sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CRATINHO DE AÇÚCAR

<><> <><><>Posse da poetisa JOSENIR LACERDA na ABLC<><><> 
Da esquerda para direita Daniele, Dalinha, Rosário e Carol

BIBLIOTECA NACIONAL NO III SEMINÁRIO
DO VERSO POPULAR
Evento acontecerá no Crato, de 10 a 12 de fevereiro

(do blog Cordel de Saia)

A Biblioteca Nacional que começa a fazer uma campanha para arrecadar cordéis, no intuito de melhorar seu acervo e prestigiar a cultura popular, está enviando para o III Seminário do Verso Popular, em Crato-CE, sua representante Daniele del Giudice.

Daniele entre os assuntos a serem divulgados, falará sobre a organização de um seminário cujo tema será: literatura cordel na FBN, provavelmente em abril.
É importante a divulgação e a participação dos poetas cordelistas nesta campanha de construção de acervo da nação, já que a FBN representa a Coleção Memória Nacional, a qual deve possuir todos os exemplares produzidos no país.
Já estive em reunião na FBN e como colaboradora, representando o blog Cordel de Saia, estarei junto com Daniele nesta divulgação que será feita em Crato.
Na foto: Daniele representante da Biblioteca Nacional

Dalinha e Rosário representantes da ABLC e do blog Cordel de Saia

Carol representante da Casa de Rui Barbosa

Fonte: Blog CORDEL DE SAIA


PROGRAMAÇÃO DO 3º SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR

1º DIA – 10/02/2012



14:00 h – Credenciamento

15:00 h – Abertura da exposição Academia dos Cordelistas do Crato 21 anos de luta em defesa do verso popular



18:00 h – Abertura do Seminário: Retrospectiva da luta da Academia dos Cordelistas do Crato:

*       Aspectos históricos da ACC – EUGÊNIO DANTAS

*       Contribuições da ACC para a cultura regional PEDRO ERNESTO

Fazendo escola: a ACC formando leitores e revelando talentos – ANILDA FIGUEIREDO (COM PARTICPAÇÃO DOS ALUNOS: GEANE BARBOSA DA SILVA MARCIELE CLÁUDIO DA SILVA ,NATÁLIA DA SILVA OLIVEIRA, ROSINEIDE ANTONIA DA SILVA, apresentando o cordel: : Cariri Oeste de Cabo a rabo.

*       Diálogos da ACC com pesquisadores, poetas e entidades congêneres – JOSENIR LACERDA

*       Homenagem aos companheiros falecidos –  (ANIMAÇÃO)

*       História da gráfica “Coisas do meu Sertão” – LUCIANO CARNEIRO

*       A produção xilográfica da Academia – MAÉRCIO LOPES

*       A contribuição da ACC para a educação ambiental- WILLIAN BRITO

*       A ACC e o ICC; - NEZIM PATRÍCIO

*       A ACC e o ICVC. – MARIA DO ROSÁRIO

20:00 h – Sessão de lançamento de cordéis: BASTINHA, ANILDA, ALDEMÁ, GILDEMAR (A morte do rei do pop)

Posse de Vicente e Higino na Academia dos Cordelistas do Crato

                       

21:00 h – Show artístico da família do verso popular

ABIDORAL
 

2º DIA 11/02/2012

08:00 h – Oficinas e mini-cursos

Oficina de cordel – MARIA DO ROSÁRIO

Oficina de xilogravura – CARLOS HENRIQUE

Mini-curso direito autoral no mundo do cordel

Mini-curso elaboração de projetos culturais – JOÃO NICODEMOS



08:00 h – Feira da cultura popular (continuação)
 

08:00 h – Exposição Academia dos Cordelistas do Crato 21 anos de luta em defesa do verso popular (continuação)
 

11:00 h – Mesa redonda: o cordel frente à indústria cultural. (GONÇALO, MOREIRA DE ACOPIARA, ,  GENIVALDO)


14:00 h – Painel: a família do verso popular e a regulamentação profissional – o que muda?(CHICO PEDROSA, PEDRO COSTA, PEDRO BANDEIRA) : FACILITADOR (RAUL POETA)


15:00 h – Apresentação de trabalhos científicos : Pedro Bandeira - LEITE DA JANAGUBA /CORDEL PARA ROMARIA

15:30 h – Sessão de vídeo

16:00 h – Apresentação (recital)

