sábado, 23 de março de 2019

UMA DATA MEMORÁVEL





Meus pais, Evaldo Lima e Hathane Vianna


OS 70 ANOS DE MAMÃE

Não gostaria de começar esse texto com uma frase óbvia, dizendo que a data de hoje – 23 de março de 2019 —, é um dia muito especial, mas não há outra maneira. Há 70 anos nascia Hathane Maria Vianna, na fazenda  Cacimbinha, propriedade de seu avô materno Olympio Vianna, que todos da família chamavam ‘Pai Vianna’, velho austero, inteligente, verdadeiro exemplo dos sertanejos de fibra que o Nordeste de hoje já não produz. Filha de Miguel de Assis Vianna (Caboclo Vianna) e Áurea de Sousa Vianna, ele nascido a 13 de dezembro de 1913, ela a 14 de julho de 1912.


Áurea e Caboclo Vianna, pais de Hathane


Mamãe tem um nome bastante raro no Brasil — HATHANE. Nome escolhido por seu avô, Olympio Vianna, que era muito dado a leituras. Ficou órfã de mãe aos 9 anos de idade e passou a viver na casa de parentes, em Maracanaú, onde permaneceu até os 15 anos. Aos 16 conheceu meu pai e depois de um rápido namoro, casaram-se no dia 8 de dezembro de 1966, dia em que se celebravam os 30 anos de casamento dos meus avós paternos Manoel Barbosa Lima e Alzira Vianna de Sousa Lima.

Os filhos foram nascendo logo em seguida, todos homens, e ela, muito jovem, participava das nossas brincadeiras como se fosse uma criança. A sua única filha é temporã... a Vandinha nasceu em 1985, quase vinte anos depois do seu casamento. Ela banhava todos nós de uma vez, em cima de uma grande pedra que havia no terreiro de casa. Despejava cuias d'água na cabeça de cada um e depois mandava a gente se escorrer. Que eu me lembre, não havia toalha. A gente tinha que se secar ao sabor do sol e do vento.

Muito habilidosa, mamãe é também muito inventiva. Em matéria de costura é mestra no ofício e na cozinha também cria suas próprias receitas, sempre variadas e apetitosas. Acredito que o dom da poesia, que floresceu em mim e no mano Klévisson Vianna é herança do lado paterno, desde o bisavô Fitico, passando por minha avó Alzira e meu pai, Francisco Evaldo de Sousa Lima. Já os pendores para o desenho e outras artes visuais seguramente herdamos de nossa mãe. Mamãe foi sempre muito carinhosa comigo e incentivava minhas incursões pelo desenho e outras artes. Era muito habilidosa como costureira e aproveitava retalhos de suas costuras para fazer colchas, tapetes e até lençóis. Eu gostava de brincar ao pé de sua máquina de costura, ouvindo o rádio Semp, que era nossa principal fonte de lazer e informação. Na sala havia também uma escrivaninha de meu pai, com uma gaveta repleta de livros e folhetos. Ali eu me sentava sempre para ler ou desenhar, sendo imitado posteriormente por meu irmão caçula, Klévisson Viana.

Uma das recordações mais marcantes que tenho dos nossos primeiros dias em Canindé era o cuidado extremado de minha mãe para que não atravessássemos a pista, como medo que fossemos atropelados. Escrevi, com tinta guache, numa das paredes: 5º  Distrito Policial... Realmente era uma prisão, sobretudo para mim, que passara o ano anterior solto na buraqueira, lá no Maracanaú. Vivíamos então enclausurados e quando a porta estava aberta saíamos correndo sem olhar para nada, ouvindo muitas vezes a freada brusca dos veículos bem nos pés da gente. Escapamos todos pela graça e a infinita misericórdia de Deus, só pode. A vizinhança se comprazia em trazer as más notícias. Dona Betiza, uma velha gorda e muito vermelha, chegava soprando e dizendo aos gritos:

— Chega, Tiana! Acode aqui, teu menino quase foi atropelado! Escapou fedendo!

Além da queda, o coice. Não bastasse o susto do quase atropelamento ainda levávamos boas chineladas e carões quilométricos de mamãe.

