Saiba mais: http://www.vermelho.org.br/noticia/304203-1
sábado, 11 de novembro de 2017
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
ARIEVALDO NO BAZAR DAS LETRAS
Algumas fotos do nosso lançamento no projeto BAZAR DAS LETRAS, do SESC da Avenida Duque de Caxias (Teatro Emiliano de Queiróz), noite inspirada, com a ótima participação do público e o auxílio luxuoso dos amigos escritores Raymundo Neto, Rouxinol do Rinaré, Silas Falcão e Gláucia Lima.
Fotos: Nice Arruda
Escritor Raymundo Netto
Recebendo homenagem do INSTi, das mãos da escritora Gláucia Lima
Com Nice Arruda
terça-feira, 31 de outubro de 2017
AINDA O MESTRE LEANDRO
Na Escola dos Saberes de Barbalha, encontrei-me com o escritor Batista de Lima, da Academia Cearense de Letras, que como eu, participava de um evento promovido pelo incansável agitador cultural Rosemberg Cariri. Na ocasião, Batista de Lima tomou conhecimento da biografia de Leandro Gomes de Barros, que lancei em 2015, no sesquicentenário de nascimento do ilustre poeta paraibano. No último dia 17/10, o livro foi assunto da sua coluna semanal no Caderno 3, do jornal Diário do Nordeste:
Leandro Gomes de Barros
XILOGRAVURA de Arievaldo Vianna
(Todos os direitos reservados)
Batista de
Lima: Leandro,
o Cordel e Arievaldo
BATISTA DE
LIMA
caderno3@diariodonordeste.com.br
•
Arievaldo Viana
publicou em 2014 o livro "Leandro Gomes de Barros - Vida e obra".
Ainda hoje distribui esse livro em feiras, congressos e encontros literários.
Até parece que na atualidade não importa a qualidade do livro, o difícil é
encontrar leitor. Nesse caso, Arievaldo apresenta uma biografia crítica do
mestre da Literatura de Cordel, para muitos o pioneiro desse gênero literário
no Nordeste.
Em 170 páginas das
Edições Fundação Sintaf, de Fortaleza, e da Queima-Bucha, de Mossoró, a vida e
a obra de Leandro Gomes de Barros são apresentadas ao leitor com o zelo de
pesquisador que não dispensa o mergulho em fontes primárias para trazer à tona
tudo que diz respeito ao biografado. Para Pedro Nunes Filho, que escreve as
orelhas do livro, Leandro Gomes de Barros é "o mais famoso cordelista do
Brasil". Já na apresentação do livro, Marco Haurélio o classifica como
"patriarca da literatura de cordel e autor de, pelo menos, vinte clássicos
incontestáveis do gênero". Isso comprova o respeito com que intelectuais
de nomeada ainda hoje reverenciam Leandro como um clássico do cordel.
É tanto que ele
transforma tragédias gregas em folhetos populares. Confronta o sagrado com o
profano sem apelos para sectarismos. Por isso que Gilmar de Carvalho lembra, no
Prefácio, que esse poeta, pioneiro do nosso cordel, transita da tradição oral
para os livros de cavalaria e para as tragédias gregas com a mesma
desenvoltura.
Isso prova que Leandro
Gomes de Barros era um homem de instrução. Acontece que muita coisa sobre ele e
dele não nos chegou até hoje por escrito.
A tradição oral às
vezes acrescenta, às vezes se omite a propósito desse famoso poeta. Foi por
isso que Arievaldo Viana teve que viajar pelo Nordeste, entrevistar familiares
do poeta e consultar arquivos credenciados do cordel como o da Casa Rui
Barbosa, no Rio de Janeiro. Foi a cartórios e a velhos cantadores que estiveram
próximos a Leandro durante seus últimos anos de vida.
Desse trabalho
incansável e demorado surge essa obra de resgate de uma personalidade em vias
de cair no ostracismo.
