terça-feira, 24 de julho de 2018

FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO



ATENÇÃO! DIA 18 DE AGOSTO, SÁBADO
Na III FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO



Novo livro de ARIEVALDO VIANNA - "No tempo da lamparina - Memórias de um menino sertanejo"

Café Luiz Gonzaga


17h – Lançamento do livro “No Tempo da Lamparina - II Volume de Memórias de um Menino Sertanejo” de Arievaldo Vianna com participação especial do multiartista Gereba Barreto (Salvador/BA)


Palco Leandro Gomes de Barros

18h – Show e lançamento do CD “Marcus Lucenna, na Corte do Rei Luiz” com Marcus Lucenna (Rio de Janeiro/RJ) – Participação especial de Tarcísio Sardinha (Fortaleza/CE) e Adelson Viana (Fortaleza/CE)





FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO CHEGA À TERCEIRA EDIÇÃO NA CAIXA CULTURAL FORTALEZA DE 16 A 19 DE AGOSTO


 Sob a curadoria do cordelista e editor Klévisson Viana, o evento reúne a nata da Literatura do Cordel e expoentes da autêntica Cultura Popular Brasileira


De 16 a 19 de agosto de 2018 a CAIXA Cultural Fortaleza abre espaço para a III Feira do Cordel Brasileiro, na qual cordelistas, pesquisadores, xilogravadores, músicos, repentistas violeiros, emboladores, declamadores, escritores e folheteiros de várias partes do País terão um encontro marcado com todos os públicos interessados pela autêntica cultura brasileira. Com programação 100% gratuita, a feira reúne vários dos principais agentes criativos do gênero.

Serão quatro dias dedicados ao gênero literário do cordel e às artes que com ele têm afinidades. Este ano o evento homenageia dois grandes vultos da cultura nordestina: Luiz Gonzaga - Rei do Baião e o pioneiro do cordel e inspirador de “O Auto da Compadecida”, Leandro Gomes de Barros. Idealizado pelo cordelista, escritor, ilustrador e editor cearense Klévisson Viana, com realização pela AESTROFE – Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará, a Feira do Cordel Brasileiro tem a cada edição encantado um número maior de pessoas.

A III Feira do Cordel Brasileiro traz o mais expressivo dessas linguagens e oferta vasta programação de qualidade e livre a todos os públicos. Vale conferir, trazer familiares, parceiros e amigos para se deixarem encantar pelas artes populares e fazer um passeio imaginário nas asas do pavão misterioso - do clássico em cordel de José Camelo de Melo Rezende ou no tapete mágico em formato de cordel do nosso cartaz, que retrata, numa mistura do Nordeste com as Mil e Uma Noites, um Aladim sertanejo na xilogravura elaborada pelo artista Eduardo Macedo, uma das revelações do cordel e da gravura popular nos últimos anos.




AMPLA PROGRAMAÇÃO EM QUATRO DIAS
Entre as atrações, o músico-cordelista Beto Brito (parceiro de Zé Ramalho e de Robertinho do Recife); o cantor, compositor, arranjador, letrista e violonista do antigo Grupo Bendegó, Gereba Barreto, e o cordelista e forrozeiro Marcus Lucena, o 'Cantador dos 4 Cantos' que acompanhado por Tarcísio Sardinha e Adelson Viana apresenta o seu mais recente trabalho. Mais uma vez, a presença do icônico cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule, que vem lançar o seu novo livro “Orixás em cordel”, em parceria com Klévisson Viana.
Ainda nos destaques das muitas atrações, os excelentes repentistas Zé Viola, Geraldo Amâncio Pereira e Guilherme Nobre, além do grupo folclórico Coco do Iguape; os cordelistas Chico Pedrosa, Vinícius Gregório, Thyelle Dias, Tiago Monteiro, Paola Torres, Olegário Alfredo, Julie Ane Oliveira, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Valdecy Alves, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Paiva Neves, Stélio Torquato, Rafael Brito, Arievaldo Vianna e Eduardo Macedo, cordelista e xilogravurista criador da imagem que ilustra essa edição da Feira do Cordel Brasileiro. Dentre os pesquisadores, a Feira recebe os brasileiros Rosilene Melo, Marco Haurélio, Bráulio Tavares e o português António de Abreu Freire.
Uma grande novidade será a palestra “Imagens da Ficção Científica no Cordel” com Bráulio Tavares. Conhecido pesquisador dessas duas formas literárias, Bráulio usará folhetos clássicos e contemporâneos para mostrar como cordelistas brasileiros versam sobre o tema, exibindo folhetos que abordam a viagem interplanetária, robôs-transformers, alienígenas, seres mutantes, entre outros elementos que explicitam a identificação entre as duas “literaturas da imaginação”.
Além dos shows, recitais e palestras, a Feira promove lançamentos literários, como também a exposição de obras raras e a venda de folhetos de cordel, livros, camisetas e CDs referenciais.

