domingo, 12 de janeiro de 2020

ENTREVISTA


OS CORDÉIS QUE SUASSUNA UTILIZOU 

NO AUTO DA COMPADECIDA



No último dia 7 de janeiro o caderno VERSO, do Diário do Nordeste, publicou ampla matéria sobre a reprise da série O AUTO DA COMPADECIDA, direção de Guel Arraes, inspirado na obra do mestre Ariano Suassuna. Na ocasião, o repórter Diego Barbosa me entrevistou a respeito dos folhetos de Leandro Gomes de Barros e outros poetas que tiveram influência direta sobre a obra de Suassuna. Confiram a íntegra da entrevista:


1- De que forma uma das principais obras de Ariano Suassuna, “O Auto da Compadecida”, influenciou seu trabalho no posto de cordelista? Houve essa influência?
R – Posso dizer que foi o contrário. Conheci a obra de Leandro Gomes de Barros, a principal referência na obra de Suassuna, uns vinte anos antes de conhecer “O Auto da Compadecida”. Não achei a menor graça naquela adaptação dos “Trapalhões”, porém a do Guel Arraes, para a Rede Globo, foi formidável. Ele valorizou todos os aspectos da cultura popular nordestina, sobretudo da Literatura de Cordel. Eu que já conhecia os textos dos cordéis, enfeixados no livro “Violeiros do Norte”, de Leonardo Mota, publicado em 1926, fiquei encantado com o modo como Suassuna costurou o seu enredo, valendo-se das passagens mais engraçadas e marcantes dos folhetos para criar as ações e os diálogos de seus personagens. Essas estrofes de “O Dinheiro” (Leandro Gomes de Barros, 1909) são emblemáticas e alguns versos foram utilizados na fala do Padre João, personagem vivido pelo grande Rogério Cardoso:

Um inglês tinha um cachorro
De uma grande estimação
Morreu o dito cachorro
E o inglês disse então:
― Mim enterra esse cachorro
Inda que gaste um milhão

Foi ao vigário, lhe disse:
― Morreu cachorra de mim
E urubu do Brasil
Não poderá dar-lhe fim
― Cachorro deixou dinheiro?
Pergunta o Vigário assim...

― Mim quer enterrar cachorra!
Disse o vigário: ― Oh! Inglês!
Você pensa que isto aqui
É o país de vocês?
Disse o inglês: ― Oh! Cachorra
Gasta tudo desta vez

Ele antes de morrer
Um testamento aprontou
Só quatro contos de réis
Para o vigário deixou
Antes de o inglês findar
O vigário suspirou

― Coitado! ― Disse o vigário,
De que morreu esse pobre?
Que animal inteligente!
Que sentimento tão nobre!
Antes de partir do mundo
Fez-me presente do cobre!



Leandro Gomes de Barros, por Jô Oliveira


2- Você escreveu a biografia do Leandro Gomes de Barros, que foi quem escreveu alguns cordéis que inspiram os episódios do Auto da Compadecida. Me explique melhor como aconteceu essa influência de Leandro sobre a escrita do clássico de Suassuna. De fato, houve essa conexão da escrita entre os dois? Que cordéis específicos foram esses?
R – Ariano tinha na figura do seu pai, João Suassuna, ex-governador da Paraíba assassinado após a Revolta de 1930, a sua maior referência. O livro “Violeiros do Norte”, de Leota, é de 1926 e traz uma dedicatória ao pai do dramaturgo paraibano. Pode-se dizer que este livro foi uma das leituras prediletas de Ariano desde a infância, pois fazia parte da biblioteca de seu pai. Na opinião de Bráulio Tavares, autor de ABC de Ariano Suassuna (José Olympio Editora, 2ª edição, p. 25) “a Literatura de Cordel, que Ariano conheceu ainda menino, em Taperoá-PB, viria a ser uma das fontes inspiradoras não apenas de sua obra literária, mas do próprio Movimento Armorial, sua intervenção mais consistente e deliberada na cultura brasileira.” Apesar da tragédia familiar causada pela morte de seu pai e as constantes mudanças que a viúva e os filhos foram forçados, a biblioteca de João Suassuna foi preservada por seu cunhado Manuel Dantas Vilar, tio materno de Ariano e aqueles livros, certamente, constituíam um tesouro na infância e adolescência do futuro escritor. Os folhetos divulgados por Leota e inclusos na trama d’O Auto da Compadecida são: “O Dinheiro” e “O cavalo que defecava dinheiro”, de Leandro Gomes de Barros e “O Castigo da Soberba”, de Silvino Pirauá de Lima. Além destes, podemos incluir também “As proezas de João Grilo”, do poeta pernambucano João Ferreira de Lima.

