segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A saga dos TABAJARAS em CORDEL


“LOS INDIOS TABAJARAS”
Dois tapuias cearenses que conquistaram o mundo


O Ceará sempre teve bons instrumentistas. De Nonato Luis a Vilamar Damasceno, de Manassés a Macaúba, de Cirino a Luzirene do Cavaquinho, sempre tivemos artistas que se projetaram dedilhando instrumentos de corda, mas nenhuma história se compara a dos índios Mussaperê e Herundy, dois remanescentes da nação Tabajara, nascidos em Tianguá, que apesar de serem ilustres desconhecidos em seu Estado natal, projetaram-se no mundo inteiro como virtuoses do violão, chegando a se apresentar nos maiores teatros da América do Norte e da Europa, além de terem gravado dezenas de discos pela RCA norte-americana. No site da gravadora “Revivendo”, responsável pelo relançamento de alguns de seus discos (através do selo Again) encontramos esse texto que serviu como base para produção de uma biografia em CORDEL, narrando a fantástica saga de “Los Índios Tabajaras”. Essa biografia em versos deverá ser lançada ainda este ano.

“A trajetória dos Índios Tabajaras dificilmente encontrará paralelo com qualquer outra, vindo de onde vieram e alcançando, no chamado mundo civilizado, o que alcançaram. Tudo pareceria a criação de um delirante ficcionista, não fosse a mais concreta realidade.

Primeiro, por suas origens. São índios brasileiros autênticos, da raça tupi-tabajara, nascidos na remota e agreste serra de Ibiapaba, dentro do então isolado município cearense de Tianguá, na divisa com o Piauí.

Na língua tupi, receberam os nomes de Mussaperê e Herundy, que significam O Terceiro e O Quarto, pois estavam nessa ordem de nascimento dos filhos do cacique Ubajara, ou Senhor das Águas, ao todo trinta e quatro irmãos.

...


A FANTÁSTICA TRAJETÓRIA DE
‘LOS INDIOS TABAJARAS’
Os cearenses que conquistaram o mundo
Autor: Arievaldo Viana

Brisa que sopra na serra
Onde cantam as águas claras
Que descem num véu de noiva
Banhando as lindas Iaras
Dai-me rimas pra contar
A vida dos TABAJARAS.

Nos contrafortes da serra
E no topo da Ibiapaba
A brava Nação Indígena
Ali ergueu sua taba
O índio via a fartura
Dentro de sua igaçaba.

Viçosa, Guaraciaba,
São Benedito, Ubajara,
A linda bica do Ipu
Com sua beleza rara,
Frecheirinha e Tianguá
São da Nação Tabajara.

Veio o colonizador
Com seu instinto cruel
Se espalhou rapidamente
Como abelha no vergel
E fez jorrar muito sangue
Aonde jorrava mel.

Dessa tribo de guerreiros
Descende a Índia Iracema
A musa de Alencar
Heroína do poema
Anagrama de América
Do cearense um emblema.

Porém a história que
Pretendo agora narrar
É tão inacreditável
Que alguém pode duvidar
Dois curumins que partiram
Para o mundo conquistar.

São “Los Índios Tabajaras”
Ilustres desconhecidos
Na sua pátria natal
Não foram muito queridos;
Porém conquistaram o mundo
E foram reconhecidos.

Seus nomes: Muissaperê
E Herundy, seu irmão,
Filhos de um bravo cacique
O último desta Nação
Dos Tabajaras famosos
Tianguá foi seu torrão.

No início do século XX
Nasceram estes meninos
Tiveram muitos irmãos
Sofreram mil desatinos
Porém Tupã já traçara
Pra eles belos destinos.

(...)

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