Oficina:
Também estarão abertas aos interessados a participação nas oficinas de xilogravura e de cordel, cujas inscrições vão de 07 a 15 de agosto de 2018, por meio dos emails encenaproducoes@gmail.com e aestrofe@gmail.com ou pelo telefone (85) 3023-3064. Cada oficina terá limite de 20 vagas.

* Mais informações também na página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/IIIFeiradoCordelBrasileiro 



MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA
O Ceará se perpetua como o maior pólo produtor de Literatura de Cordel desde os longínquos tempos da Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, posteriormente rebatizada de Lira Nordestina. A partir da década de 1990, essa produção se acentuou na capital do Estado, sobretudo após surgirem associações de poetas, trovadores e folheteiros, tais como o Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste (CECORDEL), a Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE), entre outras, além da consolidada casa editorial Tupynanquim Editora e da Cordelaria Flor da Serra.

Apesar do linguajar simples e informal, a literatura de cordel é, hoje, revista como importante manifestação literária, pois é compreendida como uma das nossas primeiras manifestações poéticas em língua portuguesa, tendo origem na produção oral trovadoresca. Neste sentido, a literatura de cordel é cada vez mais aceita e estudada pelas academias, e já possui a Academia Brasileira de Cordel, fundada em 07 de setembro de 1988 com sede no Rio de Janeiro.

A III Feira do Cordel Brasileiro, de 16 a 19 de agosto de 2018 na CAIXA Cultural Fortaleza, é uma iniciativa da AESTROFE (Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará) com patrocínio da CAIXA Econômica Federal e do Governo Federal, junto ao apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e da Premius Editora..


Programação:
Teatro
14h – Solenidade de abertura com a presença dos mestres do cordel e da cantoria | Apresentação “A Saga de um vaqueiro” - Escola José Antão de Alencar Neto (Pio IX/PI)
15h – Mesa “Literatura Popular, na escola, tem lugar” com o pesquisador Arievaldo Viana (Caucaia/CE) e os professores Stélio Torquato (Fortaleza/CE) e Paiva Neves (Fortaleza/CE) – Mediação: Professor Carlos Dantas(Fortaleza/CE)

Café Luiz Gonzaga
17h – Lançamento do livro no “Tempo que os bichos estudavam” de Paulo de Tarso, o poeta de Tauá (Fortaleza/CE)

Palco Leandro Gomes de Barros
17h30 – Recital com Raul Poeta (Juazeiro do Norte/CE), Rafael Brito(Fortaleza/CE) e Pedro Paulo Paulino (Canindé/CE)
18h10 – Show interativo de voz e violão “Cante lá que eu toco cá” com o Mestre Gereba Barreto (Salvador/BA)           
19h10 – Cantoria com o Mestre Geraldo Amâncio Pereira (Fortaleza/CE) e Guilherme Nobre (Fortaleza/CE).
20h – Recital com o mestre Chico Pedrosa (Olinda/PE)
20h30 – Show com o rabequeiro e cordelista Beto Brito e Banda (João Pessoa /PB)

DIA 17 de Agosto (Sexta-feira)

Sala de Ensaio
14h – Oficina de xilogravura com os mestres João Pedro de Juazeiro (Fortaleza/CE) e Francorli (Juazeiro do Norte/CE)