Aos domingos ela arrumava todos, e íamos para a missa na Basílica. Não era bem pela devoção e sim pela vontade de sair que fazíamos aquele passeio com grande alegria. Na volta assistíamos ao programa televisivo dos “Trapalhões” na casa do meu tio José Oswaldo. Naquele tempo não tínhamos aparelho de TV. Durante a semana éramos “televizinhos” na janela da casa do José Elias, pai do atual prefeito de Canindé, Celso Crisóstomo, nosso parente pelo ramo Sousa-Paulino (da Vila Campos). Na missa, mamãe ficava disputando os primeiros bancos da igreja com  umas velhotas beatas e de vez em quando nos cutucava para mangar de alguém. Sempre teve um senso de humor muito apurado.


Mamãe e seu padrinho tio Luiz Vianna


Depois de alguns meses nesse regime de reclusão, nosso alvará de soltura veio no período do verão de 1980, com a aproximação dos festejos de São Francisco. Todos nós tínhamos aptidão para o comércio e fomos trabalhar como camelôs, uns vendendo balas e doces, outros com bijuterias e artigos religiosos. Percorríamos os hotéis e pousadas do Alto do Custódio, Rua João Pinto Damasceno e até a distante Rua da Palha, onde ficava o Abrigo dos Romeiros. Foi um tempo bom, em que aprendemos muito da cultura popular e dos costumes do povo nordestino de outros estados. Para ser sincero, tenho uma boa recordação daqueles tempos difíceis, mas felizes.
Portanto, nessa data tão especial, quero brindar minha mãe com um singelo soneto de minha lavra:



UM SONETO PARA MAMÃE

Como uma abelha rainha na colmeia
Vejo a faina de minha mãe querida
Com seu carinho adoça o mel da vida
Sem cobrar os aplausos da plateia

Como a Virgem Maria, a Santa Hebreia
Dá conforto e segurança, dá guarida,
Mas se enxerga a sua prole perseguida
Vira uma loba e defende a alcatéia.

Não é Santa, dessas santas de igreja
Mas à ela digo os versos da Peleja
De Gustavo com Maria Roxinha

Nesse mundo de vileza e de pecado
Dentre as mães eu só tenho encontrado
Sem defeitos, a de Cristo e a minha.

Canindé, 23 de março de 2019.




HOJE SOU EU QUEM DIZ: - DEUS TE ABENÇOE, MINHA MÃE!







quinta-feira, 21 de março de 2019

UM SONHO COLETIVO



Xilogravura: ERIVALDO

OPERAÇÃO PAVÃO MISTERIOSO
AUTOR: MARCUS LUCENNA

EU VOU CONTAR A HISTÓRIA
DO PAVÃO MISTERIOSO
QUE DECOLOU DE UM CORDEL
NUMA ESTÓRIA DE TRANCOSO
PARA NUM SONHO DE UM BARDO
O CANTADOR EDNARDO
CUMPRIR DESTINO EXITOSO


O PAVÃO MISTERIOSO
DEU NOME À OPERAÇÃO
CUMPRIDA POR UM COMANDO
COM UMA HONROSA MISSÃO
RESGATAR URGENTEMENTE
UM LÍDER, UM BOM PRESIDENTE
DA CELA DE UMA PRISÃO


ELE FORA CONDENADO
SEM PROVAS,  INJUSTAMENTE,
E ERA MANTIDO PRESO
EMBORA FOSSE INOCENTE
E PARA SER LIBERTADO
TINHA QUE SER RESGATADO
NUMA   AÇÃO INTELIGENTE


SEUS PIORES INIMIGOS
PARA CHEGAREM AO PODER
MENTIRAM, TRAPACEARAM
TIVERAM QUE LHE PRENDER
E TENDO AO PODER CHEGADO
QUERIAM VÊ-LO TRANCADO
ATÉ O DIA DE MORRER


SEM PODER SE DEFENDER
SÓ RESTOU UMA SOLUÇÃO
SER RETIRADO DE LÁ
DE DENTRO DESSA PRISÃO
OS QUE NELE ACREDITAVAM
UMA   FORMA  IMAGINAVAM
DE CUMPRIR ESSA MISSÃO