CHICO PEDROSA, LUCIANO CARNEIRO, (E MAIS ARTISTAS PRESENTES)

17: OOh – Mostra do Projeto LIVRO DE GRAÇA NA PRAÇA – LOCAL: LARGO DA RFFSA

19:00 Momento de humor: TRANQUILINO RIPUXADO

                Lançamento dos cordéis: ZÉ JOEL, WILLIANA, JOSENIR, SANDRA ALVINO

 19:30 h – Painel: As complexas interrelações entre cordel e educação. (ARIEVALDO, GRAÇA, ADRIANO, ZÉ MAURO, NEZITE
 

20:30 h – Debate: Tendências do cordel para a próxima década. (MOREIRA DE ACOPIARA, DALINHA, MAÉRCIO LOPES)


 21:30 h – Show artístico da família do verso popular: CANTORIA: JONAS BEZERRA E ISMAEL PEREIRA



3º DIA 12/02/2011

 08:00 h – Oficinas e mini-cursos

Oficina de cordel – MARIA DO ROSÁRIO

Oficina de xilogravura – CARLOS HENRIQUE

Mini-curso direito autoral no mundo do cordel

Mini-curso elaboração de projetos culturais – JOÃO NICODEMOS


08:00 h – Feira da cultura popular (continuação)

08:00 h – Exposição Academia dos Cordelistas do Crato 21 anos de luta em defesa do verso popular (continuação)

 11:00 h – Mesa redonda: Estado da arte dos programas de rádio e televisão que atuam no segmento do verso popular. (VANDINHO PEREIRA, SEU ZÉZÉ, ALDEMÁ DE MORAIS)


14:00 h – Painel: o mercado do cordel e da xilogravura no Brasil (ARIEVALDO, MAÉRCIO LOPES, CARLOS HENRIQUE)

14:40:00 h – Apresentação de trabalhos científicos (comunicações orais);

Gildemar Pontes: Título:_1._A literatura e seus tentáculos: saberes e dizeres sobre a arte literária

Sandra Alvino:  História da Coletânea do Zé: a voz dos que não tem vez.


15:30 h – Sessão de vídeo


16:00 h – Mesa redonda: Análise da produção de cordel no Brasil na 1ª década do século 21. (DALINHA, GILDEMAR, BASTINHA)


17:00 : APRESENTAÇÃO DE CORDÉIS:
           

19:00 h – Conferência: Programa Livro de graça na praça, uma experiência de sucesso. Prof. José Mauro (Belo Horizonte)
 

20:00 h – Sessão de encerramento

                Lançamento dos cordéis: MAÉRCIO, GILDEMAR(O delegado que roubava livros; Bush vai reinar no inferno)


21:00 h – Show artístico da família do verso popular: MUSICAL: JOÃO DO CRATO


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

MORREU MARIA PREÁ!

Gravura do Decameron (Pinterest)


Eis uma expressão muito popular em todo o Nordeste, sobretudo aqui no Ceará, mas poucos sabem a sua verdadeira origem. Existem explicações fantasiosas para esse velho aforismo mas até hoje a que mais me convenceu foi a versão fornecida pelo saudoso Marcos Belmino, o “Ponhonhón” que foi meu diretor na extinta TV Manchete, onde fazíamos um programa apresentado pelo também saudoso Ênio Carlos.

Contava o Belmino que em certa cidadezinha do interior cearense, ali para os lados da Região Jaguaribana, havia um virtuoso sacerdote que acabou caindo em tentação devido os atributos generosos de uma viuvinha chamada Maria Preá. Mulherzinha nova, rechonchuda, dona de um par de olhos muito vivos, o apelido lhe caia como uma luva. O romance era mantido sigilosamente até o dia em que o xereta do sacristão os flagrou em pleno delito, num dos cômodos da Casa Paroquial. 

Chantagista por natureza, o inescrupuloso auxiliar do vigário passou a atormentá-lo a partir desse dia, usando como arma o seu cabeludo segredo. Por qualquer coisa o ganancioso sacristão exigia dinheiro do pobre sacerdote, ameaçando dar com a língua nos dentes a respeito da Maria Preá.

Um certo dia, o padre resolveu ir à igreja em horário pouco habitual, logo após o meio-dia, procurar um objeto que havia esquecido na sacristia. Geralmente ele aproveitava o começo da tarde para uma merecida sesta, coisa que era do conhecimento do sacristão.