3- De forma geral, qual a relação do “Auto da Compadecida” com o cordel, de uma forma geral?
R – Sem exageros eu posso afirmar que sem o Cordel essa peça não existiria e, se existisse, não teria tido metade da aceitação que teve por parte do público. Os lances mais engraçados da obra, como o testamento e enterro da cachorra, o animal que defecava moedas de ouro, a gaita mágica que ressuscita defuntos e até mesmo a burla da bexiga cheia de sangue de galinha estão nos folhetos de Leandro, que certamente baseou-se em contos populares, transmitidos oralmente geração após geração. Daí a empatia imediata que o público teve pela obra, ao reconhecer de imediato as velhas matrizes de histórias que faziam parte de sua tradição oral. Convém lembrar que outras obras realizadas a partir do romanceiro popular nordestino também obtiveram grande sucesso. Nessa lista eu incluiria os filmes “O homem que virou suco” (filme brasileiro de 1981 dirigido por João Batista de Andrade e estrelado pelo ator José Dumont)  e “O homem que desafiou o diabo” (filme de 2007, dirigido por Moacyr Góes, baseado na obra As Pelejas de Ojuara do escritor potiguar Nei Leandro de Castro). Citaria também as novelas “Saramandaia”, de 1976, que tinha em sua trilha a canção Pavão Mysteriozo, do cearense Ednardo e outra mais recente, intitulada “Cordel do Fogo Encantado”. O cordel também tem feito muito sucesso nas adaptações para teatro. Em 2006 o “Grupontapé de Teatro”, de Uberlândia-MG, dirigido por Fernando Limoeiro, ganhou um prêmio da Funarte com a adaptação de um dos meus folhetos, “O batizado do gato”, que escrevi e publiquei em 2000 e hoje se encontra na oitava edição.

4- Por que, em sua visão, a série “O Auto da Compadecida” marcou tanto e como você acha que o público a receberá hoje?
R – O Auto da Compadecida é uma das obras-primas da dramaturgia brasileira e a adaptação que Guel Arraes fez para a televisão e o cinema conseguiu reunir um dos melhores elencos da dramaturgia brasileira. Não é todo filme que consegue reunir, numa só tacada, atores como Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Rogério Cardoso, Diogo Vilela, Marco Nanini, Matheus Nashtergaele e Selton Melo num mesmo time, numa produção tão bem cuidada, com cenários tão ricos e trilha sonora tão adequada. Tudo ali é perfeito, ao contrário da adaptação de “A Pedra do Reino”, por Luís Fernando Carvalho, que acabou se tornando, a meu ver, um grande equívoco. Apesar do esforço do diretor e da superprodução, o resultado soou meio hermético, incompreensível para o grande público. Eu, particularmente, gostei bastante, sobretudo pelo lado burlesco e grandiloquente, mas o público comum não está habituado a esse tipo de produção. Na minha opinião, essa versão de O Auto da Compadecida é como as comédias de Charlie Chaplin. É atemporal.


5- Qual legado o programa deixa para a cultura brasileira tendo em vista o reconhecimento dado à regionalidade nordestina?
R – Acho que o cinema brasileiro teria dado largas passadas se tivesse seguido essa fórmula tão bem engendrada pela produção de “O Auto da Compadecida”. Na esteira de seu sucesso, tivemos, pelo menos, dois filmes interessantes: “Lisbela e o Prisioneiro” e o já mencionado “O homem que desafiou o diabo”. Conversando outro dia com o cineasta Rosemberg Cariry ele me confidenciou que seu maior sonho é fazer uma adaptação do Romance do Pavão Misterioso com todos os efeitos especiais que a tecnologia permite hoje em dia. Outro texto formidável, na mesma linha do João Grilo, é A vida de Cancão de Fogo e seu Testamento, de Leandro Gomes de Barros. Outra obra do poeta paraibano que tem todos os elementos adequados para um bom filme é O Cachorro dos Mortos, uma história de suspense, na linha de Edgar Allan Poe, onde três irmãos são mortos barbaramente tendo por única testemunha um cachorro, que consegue escapar a fúria do assassino e acaba sendo a principal testemunha do crime. O grande problema, a meu ver, é que sempre que o cinema e a TV querem utilizar o cordel como fonte de inspiração, não interagem com o devido respeito, não fazem da mesma maneira de quando se trata de uma obra “erudita”. Para eles, todo cordel é coisa de “DOMÍNIO PÚBLICO”, algo sem um criador definido. É preciso ter mais respeito pela chamada CULTURA POPULAR. Se você reparar bem, nem no livro de Suassuna, nem nas adaptações feitas para o cinema e a televisão, aparece o nome de LEANDRO GOMES DE BARROS, o verdadeiro criador dos folhetos e maior responsável pela popularização dessas histórias.