Teatro
15h – Aula-espetáculo “Imagens da Ficção Científica no Cordel” com o escritor, compositor e estudioso Braulio Tavares (Rio de Janeiro/RJ)

Café Luiz Gonzaga
16h20 – Lançamento dos livros “Rapunzel em Cordel” e “A onça com o bode” de Sergio Magalhães e Kátia Castelo Branco (CE)

Palco Leandro Gomes de Barros
17h – Recital com os poetas Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE), Julie Oliveira (Fortaleza/CE), Lucarocas (Fortaleza/CE), Antônio Marcos Bandeira (Fortaleza/CE) e Ivonete Morais (Fortaleza/CE)

Café Luiz Gonzaga
18h – Lançamento do livro em cordel “Andei por Aí - Narrativas de uma Médica em Busca da Medicina (2ª edição - revista e ampliada)”, de Paola Tôrres (Fortaleza/CE) 

Palco Leandro Gomes de Barros
18h20 – Apresentação musical de Paola Tôrres (Fortaleza/CE)   
19h – Recital com o mestre Chico Pedrosa (Olinda/PE) e Rafael Brito (Fortaleza/CE), com participação especial do cordelista Beto Brito (João Pessoa/PB)

Café Luiz Gonzaga
20h – Lançamento do livro “Orixás em Cordel”, do Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA) e de Klévisson Viana (Fortaleza/CE)
20h20 – “Chulas, Sambas e Licutixos” com o mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)

Dia 18 de agosto (Sábado)
Sala de Ensaio
14 – Oficina de cordel com Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE)
Teatro
15 – Mesa “Cordel – Memória e Contemporaneidade” com a pesquisadora do IPHAN Rosilene Melo (São Paulo/SP), o cineasta Rosemberg Cariri (Fortaleza/CE) e o advogado, documentarista e cordelista Valdecy Alves (Senador Pompeu/CE) e o jornalista Alberto Perdigão. Mediação: Cordelista Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)

Café Luiz Gonzaga
17h – Lançamento do livro “No Tempo da Lamparina” de Arievaldo Viana (Caucaia/CE) com participação especial do multiartista Gereba Barreto (Salvador/BA)




Palco Leandro Gomes de Barros
17h40 – Recital com o garotinho Moisés Marinho (Mossoró – RN)
18h – Show e lançamento do CD “Marcus Lucenna, na Corte do Rei Luiz” com Marcus Lucenna (Rio de Janeiro/RJ) – Participação especial de Tarcísio Sardinha (Fortaleza/CE) e Adelson Viana (Fortaleza/CE)

Café Luiz Gonzaga
19h – Lançamento do livro “Poesia em gotas diárias” de autoria de Padre Tula (Edições Karuá)

Palco Leandro Gomes de Barros
19h30 – Declamação com o mestre Chico Pedrosa (Olinda/PE)
20h – Cantoria com Zé Maria de Fortaleza e Tião Simpatia.
20h40 – Apresentação com os Mestres Bule-Bule e Gereba Barreto
DIA 19 (Domingo)
Teatro
14h – Mesa “Cordel Brasil-Portugal: o fio que nos conecta” com os pesquisadores Marco Haurélio (São Paulo/SP) e António de Abreu Freire (Portugal). Mediação: Professor Oswald Barroso (Fortaleza/CE)
Café Luiz Gonzaga
16h –  Lançamento dos cordéis “As histórias das plantas”, “Padagogia do oprimido” de Francisco Paiva Neves (Fortaleza/CE) e do “Amor no tempo de chumbo” por Nando Poeta (Natal/RN)
Palco Leandro Gomes de Barros
16h30 – Recital da despedida com Raul Poeta, Evaristo Geraldo da Silva, Leila Freitas, Arievaldo Viana, Bule-Bule, Lucarocas e Chico Pedrosa
17h30 – Canções de viola com o mestre Zé Viola (Teresina/ PI)
Pátio externo
18h30 – Coco do Iguape (Iguape/CE)

EXPOSITORES:

