sábado, 13 de agosto de 2011

AGOSTO, MES DO FOLCLORE



FOLCLORE
Moreira de Acopiara

Como poeta, costumo
Valorizar o folclore.
E faço aqui um resumo,
A fim de que não descore
E nem perca os seus perfumes
A flor dos nossos costumes
E das nossas tradições.
Pois o folclore é da gente,
E ele está muito presente,
E em todas as regiões.

É o balanço gostoso
De uma cheirosa fianga,
Um conto maravilhoso,
Chocalho, fueiro e canga.
É um tesouro enterrado,
É cavalhada, reisado,
Cacarejar de galinha,
Assobio, noite escura,
Engenho de rapadura
E uma casa de farinha.

Consultando alguns arquivos
Encontraremos canções,
Os falares primitivos,
Lendas e superstições,
Mais as festas populares,
As cantigas milenares,
As histórias de Trancoso,
O boiadeiro, o peão
E a fogueira de São João
Com seu fogo milagroso.

Folclore não sai de moda.
É catira, cururu,
É frevo, samba-de-roda,
Cordel e maracatu.
São noites mal-assombradas,
São aboios, são toadas,
É lamparina e pilão.
Simpatia e mau agouro,
Gibão e chapéu de couro,
É debulha de feijão.

Folclore é um velho banguela,
Cantando ao som da viola,
É rangido de cancela,
É arapuca e gaiola.
É uma esteira, uma cangalha,
Um fojo, um chapéu de palha,
Uma trempe, um caçuá...
É Boi de Mamão, é mito,
É um facão, um cambito,
Um alforje, um landuá.

É sanfoneiro e forró,
É urupema e peneira,
É paiol e caritó,
Alçapão e ratoeira.
Uma queima de coivaras,
Uma parede de varas,
Um candeeiro, um jirau,
Espingarda, bacamarte,
Bumba-meu-boi, estandarte,
Um pandeiro, um berimbau.

É uma vaca berrando
No terreiro da fazenda,
Uma novilha viçando,
E é bolandeira e moenda.
É renda e é almofada,
Folia de Reis, congada,
Ladainha e boi de carro.
É a catinga de um bode,
Carnaval, coco, pagode,
Um cocho, um prato de barro.

É corrida de cavalo,
É uma prensa, um tear,
É lundu, briga de galo,
Uma funda, um alguidar;
É calango, é calundu,
É jabá, é sururu,
É busca-pé e rojão.
É boi de osso, umbigada,
Bilro, quadrilha, jangada,
Lata d'água e cacimbão.

É uma mulher baiana
Preparando um abará.
Curupira, cruviana,
Banho de cheiro e cuchá.
É chimarrão e boré,
É Oxossi e Candomblé,
É macumba e catimbó.
É catira, cururu,
Carranca, samba, lundu,
Chula, xote e carimbó. 

É corrida de argolinha,
Pau-de-fita e tacacá;
É simpatia, lapinha,
Firo, coreto, aluá,
É boto, cobra encantada,
É garapa, garrafada,
Lobisomem e Boitatá.
Garanto que também é
Um gostoso acarajé
Com pimenta e vatapá.

É galope beira-mar,
Martelo, mote e mourão,
É serenata ao luar,
É novena e procissão.
São muitos outros sinais,
Mas, quem quiser saber mais
Sobre folclore, tem tudo
Na obra do escritor
E grande pesquisador
Luís da Câmara Cascudo.

(In O Sertão é o meu lugar)

Ilustração: JÔ OLIVEIRA (Direitos Reservados)

ATENÇÃO! Adquira a caixinha "12 CONTOS DE CAMARA CASCUDO EM FOLHETOS DE CORDEL", com textos em cordel de vários autores e folheto em prosa escrito por Marco Haurelio explicando a origem de cada conto adaptado.
Preço da CAIXA - R$ 25,00 + despesas postais.

Maiores informações:
acordacordel@ig.com.br

Um comentário:

  1. como eu poderia falar sobre esse tal de descore no folclore se souber por favor mande Email para jonatambbs@hotmail.com

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