Entrevista concedida à DIEGO BARBOSA - Repórter do Sistema Verdes Mares | Caderno Verso - Diário do Nordeste

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

CENTENÁRIO DO POETA







A Editora ALFAGUARA anuncia o relançamento 

da Obra Completa de João Cabral de Melo Neto


O advento de seu Centenário de nascimento em 2020 fará com que João Cabral de Melo Neto, um dos poetas nordestinos de maior reconhecimento, ganhe uma edição completa de sua obra.  O legado do escritor pernambucano será celebrado em 2020 com livro de entrevistas, fotobiografia e coletâneas.
Nascido em Pernambuco, em 1920, a literatura de cordel ensejou os primeiros contatos de Cabral com as letras. Ainda menino, o escritor lia folhetos e romances para os trabalhadores do engenho do seu pai. Essa vivência com o cordel explica a escolha da redondilha maior (versos de sete sílabas) na elaboração de seu poema mais famoso:



TRECHO DE “VIDA E MORTE SEVERINA”

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;



João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um poeta e diplomata brasileiro. Autor de Morte e Vida Severina, poema dramático que o consagrou. Tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras. Nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 9 de janeiro de 1920.

Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo, João Cabral era irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre. Passou sua infância entre os engenhos da família nas cidades de São Loureço da Mata e Moreno. Estudou no Colégio Marista, no Recife. Amante da leitura, lia tudo o que tinha acesso, no colégio e na casa da avó. Dentre suas leituras prediletas, os folhetos da LITERATURA DE CORDEL.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O CORDEL NA OBRA DE SUASSUNA



OS FOLHETOS QUE INSPIRARAM 
“O AUTO DA COMPADECIDA”

Arievaldo Vianna

Ariano Suassuna sempre admitiu que a principal fonte de inspiração de suas peças teatrais foi a cultura popular nordestina, em especial o nosso romanceiro, também chamado de Literatura de Cordel. O livro que o motivou a beber nessa fonte inesgotável foi “Violeiros do Norte”, do folclorista cearense Leonardo Mota, cuja primeira edição, de 1926, traz uma dedicatória ao pai do dramaturgo, o então governador da Paraíba João Suassuna.
Três dessas histórias estão contidas no livro de Leota: “O dinheiro – O testamento do cachorro”, de Leandro Gomes de Barros, publicado em 1909; “O cavalo que defecava dinheiro”, também de Leandro, “O Castigo da Soberba”, atribuído a Silvino Pirauá de Lima, mas que Leota recolheu da boca do cantador cearense Anselmo Vieira de Sousa (1867 – 1926). Leonardo Mota, após a transcrição do poema, informa que no Cancioneiro do Norte (Tip. Minerva, Fortaleza-CE, 1903), de Rodrigues de Carvalho, foi registrado um poema parecido com o título de “A Peleja da Alma”.
Além dos folhetos citados, convém acrescentar, é claro, o clássico “As proezas de João Grilo”, do pernambucano João Ferreira de Lima, que data do início da década de 1930, numa versão de apenas 8 páginas (intitulada “As palhaçadas de João Grilo”), ampliada posteriormente para 32 páginas pelo poeta Delarme Monteiro da Silva, a pedido do editor João Martins de Athayde.
Embora Mestre Ariano tenha se utilizado de muitos temas populares na elaboração de sua peça mais famosa, estes poemas são as fontes principais.

CONFIRA A NOVA ABERTURA DA MINI-SÉRIE:





CADERNO VERSO TRAZ LONGA MATÉRIA SOBRE A REPRISE DE “O AUTO DA COMPADECIDA”


Imagem da nova abertura, clique para ampliar.



Reportagem de Diego Barbosa

Eis alguns trechos e o link da matéria:

Série “O Auto da Compadecida” é reexibida, 
com forte influência também no Ceará



Reprise acontece 20 anos após a primeira exibição; trabalhos cearenses perpetuam o legado da aclamada produção audiovisual

Selton Mello e Matheus Nachtergaele ficaram marcados na memória do público por darem vida a Chicó e João Grilo

Não parece, mas já se passaram 20 anos desde a primeira exibição da série “O Auto da Compadecida”. De lá para cá, muita coisa no Brasil mudou, seja a configuração política ou a própria maneira de fazer audiovisual, donde a atração deriva.
Mas ainda é bem viva na memória nacional o carisma e humor indefectíveis de João Grilo e Chicó que, feito guias, vão nos conduzindo a uma trama de aventuras e causos no sertão nordestino regada a muitos regionalismos, saberes populares e farta gama de personagens e situações inesquecíveis.