  1. ABLC (Rio de Janeiro/RJ)
  2. AESTROFE (Fortaleza/CE)
  3. Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
  4. Beto Brito (João Pessoa/PB)
  5. CECORDEL (Fortaleza/CE)
  6. Chico Pedrosa (Olinda/PE)
  7. Cordelaria Flor da Serra (Fortaleza/CE)
  8. Edições Patabego (Tauá/CE)
  9. Editora Coqueiro (Olinda/PE)
  10. Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)
  11. Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE)
  12. Francisco Melchiades (Fortaleza/CE)
  13. Francorli (Juazeiro do Norte/CE)
  14. Geraldo Amâncio (Fortaleza/CE)
  15. Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
  16. Instituto Roda da Vida (Fortaleza/SP)
  17. João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE)
  18. Jotabê (Fortaleza/CE)
  19. Leila Freitas (Acopiara/CE)
  20. Lucarocas (Fortaleza/CE)
  21. Nando Poeta (Natal/RN)
  22. Nonato Araújo/ Ivonete Morais (Fortaleza/CE)
  23. Olegário Alfredo (Belo Horizonte/MG)
  24. Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE)
  25. Valentina Monteiro (Campina Grande/PB)
  26. Tupynanquim Editora (Fortaleza/CE)


Serviço:
III FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema

Data: De 16 a 19 de agosto de 2018
Horários: Quinta a sábado: 14 às 21h | Domingo: 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre

GRATUITO
Paraciclo disponível no pátio interno

Atendimento à imprensa:
Helena Félix – 
(085) 99993-4920 / pontualcomunicacao@gmail.com
Kiko Bloc-Boris – 
(085) 98892-1195 / kikobb@gmail.com
Isabelle Vieira - (85) 98871.4139 / vieira.aisabelle@gmail.com 

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE):
Camilla Lima – (85) 98642-3336| camilla.jornalismo@gmail.com
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quinta-feira, 19 de julho de 2018

XILOGRAVURA x "INFOGRAVURA"



Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel

Li hoje uma notícia sobre o livro Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel, lançado pela Graciliano Ramos Editora (Imprensa Oficial de Alagoas) e escrito por Manuel Diegues Junior. Nesta obra, o autor faz uma análise dos temas mais comuns na literatura de cordel nordestina e de como esses temas são abordados por cada poeta.
A capa foi elaborada pelo artista gráfico Daniel Holgrefe, que informa o seguinte em sua página: “Fui convidado para ilustrar a capa e não dava pra fugir do tema cordel, então me baseei nas capas feitas em xilogravura de mestres como J. Borges e criei alguns personagens e ambientes. Queria mesmo era fazer uma xilogravura, na madeira e tal, mas o prazo às vezes não deixa né…” O design ficou por conta do Michel Rios.
Realmente esse desenho imitando a xilogravura, que eu costumo chamar de “infogravura”, tem ganhado muito espaço em várias publicações e outras mídias visuais, inclusive comerciais e abertura de programas de TV, mas nada como a gravura impressa a partir de uma boa matriz de madeira, já que o resultado é bem mais original. (A.V.)

PARA SABER MAIS:
Link: https://danielhogrefe.wordpress.com/2012/12/09/ciclos-tematicos-na-literatura-de-cordel/




segunda-feira, 2 de julho de 2018

LUTO




Morre jornalista e escritor Orlando Tejo
Paraibano, natural de Campina Grande, Tejo é autor do livro "Zé Limeira: o poeta do absurdo"


O jornalista, advogado, ensaísta e poeta, Orlando Tejo, autor do famoso livro “Zé Limeira: o poeta do Absurdo” faleceu neste domingo (01/07). Aos 83 anos, natural de Campina Grande, na Paraíba, ele é autor do livro Zé Limeira, Poeta do Absurdo, editado no início dos anos 80, que conta a história do cordelista, cantador bom de viola, mais mitológico do Brasil.

Tejo testemunhou ainda jovem muitos dos desafios do qual Limeira participou. Chegou a registrar algumas gravações de voz, que não existem mais. O que conseguiu memorizar colocou no papel e editou o livro. Na obra, ele relata como conheceu Zé Limeira, em 1940, e conta alguns causos, entre eles a história de que o governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães, promovera no palácio um encontro de repentistas com a participação de Zé Limeira. Muitos acham que Zé Limeira não existiu, que era uma lenda criada por Orlando Tejo.

