sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SÁBADO, NO MERCADO CENTRAL



Lançamento do cordel
MANUAL DE ANATOMIA CEARENSE
PARA MÉDICOS CUBANOS

- Evento com Entrada Franca.
- Dia: 09/08/2014
- Horário: 11h
- Local: Mercado Central de Fortaleza
- Endereço: Avenida Alberto Nepomuceno, n° 199 - Centro.
- Informações: 3252-2215

PRESENÇA DOS AUTORES.


O programa Mais Médicos, do Governo Federal, gerou polêmica ao trazer médicos de Cuba. Os adversários do Governo alegam, dentre outras coisas, que os médicos da terra de Fidel Castro não iriam compreender o nosso linguajar, cheio de neologismos e termos não dicionarizados. Levando a coisa para o terreno da sátira, os poetas Pedro Paulo Paulino e Arievaldo Viana idealizaram esse prático MANUAL DE ANATOMIA CEARENSE que define nomes populares de várias partes do corpo humano e as principais doenças que atacam o povo nordestino.

TRECHOS:

Setecentos municípios
Desta nação brasileira
Não têm um médico sequer,
Muitos nem têm enfermeira.
Sem ter pra quem apelar
Muitos vão se consultar
Com raizeiro ou parteira.

As premissas de Hipócrates
Para muitos são lorotas.
Tem médico que se recusa
Passar por dentro de grotas,
E diz: - Não vou trabalhar
Naquele horrendo lugar
Que Judas perdeu as botas!

Pois já que os daqui desprezam
A nossa população,
Sem atender todo o mundo,
Como manda a profissão,
Foi necessário importar
Médicos de outro lugar,
E eu pergunto: “Por que não?!”

Assim, vamos ajudar
Da maneira mais decente,
Informando aos novos médicos
Como aqui se fala a gente
Acerca de anatomia,
Conforme este nosso guia
Que segue daqui pra frente.

O crânio se chama quengo,
É onde fica a moleira,
O pau da venta e os beiços,
Caixa dos “zói”, ou viseira.
Tudo em riba do pescoço
Que pode ser fino ou grosso
Em cima da “Cantareira”.

A íris, bila dos zói,
A coluna é espinhela,
Tem o osso do vintém
Bem no final da canela;
O rádio é cana do braço,
Cervical é espinhaço
E abdômen, titela.

Tem o Tum-tum ou cangote
E mais abaixo as “apá”.
A espinhela e as “cruz”,
Mucumbu, o que será?
E o tal osso da bacia?
Faz parte da Anatomia
Do povo do Ceará.

Atenção, doutor cubano,
É preciso que lhe diga:
Se o paciente queixar-se
De dor no pé da barriga,
Não tem o menor segredo
Pode receitar sem medo,
Remédio contra lombriga.

(...)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

NA FLIPINHA 2014



NOTÍCIAS DA FLIP 2014, DE PARATY-RJ

Na manhã desta sexta-feira, 1/8, quem esteve na Biblioteca Casa Azul para encontrar as crianças foi o autor de cordel Arievaldo Viana. Estreando na Flipinha, ele disse estar adorando cada momento.
Havia alunos da escola Ethos de Paraty e também da Barra Grande. Como houve atraso por conta do som, as crianças perderam um pouco do foco no autor e se divertiram muito com os livros. Não foi muito fácil reverter a situação, mas Arievaldo não se importou, afirmando que seria um crime tirar a atenção de uma criança que está ligada em um livro porque é um momento em que ela está justamente descobrindo o mundo.
“A criança que tem contato com livros desde pequena tem a curiosidade despertada e se interessa pelo mundo, pelas coisas da vida. Isso ajuda na formação do caráter dela”, comentou o autor.
Mas em poucos minutos todas as atenções se voltaram para ele, que fez sua leitura em forma de cordel. As crianças se divertiram, riram muito com a linguagem que ouviam, uma novidade para elas e para muitos dos adultos presentes.  
“É muito bom. Gostei muito. A gente nunca teve isso aqui, só na televisão”, disse Heloá Souza, 8 anos, aluna da Ethos. A coleguinha Yasmim Belo, 9 anos, entrou na conversa para dizer que é  muito bom ler. “A gente se diverte lendo.”
“É maneiro”, “legal”, “encontrar um escritor incentiva a gente a pegar nos livros”, disseram Miguel, Henrique e Caíque, três alunos da escola da Barra Grande.

