Por Arievaldo Vianna



Expedito Sebastião da Silva nasceu em Juazeiro do Norte-CE, em 20 de janeiro de 1928 (dia de São Sebastião) e viveu toda a sua vida na Meca do Cariri, até falecer no dia 8 de agosto de 1997. Era filho de pais alagoanos, romeiros do Padre Cícero que se fixaram em Juazeiro do Norte nas primeiras décadas do século passado.
Além de ser bom poeta exerceu com maestria o ofício de tipógrafo e revisor da gráfica de José Bernardo da Silva, tendo assumido, com a morte deste, a gerência da Tipografia São Francisco, rebatizada nos anos 70 como Literatura de Cordel José Bernardo da Silva e posteriormente como Lira Nordestina, denominação que permanece até hoje. Expedito conhecia os títulos do catálogo da editora como a palma de sua mão, sobretudo os clássicos que pertenceram ao espólio de João Martins de Athayde. Em função disso, sabia exatamente o que devia ser reeditado e qual a tiragem mais apropriada para cada título.
Depois que dona Maria de Jesus da Silva Diniz, herdeira de José Bernardo e mãe do conhecido xilógrafo Stênio Diniz, vendeu a sua propriedade literária para o Governo do Estado Ceará, na gestão do Governador Gonzaga Mota, a Lira Nordestina passou a ser gerida pela ABC (Academia Brasileira de Cordel). A escassez de papel e outras matérias primas, a edição de folhetos de pouca saída comercial, a ingerência de pessoas alheias ao universo do cordel e, sobretudo, a falta de agentes para revender essa produção provocou praticamente um colapso na publicação de folhetos. O que restou da Lira sobrevive desde meados da década de 1980 da xilogravura, graças aos esforços de José Lourenço Gonzaga, Francorli e do próprio Stênio.
O poeta Antônio Américo de Medeiros, que era um dos principais agentes da Lira Nordestina, na cidade de Patos-PB, fazia compras de 5 a 10 mil folhetos em cada pedido. Em carta que me enviou no distante ano de 2002, Américo afirma que ficou profundamente desgostoso com as mudanças que ocorreram na editora. Ele fez um pedido minucioso, especificando os títulos e a quantidade de folhetos que desejava, porém lhe enviaram um pacote com títulos completamente diferentes da lista que havia solicitado. Segundo ele, contendo muitos folhetos que praticamente não tinham saída.
Expedito, que sabia bem o caminho das pedras, deve ter ficado muito desgostoso com essas mudanças e mesmo sendo uma pessoa discreta e reservada, não conseguia esconder o seu desalento com essa crise que quase decretou a morte do folheto de feira, uma vez que a Lira era a maior editora nordestina do gênero. Com a decadência do movimento editorial em Juazeiro do Norte, a figura do folheteiro praticamente desapareceu. Hoje, a maioria dos autores fazem permutas e revendem seus próprios folhetos.
Mesmo sendo de origem camponesa, Expedito conseguiu frequentar a escola regularmente, chegando a concluir a quarta série ginasial. Durante os anos escolares começou a rascunhar seus primeiros poemas, o que acabou chamando a atenção de José Bernardo da Silva, o grande editor de Juazeiro. Seu primeiro folheto, intitulado “A moça que depois de morta dançou em São Paulo”, data de 1948. Por essa época, o chefe da oficina tipográfica era o poeta e xilógrafo Damásio Paulo da Silva, que incentiva o jovem Expedito a continuar produzindo. Cuidadoso com a rima e, principalmente, com a métrica, Expedito costumava a revisar a obra de outros poetas que imprimiam seus folhetos na “Lira”. Chegou a receber elogios de Patativa do Assaré, que o comparou ao lendário João Martins de Athayde. Seu romance Suplício de um condenado, selecionado para esta Antologia, denota essa influência herdada do mestre de Ingá do Bacamarte.
Como já foi dito, nos últimos anos de sua existência, Expedito mostrava-se triste com a visível decadência da literatura de cordel e da Lira Nordestina, empresa à qual dedicou toda a sua vida.  A Lira continua decadente, mas o cordel ganhou um novo alento com o surgimento de novas editoras como a Coqueiro, de Recife; a Queima-Bucha, de Mossoró, e a Tupynanquim, de Fortaleza.
Na opinião do pesquisador Marco Haurélio, “foi um poeta imaginoso e de versificação correta. Expedito Sebastião da Silva foi para a Tipografia são Francisco o que Delarme Monteiro foi para a gráfica de Athayde ou que Manoel D'Almeida representou, mesmo à distância, para a Luzeiro. ou seja, a cabeça poética”.