Na pele de João Grilo, Matheus Natchtergaele afirma: 
“Me ensinou a ser feliz na tristeza"

Baseado na peça teatral homônima do poeta, dramaturgo e romancista paraibano Ariano Suassuna (1927-2014), o seriado logo caiu no gosto do público e ganhou uma versão inclusive para o cinema, com 100 minutos a menos do tempo total do programa.
A partir desta terça-feira (7), a audiência mergulha novamente no fabuloso enredo a partir da reexibição da série na TV Globo, após a novela “Amor de Mãe”. Os quatro episódios serão veiculados até sexta (10), totalmente remasterizados, com nova abertura e tendo a identidade visual do céu e inferno repaginadas por computação gráfica.
Em entrevista, Guel Arraes, que assina a direção e roteiro da produção, comenta o caráter singular de uma história que já nasceu clássica, a qual narra as vivências de dois nordestinos pobres que vivem enganando os habitantes de um pequeno vilarejo no sertão da Paraíba para sobreviver.
 “‘O Auto da Compadecida’ oferece beleza, alegria e dramaticidade atemporais. Sempre é tempo de revisitar o povo brasileiro, que é safo e sobrevive quase sem ajuda. Especialmente o nordestino que, apesar de todas as dificuldades, sabe se divertir e tem vocação para ser feliz”.




Filmados em Cabaceiras, no sertão da Paraíba, série e filme utilizaram elementos populares e sacros para contar aventuras

Matheus Nachtergaele que o diga. Intérprete do desnutrido João Grilo, malandro conhecido pela astúcia, ele enumera os aprendizados que reuniu com o personagem.

“Me ensinou a ser feliz na tristeza, a rir nas horas mais perigosas e desgraçadas da vida. Gosto das cenas com Selton Mello porque foi um encontro especial. Precisamos um do outro para que elas acontecessem como aconteceram. Mas me comovo também profundamente na hora do julgamento, em que a Compadecida livra o João Grilo do inferno”, confessa.
Selton, por sua vez, na pele do compulsivo e metido a galanteador Chicó, dimensiona que há uma carreira antes e depois do trabalho.


Na visão de Selton Mello, há uma carreira antes e depois de Chicó

“É o personagem mais popular da minha vida, e olha que já fiz muita novela, um formato que te deixa em evidência por meses”, situa, sublinhando ainda o que representa o retorno do programa.

(...)

CORDEL

A opinião sintoniza-se com a ótica de Arievaldo Viana – embora o cordelista tenha conhecido “O Auto da Compadecida” depois de se aprofundar na trajetória do paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), o qual foi biografado pelo cearense.

“Ele foi a principal referência na obra de Suassuna. Eu, que já conhecia os textos dos cordéis, enfeixados no livro ‘Violeiros do Norte’, de Leonardo Mota (1926), fiquei encantado com o modo como Ariano costurou o enredo, valendo-se das passagens mais engraçadas e marcantes dos folhetos para criar as ações e diálogos dos personagens”.


O Dinheiro - Capa de Marcelo Soares

Alguns versos de “O Dinheiro” – folheto escrito por Leandro, em 1909 – foram utilizados, inclusive, na fala de Padre João, vivido pelo ator Rogério Cardoso na série e cinema.


"― Mim quer enterrar cachorra!
Disse o vigário: ― Oh! Inglês!
Você pensa que isto aqui
É o país de vocês?
Disse o inglês: ― Oh! Cachorra
Gasta tudo desta vez

Ele antes de morrer
Um testamento aprontou
Só quatro contos de réis
Para o vigário deixou
Antes de o inglês findar
O vigário suspirou

― Coitado! ― disse o vigário,
De que morreu esse pobre?
Que animal inteligente!
Que sentimento mais nobre!
Antes de partir do mundo
Fez-me presente do cobre!"

(O Dinheiro, Leandro Gomes de Barros, 1909)


Ilustração de Jô Oliveira para o cordel “O cavalo que defecava dinheiro", de Leandro Gomes de Barros, cujos versos inspiraram Ariano Suassuna

Também partes de “O cavalo que defecava dinheiro” e “O Castigo da Soberba”, este último escrito por Silvino Pirauá de Lima, integraram o roteiro, assim como “As proezas de João Grilo”, do poeta pernambucano João Ferreira de Lima.
Arievaldo considera ainda que o cordel influenciou definitivamente na peça, a ponto de afirmar que, sem essa linguagem, a montagem não existiria ou não teria tido metade da aceitação que obteve por parte do público.




Autor da biografia de Leandro Gomes de Barros, Arievaldo Viana 
dimensiona alcance do Auto nas letras

“Os lances mais engraçados, como o testamento e enterro da cachorra, o animal que defecava moedas de ouro, a gaita mágica que ressuscita defuntos, e até mesmo a burla da bexiga cheia de sangue de galinha, estão nos folhetos de Leandro, que certamente baseou-se em contos populares, transmitidos oralmente geração após geração. Daí a empatia imediata que o público teve pela obra, ao reconhecer de imediato as velhas matrizes de narrativas que faziam parte de sua tradição oral”.