Reportagem e fotos, Branca Otero

FONTE: http://www.flipinha.org.br/noticias/mostra.php?id=295


Na Casa da Criança de Patitiba (Paraty-RJ)


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Novidades da FLIP 2014



Acompanhe as novidades da FLIP 2014 de Paraty-RJ aqui e no blog MALA DE ROMANCES: www.maladeromances.blogspot.com.br

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI:
http://www.paraty.com.br/flip/programacao.asp

AUTORES CONVIDADOS DA FLIPINHA:
http://www.flipinha.org.br/noticias/mostra.php?id=259


terça-feira, 29 de julho de 2014

Matéria do CADERNO 3 do DN


O cordelista e quadrinhista cearense Arievaldo Viana participa da edição deste ano da Flipinha 

Sou matuto cearense/Nasci no Sertão Central/Chinelo e Chapéu de Couro/Foram o primeiro enxoval/Faço repente brincando/Aqui vou me apresentando/Para todo o pessoal...

Essa é somente uma das maneiras possíveis de conhecer o poeta cordelista Arievaldo Viana. De mala e cuia, o trovador está se preparando há alguns meses para embarcar em mais uma aventura andante. Dessa vez, rumo à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2014, que tem início amanhã e se estenderá até domingo.
O convite veio no ano passado, com a ajuda do parceiro Jô Oliveira, responsável por boa parte das ilustrações dos textos do cordelista. Após divulgar alguns trabalhos de Arievaldo no mesmo evento, as portas se abriram naturalmente para a o autor cearense, que, neste ano, estará integrado as atividades da Flipinha, ação voltada para o público infantil. "A gente morando aqui em Fortaleza, no Ceará, fica um tanto quanto ilhado. Costumo receber mais convites daquelas regiões Sul, Sudeste, mesmo. Quase nunca no Nordeste", desabafa o poeta.
A proposta apresentada pelo "Dom Quixote do Letramento", como é lembrado em algumas ocasiões, quando realiza atividades do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, em vigor desde 2000, é simples e curiosa: uma aula-espetáculo. "Eu bebi muito na fonte do mestre Ariano Suassuna. Assisti umas três ou quatro aulas dele e me encantava com aquela prosa fluente, aquela facilidade que ele tinha de decorar cordéis, trechos inteiros. Também peguei muito daqueles camaradas que cantavam folhetos nas feiras. Aproveito tudo nas palestras", conta.
Com uma bagagem de mais de duas horas de poesia na cabeça, Arievaldo pretende declamar para o público da Flipinha versos que vão além de sua produção. Patativa do Assaré, Alberto Porfírio e Luiz Campos são apenas alguns exemplos do que será cantando em terras fluminenses. A técnica para prender a atenção do público infanto-juvenil, o autor já aprendeu desde cedo. "Se você conseguir dominá-los nos primeiros cinco minutos, estará com eles o tempo que quiser. Se for um fiasco, pode apressar a coisa e sair pela tangente porque vai ser um fracasso. Por isso, é preciso mostrar a tradição, sem desprezar ou deixar de interagir com a tecnologia e a modernidade", reconhece.

