terça-feira, 14 de junho de 2011

MONTE JÁ A SUA CORDELTECA



Adquira folhetos e livros de vários autores e monte a sua CORDELTECA. A literatura de cordel está sendo cada vez mais procurada por educadores, estudantes e leitores em geral. Para montar sua biblioteca de cordel, consulte quem entende do assunto. Dispomos de um grande estoque e podemos fornecer os maiores clássicos do gênero, além de livros que tratam do assunto.

Veja alguns títulos do nosso estoque:

- Romance do Pavão Misterioso
- As proezas de João Grilo
- O Soldado Jogador
- Chegada de Lampião no Inferno
- O Batizado do Gato
- A gramática em cordel

- A noiva do gato
- A vida de Pedro Cem
- Iracema, a virgem dos lábios de mel
- A donzela Teodora
- A didática do cordel
- João Bocó e o ganso de ouro
- O rico ganancioso e pobre abestalhado
- O justiceiro do Norte
- O castigo da inveja ou o filho do pescador
- Jerônimo e Paulino ou o prêmio da bravura
- A sorte do preguiçoso e o peixinho encantado
- Quirino, o vaqueiro que não mentia
- Peleja de Zé Ramalho com Zé Limeira, o poeta do Absurdo
- Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum
- Juvenal e o Dragão
- Pedrinho e Julinha
- Viagem a Baixa da Égua


LIVROS:

- Pavão Misterioso em quadrinhos
- Batalha de Oliveiros com Ferrabras em Quadrinhos

- 2ª Edição do livro ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA

- 12 Contos de Câmara Cascudo em CORDEL - Caixa temática

- Antologia de cordéis do poeta Bule-Bule

- Vertentes e evolução da Literatura de Cordel



E MUITOS OUTROS




PARA ADQUIRIR A SUA CORDELTECA, ENTRE EM CONTATO
CONOSCO ATRAVÉS DO E-MAIL:

acordacordel@ig.com.br


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Dos arquivos da revista O CRUZEIRO