O governador Paulo Câmara, por meio de sua assessoria de Comunicação, lamentou a morte do jornalista e escritor Orlando Tejo. "Quero apresentar meus sinceros sentimentos de pesar pela morte do jornalista, ensaísta e poeta Orlando Tejo. Sua longa produção intelectual expressa a importância para a cultura de Pernambuco e do Nordeste, especialmente por sua obra seminal "Zé Limeira – Poeta do Absurdo". Minha solidariedade ao seus familiares, amigos e admiradores".

Fonte: DIÁRIO DE PERNAMBUCO http://www.diariodepernambuco.com.br

A partir de um mote sugerido pelo poeta Kydelmir Dantas, fizemos essas duas estrofes:

Segundo a filosomia
Do livro de Alan Kardec
Orlando Tejo foi beque
Na seleção da Turquia
E me disse um certo dia
Que cantou com Xeleléu
Andando de déu em déu
Leu a manchete primeira:
“ORLANDO TEJO E LIMEIRA
DOIS ABSURDOS NO CÉU”

Orlando Tejo brigou
Com uma cobra na mata
Depois mordeu a batata
Foi assim que escapou
Zé Limeira ainda atirou
No meio desse escarcéu
Depois que baixou o véu
Foi que viu a bagaceira
ORLANDO TEJO E LIMEIRA
DOIS ABSURDOS NO CÉU.

(Arievaldo Vianna)


terça-feira, 26 de junho de 2018

RESENHA




No Tempo da Lamparina

(Arievaldo Viana em busca do tempo vivido)

Recebi com o atraso costumeiro dos correios algumas semanas atrás o livro No Tempo da Lamparina, do grande amigo Arievaldo Viana, o segundo de uma trilogia sobre suas memórias de infância, que se iniciou com o Sertão em Desencanto. E melhor forma não poderia ter escolhido o poeta para marcar a passagem do seu cinqüentenário que a produção dessa trilogia, que a julgar pelos dois primeiros volumes, já nos põe a esperar ansiosos pelo terceiro tomo.
Escacaviando os caminhos das lembranças em busca do tempo vivido, tendo a luz da Lamparina como guia, nas brenhas mais remotas da memória, o novo livro de Arievaldo Viana nos apresenta o reino encantado do sertão de sua infância. Sertão saudoso, quase em extinção das ‘mulher séria e dos homem trabalhador’ do cantar inconfundível de Luiz Gonzaga; além disso o memorialista relata seu processo de formação como leitor de cordéis, os causos de sua família, a sua difícil e dolorida migração para Fortaleza quando ainda adolescente viria a encontrar o vasto mundo. E por fim, elenca os perfis de poetas populares que construíram seu imaginário como: Lucas Evangelista, Gonzaga Vieira, Alberto Porfírio e outros. Fazendo com isso do livro No Tempo da Lamparina um retrato profundo do gosto de vida no sertão do Nordeste brasileiro nas décadas de 70, 80 e 90 no final do século XX.
Na prosa do escritor assim como nos seus cordéis aprecio a clareza da linguagem e a fluidez dos textos, e é claro, aprecio o senso de humor, à moda dos cearenses, sempre associado à inteligência e refinado. Com esse trabalho Arievaldo Viana firma-se de modo definitivo como um grande memorialista do panteão sagrado de nossas letras alencarinas, ao lado de Gustavo Barroso, de quem, diga-se de passagem, é leitor contumaz.