Programação
A participação de Arievaldo na programação da Flipinha começa na sexta-feira (01). Pela manhã, o autor fará uma visita a Escola Casa da Criança, no bairro Patitiba, onde será homenageado pelos alunos. Sua primeira intervenção no evento acontece às 11h, no "Encontro com autor: Arievaldo Viana", um espaço aberto de apresentação para um grupo de crianças, na Biblioteca. É nesse momento que será aberta uma mala de romance, à moda dos folheteiros do passado. Dela sairão algumas das obras que serão trabalhadas durante a intervenção.
No sábado (2), a partir das 14h30, ele apresentará, na Tenda da Flipinha, o tema "Cultura popular e literatura", junto com o músico Fábio Sombra e o mediador Amaury Barbosa. "Vou mostrar várias modalidades do repente nordestino, como o martelo, a galopada. E o Fábio vai apresentar o calango mineiro, a trova gaúcha... Vamos mostrar que a literatura de cordel tem uma raiz em comum com a trova do mundo inteiro, não é uma coisa isolada, um fenômeno 100% nordestino", explica.
Na mesma tarde, a partir das 17h30, o cordelista se juntará aos outros 14 autores participantes da Flipinha - dentre os quais também merece destaque a cearense Socorro Acioli - para um momento de confraternização e homenagem a Millôr Fernandes, a quem será dedicada a Flip 2014.
Mas nem de longe essas são as únicas atividades que o autor pretende desempenhar no evento. O lançamento dos livros "João Bocó e o ganso de ouro" (FTD) e "Otelo e Desdêmona - O mouro de Veneza em cordel" (Pallas) também acontecerá durante a Flip. Além disso, outros trabalhos mais recentes, tais como uma coleção de cinco livros ambientados no sertão nordestino, com textos e ilustrações próprias, também será levada para a Festa. Oportunidades de ver e ouvir o cearense, portanto, não irão faltar.

Mais informações:
Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2014, de 30 de julho
a 3 de agosto, em Paraty (RJ). Programação: www.flip.org.br e

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/mobile/cadernos/caderno-3/a-arte-de-desbravar-1.1067399

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Homenagens ao mestre SUASSUNA



Homenagem do poeta Geraldo Amâncio

ONDE A CULTURA É TRIBUNA
SUA VOZ FOI A MAIS ALTA,
HOUVE O PRIMEIRO MAS FALTA
O SEGUNDO SUASSUNA.
PARTE E DEIXA UMA LACUNA
QUE NÃO SERÁ PREENCHIDA.
SUA FORMA DEFINIDA
NA MANEIRA DE ESCREVER,
NÃO TINHA COMO DEVER
MAS COMO MISSÃO DE VIDA.

COM ORIGINALIDADE
 A SUA MISSÃO CUMPRIU
FOI QUEM MELHOR TRADUZIU
NOSSA NORDESTINIDADE.
PORTA VOZ E AUTORIDADE
DOS VALORES CULTURAIS.
DAS FONTES ORIGINAIS
UM DIVULGADOR CONSTANTE,
COMO UM CAVALHEIRO ANDANTE
DOS TEMPOS MEDIEVAIS.

CRONISTA DO DIA A DIA,
UM DEFENSOR ARDOROSO
DAS ESTÓRIAS DE TRANCOSO,
DAS CRENÇAS, DA ROMARIA.
REPÓRTER DA CANTORIA,
DO CORDEL, DO DESAFIO.
SEM ELE ATÉ DESCONFIO
QUE MORRE A NOSSA MEMÓRIA,
E O CIRCO DA NOSSA HISTÓRIA
PODERÁ FICAR VAZIO.

MUITAS VEZES CONTESTADO
ELE CANSOU DE DIZER
QUE A ARTE NÃO PODE SER
UM PRODUTO DE MERCADO.
SEMPRE QUE ERA PERGUNTADO
DIZIA DE FORMA HONESTA,
SEM  RODEIO, SEM ARESTA,
SEM SOFISMA, SEM ENGODO,
QUE A ARTE É NO SEU TODO:
VOCAÇÃO, MISSÃO E FESTA.

"AUTO DA COMPADECIA"
SUA MAIS FAMOSA PEÇA,
TERMINA COMO COMEÇA
CONTANDO OS DRAMAS DA VIDA.
INSPIRADA E EXTRAÍDA
DO MUNDO CORDELIANO.
O MESTRE PARAIBANO
TEATRÓLOGO E ENSAISTA,
ERA TAMBÉM CORDELISTA
O GENIAL ARIANO.