MAS NINGUÉM CONTAVA NÃO
PARA ELE O PLANEJADO
SABENDO-SE  INOCENTE
APESAR DE APRISIONADO
ELE QUERIA PROVAR
SUA INOCÊNCIA E MOSTRAR
SER DIGNO, HONESTO E HONRADO


MAS DIANTE DESSE ESTADO
DA MAIS COMPLETA EXCEÇÃO
ELE JAMAIS PROVARIA
A INOCÊNCIA EM QUESTÃO
POIS PARA LHE CONDENAR
SÓ PRECISARAM TROCAR
PRÊMIOS BONS,  POR DELAÇÃO


UNS COVARDES APONTARAM
P’RA ELE  COM DEDOS SUJOS
UNS MAIS COVARDES  JULGARAM
 E CONDENARAM,  ESSES CUJOS
NUM LAMAÇAL CHAFURDARAM
SERVINDO AOS QUE LHES USARAM
IGUAIS CACHORROS SABUJOS

  
AGIRAM COMO OS MARUJOS
QUE QUISERAM ELIMINAR
O COMANDANTE COLOMBO
QUE ESTANDO A NAVEGAR
NO RUMO DE UM MUNDO NOVO
FOI VISTO COMO UM ESTORVO
QUISERAM LHE ASSASSINAR

NO SONHO DO EDNARDO
UM COMANDO ORIGINAL
FORMADO  POR BEM TREINADOS
FILHOS DO POVO EM GERAL
LEVARAM A CABO A MISSÃO
DE RETIRAR DA PRISÃO
ESSE LÍDER ESPECIAL

NO PAVÃO MISTERIOSO
BELO PÁSSARO  DE METAL
UM PODEROSO HELICÓPTERO
EMBARCA ESSE PESSOAL
ENQUANTO UMA MULTIDÃO
FAZ UMA MANIFESTAÇÃO
COMO NUNCA VIU-SE IGUAL


ESTOU SOMENTE A NARRAR
O SONHO DE UM GRANDE ARTISTA
PORÉM QUEM TEM CONSCIÊNCIA
TEM ESSE PONTO DE VISTA
NOSSO MELHOR PRESIDENTE
É PRESA DE INCONSEQUENTE
PERSEGUIÇÃO ARRIVISTA


HOMENS, MULHERES,  MENINOS
FIRMES, NÃO TINHAM SENÕES
BRADAVAM: JUSTIÇA URGENTE!
DIZENDO EM MANTRAS,  REFRÕES
NOSSO LÍDER É INOCENTE
QUEREMOS  ELE SOMENTE
PRESO EM NOSSOS CORAÇÕES


O PAVÃO MISTERIOSO
PAIROU POR SOBRE A PRISÃO
OS GUARDAS NÃO REAGIRAM
PARADOS NA EMOÇÃO
DE VER  TANTA GENTE UNIDA
P’RA MENTIRA SER RENDIDA
MESMO COM ARMAS NA MÃO


DO HELICÓPTERO DESCERAM
COM A TÉCNICA DO RAPEL
UNS HOMENS E UMA MULHER
ELA CUMPRIA O PAPEL
DE TIRAR O PRESIDENTE
ALI DAQUELE AMBIENTE
MISTO DE CELA E QUARTEL


ELA SE CHAMAVA CREUZA
ERA LINDA E SENSUAL
MAS LUTANDO ERA UMA FERA
NO MUNDO NÃO TINHA IGUAL
NO TIRO, FACÃO , PERNADA
A MOÇA ERA ENDIABRADA
EM TODA ARTE MARCIAL


MAS NEM PRECISOU USAR
SEUS DOTES NA OCASIÃO
OS GUARDAS  COLABORARAM
GUIARAM ELA AO  SALÃO
ONDE ESTAVA APENADO
O LÍDER INJUSTIÇADO
ALVO DA SUA MISSÃO


ELA DISSE: “PRESIDENTE
 VIM AQUI LHE RESGATAR
EU VOU LEVÁ-LO COMIGO
O SENHOR VAI DESCANSAR
DEIXAR DE CORRER PERIGO
ACABAR  ESSE CASTIGO
QUE NÃO MERECES PAGAR”


ELE RESPONDEU: “NÃO DÁ
NÃO PENSO EM FUGIR ASSIM
VOU SAIR INOCENTADO
LIMPO, TIMTIM,  POR TINTIM
PROVANDO QUE SOU HONRADO
QUERO MEU POVO AO MEU LADO
PRONTO P’RA  VOTAR EM MIM”.