Ao entrar na sacristia qual não foi o seu espanto ao constatar que o seu auxiliar estava profanando aquele recinto sagrado, no maior chamego com um garotão. Diante da cena patética, vendo o dito cujo de quatro, sendo enrabado pelo outro, um lampejo de liberdade e alegria brilhou na cabeça do vigário que, abrindo os braços exclamou:

A partir de hoje, ‘morreu’ Maria Preá!


O sacristão, é lógico, deu-se por vencido e a situação só não se inverteu porque o padre não era vingativo nem afeito a chantagens.

PS. Por sugestão do amigo e parceiro Ronaldo Cavalcante, que forneceu o refrão, transformamos essa história na letra de uma música (o velho e bom duplo-sentido) que será musicada em breve. Confiram:


O bom Monsenhor Martins
Vigário de Caroá
Tinha um xamego secreto
Um passatempo discreto
De lascar as alpercata
Com uma fogosa beata
Chamada MARIA PREÁ...

Em vereda de preá
Tatu caminha dentro?
Cuidado que a fofoca
Está comendo no centro.

O sacristão descobriu
E logo tirou vantagem
Pois vivia ameaçando
Grana do padre tomando
Na maior cara de pau
Agia como um lalau
Só na base da chantagem.

Um dia a coisa mudou
De uma maneira tola
Pois o padre um certo dia
Chegando na sacristia
Viu o dito sacristão
Nos braços de um garotão
Dando uma de baitola.


O vigário admirado
Perguntou o que é que há?
Que cena mais indecente
Na igreja é deprimente
Valei-me Nossa Senhora
Saiba que a partir de agora
MORREU MARIA PREÁ!!!




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

POETA JOTA BATISTA HOMENAGEIA WANDO


Caricatura: Arievaldo Viana

Na área da música, o cordelista canindeense JOTA BATISTA , meu parceiro em vários folhetos e paródias, tem se destacado como vencedor de diversos festivais. Juntos fizemos "Proezas de um babão ou a difícil arte do repuxamento de saco", "Aprendeu andar de moto, mas não sabia parar", "O homem que lutou com um cabaço até ficar isdrope e não fez o babizôco", dentre outros. Tem participação no histórico LP "Rabiscos" e já gravou alguns CD's. Sua música "Pãozinho de Amor" foi regravada pelo cantor Cláudio Galeno.  Neste vídeo, ele homenageia WANDO num show que realizou em parceria com o guitarrista Zé Antônio, interpretando a musica "A paz que nasceu pra mim", de Wando e J. Veloso:

GOSTOU DA POSTAGEM? ENTÃO COMENTA!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

BICENTENÁRIO DE CHARLES DICKENS

 

Não é novidade o fato de que a chamada Literatura de Cordel interage com os clássicos da literatura mundial desde o seu florescimento aqui no Brasil. Livros como a Biblia Sagrada, As Mil e uma noites, Carlos Magno e os 12 pares de França, O Martir do Gólgota, O Decamerão (só para citar alguns) têm sido fonte inesgotável de inspiração para os poetas populares. O escritor inglês Charles Dickens é um dos que estão na minha mira para possível adaptação de alguma obra sua para a linguagem do cordel.

Hoje, ao acessar o buscador GOOGLE deparei-me com uma bela homenagem ao bicentenário de nascimento do escritor inglês CHARLES DICKENS, autor de David Cooperfild, A vida de Nosso Senhor e outros clássicos da literatura. Leiam a seguir, a postagem retirada do site do JORNAL DO BRASIL:

Google celebra bicentenário de Charles Dickens

 
O Google celebra, neste terça-feira, o bicentenário do nascimento do romancista Charles Dickens, aclamado como um dos maiores nomes da literatura em todos os tempos. Dickens é autor de clássicos como 'Oliver Twist', 'Um conto de Natal', 'Nicholas Nickleby', 'David Copperfield'e Os 'Cadernos Póstumos do Clube Pickwick'. Uma adaptação cinematográfica de 'Grandes esperanças', outra de suas obras, deve estrear nos cinemas ainda este ano.
Os romances de Dickens foram influenciados por suas primeiras experiências - desde a infância feliz no sudeste da Inglaterra, antes da prisão de seu pai, por não pagamento de dívidas - até a pobreza posterior.
Aos 12 anos, foi obrigado a trabalhar numa fábrica, onde passava o dia colando etiquetas nos potes de graxa. Mais tarde, apesar de ter ido à escola de forma intermitente, Dickens foi contratado como mensageiro, num escritório de advogados.
Ilustração mostra alguns dos personagens do romancista inglês
Ilustração mostra alguns dos personagens do romancista inglês
Claire Tomalin, uma das biógrafas do escritor, acha que na atualidade ninguém pode ser comparado a Dickens. "Era um escritor genial. Depois de Shakespeare, foi o melhor inventor de personagens. Mostrava que as pessoas comuns eram tão interessantes quanto as ricas, famosas e fabulosas", resumiu.
Vários eventos para marcar o aniversário estão programados na Inglaterra. Entre eles uma festa popular na cidade litorânea de Portsmouth (sul do país), onde nasceu o autor.O príncipe Charles, herdeiro da Coroa britânica, e o conhecido ator Ralph Fiennes vão participar de uma cerimônia no túmulo de Dickens, na abadia londrina de Westminster.

VER MAIS no site do JORNAL DO BRASIL

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

GLOBAL LANÇA ANTOLOGIA DE CORDEL

Capa da Antologia do Cordel Brasileiro, lançamento da Global, com ilustrações de Erivaldo

Por Marco Haurélio

Acabo de receber dos amigos Gustavo Tuna (editor) e Guilherme Loureiro (assessor de imprensa), da Global Editora, a boa-nova do mês de fevereiro, no dia de Iemanjá: acaba de ser lançada a Antologia do Cordel Brasileiro, a mais abrangente do gênero, por reunir autores de várias gerações, incluindo a atual, quase sempre esquecida pelos compendiadores. A iniciativa foi possível com o apoio da Editora Luzeiro, dirigida por Gregório Nicoló, detentora dos direitos de oito dos dezesseis títulos que integram a obra. Abaixo parte da apresentação feita para o livro:

 
A literatura de cordel brasileira, desde os fins do século XIX, vem apresentando uma vasta produção com títulos de excepcional qualidade, é um formidável legado do Nordeste à cultura nacional. Não bastassem os grandes autores, os romances consagrados pela predileção popular e o interesse de estudiosos e artistas de outras searas, o romanceiro nordestino surpreende, não pelo que já foi catalogado ou debatido, mas, principalmente, pelo que ainda pode oferecer. É o que prova esta antologia em que o espaço de mais de um século separa o primeiro título selecionado, O soldado jogador, de Leandro Gomes de Barros, do último, As três folhas da serpente, do autor deste introito e organizador do presente florilégio, Marco Haurélio.

 
Prova irrefutável do vigor deste gênero literário, sempre a contrariar as previsões mais pessimistas.Leandro Gomes de Barros (18651918), Silvino Pirauá de Lima (1848 1913), João Martins de Athayde (1880-1959), João Melquíades Ferreira da Silva (1869 1933), José Galdino da Silva Duda (1866 1931) e José Camelo de Melo Resende (1885 1964), pioneiros do cordel nordestino, ainda são lidos e admirados neste século XXI, em que a cultura do descartável, ditada pelos modismos, impõe regra. O folheto de feira chegou mesmo a receber extrema unção por parte de alguns pesquisadores e jornalistas, no início da década de 1980. As perspectivas, na época, realmente não eram boas: escasseavamse os bons autores (romancistas) e toda uma geração de poetas havia envelhecido. Mas o surgimento de uma nova safra de bons valores, que culminou com a criação da editora Tupynanquim, de Fortaleza, trouxe novas luzes, àquele momento, ao entenebrecido horizonte da poesia popular. Alguns destes nomes integram a presente coletânea. São poetas que mantêm um vínculo com a poesia tradicional, ao mesmo tempo em que estão antenados com as novas possibilidades. Esse é o cordel atemporal, sustentado por duas colunas – a tradição e a contemporaneidade.


(...)