NOS SEUS TRABALHOS DEFENDE
UM BRASIL MAIS BRASILEIRO,
CONTRA O MODISMO ESTRANGEIRO
QUE MÍDIA COMPRADA VENDE.
BRASIL ONDE O INGLÊS PRETENDE
SER O IDIOMA OFICIAL.
NOS TRAZENDO GRANDE MAL,
FAZENDO MORRER À MÍNGUA
O ENCANTAMENTO DA LÍNGUA
QUE HERDAMOS DE PORTUGAL.

NAS PALESTRAS QUE FAZIA
COM HUMOR E FUNDAMENTO
ESBANJOU CONHECIMENTO,
SEMEOU SABEDORIA.
ERA QUEM MAIS CONHECIA
O QUE O BRASIL DESCONHECE.
QUANDO UM ASTRO SE OPAQUECE
ACABA-SE A ILUMINURA.
O CÉU DA NOSSA CULTURA
SEM ESSE ASTRO ESCURECE.

FOI GUARDIÃO DA RAIZ
DA NOSSA ANCESTRALIDADE,
CONSTRUIU A IDENTIDADE
CULTURAL DO MEU PAÍS.
DA TERRA AGORA DISTANTE,
TORNOU-SE ENTÃO PALESTRANTE
NAS CORTES CELESTIAIS.
HOJE FAZ PARTE DO TIME,
DA ACADEMIA SUBLIME
DOS MESTRES UNIVERSAIS.

Estrofes do poeta Geraldo Amancio, que considera Ariano Suassuna o sábio maior que a nossa cultura conheceu. Que seja grande no céu como foi na terra, tendo as bênçãos de Deus.



Aproveitando um mote já versado por MARCO HAURÉLIO, fiz também algumas estrofes:

M.H. - Além das falsas fronteiras
por mãos humanas forjadas,
das extensas paliçadas,
dos hinos e das bandeiras,
das invisíveis barreiras,
do deboche e do desdém,
a alma que um povo tem
é o que torna a gente, GENTE.
Eu não troco o meu oxente 
pelo "ok" de seu ninguém.

Arievaldo:

Não perco a identidade
Não nego as minhas raízes
Não traio as minhas matrizes
Nem vivo de “urbanidade”
Para mim, a liberdade
É peneirar meu xerém
Chamar cauda de “sedém”
Sem seguir moda ou corrente;
Eu não troco o meu oxente 
Pelo "ok" de seu ninguém.

Digo sem xenofobia
Que a tal ‘globalização’
Ao penetrar no sertão
Varreu tudo quanto havia
De beleza e poesia
E de verdade também
Mas tudo tem um “porém”
Eu sou cabra renitente
Pois não troco o meu oxente
Pelo "ok" de seu ninguém.

Minha luta é quixotesca
Em defesa do cordel
Meus aviões de papel
Encaram a cena dantesca
Na arte trovadoresca
Já derrotei mais de cem
Pois já dancei “xenhenhém”
Tomando a boa aguardente
Sem trocar o meu oxente!
Pelo "ok" de seu ninguém.




quinta-feira, 17 de julho de 2014

RUMO À FLIPINHA DE PARATY-RJ




Estaremos na FLIPINHA 2014, de Paraty-RJ, no período de 31/07 a 03/08, oportunidade em que participaremos de duas palestras, em parceria com o poeta Fábio Sombra. Na oportunidade, lançaremos 4 novos livros:
1 - OTELO E DESDÊMONA - O Mouro de Veneza em Cordel - Pallas Editora
2 -JOÃO BOCÓ E O GANSO DE OURO - Editora Globo
3 - SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO EM CORDEL - Amaryllis
4 - CERVANTES EM CORDEL - Quatro Novelas Exemplares (parceria com Stélio Torquato).
Os três primeiros livros são ilustrados por Jô Oliveira. 