De acordo com a
pesquisa de Arievaldo Vianna, Leandro Gomes de Barros nasceu na fazenda
Melancia, em Pombal (PB), no dia 19 de novembro de 1865, e faleceu em Recife
(PE), em 04 de março de 1918. Seus principais cordéis são "A Vida de Cancão
de Fogo e seu Testamento", "Donzela Teodora", "Alonso e
Marina", "Sofrimentos de Alzira", "Soldado Jogador" e
"Meia-noite no Cabaré". Este foi inspirado em "Noite na
Taverna", de Álvares de Azevedo. Há entretanto muitos outros cordéis de
sua autoria, além de muitos de onde seu nome foi retirado e colocada outra
autoria.
Essa questão da
autoria dos cordéis é um problema para pesquisadores sobre o tema. Geralmente
quando o espólio de um poeta era vendido, seu comprador comprava também os
direitos sobre a obra e mudava a autoria do folheto. Talvez tenha sido Leandro
Gomes de Barros uma das maiores vítimas desse comércio. Afinal, sabe-se que
após sua morte, sua esposa, D. Venustiniana, vendeu todo seu patrimônio poético
a João Martins de Athayde. Daí por diante o novo proprietário, também poeta
popular, começou a colocar seu nome em algumas obras que foram de Leandro.
Da mesma forma sabe-se
que com o falecimento de João Martins de Athayde, anos depois, todo esse
material foi vendido por seus familiares a José Bernardo da Silva, de Juazeiro
do Norte, proprietário da Gráfica São Francisco e da Lira Nordestina. Só mais
recentemente a Casa Rui Barbosa vem tentando, através de seus pesquisadores,
organizar e catalogar essas obras dispersas e de autorias nem sempre
verdadeiras.
Acredita-se, pois, que
essa pesquisa de Arievaldo seja também uma contribuição para esse trabalho da
Fundação.
Nesse processo de
venda do patrimônio poético de famosos cordelistas pelos seus descendentes, há
razões inquestionáveis que norteiam esses comportamentos. No caso de Leandro
Gomes de Barros, constata-se que ao morrer com 53 anos, o poeta deixa a mulher
e os filhos numa situação financeira em que não possuíam nem casa própria. Por
toda a vida, o cordelista morou de aluguel. Vivia da renda dos seus folhetos.
Além disso Leandro era
boêmio e passava tempos fora de casa em viagens de venda do seu material
poético. Dona Vênus, e era assim que ele a chamava, quando se viu viúva tendo
que sobreviver com os filhos, o único bem que possuía era o espólio poético
deixado pelo marido. Assim, ao final da leitura desse livro de Arievaldo
Vianna, o leitor se sente confortável para concluir ter mantido contato com um
valoroso apanhado crítico e biográfico do pioneiro do cordel nordestino.
É uma obra de cunho
também didático porque possibilita conhecer o mais popular de nossos gêneros
literários. O cordel, no auge de sua evolução, chegou a ser a crônica principal
das populações sertanejas. Isso aconteceu por se configurar uma literatura de fácil
absorção pelos seus leitores e ouvintes e também por trazer às camadas
populares uma legião de mitos e as lendas que os cercavam. Assim, verifica-se
que Arievaldo, com essa publicação, presta uma enorme contribuição para os
estudos e para a preservação da cultura popular entre nós.
PUBLICADO no Diário
do Nordeste, Caderno 3, edição de 17.10.2017
A quem possa interessar:
o livro LEANDRO GOMES DE BARROS, VIDA E OBRA
custa R$ 30,00 e pode ser adquirido através deste e-mail: acordacordel@hotmail.com
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
LANÇAMENTO NO SESC
No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), às 19
horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de
Caxias (Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da
obra “Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio
autor.
Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo
Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por
diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas
reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC,
através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor
já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas
de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por
ele criado em 2001.
Arievaldo atuou também como consultor e redator de uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.
TRECHOS DA
OBRA
Meus
leitores vou narrar
Um
caso que foi passado
Num
livro muito decente
Foi
o fato relatado
Minhas
são somente as rimas
Nada
aqui é inventado.