Bruno Paulino - Escritor

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sertão Lamparina



O ELEMENTO FICCIONAL NO LIVRO 
“NO TEMPO DA LAMPARINA”, 
DE ARIEVALDO VIANNA

                 Maércio Siqueira

Quando nós, simpatizantes da análise textual e da crítica literária, nos pomos a ler um livro, procuramos nele algo como originalidade, unidade, universalidade, estilo, e principalmente a criatividade, ou invenção, que devem estar presentes principalmente nas obras com clara finalidade literária. Não é a  forma mais espontânea de se ler, é bem verdade, mas trata-se de uma leitura que expõe os valores estéticos de uma produção ou a ausência de tais valores, quando deveriam existir. Ao primeiro lance de vista, não poderíamos abordar por esse prisma o livro de Arievaldo Vianna, “No tempo da Lamparina”, recentemente lançado, uma vez que, embora sejam crônicas, estas visam à narração de eventos reais, acontecidos. Porém um olhar mais atento dessa obra vai trazendo à luz o elemento ficcional, senão exatamente como invenção de eventos, pelo menos no estilo, bastante rico, vibrátil e inteligente.

Arievaldo não se limita à narração dos fatos. São crônicas e não reportagens. Seleciona cenas, episódios, estabelece uma ordem, por importância de afeto, no quadro vivo da reminiscência. Mesmo quando esteve mais preso a datas e sequências cronológicas, como no livro anterior “O Sertão em Desencanto”, essa mesma ternura da linguagem se fez presente. O fato é que o nosso autor sabe temperar as frases, torná-las saborosas, como no seguinte exemplo: “A missiva envelopada tinha caráter de coisa séria e eu entrei em pânico. A carta do cabra velho dizia mais ou menos o seguinte(...)” (página 47). Daqui se deduz o cuidado com a língua, a busca de expressividade, a não vulgarização do idioma. Também aí se apimenta o episódio, cria uma expectativa no leitor, e isso não diz respeito ao fato em si narrado, mas já é uma característica do narrador, arrumando o caso, tornando-o mais interessante, “enfeitando”, como ele próprio diz, arte que aprendeu com parentes próximos.  No capítulo II, intitulado “Quando me entendi por gente”, essa preferência pela invenção, pelo “enfeite”, é confessada através de alguns episódios. Para ilustrar nossa abordagem, vale a seguinte passagem, referindo-se à descoberta, pelo mais velhos de sua família, de sua forma exagerada de contar as coisas, quando criança:

“Lá se ia eu remendar a história e contar como realmente acontecera: insossa, desenxabida, medíocre e sem graça. Por que não me deixaram exercitar as artes de ‘literato’, como faziam livremente o Raimundo Viana e o Gabriel? Até o João da Graça, empregado do meu avô, podia contar suas meias verdades impunemente, a céu aberto” (p. 58)

Temos razão em acreditar que essa consciência literária não era apenas uma mania ou traço de sua personalidade infantil. O adulto e escritor, podemos ver isso a todo instante em seus textos, está sempre procurando desviar-se da sensaboria da expressão comum. Os fatos, reais, ocorridos, são contados com arte, com delicadeza, revestidos dos comentários mais interessantes. Sua prosa está cheia de referências literárias e culturais, regionais, pessoais e universais. Como as coisas podem ser vistas de maneira crua, sem sabor, se o sujeito que olha tem um universo na cabeça, de lembranças, de leituras as mais variadas e eruditas? E, além disso, um bem educado senso de humor?

Não se trata, portanto de um livro de puro registro. Não notamos no autor aquela ansiedade de falar de si mesmo. Deseja nos mostrar um mundo, do qual ele fez parte e do qual agora é um porta-voz. Mas esse mundo não existe mais; para que tenhamos ideia dele, precisa ser contado, ou recontado, não em um realismo fotográfico, mas pela afetividade da palavra. E assim como a lamparina emprestava o efeito alucinatório de suas chamas às cenas que realmente aconteciam, o nosso autor empresta essa chama tremulante e vívida, para darmos uma olhada naqueles tempos idos.

Por isso, considero “No tempo da Lamparina”, bem como “O Sertão em Desencanto”, trabalho de arte literária, e que devem ser vistos como tais.

Deve ser lembrado que esse livro faz parte de um interessante projeto, sendo o segundo livro de uma desejada trilogia. O autor vem sendo bem-sucedido nas duas obras já realizadas. Quando estiver completa, então entenderemos a totalidade do que Arievaldo tem em mente. Veremos o que ele terá criado. Deus conceda a Arievaldo todas as condições para que escritor valoroso venha a concluir um plano tão importante no palco das letras cearenses.