ELA RETRUCOU: “ MEU LÍDER
VEM COMIGO, VAI POR MIM
NÃO ESPERE POR JUSTIÇA
VINDO DESSA CORJA RUIM
PRESIDENTE,  ESSA MUNDIÇA
QUE ESSA BESTA FERA ATIÇA
SÓ QUER  VER O VOSSO  FIM”


OS GUARDAS GRITARAM  ASSIM
PRESIDENTE VÁ S’IMBORA
NÓS FACILITAMOS TUDO
TEM MUITA GENTE LÁ FORA
UMA MULTIDÃO VIBRANDO
CANTANDO, RINDO E  CHORANDO
NA EMOÇÃO DESSA HORA.


“DESCULPE MEU PRESIDENTE
MESMO QUE O SENHOR NÃO QUEIRA
EU VOU LEVAR O SENHOR
ELA TIROU DA ALGIBEIRA
UM SPRAY, NELE APLICOU
O PRESIDENTE INALOU
E CAIU NUMA SONEIRA.


JUNTANDO-SE AOS COMPANHEIROS
DAQUELA OUSADA MISSÃO
LEVARAM ELE DORMINDO
DALÍ DAQUELE SALÃO
PARA O PAVÃO VOADOR
QUE GIRANDO SEU ROTOR
VOOU PARA A AMPLIDÃO.


FORAM EMBORA P’RA BEM LONGE
PARA UM PAÍS BEM LEGAL
PODEROSO E RESPEITADO
O TERRAL LAND OU TERRAL
FICANDO  ALÍ  EXILADO
PARA UM DIA SER JULGADO
NUMA CORTE IMPARCIAL.


EDNARDO ACORDOU
DESSE SONHO INUSITADO
E POSTOU NO FACEBOOK
TUDO QUE TINHA SONHADO
EU QUE SEMPRE VIVO ATENTO
VERSEI NO MESMO MOMENTO
ESSE CORDEL INSPIRADO


L UCENNA É UMA LUZ QUE ANDA
U M LUME NA ESCURIDÃO
C OM O LUME  DESSA LUZ
E NCHE DE LUZ A AMPLIDÃO
N A BUSCA PARA ENCONTRAR
N ALGUMA ESTRELA A BRILHAR
A LUZ DA INSPIRAÇÃO.



Biografia


Marcus Lucenna (foto: Arievaldo)


Marcus Lucenna
O CANTADOR DOS QU4TRO CANTOS

Cantor, compositor, poeta e músico por profissão, Marcus Lucenna é conhecido como “O Cantador dos Qu4tro Cantos” pela  sua trajetória no ramo artístico e andanças pelo Brasil. Marcada pelo ecletismo, sua jornada musical passa pelo pé-de-serra e segue pelo brega, cantoria de viola, tango, rumba, lambada, chorinho e tudo mais que representa a alma do povo brasileiro e latino-americano.

Natural da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, adquiriu gosto pela música por influência do pai, que, além de radialista, era poeta, repentista e cordelista. E também do seu “heroivô”, como costuma chamar seu avô, com quem ouviu, em um showmício na cidade natal, em 1968, “Asa Branca” pela primeira vez. A música vinha diretamente da voz daquele que viria ser a sua principal inspiração: Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião.

CHEGADA AO RIO – Em 1977, aos 16 anos, desembarcou no Rio de Janeiro com o sonho de fazer carreira na vida artística. Além de Luiz Gonzaga, sua inspiração vinha dos cantadores-repentistas, dos emboladores de coco, dos cordelistas e de nomes como Jackson do Pandeiro, Raul Seixas, Belchior, Fagner, Ednardo, no Brasil, e Bob Dylan, Charles Aznavour e Jaques Brel, no exterior.