O SENHOR FEUDAL DO FECHADO

Gustavo Barroso

Gravura de Jô Oliveira
                                                                                             
                Escreveu Pascal que é por demais perigoso mostrar a animalidade do homem sem apontar a sua grandeza, sendo pior deixá-lo na ignorância de ambos e convindo, portanto, fazer-lhe ver esses dois aspectos de sua personalidade. Devem estas sábias palavras do insigne pensando francês servir sempre de base àqueles que estudam o fenômeno do cangaceirismo nos sertões nordestinos em todas as suas modalidades, porque os chamados bandidos ou bandoleiros por ele produzidos oferecem-nos exemplares humanos de complexa psicologia, algumas vezes dignos até do título de heróis.
                Em livro que a respeito publiquei há perto de 40 anos, disse: “Os bandidos não são produtos exclusivos das letras brasileiras do Nordeste. Em todos os povos, tem existido com denominações diversas. O jagunço não é criminoso por mero acidente do seu caráter; não é criminoso, as mais das vezes, por si próprio. Ele termina uma série de antecedentes os mais variados ou é um elo na seriação de causas as mais diversas.”
                Dentro dessas linhas gerais deve ser enquadrada historicamente a figura de um dos mais famosos cangaceiros do sertão cearense na segunda metade do Século XIX, José Antônio do Fechado, nascido em Canindé no ano da graça de 1824, sob o governo do nosso primeiro imperador. Quando veio ao mundo, já se espraiava a milagrosa nomeada do padroeiro daquela terra — S. Francisco das Chagas. No fim do Século XIII, as autoridades coloniais tinham aldeado naquele rincão, ao fundo do antigo Sertão dos Ratos, que se estendia pelas ribeiras do Rio Ceará até aquelas paragens, os índios da nação Canindé, até esse tempo acampados na povoação de Monte-Mor-o-Novo da América, depois vila e enfim cidade de Baturité. E já em 1775 o português Francisco Xavier de Medeiros edificava ali a primeira capela dedicada ao Pobrezinho de Assis. A construção, em grande parte feita de esmolas, levou 20 anos. Ao ser  terminada em 1795, o glorioso santo obrou o primeiro milagre, salvando da morte certa um operário que caíra do andaime da torre. A notícia correu célere por todo o interior cearense, iniciando-se, então, as peregrinações que fariam do Canindé a Compostela ou Lourdes do Ceará. Passaram-se 22 anos e o bispo de Pernambuco, D. Frei Antônio de S. José, elevou, em concessão especial de 10 de junho de 1817, a capela à Matriz, tal a importância que adquirira. Um alvará de  D. João VI, de 30 de outubro do mesmo ano, aprovou a citada concessão. Todavia o povoado do Canindé somente seria elevado à categoria de vila, com todas as suas prerrogativas municipais, por ato do governo imperial de 29 de julho de 1846. Tinha nessa data, José Antônio do Fechado a idade de 22 anos.
                Seu pai, o capitão José Bernardo de Sousa Uchoa, antigo presidente do Senado a Câmara, proprietário da fazenda do Fechado, era um dos homens mais influentes da localidade. Representante legítimo por sua posição, educação e tendência do antigo patriarcalismo feudal que informou a vida pastoril nordestina e degenerou, mais tarde, no coronelismo, lutava pelo domínio da política municipal e, naturalmente, se tinha muitos amigos, também fizera inimigos. Entre estes, o maior era o tenente-coronel Manuel Mendes da Cruz Guimarães. No sertão, o ódio dos pais passa para os filhos e as famílias se empenham em lutas renhidas, que se propagam através das gerações como na Itália medieval.
                No ano de 1852, quando o Império Brasileiro atingia seu apogeu, militarmente com a vitória dos Caseros, politicamente com a conciliação dos partidos realizada pelo futuro marquês do Paraná, diplomaticamente com a orientação do futuro visconde do Uruguai e financeiramente com o ágio do papel-moeda sobre o ouro, na vila do Canindé se processará com violência a eleição do novo juiz de paz, que devia substituir o que completara o quadriênio. O triunfo na mesma demonstraria quem de fato tinha eleitorado e prestígio no município. Exercendo o cargo de delegado de Polícia, o capitão José Bernardo de Sousa Uchoa disputava-o contra seu rival, o tenente-coronel Cruz Guimarães, e seu braço direito era o filho Antônio, em plena virilidade sertaneja.
                Tinha o moço renome de valente. Os inimigos paternos lhe haviam atribuído a morte dum tal Marcolino, que raptara uma moça e com ela casa contra a vontade da família. Achava-se José Antônio na companhia de um amigo, Carlos Sales, parente da jovem, quando este se encontrou com o rapaz e lhe tirou a vida. As opiniões sobre o caso dividiram-se. Os mais apaixonados acusavam veementemente a José Antônio. Os seus amigos e parentes eximiam-no de toda a culpa. Alguns havia que admitiam ter ele ajudado o companheiro a consumar o crime. Submetido a processo e levado ao Tribunal do Júri, este o absolveu. As más línguas, porém, nunca o perdoaram.
                No dia da eleição, houve grande e grave conflito entre os partidários dos Uchoas e dos Cruz Guimarães. A briga começou a cacete e faca na Igreja, onde se realizava o pleito, acabando em tiroteio pelas ruas, durante o qual morreu baleado o tenente-coronel Manuel Mendes da Cruz Guimarães. Apontou-o José Antônio como autor do feito. Foi outra vez processado e submetido a julgamento. De novo, os juízes de fato o absolveram. Murmurava-se que desta, como da primeira vez, por influência da família e do seu partido político.
                No decurso do tempo, por este ou por aquele motivo, quatro assassínios se atribuíram a José Antônio. Mais duas vezes processado e julgado, foi absolvido. Diziam os amigos que era homem valente, cavalheiresco e generoso, capaz de praticar as mais belas ações. Assuavam-lhe os inimigos que não passava duma fera e moviam-lhe contínua, implacável perseguição. Refugiado em sua fazenda do Fechado, cercado de acostados fiéis, verdadeiros bravi,  ele acabou não se deixando mais citar pela Justiça e resistindo à prisão, de armas em punho. Certa vez, um destacamento de mais de cem praças cercou-lhe a casa e foi repelido com muitas perdas, depois de violento assalto.
                O barão feudal sertanejo continuou entocado. Nos últimos anos da Monarquia, conta-se que o comandante da Polícia do Ceará, moço destemido, decidiu acabar com o José Antônio. Levou consigo numerosa tropa, acampou-se nas proximidades do Fechado e, antes de desencadear o ataque, vestido à paisana, montou a cavalo e explorou os arredores. Queria conhecer bem o terreno onde pisava. Numa volta da estrada, encontrou um homem já encanecido, porém forte, sadio, musculoso, de fisionomia simpática, voz suave e lhana, maneiroso e afável, bem montado, com o qual se pôs a conversar. Aproveitando a ensancha, o oficial procurou obter informações sobre o cangaceiro, pois que o cavaleiro era, segundo parecia, morador das cercanias.
                O desconhecido contou-lhe que a casa do Fechado constituía verdadeira fortaleza, com paredes e portas à prova das balas daqueles tempos, que lá havia capangas que cada estaca das cercas era um homem armado. Todos eles bravos e fiéis. Depois, narrou minuciosamente o que sabia da vida do José Antônio, das injustas acusações de que era vítima, dos atos de justiça que praticava e das razões de honra pessoal que o levaram a não se submeter às autoridades. Assim conversando lado a lado, chegaram a uma encruzilhada, onde se despediram. O comandante declinou sorridente, seu nome e qualidade, fazendo oferecimentos corteses. O outro sorriu, tirou o chapéu, apertou-lhe a mão e disse-lhe com a maior calma deste mundo:
                — Minha casa fica ali adiante, por trás daquele morro. Estou lá às suas ordens. É a fazenda do Fechado e eu sou o José Antônio.
                Picou o cavalo com as esporas e sumiu-se na caatinga. O oficial ficou estarrecido no meio da estrada. Contam que voltou ao acampamento e regressou a Fortaleza, recusando-se a perseguir o caudilho sertanejo. Esta é uma das narrativas, decerto lendárias, que contribuíram para aureolar de prestígio aos olhos do povo a figura desse senhor feudal do Século XIX.
                Em avançada idade, atingiu o limiar do Século XX, de vez que faleceu em 1918, com 94 anos de idade, na fazenda Lagoa das Pedras, onde nos últimos tempos de sua vida passara a residir. Durante alguns anos foi obrigado a morar em Fortaleza, capital do Estado, a fim de evitar a perseguição política que lhe moviam na terra natal. E o curioso é que se casou aos 86 anos. Fibra extraordinária a desses velhos sertanejos criados em contato com a natureza agreste e rude, formadora duma raça de fortes. Deles diria Júlio César o que disse dos belgas, que eram os mais viris dos povos da Gália, porque viviam longe das cidades, isto é dos centros de civilização e amolecimento, de todas as coisas que ad affeminando animos pertinent.