O
senhor Ramiro Chaves
Um
grande caminhoneiro
Que
nasceu e se criou
Nos
vales de Tabuleiro
Em
seu livro de memórias
Diz
que o caso é verdadeiro.
Pois
bem, vamos a história.
Do
jeito que foi narrada
Dizem
que um fazendeiro
De
vida boa e honrada
Nas
estradas do destino
Caiu
em grande cilada.
Leonel
dos Santos era
Este
dito fazendeiro
Morava
nos Inhamuns
Era
pacato e ordeiro
Por
ser muito inteligente
Sabia
ganhar dinheiro
Em
novecentos e seis
Do
outro século passado
Veio
ele à Fortaleza
Pedir
dinheiro emprestado
Pra
comprar gado de corte
Com
um lucro avantajado.
(...)
Nesse
tempo se vivia
Com
certa tranqüilidade
O
povo de antigamente
Prezava
a honestidade
Seu
Leonel era um desses
Que
não pensava em maldade.
Mas
foi a fatalidade
Que
este dano originou
Chegando
na oiticica
Os
seus alforjes tirou
Num
galho da dita árvore
Com
cuidado pendurou.
Dentro
de um dos alforjes
A
sua fortuna estava
Mais
de cem contos de réis
O
fazendeiro levava
Com
um lapso de memória
Este
pobre não contava.
Depois
que almoçou bem
Armou
a rede e dormiu
Quando
bateu duas horas
Selou
o burro e saiu
Lá
os alforjes ficaram
E
seu Leonel não viu.
Esqueceu
sua fortuna
Talvez
devido à soneira
No
seu burro de valor
Galopou
a tarde inteira
Coitado,
sem se dar conta.
Da
sua grande leseira.
Na
casa de um compadre
Dormir
ele pretendia
Como
de fato chegou
Ao
toque da Ave-Maria
Cumprimentou
o compadre
Com
afeto e alegria.
Mas
veio o golpe fatal
Quando
tirou a bagagem
Que
não viu os seus alforjes
Pensou
que fosse visagem
Junto
com o seu compadre
Ganhou
de novo a rodagem.
(...)
Caricatura: Jô Oliveira
OUTRAS ATIVIDADES MARCAM
CINQUENTENÁRIO DO POETA
63ª Feira do Livro de Porto Alegre-RS
No período de 13 a 15 de novembro, Arievaldo
Vianna e o ilustrador pernambucano Jô Oliveira participarão de várias
atividades da programação da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorrerá
no período de 1º a 19 de novembro, como autores enviados pela Editora IMEPH.
Além das atividades programadas no próprio espaço da Feira, que incluem visita
à Escola Portugal (palestra para turmas do EJA) e no projeto Autor no Palco, no
Teatro Carlos Urbim, a dupla foi convidada pela Associação Centro de Tradições
Nordestinas e a Secretaria Municipal de Educação da cidade de Cachoeirinha (que
fica a 17 quilômetros de Porto Alegre) para fazer uma palestra sobre cordel no
bairro Granja Esperança (onde está radicada a maior parte da colônia
nordestina).
Com o parceiro Jô Oliveira - Bienal do Rio de Janeiro (2012)
IMPLANTAÇÃO
DE CORDELTECA EM MADALENA-CE
E LANÇAMENTO DE UM NOVO LIVRO
“NO TEMPO DA
LAMPARINA”
Também em novembro próximo, em data a ser
definida, a Prefeitura Municipal de Madalena irá inaugurar uma Biblioteca de
Cordel com acervo selecionado por Arievaldo Vianna. A Cordelteca Alzira Vianna
de Sousa Lima é uma homenagem à avó do escritor. Foi com ela que Arievaldo
aprendeu as primeiras letras e deu seus primeiros passos como poeta, pois dona
Alzira utilizava os folhetos de cordel como ferramenta auxiliar na educação do
neto.