Começou cantando no calçadão de Copacabana, onde com seu carisma e qualidade musical encantou cariocas e turistas. Ali conheceu gente influente do meio musical e da sociedade carioca. Entre eles, os atores e cantores Mário Lago e Zezé Mota, Zé do Norte – o autor de “Mulher Rendeira”, trilha do filme O Cangaceiro, premiado em Cannes – e Jaguar, editor dO Pasquim, jornal que lhe prestou os primeiros louros da carreira.

PRODUÇÃO FONOGRÁFICA – O primeiro LP (Cantolínia Psicordélica) veio em 1989, pela Polygram, uma das maiores gravadoras do mundo à época. O álbum foi gravado na companhia de grande artistas da MPB, como Joca de Natal, Zé Américo e Severo do Acordeon. O disco foi o pontapé inicial para uma produção fonográfica que envolve 4 vinis e 11 CDs.

PARCERIAS – Embora se considere um artista um tanto solitário, acumula na carreira diversas parcerias importantes. Musicou letras ou teve poemas musicados por nomes como Luiz Vieira, Mirabô, Capinam, Mario Lago Filho, Maria Rio Branco, Vicente Telles, Zé Lima, Roque da Paraíba, Edson Show, Chico Pessoa  e Zé do Norte.

No mais recente CD, Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz, que será lançado dia 18 de agosto, contou com a companhia do poeta-cantador Maciel Melo, autor do grande sucesso Caboclo Sonhador, que Lucenna acrescentou ao disco; do maestro Adelson Viana, considerado sucessor de Dominguinhos; Marcelo Mimoso, que interpretou Luiz Gonzaga no teatro; e Chambinho do Acordeon, que viveu o Rei do Baião no cinema. As vozes de Neidinha Rocha, integrante da Orquestra Sanfônica do Rio, e do cantor, compositor, radialista, produtor cultural e coordenador do Forum Forró de Raiz RJ, Jadiel Guerra, também podem ser ouvidas no novo álbum.

Muitos desses artistas já dividiram palco com Marcus Lucenna, assim como fizeram músicos como Fagner, Elba Ramalho, Ednardo, Geraldo Azevedo e Tânia Alves.

Mas além da trajetória musical, Marcus Lucenna se destaca pelo engajamento em ações que valorizam e dão visibilidade ao seu ofício – a música e a poesia – e a cultura popular.


NA MÍDIA – No rádio, dirigiu e apresentou os primeiros programas regulares de forró em horário nobre no Rio, em emissoras como Imprensa FM e Tropical FM. Também esteve à frente dos programa “Nação Nordeste”, na Rádio Viva Rio, do Sistema Globo, e “Marcus Lucenna – a Voz do Povo”, na Rádio Carioca AM. Na TV, dirigiu, produziu e apresentou  “Marcus Lucenna De Repente”, programa da NGT (canal 17 da NET). E em jornal, assinou a coluna “Canto do Povo Nordestino”, do Povo do Rio, e fundou o “Nação Nordeste”. Também esteve “do outro lado do balcão”, como entrevistado e artista convidado em importantes programas televisivos, como Jô Soares e Domingão do Faustão, da TV Globo.


Novo CD de Marcus Lucenna - Na Corte do Rei Luiz.


FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO – Idealizador de projetos de valorização da cultura popular e em defesa das causas do migrante nordestino, ocupou por 6 anos o cargo de gestor do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a famosa feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Não só impediu que a Feira fosse retirada do bairro por força da especulação imobiliária, como liderou o movimento que a levou para dentro do Pavilhão de São Cristóvão, onde está localizada até hoje.

Amante das letras, principalmente das manifestações literárias nordestinas, Marcus Lucenna ocupa a cadeira número 7 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Morador do bairro do Flamengo, no Rio, foi condecorado com os títulos de Cidadão Fluminense, pela Assembléia Legislativa, e Cidadão Carioca, pela Câmara de Vereadores.