* * *

NOTA DO BLOG - Esse texto foi reproduzido a pedido do poeta SILVIO ROBERTO SANTOS. O fluente relato do grande historiador Gustavo Barroso é uma excelente referência para o poeta popular. Eis um texto que precisa ser resgatado em cordel. Alguém se habilita?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

SÃO FRANTÔNIO


O CASO DO SANTO SEM CABEÇA

Arievaldo Viana

João Batista Azevedo dos Santos, conhecido popularmente como Jota Batista, é um dos novos poetas canindeenses de reconhecido talento e de inspirada verve humorística. São de sua autoria dois folhetos bastante curiosos relatando dois fatos distintos relacionados com São Francisco de Canindé. O primeiro refere-se à construção de uma estátua gigantesca de São Francisco, em Canindé e o outro, intitulado A Verdadeira História da Viagem de São Francisco ao Piauí, mexe com o fanatismo religiosos de muitos canindeenses que acreditam que a cidade irá se acabar, caso a estátua milagrosa de São Francisco seja retirada do altar-mor da Basílica.

O primeiro folheto refere-se a um monumento projetado em Canindé, do qual foi concluído apenas a cabeça, ao passo que na vizinha cidade de Caridade-CE, tentava-se construir uma estátua de Santo Antonio, da qual apenas o corpo ficou erguido no topo de um serrote.

Deixemos falar o poeta Celso Góes Almeida, que assim se manifestou na apresentação do folheto O Santo do Ano 2001 – São Frantônio, deste inspirado cordelista: “Jota Batista tem revelado, através de seus trabalhos poéticos um infinito senso de humor e irreverência (...) Neste cordel , deixa a marca indelével de seu humor apurado, na composição de versos de dez linhas, onde narra as dificuldades encontradas pelos nossos escultores para a conclusão das estátuas de Santo Antonio e São Francisco (Canindé)”.