Flipinha e FlipZona, a festa das crianças e dos jovens



FOTO: DIVULGAÇÃO


Programação infantil traz encontros com autores e ilustradores

PARATY - Parte da programação da Flipinha, a Ciranda dos Autores leva a Paraty um time de nove escritores e seis ilustradores de livros infantis, que participam de encontros aguardados com expectativa pelos alunos das escolas da cidade.
A mesa Da memória às histórias, que reúne as ilustradoras Laura Teixeira e Luciana Grether Carvalho marca a abertura das atividades na tenda da Flipinha. Ilustração é o tema da conversa de Daniel Kondo, que desenhou Contos das quatro estações e Domingão joia, e Mario Bag, cujos traços estão em Mentiras caipiras e Mitos e lendas do folclore do Brasil.
Entre os destaques, também aparecem a cultura indígena, com o amazonense Roni Wasiry Guará, do povo Maranguá, e a temática nordestina, presente nas obras Cordel da Candelária e Cordel das cavalhadas, de Sandra Lopes; e nas adaptações de Shakespeare para o teatro e o cordel, de Arievaldo Viana.
Complementam as atividades da Flipinha as apresentações de alunos das escolas de Paraty, os já tradicionais “pés de livro”, que convidam à leitura sob as árvores da Praça da Matriz, e a mesa em homenagem a Millôr Fernandes.
Formação de leitores
Ao longo do ano, a Casa Azul desenvolve em Paraty um trabalho permanente de formação de leitores, como parte do programa educativo da Biblioteca Casa Azul, que envolve cerca de 13 mil alunos de mais de 40 escolas públicas e privadas da região. No início do ano letivo, os professores recebem o Manual da Flipinha, material didático com informações sobre a vida e a obra dos autores convidados, e participam de uma oficina de formação. É o ponto de partida para trabalharem a Flipinha em sala de aula, com leituras e atividades práticas que culminam nas apresentações dos alunos nos dias de festa.
FlipZona: espaço de experimentação
A programação jovem contempla diferentes áreas de interesse e se caracteriza pela presença de múltiplas linguagens, como a produção audiovisual e o grafite. Palestras, bate-papos e oficinas fazem parte da programação, que traz para o universo jovem alguns autores da programação da Flip, como Antonio Prata e Eliane Brum, e da Flipinha, como a escritora e roteirista Rosana Rios.

Ao longo dos cinco dias da Flip, um grupo de jovens paratienses estará ativo na Central FlipZona – uma redação jornalística que fará a cobertura de toda a festa literária. No último dia, domingo, será a vez de apresentarem sua produção audiovisual: é o CineZona.
Oficinas para jovens
Assim como na Flipinha, o trabalho de formação com foco nos leitores jovens – sob o nome de FlipZona – também é um movimento que acontece o ano inteiro na Biblioteca Casa Azul, em Paraty. Sempre aberta a novos participantes, a FlipZona mantém um blog e realiza oficinas de artes visuais e literatura. Em abril e maio de 2014, realizou uma oficina de fotografia com Walter Craveiro, fotógrafo oficial da Flip, e uma oficina de grafite, com o designer e grafiteiro carioca Meton Joffily. Participaram cerca de 80 jovens paratienses.


SAIBA MAIS: http://www.avozdacidade.com/site/page/noticias_interna.asp?categoria=56&cod=33984

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA





Este foi um dos primeiros 'romances' que escrevi. Em 2000 fui incumbido pelo amigo Aragaci Monteiro Chaves, então presidente da Câmara Muncipal de Tabuleiro do Norte, para diagramar e ilustrar um livro com as memórias de seu pai, Ramiro Monteiro Chaves, um pioneiro das estradas que rodou esse Brasil imenso de Norte a Sul, colecionando histórias. Ramiro, homem sensível e inteligente, admirador da poesia popular, amigo dos irmãos Batista, os cantadores mais famosos daquele tempo, tinha o hábito de anotar suas memórias num velho caderno que acabou se transformando em livro, por esforço de seu filho Aragaci.
Um dos contos mais interessantes é este "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA" que resolvi transformar em cordel, procurando não me distanciar, emocionalmente, do roteiro traçado por Ramiro. O conto tem paralelos com uma obra de Simões Lopes Neto "TREZENTAS ONÇAS", porém o desfecho da obra de Ramiro é ainda mais surpreendente do que no conto de Simões. Creio que Ramiro, homem intuitivo, de poucas leituras. Talvez jamais tenha lido o escritor gaúcho.