Fontes consultadas:
Almeida, Átila de / Sobrinho, José Alves. Dicionário Bio-Bibliográfico  de Repentistas e Poetas de Bancada – Editora Universitária, João Pessoa-PB, 1978.
Carvalho, Gilmar de. A Lira do Poeta Expedito, Expressão Gráfica, 2012.
Kunze, Martine, Expedito Sebastião da Silva, antologia da Hedra
____________ Expedito Sebastião da Silva, Poeta-Artesão de Juazeiro do Norte, Cadernos do IPESC, vol. 4. Juazeiro do Norte, Edições IPESC/URCA 1997.
Lopes, José Ribamar (org.) Literatura de Cordel (Antologia), 3ª Edição. Fortaleza, Banco do Nordeste do Brasil, 1994.
Melo, Rosilene Alves de. Arcanos do verso: trajetórias da literatura de cordel, editora 7 Letras, Rio de Janeiro, 2010.
Pimentel, Altino – Francisco das Chagas Baptista, Antologia da Hedra.
Sarno, Geraldo – Cadernos do Sertão
Vianna, Arievaldo – Acorda Cordel na Sala de Aula. 2ª edição, Editora Queima-Bucha/Tupynanquim Editora, Mossoró-RN – Fortaleza-CE, 2010.
Correspondência entre Arievaldo Vianna e o poeta Antônio Américo de Medeiros
Áudios: Entrevistas com Vidal Santos e Stênio Diniz.


Dentre as obras de Expedito Sebastião da Silva, destacamos as seguintes:

- A Bruxa da Meia-Noite ou o Reino da Maldição
- A marcha dos cabeludos e os usos de hoje em dia
- A opinião dos romeiros sobre a canonização do Padre Cícero
- Adriano e Joaninha
- As aventuras de Lulu na capital de São Paulo
- As diabruras de Pedro Malazartes
- Cacilda e Leôncio
- Calvário de uma mãe (ou O amor de Albertina)
- Em defesa do Padre Cícero – O Apóstolo do Nordeste
- Estória de Paulino e Madalena
- História de São Pedro e o homem orgulhoso
- Mundoca o desordeiro e o Negrão Não Teme Nada
- O divórcio de Zé da Lasca
- O encontro de Tancredo com Tiradentes no céu
- O lobo do Amazonas ou Lindomar e Jacira
- O negrão do Pajeú
- O prêmio da inocência
- O Sesquicentenário do Padre Cícero Romão Batista
- O Mártires da Santa Fé ou Delmiro e Dorotéia
-  Os milagres do Padre Cícero
- Peleja de Pinto do Teixeira com  Joaquim Mofumbão
- Retirada?
- São Miguel profetiza o fim do mundo encarnado numa menina em Planaltina, Brasília.
- Suplício de um condenado
- Trechos da vida completa de Lampião.






4 comentários:

  1. Poeta imaginoso e de versificação correta, Expedito Sebastião da Silva foi para a Tipografia são Francisco o que Delarme Monteiro foi para a gráfica de Athayde ou que Manoel D'Almeida representou, mesmo à distância, para a Luzeiro. ou seja, a cabeça poética. antologia mais que oportuna esta organizada por Gilmar de Carvalho.

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  2. É verdade, Marco. Antes de Expedito, que exercia essa função na Tipografia São Francisco era o poeta Damásio Paulo da Silva. No livro de Gilmar, Expedito recorda (em depoimento) que Damásio tinha problemas conjugais muito fortes e isso influenciava o seu temperamento, fazendo com que fosse um tanto brusco. A verdade é que ele deixou Juazeiro, após uma briga com a mulher e nunca mais retornou. Acho que Damásio não se afastou completamente do cordel pois no início da década de 1960 passava um vendedor ambulante na casa dos meus avós também chamado Damásio Paulo, que revendia os folhetos de José Bernardo. Acredito tratar-se da mesma pessoa.

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  3. Em tempo: Gilmar mandou um exemplar para você, vou postar pelo correio na próxima semana.

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  4. LIVROS E CORDÉIS À VENDA:

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    A peleja de chapeuzinho vermelho com o lobo mau - – Ed. Globinho – R$ 35,00
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    O baú da gaiatice – Arievaldo Viana – R$ 25,00
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    - Batalha de Oliveiros com Ferrabras - 32 páginas
    - A prisão de Oliveiros - 32 páginas
    - Artimanhas de João Grilo (Arievaldo Viana) - 32 páginas
    - O misterioso crime das tres maçãs - 24 páginas
    - João Bocó e o Ganso de Ouro - 16 páginas
    - Mil e uma maneiras de manter seu casamento - 16 páginas
    - Luiz Gonzaga, o rei do baião - 16 páginas
    - Yoyô, o bode misterioso - 20 páginas
    - O batizado do gato - 8 páginas
    - Discussão de seu Lunga com um corno - 8 páginas
    - As peripécias da vaqueira Rosadina - 16 páginas
    - Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês - 16 páginas
    - A donzela Teodora - 32 páginas
    - Iracema, a virgem dos lábios de mel - 32 páginas
    - A visita da morte - 16 páginas
    - O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas
    - A chegada de Lampião no inferno - 8 páginas
    - Romualdo entre os bugios (40 páginas) - Ed. CORAG
    - Quinta de São Romualdo (40 páginas) - Ed. CORAG
    - A didática do cordel - 16 páginas
    - A gramática em cordel - 16 páginas
    - Meu martelo - 8 páginas.
    - A festa dos cachorros - José Pacheco - 16 páginas
    - A cura da quebradeira - Leandro G. de Barros - 08 páginas
    - A intriga do cachorro com o gato - 08 páginas
    - O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas*
    - O valente Zé Garcia - 40 paginas
    - Peleja de Romano com Inácio da Caatingueira - 16 páginas
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