Assim começa o irreverente folheto:

“Na vizinha Caridade
Planejaram um monumento
Que ia ser o sustento
Do turismo da cidade
E havendo necessidade
De realizar o sonho
Neste verso aqui exponho:
Depois de tanto bulir
Resolveram construir
A estátua de Santo Antonio.

Que o leitor me acredite
No que agora vou falar
Espero que não se irrite
Também não quero aumentar
A água sumiu na baixa
Sumiu dinheiro no caixa
Sumiu de tudo, seu moço,
Depois da pouca colheita
A estátua só foi feita
Do pé até o pescoço”.

O monumento, projetado em Caridade, (que ficou apenas no corpo) teria dimensões gigantescas, devendo equiparar-se ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e à estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Canindé, centro de uma das maiores romarias do País, não poderia ficar atrás, por isso resolveu partir para construção de um monumento de proporções similares:

“Seguindo este traçado
E movido pela fé
Houve outro plano bolado
Em nosso bom Canindé.
A idéia é do prefeito
Que assim que foi eleito
Se mostrou bastante arisco
Mal ele saiu do ovo
Já foi prometendo ao povo
A estátua de São Francisco”.

O problema é que a parca verba liberada só deu para concluir a cabeça da citada escultura, vindo daí a justa reclamação do poeta:


“Só não quero que ele esqueça
De fazer o tronco e membro
Se ele esquecer eu me lembro
Nem que ele se aborreça...
Se a estátua ficar de pé
Vem gente pra Canindé
Do campo e da Capital,
Se o restante não for feito
Eu tenho dentro do peito
Uma idéia genial”.
A idéia “genial” engendrada por Jota Batista é colocar a estátua no limite entre os dois municípios. Caridade entraria com o corpo inacabado de Santo Antonio e Canindé com a cabeça de São Francisco. Vejam só o nome escolhido para o novo “padroeiro”.

“Tenho outra idéia melhor
A pagode não me tome
Pra coisa ficar menor
A gente junta os dois nomes
Sacoleja na cumbuca
Balança o corpo e a cuca
Eu to com um medo medonho,
A seca ta nos matando
E o povo está apelando:
- Valei-nos, ó São Frantônio!


O poeta, sem perder o senso de humor, prevê logo uma briga entre as duas cidades, desejosas de saber para que lado ficaria a frente do monumento. Mais uma vez, Jota Batista comparece com outra de suas idéias:
“E para diminuir
O sofrimento do povo
Eu já tenho um plano novo
Esse é bom se discutir
Usando a imaginação
A gente agrada ao povão
E termina com a história,
Acredito que o Bibi
Não se nega a construir
Uma estátua giratória”.
Depois de desculpar-se com os escultores Bibi e Franzé de Aurora, autores das duas obras, Jota Batista resolve penitenciar-se também a Deus e aos dois santos vítimas da brincadeira:

“Minha mente eu não alugo
Peço aqui perdão a Deus
Aos dois santos não expurgo
Isso é apenas versos meus
Não levem a sério o artista
Inda mais Jota Batista
Por causa deste rabisco
De toda fé que disponho
Dou vivas a Santo Antônio
E palmas pra São Francisco”.


Embora não tenha sido muito rigoroso no esquema das rimas, há de se convir que o relato de Jota Batista está calcado no mais fino humorismo, lembrando em certos momentos a verve prodigiosa de José Pacheco e Leandro Gomes de Barros. O caso virou matéria na imprensa brasileira.

* Matéria publicada na Revista Singular, de Eliézer Rodrigues - Edição de março/2002.

Jota Batista, caricatura de Arievaldo Viana


ATENÇÃO! Monte já a sua CORDELTECA. Livros e folhetos de vários autores. Enviamos pelo correio para qualquer parte do Brasil mediante depósito em conta corrente do Banco do Brasil.
Maiores informações:  acordacordel@ig.com.br


EM TEMPO! O prefeito de Caridade-CE, Júnior Tavares, apresentou ao Governador Cid Gomes um projeto para construção do Complexo Turístico e Religioso Santo Antônio, que inclui a construção da tão sonhada estátua de Santo Antônio no topo do serrote "Cágado", que fica ao leste da cidade. Veja abaixo a justificativa do projeto:


CARIDADE NA ROTA DO TURISMO CEARENSE

Situada a apenas 90km de Fortaleza, servida pela BR-020 e pelas rodovias estaduais que interligam os Sertões de Canindé à General Sampaio e Maciço do Baturité (a projetada Estrada da Pendanga), Caridade está na rota do turismo cearense por sua posição geográfica privilegiada. Ao leste, o município extrema com a Região do Maciço de Baturité e breve terá o acesso facilitado com a estrada que interligará Campos Belos à Guaramiranga. Ao sul, Caridade faz divisa com Canindé, o maior santuário Francisco das Américas. Além do mais, Caridade sedia três estações do complexo “Caminhos de Assis”, construído pelo Governadro Cid Gomes. À Noroeste, o município faz fronteira com o Vale do Curu e tem vias de acesso que vão desaguar em Jijoca de Jericoacoara.
A construção do Complexo Religioso de Santo Antônio, com a instalação de uma estátua do padroeiro de Caridade no Serrote que está situado ao nascente da cidade, juntamente com uma infra-estrutura de apoio logístico ao turismo, colocará Caridade definitivamente na rota do turismo cearense como uma atração que interligará o Turismo Religioso de Canindé com o Turismo da Região do Maciço. Além disso, Caridade possui um Museu que já está cadastrado nacionalmente e eventos pitorescos de repercussão regional como a Missa dos Vaqueiros, os festejos de seu padroeiro Santo Antônio e o tradicional Arraiá do Povo, que é realizado anualmente no dia 12 de junho, mas que também se repete em outras datas nas festas religiosas dos distritos.
O fortalecimento do turismo em Caridade, além de gerar ocupação e renda, servirá também para o escoamento do artesanato que é produzido na região. Por esse motivo, acreditamos que o Governador Cid Gomes dará total apoio à este projeto que impulsionará o turismo e a economia do município de Caridade e  Região.

Santo Antonio na Literatura de Cordel


O HOMEM QUE TEVE UMA QUESTÃO
COM SANTO ANTÔNIO

Hoje, dia 13 de junho, dia consagrado a Santo Antônio, resolvemos resgatar mais um cordel onde o Taumaturgo Português aparece como personagem central. Este folheto, atribuído a João Martins de Athayde, nesta edição cuja capa está retratada acima, vem a ser, na verdade de Antônio Ferreira da Cruz conforme atesta Leonardo Mota* e outros pesquisadores mais antigos. A obra do poeta Antônio da Cruz está praticamente esquecida porque muitos de seus folhetos foram publicados em Guarabira-PB, por Pedro Baptista e tiveram somente uma única edição. Daí que pouco se sabe sobre este vate sertanejo e menos ainda sobre a sua obra. É mais que oportuno o resgate desse folheto que apesar do sabor de ingenuidade, próprio do catolicismo arcaico do sertão nordestino, traz uma mensagem positiva no final.

Amava a sua mulher
E muito bem lhe queria
Principalmente ao filho
Que beijava todo dia
Também estimava muito
Um ‘quartau’ que possuía.

Amava sua mulher
E a seu filhinho inocente
E também a seu cavalo
Por achar muito decente
Pediu a Deus que seus trastes
Ficassem para semente.

Um dia estava dormindo
Quando despertou em sonho
Então uma voz lhe disse:
- Não é arte do demônio
Pra seus trastes não morrerem
Vai adorar Santo Antonio.

(...)

Quando foi no outro dia
Fizeram invocação
Trazendo aquele santo
Contrito no coração
Daquele dia em diante
Começaram a devoação.

Adoravam a Santo Antônio
Com toda força que tinha
Rezavam o padre-nosso
Também a Salve Rainha
Com muita jaculatória
Rezavam a ladainha.

Um dia estava dormindo
Acordou sobressaltado
Quando chegou na cocheira
Tava o cavalo laçado
Com a corda no pescoço
Tinha morrido enforcado.

Ele acordou a mulher
Lhe disse o que se passou
- Senhora, neste flagrante
Meu cavalo se enforcou
Pelo jeito que estou vendo
Santo Antônio me enganou.

Lhe respondeu a mulher
É tolo quem não conhece
As obras daquele Deus
Que todo mundo obedece
Antes morrer o cavalo
De que um de nós morresse.

Uma sucessão de desastres começa a acontecer, sem que a mulher jamais perca a fé em Santo Antonio. Morre seu filho adorado, lhe causando grande transtorno e em seguida, morre a própria mulher. O homem desesperado resolve suicidar-se:

Quando a mulher morreu
Só faltou enlouquecer
Pelas ruas da cidade
Não pretendia viver
O coração lhe pedia
Pra se enforcar e morrer.