Ainda este ano, Arievaldo Vianna pretende lançar
seu 32º livro, oitavo em prosa, intitulado “No Tempo da Lamparina – II Volume
de Memórias”. A obra reúne crônicas que retratam a sua infância e adolescência
nos municípios de Quixeramobim, Madalena e Canindé. O texto alterna lembranças
pessoais com fatos importantes ocorridos no período e trata também das
transformações que afetaram o Sertão Central cearense ao longo dos últimos 50
anos, sob a ótica de quem viveu e testemunhou de perto.
Assim, o autor desfila suas reminiscências falando
de artes e tradições esquecidas, como o reisado, a cantoria, o forró de latada,
corridas de cavalo, farinhadas, sonhos com botijas e assombrações, novenas e
procissões invocando chuva. A fazenda Ouro Preto, onde nasceu e se criou, não
tinha luz elétrica. O entretenimento que o poeta conheceu na infância foram
somente o rádio, as cantorias e os folhetos de cordel, guardados com carinho
pela avó numa maleta encantada. Por falar nisso, Arievaldo também descreve as
histórias de encantamento repassadas aos meninos de sua geração pela velha
Bastiana. Uma delas falava de três castelos encantados, localizados na
comunidade vizinha de Três Irmãos, onde está situada a Fonte das Coronhas, um
lugar mágico, tido por alguns como a morada da Iara ou Mãe D’água sertaneja.
EIS UM TRECHO DO LIVRO:
Xilogravura da capa: Maércio Siqueira
“Na infância eu considerava as histórias de
encantamento dos folhetos de cordel como verdadeiras ou, pelo menos,
plausíveis. Por estarem impressas no papel me pareciam mais dignas de crédito
que as histórias de Trancoso contadas oralmente pela velha Bastiana e sua neta
Rita Maria. A própria Bíblia, tida como o mais sagrado e verdadeiro dos livros,
não encerrava a história da jumenta de Balaão, que adquirira voz humana e
falara fluentemente? Moisés não abrira o Mar Vermelho para que os israelitas o
atravessassem a pé enxuto, com a mesma facilidade com que se corta uma talhada
de melancia? O profeta Elias não fizera cair fogo do céu? Não havia dividido as
águas do Rio Jordão com o simples toque de sua capa? O profeta Eliseu, seu
sucessor, não multiplicara milagrosamente o azeite da viúva em cuja casa se
hospedara? O combate do pequeno
Davi contra o gigante Filisteu não poderia ser a própria Batalha de Oliveiros
com Ferrabrás, de que nos fala o livro de Carlos Magno e dos Doze Pares de
França? Se São Jorge, um santo reconhecido pela Igreja Católica, combatera um
dragão, por quê Juvenal, personagem do folheto do poeta Leandro Gomes de
Barros, não poderia ter realizado um feito similar?
Para completar esse universo místico e encantado,
eu ouvia constantemente, no alpendre da casa de meus avós, histórias de
botijas, de alma penada, de lobisomens e até de discos voadores como coisa
absolutamente real, palpável e natural. Nascidos e criados no “tempo da
lamparina”, os meninos de minha geração não dispunham de outras diversões que
não fossem as cantigas de roda, a audição de velhos contos de fadas adaptados à
linguagem sertaneja, os folhetos de cordel e o rádio de pilha. Some-se a isso,
cantorias, vaquejadas, forrobodós, leilões, reisados e novenas.
Eu gostava mesmo era de escutar a prosa dos
adultos, à sombra dos alpendres, em noites de lua cheia ou sob a luz do
candeeiro. Tudo isso era projetado pelo caleidoscópio de uma imaginação fértil
e prodigiosa, da qual sempre fui dotado. De modo que, quando me via sozinho no
meio do mato, imaginava encontrar um desses entes fabulosos descritos pelos
adultos e registrados nas páginas dos cordéis. Dentre todos, o que eu mais ansiava encontrar era o gênio da
lâmpada, das histórias de Alladim, a fim de realizar os três pedidos. O
primeiro deles, sem dúvidas, seria um passeio no tapete voador, elevando-se do
pátio da fazenda de meu avô com destino a serra dos Três Irmãos, Serra do
Peitão, Serrinha do Teixeira e Serra da Cacimba Nova. Desde a mais tenra idade
eu nutria verdadeiro encanto pelas serras, lugar de onde me parecia vir a
chuva. E, como toda criança, eu queria voar. Nessa fase da vida quantas vezes
não sonhei voando?