Cena do Gato que descomia dinheiro


LINK para o Caderno VERSO | DN:

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

2020 NAS ASAS DO PAVÃO




Renovei a pintura do PAVÃO 
Pra poder me livrar da BESTA-FERA

Foi um tempo de grandes provações
Este ano de DOIS MIL E DESENOVE
Eu espero que o tempo não renove
O cenário das cruéis desilusões
Foram tantas tragédias e senões,
Desse ano miserável e tão avaro
Que ao tempo apocalíptico eu comparo
E não digam que é apenas u’a quimera
Já soltaram a maldita BESTA-FERA.
O seu nome não direi, está bem claro!


Renovei as multicores do PAVÃO
Para alçar novos voos, em outro plano
Eu prefiro esse voo soberano
Que possui os mistérios do sertão
Lhes desejo, de todo coração
Que o ano vindouro seja bom
Com mudanças e cores noutro tom
Pois ninguém aguenta mais desgraça
Pois enquanto essa BESTA-FERA passa
Vou abrindo a cerveja... Liga o som.



LIVROS PARA 2020


Escritores(as) cearenses recomendam obras com lançamento marcado para 2020

Por Diego Barbosa | Verso DN
Entre os livros, constam narrativas políticas, de realismo fantástico, com foco em mulheres e no formato de cordel


Marco Severo, Vanessa Passos, Julie Oliveira e Arievaldo Viana listam pluralidade de títulos

Mais um ano se avizinha e, com ele, múltiplas oportunidades de imersão na literatura. De maneira a fomentar outros mergulhos em 2020, os escritores Marco Severo, Vanessa Passos, Julie Oliveira e Arievaldo Viana recomendam, a convite do Verso, obras que ainda serão lançadas, abarcando títulos que contemplam desde narrativas envolvendo mulheres até realismo fantástico e cordel.
Trata-se de uma forma de estar sintonizado aos novos olhares sobre o setor alimentados em 2019. Numa breve síntese, o ano que se encerra representou dedicação ao ramo, especialmente considerando o contexto cearense, a partir da realização da XIII Bienal Internacional do Livro do Estado.
Repleto de encontros e presenças marcantes, o evento abraçou novas perspectivas de consumo e abordagens literárias a partir de um panorama mais encorpado de ideias e autores(as), com especial destaque para narrativas feitas por negros(as), pessoas da periferia, indígenas, e outros.
Por aqui, a frequência de lançamento de obras também se avolumou, bem como o alcance da atuação das bibliotecas comunitárias. Além disso, projetos como o Chá de Afetos, capitaneado pela Aliás Editora, puderam fomentar reuniões regadas a bastante união, nas quais histórias emergiram como motor para diálogos e bem-vindas trocas.
Por outro lado, a situação amargou para empreendimentos feito a Livraria Lamarca - um dos recantos mais interessantes e de maior resistência do cenário literário de Fortaleza - e as escolas de arte do Estado continuaram a tratar a área de forma bastante aquém do esperado, dificultando que novos e antigos autores(as) pudessem se lançar no mercado.

ABRANGÊNCIA
Num nível macro, as ações do Governo Federal foram pautadas pelo descaso - vide, por exemplo, a extinção do Ministério da Cultura - e pela censura (ainda é fresca na memória o recolhimento de livros com temática LGBTQI+ na Bienal do Rio), fazendo com que as perspectivas para o setor sejam totalmente desanimadoras.
Mas ainda há o que se comemorar. Mesmo num país com baixos índices de leitura, a estimativa de brasileiros que consomem livros passou de 50% para 56%, conforme a última edição da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", de 2016. Um novo levantamento deve ser feito no próximo ano, oportunidade para analisarmos avanços e deficiências.
Sendo assim, as listas de obras que você verá a seguir representam passos concretos em direção a uma mudança de panorama. Boas leituras!

Marco Severo (Foto: Isanelle Nascimento)


Romance novo de Valter Hugo Mãe (Porto Editora)
Um dos livros que mais aguardo para 2020 é o já anunciado novo romance de Valter Hugo Mãe, que deve sair em janeiro em Portugal e durante o ano aqui no Brasil. Embora o título ainda não tenha sido revelado, o autor já divulgou que este livro se passará no Brasil e terá como fundo temático os nossos índios. Sendo o autor que é, é de se esperar que Valter Hugo Mãe traga ao leitor mais uma obra atemporal e arrebatadora.

“Oração para desaparecer”, de Socorro Acioli (Companhia das Letras)
Socorro Acioli publicará em 2020 seu segundo romance voltado para o público adulto, o que por si só já é motivo de celebração. Ela abraçou o realismo mágico na literatura brasileira em pleno século XXI, fazendo com que o leitor possa experimentar uma nuance literária que foi tão especial para os escritos latino-americanos entre os anos 60 e 80, revitalizada através da narrativa encantatória que Socorro tem. Seguramente é um dos livros para se prestar atenção em 2020.