 

Títulos e autores que integram a Antologia do Cordel Brasilleiro:

O Soldado jogador, de Leandro Gomes de Barros

História do caçador que foi ao inferno, de José Pacheco

A guerra dos passarinhos, de Manoel D´Almeida Filho

A Sereia do Mar Negro, de Antônio Teodoro dos Santos

Os três irmãos caçadores e o macaco da montanha, de Francisco Sales Arêda

No tempo em que os bichos falavam, de Manoel Pereira Sobrinho

O valente Felisberto e o Reino dos Encantos, de Severino Borges Silva

O feiticeiro do Reino do Monte branco, de Minelvino Francisco Silva

João sem Destino no Reino dos Enforcados, de Antônio Alves da Silva

João Grilo, um presepeiro no palácio, de Pedro Monteiro

O reino da Torre de Ouro, de Rouxinol do Rinaré

O rico preguiçoso e o pobre abestalhado, de Arievaldo Viana

O conde Mendigo E a Princesa orgulhosa, de Evaristo Geraldo da Silva

Pedro Malasartes e o urubu adivinhão, de Klévisson Viana

As três folhas da Serpente, de Marco Haurélio

 
Mais informações: www.globaleditora.com.br

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

SEMINÁRIO DE CORDEL NO CRATO

Seminário do Verso Popular / ACC
CORDEL DE SAIA tem o prazer de DIVULGAR o 3º Seminário do Versos Popular.

Caríssimos Amigos e Amigas,
  1. Como eu havia anunciado em dezembro, vem aí o 3º Seminário do Verso Popular. Trata-se de um evento muito interessante para quem gosta de cultura popular, educação, comunicação, códigos e linguagens, etc.
  2. As inscrições estão abertas, São gratuitas e limitadas.
  3. Quem tiver trabalho para apresentar por favor me avise - estou cuidando desta parte do Seminário.
  4. Até agora confirmaram presença: Biblioteca Nacional (RJ), Academia Brasileira de Literatura de Cordel (RJ), Moreira de Acopiara (SP), Prof. José Mauro (MG), Pedro Costa (PI), Prof. Gildemar Pontes (UFCG), Arievaldo Viana (Fortaleza).
  5. Um abraço.
Willian Brito
Presidente da Academia dos Cordelistas do Crato - ACC
Leia AQUI, toda a programação:
 
FONTE: Blog CORDEL DE SAIA
Maiores esclarecimentos entre em contato com Rosário Lustosa, pelo email:
rosariodocordel@hotmail.com

Mais uma do MANÉ LIMA


OURO NO “TÔCO PRETO”

Há poucos dias fiz uma homenagem ao meu avô Manoel Barbosa Lima por conta da passagem do seu centenário de nascimento, ocorrida no último dia 14/01. Lamentava, no final da crônica, não ter régua e compasso para traçar-lhe o perfil através de uma biografia romanceada. Alguns colegas escritores, de reconhecido talento, me encorajaram nessa tarefa que estou começando a sentir cada vez mais palpável. Falei, em meus escritos, da conduta honesta e irrepreensível do meu “Avôhai” e disse do seu desapego aos bens materiais. Mas esqueci de dizer que o comércio, mesmo prosperando de maneira honesta, deve aproveitar oportunidades, aliando a inteligência e a perspicácia ao trabalho esforçado.

Vovô costumava abominar a inveja e a ganância. “Só quero o que é meu, ganho com o meu próprio esforço”, costumava dizer. E lembrou-me certa vez, um caso presenciado por mim e pouco conhecido da família, de um astuto freguês que lhe pregou uma peça num raro momento em que a ambição lhe veio à mente. Era um velho amigo lá do Saco da Serra, comunidade que fica depois do Serrote dos Três Irmãos (ou seria o nosso bom e querido sanfoneiro Edmundo, o autor da proeza?) Não lembro... Acho mais provável ter sido o ferreiro Antônio Ângelo (todo mundo chamava “Antõe Anjo”), seu amigo dileto, um velho que andava com um vistoso chapéu de Lampião, um patuá de couro a tira-colo e roupa de mescla azul, que era dado a pregar peças e dizer gracejos. Ou talvez, ainda, fosse o velho Mundoca, mas isso não vem ao caso.