Complementando tudo isso, havia as histórias
mirabolantes do Chico Pavio, filho da velha Bastiana, que também possuía uma
imaginação prodigiosa. Às vezes ele fazia parte do adjunto de trabalhadores que
auxiliavam meu pai na sua lavoura. No próprio eito ele desfiava alguns causos
interessantes, que eram intercalados pela voz do Chico Cazuza, o Cazuzinha, fã
de cantorias, que sabia de memória muitas glosas atribuídas aos famosos Bentevi
Neto e Cego Aderaldo. Papai dava larga preferência ao segundo, eu gostava,
também, das lorotas do primeiro. Eis um causo contado pelo Chico Pavio: segundo
ele, os serrotes dos Três Irmãos eram três reinos encantados, erguidos em
remotas eras, por uma raça nobre e desconhecida, exuberante e rica. Mas os três
castelos foram encantados pelo poder de gênios do espaço e transformados em
três gigantescos blocos de pedra. Quando eu ia buscar água na companhia de meu
pai, na Fonte das Coronhas, que fica no sopé do primeiro serrote, ansiava
encontrar alguma princesa encantada, avistar a lendária Mãe D’água e até mesmo
o dragão que guardava a porta de entrada do Reino Encantado. Dei asas à
imaginação e descrevi tudo isso em um poema chamado “O Marco Cibernético do
Reino dos Três Monólitos”, que se encontra reproduzido integralmente neste
livro.
(...)
Há quase 300 anos os troncos familiares que deram
origem à minha raça habitam este pedaço de chão. A história desses clãs é
minunciosamente descrita no primeiro livro desta série, cujo título é “Sertão
em Desencanto – I Volume de Memórias”, obra de menor teor poético, porém
fortemente embasada em documentos, daí o seu valor como relato histórico.
Por quê “Sertão em Desencanto”? Dentre muitos
outros motivos e explicações eu diria que aquele encantamento pelo maravilhoso,
pelo heroico e pelo fantástico que acalentei na infância foi quebrado pelo rude
martelo da realidade. Foi minado pelos espinhos e dissabores que
inevitavelmente nos agridem ao longo de nossa caminhada. Mas também pela
descaracterização de nossa cultura, pelo desaparecimento de velhas tradições,
pelo aniquilamento de nossos costumes mais simples e fraternos. O sertão de
hoje em dia está muito modificado!
Por isso tomei a iniciativa de escrever estes
livros de memórias, permeados de causos, de sonhos e encantamentos, para que as
gerações futuras não percam o fio da meada e saibam que o nosso sertão nem
sempre foi assim, displicente, desleixado, alienado e ignorante de suas
matrizes culturais. Subam comigo, a bordo desse tapete voador, e retornemos ao
sertão dos tempos da lamparina, fazendo de conta que o velho candeeiro é a
lâmpada de Alladim.”
P.S. - Essa é a postagem de número 700. O blog está no ar desde maio de 2011 e já ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações.
P.S. - Essa é a postagem de número 700. O blog está no ar desde maio de 2011 e já ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações.
sábado, 21 de outubro de 2017
terça-feira, 17 de outubro de 2017
XILOGRAVURAS À VENDA
Depois de uma pausa de quase três anos resolvi retomar a minha atividade como XILOGRAVADOR. Imprimi antigas matrizes e também gravei novos tacos, dentre os quais uma série sobre astros da música popular brasileira, que inclui Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Roberto Carlos, Belchior, dentre outros. As cópias, em geral, medem 32 x 22 cm. Cada cópia custa R$ 25,00 (em papel vergê) e R$ 30,00 (em papel canson importado).