Casa de taipa - xilogravura de Maércio Siqueira

Ao pé do rádio - Xilo de Maércio Siqueira



AGRADECIMENTO A MAÉRCIO SIQUEIRA
E uma ligeira divagação sobre a sua arte como xilógrafo e escritor

Mais uma vez fico deveras comovido com a sua generosidade, não apenas com relação a acolhida ao meu trabalho (de escritor provinciano e longe dos holofotes midiáticos) mas, sobretudo, pelo fato de comentá-lo com muita propriedade e acerto. Alguns episódios desse livro "No tempo da lamparina - II volume de memórias de um menino sertanejo" são esboços de um romance embrionário que venho engendrando há alguns anos, sem coragem (e tempo) de arregaçar as mangas para trazê-lo à lume... Algo nascido no tempo do velho candeeiro sertanejo talvez fique ofuscado diante dos modernos holofotes cosmopolitas. Entretanto, a frase de Tolstoi continua me encorajando, aquela que afirma que a melhor maneira de sermos universais é falarmos de nossa aldeia. A persistência de Luiz Gonzaga em cantar os ritmos e costumes do povo nordestino sofreu os piores preconceitos, as maiores afrontas e entraves nas suas primeiras tentativas. Mas o tempo, a quem se atribui o título de Senhor da Razão, se encarregou de provar que o menino de Exu - filho adotivo do Crato (o Cratinho de açúcar, coração do Cariri), como ele, carinhosamente, se referia, estava certo!

Quem se abeira das veredas de seu chão nativo, e se abebera das fontes sertanejas, pisa na folha seca e não chia. Bebe nas cacimbas sagradas da cultura popular e rejuvenesce a cada nesga de lembrança que consegue resgatar das entranhas do cérebro ou das conversas com pessoas que estão sintonizadas com esse universo. É exatamente isso que você consegue com a sua poesia, com a sua prosa e, sobretudo, com as suas xilogravuras, tão ricas de detalhes e simbologia, tão comprometidas com esse chão sagrado em que nascemos e onde temos a graça de habitar. Até mesmo quando você reproduz uma cena bíblica, como a fuga da Sagrada Família para o Egito, eu consigo vislumbrar claramente as expressões nordestinas de um José Sertanejo, cambiteiro dos antigos engenhos de cana do Cariri cearense; de uma Maria dona-de-casa, acostumada a lavar roupa na Pedra da Batateira e outras nascentes da região e de um Menino Jesus amamentado com leite de cabra e mingau de araruta, com seus cueiros cheirando a sabão de oiticica e alfazema.

É a perfeita simbiose de Gustave Doré com Mestre Noza! O estilo impecável dos grandes gravadores europeus misturando-se com o traço inconfundível de Stênio Diniz, Damásio Paulo, Antônio Relojoeiro e Walderedo Gonçalves. Naturalmente que você tem o seu próprio estilo e não seria exagero afirmar que você já se projetou como um dos mestres da gravura do Cariri em matéria de estilo e rebuscamento, tornando-se um mestre no ofício que abraçou.

Do Maércio poeta e prosador eu não me aventuro a traçar um perfil, embora já tenha saboreado alguns de seus escritos. É que não tenho a pretensão de ser crítico literário, porém, como leitor, asseguro que gostei, aprovei e recomendo. É uma escrita que tem o mesmo sabor de uma rapadura batida ou de um arroz temperado com piqui.