TRECHOS

(...)


Nesse tempo se vivia
Com certa tranqüilidade
O povo de antigamente
Prezava a honestidade
Seu Leonel era um desses
Que não pensava em maldade

Mas foi a fatalidade
Que este dano originou
Chegando na oiticica
Os seus alforjes tirou
Num galho da dita árvore
Com cuidado pendurou.

Dentro de um dos alforjes
A sua fortuna estava
Mais de cem contos de réis
O fazendeiro levava
Com um lapso de memória 
Este pobre não contava.

Depois que almoçou bem
Armou a rede e dormiu
Quando bateu duas horas
Selou o burro e saiu
Lá os alforjes ficaram
E seu Leonel não viu.

Esqueceu sua fortuna
Talvez devido a soneira
No seu burro de valor
Galopou a tarde inteira
Coitado, sem se dar conta.
Da sua grande leseira.

Na casa de um compadre
Dormir ele pretendia
Como de fato chegou
Ao toque da Ave-Maria
Cumprimentou o compadre
Com afeto e alegria.

Mas veio o golpe fatal
Quando tirou a bagagem
Que não viu os seus alforjes
Pensou que fosse visagem
Junto com o seu compadre
Ganhou de novo a rodagem.

Porque a dita oiticica
Dali era bem distante
Coisa de umas sete léguas
E o fazendeiro errante
Seguia a todo galope
Nessa hora angustiante.

Chegando na oiticica
Nem sinal ele encontrou
Alforje, dinheiro e tudo.
Passou alguém e levou
Agora o leitor calcule
De que forma ele ficou!

(...)



SOBRE O LIVRO DE MEMÓRIAS DE RAMIRO -  Ramiro Monteiro Chaves, caminhoneiro natural de Tabuleiro do Norte-CE, percorreu os quatro cantos do país nas décadas de 50 a 70 do século passado. O lançamento aconteceu em 2003, por ocasião da Romaria dos Caminhoneiros, que ocorre anualmente nos dias 06 e 07 de setembro naquela cidade do Vale Jaguaribano.
O livro surpreende tanto pela originalidade quanto pela beleza e simplicidade de sua narrativa. Ramiro Monteiro, entre uma viagem e outra que fazia, ocupava-se em elaborar um diário “de bordo” contendo um resumo de suas andanças e os fatos mais pitorescos ocorridos em sua volta. Alguns  deles se enveredam pelo terreno humorístico. Certa feita, Ramiro e seu ajudante Zé de Omar chegaram numa cidade de Santa Catarina e hospedaram-se na vinícola de um italiano, esperando um carregamento de vinho para Sobral. Depois de um bate papo amistoso, o italiano lançou um desafio aos dois cearenses:

-        Quero ver quem é que come 100 gramas de queijo enquanto eu tomo uma cerveja de colher na copa deste prato.  Vamos ver quem termina primeiro?

Ramiro olhou para o ajudante e perguntou?

-        Você topa, Zé?

O Zé topou e não deu moleza. “Tacou a paêta pra riba”. Coisa de uns três minutos depois, levantou-se eufórico e escancarou a bocarra. Não havia mais um farelo do laticínio, enquanto o italiano padecia para terminar de ingerir a bebida. O certo é que o anfitrião deu-se por vencido e comentou que nunca havia sido vencido nessa aposta.
-        É nisso que dá apostar com cearense “esgalamido”... comentou rindo o caminhoneiro.