A seguir, fotos de algumas etapas do trabalho.
Xilogravuras de ARIEVALDO VIANNA (Direitos Reservados)
sábado, 14 de outubro de 2017
ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA
LANÇAMENTO NO SESC
(Projeto Bazar das Letras)
(Projeto Bazar das Letras)
Ilustrações: Arievaldo Vianna
SESC COMEMORA CINQUENTENÁRIO DO ESCRITOR ARIEVALDO
VIANNA COM LANÇAMENTO NO PROJETO “BAZAR DAS LETRAS”
No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), a partir das 19 horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de Caxias
(Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da obra
“Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio autor.
Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo
Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por
diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas
reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC,
através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor
já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas
de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por
ele criado em 2001.
Arievaldo atuou também como consultor e redator de
uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do
Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da
Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de
suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.
ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA
Escrito em
sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do
cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em
todos os tempos. As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do
falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra
imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse
trabalho de Arievaldo Vianna.
Autor:
Arievaldo Vianna
Ilustração:
Arievaldo Vianna
Indicação: Para
crianças de 8 a 80 anos
Temas
relacionados: Honra, honestidade
Valor: 34,00
Formato:
20,0 x 27,0 cm
Número de
páginas: 28
ISBN:
978-85-7974-182-1
HISTÓRIAS DE CAMINHONEIRO
(Texto de
apresentação da obra)
Encontro com a consciência é o trabalho basicamente inaugural de
Arievaldo Viana como romancista da Literatura de Cordel. Esta sua narrativa em
versos surgiu com o alvorecer do século presente, dois anos depois de o já
consagrado poeta lançar a primeira edição do seu livro O baú da gaiatice, que
demarcou o ressurgimento do Cordel por aqui e mais além. Com seu faro aguçado
para a temática do romanceiro popular, Arievaldo enxergou um belo roteiro nessa
história escrita em 1977 por Ramiro Monteiro Chaves, antigo caminhoneiro da
região jaquaribana, que por sua vez reuniu em livro suas aventuras pelas
estradas do Brasil. Reeditado em 2001, Com o pé na estrada memórias de um caminhoneiro traz “Encontro
com a consciência” em sua versão original e na adaptação para o Cordel.
Agora, o mesmo trabalho ganha publicação individual, em edição
primorosa e ricamente ilustrada com desenhos em cores assinados pelo próprio
Arievaldo e inspirados nos mestres do traço Percy Lau (1903-1972), Lanzellotti
(1926-1992) e Raimundo Cela (1890-1954), que de tal forma são também
homenageados. As aquarelas do poeta-desenhista emprestam um novo brilho à sua
obra e atestam mais uma vez a evolução constante do Cordel no mercado
editorial.
Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está
na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores
autores do gênero em todos os tempos. Conquanto o enredo encontre paralelo numa
obra de Simões Lopes Neto (1865-1916), intitulada Trezentas onças, a
coincidência pára por aí, pois o desfecho do primeiro é sensivelmente mais
vibrante; e ainda se há de supor que Ramiro Monteiro Chaves, incansável em sua
luta de caminhoneiro, não tenha sequer conhecido a obra do escritor e
regionalista gaúcho.
As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar
regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do
sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de
Arievaldo Viana. O arremate, como sugere o título, tem o seu cunho de grandeza
moral e de lição de vida. O relançamento de “Encontro com a consciência”, por
outro lado, acontece no momento em que a adaptação da prosa para o cordel,
inclusive de obras clássicas, tornou-se um dos filões mais explorados pelos
poetas populares e também um dos mais aceitos pelo público. É ainda, não há
dúvida, uma alternativa de se preservar e recontar com novo jeito tantas velhas
e boas histórias. Assim seja.
Pedro Paulo Paulino (Poeta Popular)
Programa Bazar das Letras
LANÇAMENTO DE "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA"
QUANDO: 31 DE OUTUBRO DE 2017 - a partir das 19 horas
ONDE: SESC da Avenida Duque de Caxias
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