Arievaldo Vianna

quarta-feira, 13 de junho de 2018

MEMÓRIAS DA LAMPARINA


Arievaldo Vianna

O SERTÃO DA NOSSA INFÂNCIA

Texto de Sérgio Araújo sobre o livro 'No tempo da lamparina'




Através do olhar encantado do então menino Arievaldo Viana, o sertão do tempo da lamparina ressurge com toda a sua magia - cheiros, cores, sons e imagens parecem ressoar no silêncio de nossas almas, com um encanto único. Arievaldo, como hábil escritor, soube captar nuances de um tempo em que nossa cultura era pura como água de chuva, daquelas do fim de tarde, no sertão, em que os grossos pingos batem no telhado com tanta força que parece que vão quebrar as telhas. E o cheiro que se seguia? Apesar dos carões dos mais velhos, fazíamos toda a questão do mundo de sorver aquele aroma com toda nossa alma.
Esse é o No Tempo da Lamparina, uma viagem feita no lombo do jumento, calçado com chinela de couro ou de pneu. Pros que viveram esse tempo, é um gostoso reencontro com “aquele cheiro meu”, como na música do Luiz Gonzaga, em que ele retorna pra casa e, numa madrugada dessas do sertão, reencontra seu pai no abrir da tramela de uma janela.
O dragão chamado progresso, com seus asfaltos, sua televisão e seu aculturamento encarregou-se de levar tudo isso pra longe, mas especialmente para quem teve o prazer de saborear algo desse velho tempo, não há nada mais gostoso do que reviver tudo aquilo, ainda que seja por meio da auto-hipnose a que deliciosamente nos submetemos ao ler essa obra ímpar.
Obrigado, Arievaldo, obrigado, por ter abraçado sua arte com tanto amor. Os frutos desse amor estão cativando muitos corações por aí afora. E o meu certamente é um deles.



Sérgio Luiz Araújo Silva

segunda-feira, 11 de junho de 2018

RESENHA

O POETA E EDITOR POTIGUAR GUSTAVO LUZ AVALIA O LIVRO 

NO TEMPO DA LAMPARINA

Quem nasceu, ou por alguns momentos de sua infância, passou férias no sertão, encontrará no mais novo livro do poeta e escritor Arievaldo Vianna, as chaves para muitas dúvidas de seus costumes e gostos que por algum momento você não sabe de onde veio.
Em No tempo da lamparina, Ari, para os mais próximos, esmiúça sua infância de menino da roça, para chegar a uma conclusão cabível pelo seu amor à cultura e a literatura popular. As estórias de trancoso que escutava da velha Bastiana e sua neta Rita Maria, fez com que os impressos em folhetos parecessem verdadeiros ou, pelo menos, plausíveis, como escreveu no inicio de conversa.
Escutar estórias de almas penadas, botijas, encantamentos em pleno sertão sem eletricidade, alumiado nas noites pelas lamparinas, com sua luz bruxuleante, criando imagens imaginarias de bichos nas paredes de taipa, e acompanhado das leituras dos folhetos de sua avó Alzira, guardados na mala em cima do caixão de farinha, fez com que o poeta, caminhando em cima dos lajedos, em baixo das velhas oiticicas, já criasse seu mundo de estórias e imaginações. De onde, num futuro próximo, extraiu bagagem suficiente para escrever seus romances e seus versos rimados cheios de fantasias e humor.
Arievaldo nasceu poeta e contador de histórias, sempre bem humorado, foi na casa de sua infância onde encontrou a munição que precisava para o enriquecimento de sua memória. A prova disso está no seu O TEMPO DA LAMPARINA, livro, para a nova geração ficar informada que nem sempre o sertão foi um local de pessoas alienadas e sem matrizes culturais.
Permeado com as músicas que lhe acompanhou durante sua vida, Arievaldo consegue fazer um pequeno relado do papel que teve a música nordestina, na formação do individuo que procura a sabedoria, como um remédio para momentos difíceis de nossa existência.
No sertão do tempo da lamparina, sabia-se a hora de plantar, de colher e de armazenar. Sabia-se o que era educativo, e mesmo sem estudos, os mais velhos tinham visão de vida e de futuro. E foi assim com Arievaldo Vianna, onde seus pais, logo procuraram escola para os filhos, porque sabiam que a educação andava de mãos dadas com o bem-estar. E foi na cidade onde ele tornou-se escritor e poeta.
Essa parte não contarei, lendo as 270 paginas do volume, você saberá como o poeta conseguiu ser um dos melhores cordelistas do Brasil. Boa leitura!
Gustavo Luz - Poeta e Editor