“Meninos & outros demônios”, de Pedro Salgueiro (Editora Moinhos)
Pedro Salgueiro é um dos nomes mais importantes da literatura feita no Ceará e o seu livro de contos que acaba de ser lançado (e que terá evento de lançamento em 2020) é uma pequena joia a ser lida e apreciada. Este livro perpassa não apenas os caminhos da infância e do que significa crescer no interior, mas os caminhos dos adultos que nos tornamos, dialogando com aquilo que fomos e o que nos tornamos, o que só a boa literatura é capaz de fazer.

Vanessa Passos

“O silêncio daqueles que vencem as guerras”, de Marco Severo (Editora Moinhos)
Marco Severo está entre os destaques da literatura cearense com publicação em editora independente. Com muita maestria, passeia entre as narrativas curtas, conto e crônica. É contundente, denso e merece ser lido, tanto o novo livro, quanto os publicados anteriormente.

“Eu mesma, Também Eu Danço”, de Hannah Arendt (tradução de Daniel Arelli) (Relicário)
As reflexões de Hannah Arendt acerca da condição humana e da banalidade do mal trouxeram grandes contribuições para o pensamento moderno, tanto No âmbito social, quanto político. Aguardo com grande expectativa a publicação do livro Eu mesma, Também Eu Danço, de natureza literária, com os seus 71 poemas.

“Todas as Cartas – Clarice Lispector” (Rocco)
Sempre fui fã de Clarice Lispector, coleciono sua obra inteira. Ter acesso a um livro com a compilação de todas as suas cartas será um privilégio para os pesquisadores da obra e para todos aqueles que, assim como eu, também apreciam sua literatura. É uma oportunidade de se debruçar com mais afinco nas inter-relações de Clarice, nos temas e questões de sua importância.


Julie Oliveira (Foto: Patrick Lima)

“Obra Completa – João Cabral de Melo Neto” (Alfaguara)
Antes do famoso “Morte e Vida Severina” que figurou exaustivamente nos livros didáticos de minha época escolar, eu já havia sido fisgada pela “Pedra do Sono” e seu surrealismo, seu pulsar onírico. Ler a obra completa de João Cabral de Melo Neto é reconectar-se com nossas raízes sem limitar-nos o olhar, é entregar-se as possibilidades antitéticas da vida.

“Antologia Contos Inspirados em Orixás do Candomblé”, de Conceição Evaristo, Marcelino Freire, Fabiana Cozza, entre outros (organização: Marcelo Moutinho) (Editora Malê)
Em 2019 me tornei uma obcecada por antologias, talvez pelo fato de finalmente ter compreendido com profundidade a importância e a força da coletividade literária. Na Bienal do Ceará fui arrebatada pela presença física de Conceição Evaristo, e desde então, tudo que já havia lido dela e sobre ela saltaram do meu peito, como um pássaro a voar. Penso que, esta antologia é certamente uma dessas obras que nos suscita o olhar, não apenas pelo conhecimento valioso, mas pelo lugar de destaque, pela honraria a que são dignos os povos africanos.

“Livro sobre Feminismo e Literatura”, de Juliana de Albuquerque (Editora Âyiné)
Em minha determinação de ler mais mulheres, deparei-me com a jovem e genial Juliana de Albuquerque, que dentre outras coisas é colunista do jornal Folha de S. Paulo e doutoranda na University College Cork, na Irlanda. Desde então, além das leituras de suas colunas, estou atenta e interessadíssima em tudo que ela tem escrito, especialmente por sua escrita precisa que disseca temas que muito me interessam, estabelecendo links entre feminismo e filosofia, por exemplo. Suas reflexões sobre a atuação da mulher contemporânea, bem como, seu vasto olhar sob as contribuições de mulheres históricas, tornam os textos de Juliana sem dúvidas, leitura indispensável a todas as mulheres pesquisadoras e escritoras.


Arievaldo Viana

“Infância/ Ganhando meu pão/Minhas Universidades”, de Maksim Górki (tradução de Rubens Figueiredo (Companhia das Letras)
A Cosac Naify, que encerrou suas atividades editoriais em dezembro de 2015, depois de 20 anos no mercado editorial brasileiro, passou parte de seu catálogo para a Companhia das Letras, mas somente agora, em 2020, algumas dessas obras retornarão ao mercado. É o caso da trilogia de memórias do escritor russo Maksim Górki, que virou raridade no Mercado Livre e Estante Virtual, chegando a custar mais de R$ 800,00! Com a reedição da Companhia das Letras, certamente a teremos com preço mais acessível.