Manoel Barbosa Lima, meu avô




O certo é que este camarada chegou à bodega completamente desprovido de numerário e doido para beber. Mas era exigente. Não era qualquer bebida que agradava o seu refinado paladar. Seu objeto de desejo repousava nas últimas prateleiras do canto direito, na parte mais alta, mais escura e empoeirada do estabelecimento. Era uma safra da aguardente Dandiz, produzida e engarrafada, salvo engano, pelo Sr. Ciryno Nogueira, com duas lindas touceiras de cana entraleçadas no rótulo. Tal bebida havia sido engarrafada há mais de vinte anos, no tempo em que as tampinhas de metal eram protegidas por uma boa cortiça, que ao contrário do plástico, retém melhor o aroma e o paladar do precioso líquido. Em alguns casos, o selo de garantia que cobria a tampa se rompera pela ação do tempo (ou das traças). Em outros estava ali ressequido, quebradiço, devido a cola que fora usada para fixá-lo. A tampa, naturalmente, estava tão enferrujada que era possível perfurá-la com um palito de madeira, sem desprendimento de muito esforço. Havia também exemplares da ‘Douradinha’, da ‘Pitu’, da ‘Ypióca’ e até a rara aguardente ‘Itarumã’, todas em estado semelhante.

O freguês, com ar misterioso e valendo-se da velha amizade, ao invés de falar em fiado ou mesmo pedir uma bicada (que o dono do estabelecimento certamente não negaria), disse ao meu avô que desejava lhe falar em particular um assunto muito importante. Ante a sua insistência e seu ar de mistério, vovô o levou para a parte traseira do estabelecimento, que chamávamos de armazém, onde estavam os costais de rapadura, as sacas de café e açúcar empilhadas sobre estrados de madeira e os tambores cheios de querosene marca ‘Jacaré’. O homem, mantendo o clima de suspense, olhou desconfiado em redor e certificando-se de que ninguém os ouvia, perguntou-lhe a queima-roupa:

- Mané Lima, quanto é que vale uma bolinha de ouro mais ou menos deste tamanho? E fez um gesto com os dedos indicando que a tal esfera teria um tamanho talvez um pouco maior que uma dessas moedas de um real que temos atualmente, um limão dos médios, talvez. Era, sem dúvidas uma pequena fortuna.

Vovô, com a curiosidade acesa e talvez um pouco de cobiça lhe disse:

- Por quê, fulano? Você tem uma dessas?

O homem desconversou, tornou-se reticente, não disse que sim, tampouco que não. Voltou para o balcão e ficou lá, com o mesmo ar pensativo e misterioso de antes. Nessa época (acho que 1977) uns homens do Governo, suponho que geólogos, andavam fazendo escavações e pesquisas de campo na ladeira da Esperança, no sopé do serrote dos Três Irmãos e, principalmente, para os lados da Serrinha do Teixeira. A real finalidade dessa investida nunca se soube ao certo, apenas boatos, especulações, e de certeza mesmo o testemunho de que algumas amostras de pedras haviam sido levadas para exame laboratorial. De concreto mesmo restaram apenas alguns piquetes fincados em certos locais com estranhas numerações feitas pelos “mineiros”, que era assim que todos chamavam os tais visitantes. Eram homens arredios, de pouca conversa, que se locomoviam em jipes possantes. Em suma, apareciam e sumiam sem qualquer explicação aos curiosos nativos. Especulava-se que seria uma jazida de ouro ou talvez outro metal valioso que havia na região. Alguém mais esclarecido lembrava que havia suspeitas de um teste nuclear realizado no local na década de cinqüenta, mas esse, certamente, era uma exceção. O Nascimento (brabo), indígena domesticado, irmão do ‘véi’ Pompílio e tio da Evinha, só queria tomar umas e fazer glosas absurdas:



- Me diga quantas léguas ‘daí’

Do Crato pro ‘Cearai’...



O Valdemar Viana, ignorando certamente que a capital nos tempos do Império também era chamada “Siará” retrucou de imediato: - O Crato é no Ceará! O Crato é no Ceará... Nascimento, sem perder o pique de improvisador nato respondeu em cima da bucha:



- É muita mentira sua,

Que você nunca foi ‘lai’.



 Enquanto isso tudo acontecia, o Chico Pavio, que sempre tivera inspiração sebastianista (eu soube disso muito depois), assegurava que eram vassalos de um “prinspe” estrangeiro que viria desencantar o Reino dos Três Irmãos. Geralmente era o diabo da Dandiz que dava asas a tanta imaginação. Mas essa é outra história que deixarei para depois... Eu, com dez anos incompletos, ouvia e remoia aquelas ponderações e, sempre que tinha dúvidas, consultava minha sábia avó Alzira, afeita às leituras e à cultura radiofônica.