Aos 59 anos, é pai de cinco filhos, avô de quatro netos e um súdito fiel do Rei Luiz Gonzaga, levando seu legado artístico e de vida aos qu4tro cantos do país.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Suplemento MARACAJÁ | O POVO

Cordel APRENDEU ANDAR DE MOTO, MAS NÃO SABIA PARAR. De Arievaldo Vianna e Jota Batista, no jornal O POVO DE HOJE, SUPLEMENTO MARACAJÁ:




sábado, 16 de março de 2019

JÔ OLIVEIRA PELO MUNDO AFORA

Exposição 
"O Mundo Brasileiro de Jô Oliveira"
De 09 a 26 de abril


Exposição do artista brasileiro é destaque na imprensa búlgara


Galeria "SEZONI" - Sófia, Bulgária




JÔ OLIVEIRA, UM ILUSTRADOR DO BRASIL

Por: Rui de Oliveira


Para traçar algum perfil, mesmo que de forma sucinta, da obra do ilustrador Jô Oliveira, temos que antes situá-lo culturalmente, bem como entender um pouco as peculiaridades da formação histórica, social e cultural do Brasil. Isto se faz necessário, sendo realmente uma premissa básica diante do profundo envolvimento do artista com as questões da cultura popular da região do nordeste brasileiro, matriz principal e conteúdo básico de sua obra.

O Brasil, diferente de outros países latino-americanos, foi colonizado pelos portugueses, do qual herdamos a sua cultura, e o belo e rico idioma português. Outro fato decisivo para se entender o imaginário do brasileiro, e na esteira disso compreendermos melhor a obra do Jô, é que, também diferente dos outros países do continente, nós tivemos uma longa monarquia. Primeiramente como colônia de Portugal e, a partir de 1822, com a independência nos tornamos um Reino autônomo. A seguir, tivemos dois Reinados que se estenderam até 1889, quando foi então proclamada a República.

A longa presença da monarquia no Brasil, e não há espaço aqui para citar suas consequências no universo político e cultural, deixou, por conseguinte, um legado principalmente nas raízes da cultura popular. Os imaginários monárquico, barroco e medievalista são muito presentes até hoje nas tradições populares. Apesar de o Brasil não ter tido Idade Média, este fantasioso medievo brasileiro marca a sua presença na música, na literatura, na pintura, e nos folguedos do povo, principalmente no nordeste do Brasil. Que é, como acima foi dito, uma das principais fontes da obra de Jô Oliveira.

Em toda a sua obra, desde o tempo de sua formação acadêmica, tanto no Brasil, quanto na Hungria, subjazem em suas ilustrações, cartazes e selos um amplo entendimento do que seja a multicultural realidade brasileira. Isto se explica na obra do Jô, pelo fato de os seus objetivos artísticos não ficarem unicamente restritos à cultura nordestina, por exemplo. Diversos de seus livros documentam o interesse em expressar, de forma abrangente, a cultura, a alma do povo brasileiro por meio de um grafismo baseado em fontes afro-brasileiras, indígenas e ibéricas.

Tive o privilégio de acompanhar de perto todo este seu longo trajeto. As origens culturais que sedimentam o seu trabalho começam pelos estudos feitos pelo artista dos ícones bizantinos, dos retratos de Fayum e pela gravura popular russa, o Lubok. A gravura popular alemã e mexicana também tiveram grande influência em seu trabalho. Todo este amálgama resultou num trabalho essencialmente brasileiro, mas profundamente universal. O seu processo de criação transcende, em muito, os limites do folclórico, muito menos dos aspectos de uma arte naife.

Lembro que em certa ocasião — e narro pela primeira vez este fato que elucida e nos faz entender melhor a sua obra — eu estava com ele viajando pela Bulgária, quando éramos jovens estudantes em Budapeste, e, em determinado momento, caminhando por Sófia, nos deparamos com a belíssima Catedral de Alexander Nevski. Por destino, ou algum outro motivo que me foge à compreensão, aos entrarmos na igreja e assistirmos ao belo ritual de uma missa ortodoxa, nos deparamos com uma porta, salvo engano, à direta da nave central da catedral. Abrimo-la, de forma curiosa, como devem ser por vezes os jovens... Ao descermos as escadas, encontramos um acervo maravilhoso de ícones búlgaros.