“Era uma vez… em cordel”, de Arievaldo Viana (Editora Globo)
Com um jeito genuinamente brasileiro de apresentar grandes contos e fábulas infantis, a coleção "Era uma vez... em cordel", da Editora Globo, ganha um novo título em 2020, que será o quarto da série. Bebendo na fonte dos Irmãos Grimm, associei-me mais uma vez ao ilustrador Jô Oliveira e pegamos um conto pouco divulgado, porém de grande poder narrativo: A Serpente Branca.
Os títulos anteriores são “A peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau”, “O coelho e o jabuti” e “João Bocó e o Ganso de Ouro”, este último selecionado pelo MEC através do PNLD.

Biografia Euclides da Cunha, de Luís Cláudio Villafañe G. Santos (Todavia)
O escritor Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, ganhará uma nova biografia em 2020. O diplomata Luís Cláudio Villafañe G. Santos, autor de um livro sobre a vida do barão do Rio Branco, pela Companhia das Letras, fechou um contrato com a Todavia para uma biografia do escritor. Segundo o autor, as novidades virão do arquivo do Ministério das Relações Exteriores. Em seu livro, Santos aborda a relação de Euclides com o Itamaraty e com o Barão, além de revisar a documentação já conhecida.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

TALENTO NORDESTINO:


Aluno de escola pública leva ouro na Olimpíada de Língua Portuguesa com cordel


Professor e aluno durante premiação | Arquivo Pessoal

O dia-a-dia da pequena Bom Jesus, cidade distante cerca de 45 quilômetros de Natal (RN), foi a principal inspiração do poeta mirim Davi Lima, de 11 anos, para escrever o cordel que ganhou medalha de ouro na final da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa, neste mês, em São Paulo.
O garoto foi o único representante potiguar a alcançar o ouro, entre todas as categorias. O tema central era o local de origem de cada participante. Ele foi uma das onze crianças que estudam na Escola Estadual Natália Fonseca. Davi foi o vencedor na instituição, no município, no estado e, por fim, chegou à semi-final e final, realizadas na região Sudeste.

O principal incentivador foi o professor João Soares Lopes, que falou da competição para os alunos e incentivou a participação deles.

Apesar do incentivo da escola, a participação da família também foi fundamental na formação do garoto. Desde os quatro anos de idade, Davi sobe aos palcos junto com o pai, o poeta Jadson Lima, para recitar poesia de cordel. A escrita veio depois, com seis ou sete anos, segundo ele mesmo conta. O jovem faz parte de um grupo de poetas mirins que quer preservar a cultura no interior do estado.

A poesia foi escrita no estilo "galope à beira-mar", que contém estrofe de dez versos de onze sílabas. Apesar da tradição familiar, que remete ainda a um tio-avô e ao seu bisavô, o menino garante que não faz poesia por obrigação. O pai, Jadson Lima, corrobora.

Nos dez de galope lá no meu lugar (Davi Lima)

Lá por detrás das árvores, vinha o sol
Iluminando a rua de minha casa
O astro esplendido quente feito brasa
Levantava no céu feito um farol
E o belo cantar de um rouxinol
Que eu acordei só pra escutar
E por alegria começou a cantar
Na caveira do boi ele fez o seu ninho
Comida trazia pro seu filhotinho
Nos dez de galope lá no meu lugar.

Vendo o sol nascer, botei uma veste
E tive a ideia de escrever em rima
E muito prazer eu sou Davi Lima
Sou de Bom Jesus, daqui do nordeste
Também sou poeta, Antônio é meu mestre
O poeta que sempre me faz inspirar
Com muita alegria eu vou retratar
O amor que tenho pelo meu sertão
E vou escrevendo com muita emoção
Meu lugar que amo, e sempre vou amar.

Perto de Natal, capital do estado
Se chama Bom Jesus, ô nome bonito
E por Frei Damião esse nome foi dito
De um povo ordeiro e bastante educado
Se fores pra lá ficarás encantado
Alegria nas rimas sempre irei botar
E na nossa feira comecei andar
Falei com os feirantes com grande harmonia
E vou caminhando com muita alegria
Essa que é a feira lá do meu lugar.

Saindo da feira eu fui lentamente
E para igreja agora estava indo
Olhei para mesma, alegre, sorrindo
E meus versos fluindo da alma, da mente
Com muito cansaço sentei no chão quente
Olhando a igreja comecei orar
Pedindo para Deus me abençoar
E sob o sol ardente segui minha jornada
Com Deus me guiando nessa caminhada
É a fé que me guia nesse meu lugar.