Como todo bom comerciante que se preza, Mané Lima sabia desde cedo que ali talvez estivesse uma boa oportunidade de negócio, quem sabe alguma explicação para a visita dos “mineiros” coisa e tal. E aquela conversa estranha do compadre... Bolinha de ouro... Mané Lima sabia também que a bebida é um excelente remédio para fazer a pessoa soltar a língua, desabafar, confidenciar, às vezes, revelar os segredos mais íntimos. Então resolveu apelar:

- Homem, você quer tomar uma bicada?

E foi logo pegando uma garrafa que estava na prateleira mais baixa e ministrando uma dose de “Cinzano” para seu próprio consumo e insinuando que iria colocar uma segunda para o visitante. Antõe Anjo (seria ele?!) protestou que não. Não estava a fim de beber “Cinzano” (esse apreciado vermouth, criado em 1757 pelo italiano Francesco Cinzano, ainda é produzido hoje em dia).

- Quer beber o quê, então?

- Manezin, eu queria uma dose daquela ‘Dandiz’ mais velha, mais antiga e empoeirada que você escondeu naquela prateleira ali em ‘riba’. Disse o sujeito, fitando o local com seu olhar de cobiça.

A cachaça era especial. O vovô só costumava abrir uma garrafa daquelas quando chegava uma visita pra lá de importante, geralmente algum parente muito chegado que morava na Capital ou por outra algum vendedor bacana, representante de alguma firma comercial com quem mantinha relações. Seu Zé Medeiros, que vendia rapadura num “Chevrolet Brasil” apreciava aquele estoque e o Hermes, um vendedor de miudezas da banda do Quixeramobim também gostava bastante. Não era de seu hábito vender para as pessoas da redondeza, sobretudo os que andavam sem dinheiro, pedindo uma bicada nos pés de balcão. Mas vá lá, o caso era diferente, a mutuca da curiosidade já o havia picado e, talvez, a da cobiça também. Todo ser humano tem seus momentos de fraqueza (os de franqueza eram mais freqüentes no meu avô. Então ordenou-me que subisse numa banca onde guardava o dinheiro, me apoiasse na prateleira mais acima e tentasse retirar uma das tais garrafas, tendo ele o cuidado, logicamente, de se postar logo abaixo para segurar-me caso eu fosse mal sucedido na empreitada.

Subi, e apesar da pouca idade que tinha na época consegui resgatar exatamente a garrafa que era o objeto do desejo. Ao lado dela havia outras, também velhas e empoeiradas, mas de safra mais recente. Aquela, certamente, era do final da década de 1950. Os olhos do visitante encheram-se de alegria e vovô ministrou-lhe uma dose caprichada, quase uma terça. O homem cheirou, provou, aprovou e tomou toda de uma vez, sem fazer careta. Bateu o copo no balcão, fez sinceros elogios à bebida e pediu para repetir. Vovô também tomou uma bicadinha pequena, para acompanhá-lo. Passaram-se uns quarenta minutos, uma hora talvez e nenhuma palavra sobre a misteriosa “bolinha de ouro”. Vovô, por discrição e prudência, refreava a curiosidade esperando o homem voltar ao assunto. O compadre, por sua vez, parecia ter esquecido completamente o negócio da bolinha e se esbaldava na Dandiz. Quando percebeu que a garrafa já estava se esvaziando e que era intenção do camarada pedir uma segunda vovô criou coragem e tocou no assunto abertamente, como era do seu feitio:

- Compadre fulano, e aquele assunto que você me falou em particular, de que se trata mesmo? Você tem uma bolinha de ouro para vender?

- Qual o quê, Manezinho, quem me dera... Só perguntei porque sei que você é comerciante, acostumado a pegar em dinheiro e por isso tem base das coisas. Já pensou...? Com essa história que tão espalhando por aí sobre mina de ouro, quem sabe se eu não encontro uma dessas?!

E saiu todo faceiro, de volta pra casa, enquanto meu avô resmungava com seus botões:

- Nosso Senhor tem muito morador fela-da-gaita!

Eis uma das razões pelas quais o Mané Lima tinha verdadeira aversão à cobiça e à mentira. Se contei alguma “cabeluda”, ele que me perdoe. É que a literatura precisa de tais enfeites que o populacho chama vulgarmente de lorota.
ARIEVALDO VIANA LIMA

(Esse texto é um rascunho para o projeto livro"Sertão em desencanto")