A AMBIÇÃO DE MACBETH
E A MALDADE FEMININA

Arievaldo Viana, um dos mais conhecidos autores contemporâneos de folhetos, com mais de 300 títulos publicados, na adaptação para o cordel de Macbeth, segue o enredo em versos, fazendo uso da métrica da redondilha e da rima fluente e natural bem ao gosto dos clássicos da literatura de cordel nordestina. Melhor ainda, extrapolando o corriqueiro no gênero, dá ênfase às reflexões chaves do texto original de Shakespeare, oferecendo ao leitor a oportunidade de avaliar sua postura diante da vida e das relações humanas, o que é oportuno no tempo em que vivemos, quando muitos estão no epicentro de uma crise de valores sem precedentes, quando em toda parte se ensina que a conquista do sucesso não tem medida de preço.
Belo, inteligível e esclarecedor, o cordel de Arievaldo ensina que, ao contrário do que diz o ditado, o Diabo é muito mais feio do que se pinta, sendo, portanto, um péssimo negócio mercanciar com ele, porque o sucesso obtido entregando-lhe a alma, será o terrível castigo do desavisado.
José Mapurunga
Dramaturgo e escritor
Nota do blog - A ambição de Macbeth foi lançado pela Editora Cortez, de São Paulo e foi selecionado pelo MEC no PNBE 2009.
Segundo o crítico Harold Bloom, com Shakespeare deu-se a invenção do humano, mas não há uma peça do bardo inglês, que, depois de lida, não deixe a sensação de algo bem além disso, mesma sensação que advém da leitura da Bíblia ou de Don Quijote, para dizer bem pouco. Da adaptação em cordel pode ocorrer o sortilégio de jovens partirem para o texto original, melhor virtude, impossível.
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