Jô e eu também ficamos maravilhados. Até então, não tínhamos nenhum contato físico com os ícones. O Jô encontrou esteticamente aquilo que procurava. Acredito — opinião pessoal minha — que ele tenha, naquela visita imprevista, materializado espiritualmente o seu futuro trabalho como artista gráfico, designer e ilustrador.

Diante deste fato, peço a atenção especial dos visitantes búlgaros para esta pequena mostra da imensa obra do artista. E, neste sentido, procurem outras fontes para conhecer de forma mais ampla o seu trabalho. Como disse acima, uma obra ao mesmo tempo singular, pessoal e universal. Jô Oliveira é o ilustrador do povo brasileiro.

  
Rui de Oliveira, ilustrador e escritor – Rio de Janeiro –Janeiro 2019.


Com Jô Oliveira, na BIENAL DE SÃO PAULO 2018

FÉ DEMAIS...



Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, Praça José de Alencar, Fortaleza-CE.


ESTRANHA CONVERSA DE DOIS "CRISTÃOS" 
NA PORTA DE UMA IGREJA


Ontem dei uma passadinha na Igreja do Patrocínio, na Praça José de Alencar, templo que espaçadamente frequento desde que passei a residir por essas bandas, para uma breve conversa com Deus e com meu Anjo da Guarda. Como de costume, peço PAZ, SAÚDE e PROTEÇÃO para mim e para os meus. E em seguida agradeço as graças que tenho recebido.
Ao pisar no batente do templo vetusto, deparei com dois idosos bem vestidos, que conversavam aos berros, dirigindo impropérios aos moradores de rua que pedem esmolas ou praticam pequenos furtos naquele logradouro, desejando-lhes uma morte violenta e cruel:
— O governo devia matar ‘tudim’ e depois tocar fogo nessas desgraças!
E o outro acudiu, de pronto:
— A culpa é do Lula, que colocou o País nesse estado de miséria.
O primeiro, concordando plenamente com o segundo, retrucou, elevando o tom de voz para que todos o ouvissem:
— Ainda bem que a Justiça foi feita e aquele amaldiçoado vai morrer na cadeia! Já pegou mais de sessenta anos de prisão.
Percebendo que eu os fitava com espanto, fizeram uma expressão de ódio incontido e me fuzilaram com os olhos, como quem desafia dizendo:
— Achou ruim?




Achei, mas fiquei calado, porque discutir com esse tipo de gente é a mesma coisa que atirar pedras na lua. É mais fácil receber gentileza e afagos de um cão pit-bull... E saí dali refletindo sobre o Evangelho de Mateus.



Evangelho segundo S. Mateus 25,31-46.

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso.
Todas as nações se reunirão na sua presença, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.
Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; Não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’.
Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?
Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos?
Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’.
E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’.

 E, por conta desse episódio ocorrido ontem, dia 15 de março de 2019, às dez e meia da manhã, na Igreja do Patrocínio, escrevi este soneto:


A VIRTUDE DO PECADO

Não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’.

O pecado se torna uma virtude
Quando afronta a cruel hipocrisia
De quem finge ser criatura pia
E contudo, nem a si mesma ilude.

Tenho visto hipócrita amiúde
Condenando, por pura aleivosia,
Criticando de forma doentia,
Desejando ver alguém no ataúde.

Ontem mesmo, na porta de um templo
Vi um torpe hipócrita desejando
Uma morte cruel a um semelhante.

De Jesus jamais segue o bom exemplo
Vi a cena e saí dali pensando:
— Como faz falta ao INFERNO de DANTE!

Arievaldo Vianna
16.03.2019


CONCLUSÃO: Democraticamente falando, acho que todos têm o sagrado direito de defender o seu ponto de vista, por mais equivocado que possa parecer. O que eu não admito, nem Jesus admitia, é a hipocrisia desses fariseus que ele chamava de "raça de víboras". Se pensa desse modo, não se proclame CRISTÃO nem faça esse tipo de prédica na porta de uma igreja.