A água corria por baixo da ponte
E a brisa fria batia em meu rosto
De felicidade fiquei inteiro posto
Que de alegria aquilo era a fonte
Eu olhei atento para o horizonte
Vi que o sol estava pronto pra deitar
E na água fria eu fui me banhar
Olhei pro arrebol com concentração
Minha Bom Jesus é a inspiração
Deu fazer galope lá no meu lugar.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

ADEUS A MESTRE DILA



Cordelista e xilógrafo Mestre Dila morre aos 82 anos em Caruaru


José Soares da Silva, mais conhecido como Mestre Dila, era patrimônio vivo de Pernambuco e um dos maiores nomes da xilogravura no estado. O artista morreu vítima de pneumonia.
Por G1 Caruaru



Mestre Dila — Foto: Divulgação/ Ricardo Moura

Morreu na noite da quarta-feira (18) o cordelista e xilógrafo José Soares da Silva, mais conhecido como Mestre Dila, em Caruaru, no Agreste. O artista de 82 anos era patrimônio vivo de Pernambuco e um dos maiores nomes da xilogravura no estado.

Mestre Dila estava internado há uma semana no Hospital Mestre Vitalino. A causa da morte do xilógrafo foi uma pneumonia. O artista viveu e trabalhou por muitos anos na Capital do Agreste e exerceu outras profissões como agricultor, gráfico e tipógrafo.

Dos 82 anos de vida, em 50 deles Mestre Dila se dedicou à xilogravura. Ele é um dos homenageados do desfile do Galo da Madrugada, no Recife, durante o Carnaval 2020. O artista deixa cinco filhos e 11 netos. O velório do Mestre será realizado no Cemitério Dom Bosco, em Caruaru, e o enterro está marcado para 16h.


Corpo de Mestre Dila é velado no Cemitério Dom Bosco, em Caruaru — Foto: Anderson Melo/TV Asa Branca

Por meio de nota, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, lamentou a morte de Mestre Dila e contou que recebeu a notícia com "bastante tristeza" e agradeceu pelos mais de 50 anos dedicados à cultura caruaruense. "Somos gratos pela sua contribuição. Minha solidariedade a todos os amigos e familiares por esta grande perda", disse.

A Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC) exaltou a figura do Mestre Dila, ressaltando que ele "foi um dos maiores xilogravuristas pernambucanos, deixando um legado inesquecível para a Cultura Popular Nordestina".

Sobre Mestre Dila

Agricultor, gráfico e tipógrafo foram as profissões exercidas por José Soares da Silva em Caruaru antes de se tornar o cordelista e xilógrafo Mestre Dila. Ele trabalhou com cordel e xilogravura durante 50 anos. Há nove, sofreu um acidente vascular cerebral.

Dila passou a ter dificuldades em realizar algumas atividades sozinho depois do AVC. Para ele, andar e falar tornaram-se ações difíceis de realizar. Mas, entre poucas palavras que conseguia pronunciar, ele revelou em entrevista ao G1: "Me orgulho de ter feito mais de 200 cordéis".

Na década de 50, Dila tinha uma gráfica na própria casa. No local, ele produzia os próprios cordéis e xilogravuras. "Na época em que meu pai trabalhava ativamente com cordéis, o cordel era o jornal 'da matutada'. Era por meio dele que as pessoas ficavam sabendo dos acontecimentos diários", lembra Valdez Soares. "Hoje temos a televisão e a internet como meio de comunicação, mas o cordel tem papel fundamental na nossa história e cultura", disse o representante comercial Valdez Soares, filho de Mestre Dila.



'O sonho de um romeiro com o padre Cícero Romão', de Mestre Dila — Foto: Joalline Nascimento/ G1

A obra mais vendida de Dila foi "O Sonho de um romeiro com o padre Cícero Romão", de acordo com o filho do artista. "Este cordel conta a história de um romeiro que estava viajando para o Juazeiro [do Norte] e adormeceu à sombra de uma árvore. No local, ele acabou sonhando com o padre Cícero profetizando os anos vindouros. A história foi toda do imaginário do meu pai", explicou Valdez.

Foi em Caruaru que Dila constituiu família. Morou no município por mais de 60 anos e foi casado por mais de 50 com Valdecila Soares, que morreu há três anos. O casal teve seis filhos, mas nenhum herdou o talento do pai. "Desenvolver esta arte foi um dom dele. O engraçado é que nenhum dos filhos herdou o talento da xilogravura. No cordel, sou o único que ainda tenta fazer alguma coisa. Mas nunca como ele", afirmou Valdez.

Patrimônio Vivo


Mestre Dila ganhou o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2002. O filho dele, Valdez Soares, contou que o pai não gostava muito do título, nem de ser chamado de "mestre". "Ele sempre disse: 'Mestre, só Deus, meu filho'. Meu pai é um homem muito religioso", revelou. A Lei de Patrimônio Vivo reconhece o trabalho dos mestres, mestras e grupos do estado. A Lei prevê a concessão de bolsas vitalícias como incentivo pela realização e perpetuação das atividades artísticas.

FONTE: https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2019/12/19/cordelista-e-xilografo-mestre-dila-morre-aos-82-anos-em-caruaru.ghtml