Sepultou a sua esposa
E depois que se viu sozinho
Correu para uma mata
Depois saiu num caminho
Atrás dele vinha um homem
Montado em um burrinho.

Conheceu que era um padre
Olhou adiante e atrás
- Padre sempre dá conselho
Eu já sei padre o que faz
Se ele me aconselhar
Eu morro e não volto mais.

O padre falou pra ele
Com firmeza e energia:
- Filho para onde vais?
Vais a alguma romaria?
Ele aí torceu a cara
E lhe respondeu que ia.

O padre era Santo Antonio
Mas o homem não sabia
Quando viu o reverendo
Um mau juízo fazia
Dizendo eu vou pagar
Uma santa romaria.

O padre (Santo Antônio) insiste com ele e o homem acaba revelando que não tem mais fé em santo, pois adorou Santo Ant^nio para seus “trastes” não morrerem, entretanto sucedeu exatamente o contrário.  

O santo lhe respondeu
Para provar-lhe a razão
- Filho se vieres teus trastes
Diga se conhece ou não?
- Seu padre eu conheço tudo
Me dê a explicação.

Mostrou-lhe o padre um retrato
Com o cavalo selado
O cavalo estava em pé
O dono estava deitado
Tinha morrido de um coice
Que o animal tinha dado.

O homem então conheceu
Que o padre tinha bom tino
Era pela providência
Daquele Deus tão divino...
- Já que disse do cavalo
Diga também do menino.

Mostrou-lhe outro retrato
Com o menino retratado
Todo amarrado de cordas
Rodeado de soldado
E o pai, pertinho dele,
Triste para o outro lado.

- Teu filho com quinze anos
Roubava tudo que via
Era preso num flagrante
Trancado numa enxovia
Santo Antônio como bom santo
Matou, tirou da agonia.

- Seu padre suas palavras
É grande o valor que tem
Porque quando saem da boca
Os anjos dizem amém
Já que disse do menino.
Diga da mulher também.

Mostrou-lhe outro retrato
Provando a devassidão
A mulher em braços doutro
Com gosto e satisfação
Perguntou se era ele
Este respondeu que não.

O santo lhe explicou
Tudo que lhe aconteceu
- Porque a tua mulher
Com outro homem fugia
Ele como é bom santo
Matou, tirou d’agonia.

O padre o aconselha a volta para casa e adorar Santo Antonio. O homem baixa a cabeça e quando torna a olhar, padre e burrinho já haviam sumido. Ele compreende que estivera diante do próprio santo. Então:

Ele seguiu para casa
Fez nova invocação
Adorando a Santo Antônio
Contrito e de coração
Morreu com setenta anos
Quando teve a salvação.



ATENÇÃO!

* Eu imaginava ter visto essa informação sobre a autoria do poema no livro VIOLEIROS DO NORTE, de Leonardo Mota. Realmente o poema foi reproduzido nessa obra, mas Leota (como de costume) não diz o nome do autor. Fiquei imaginando que a fonte pudesse ser, talvez, Gustavo Barroso, mas ainda não tive como checar. De qualquer modo, prometo esclarecer este caso até o final da semana.
Segundo Sebastião Nunes Batista, em Antologia da Literatura de Cordel - 1ª edição, 1977, o folheto "O homem que teve uma questão com Santo Antônio" é mesmo da autoria de João Martins de Athayde. Vamos ficar, por enquanto, com a afirmação deste conceituado pesquisador, que muito se empenhou pela restituição de autoria na Literatura de Cordel.

domingo, 12 de junho de 2011

A CHEGADA DA CEGONHA

NASCERAM OS FILHOS DO POETA KLÉVISSON VIANA

Xilogravura de Marcelo Soares


O casal Klévisson Viana e Dulcimar está exultante. Nasceram os gêmeos tão esperados... Khalil Antonio e Maria Flor. O poeta Sávio Pinheiro será padrinho de batismo da menina e já lhe dedicou um poema, o primeiro soneto. Vejamos o recado que recebi por e-mail do nosso amigo Sávio: "Ari, nasceram os filhos do Klévisson. A menina Maria Flor será minha afilhada. Veja se dá pra publicar no blog esta homenagem."
MARIA FLOR


A terra se oferece à natureza
Buscando o puro pólen em migração
E a ave executando a sua ação
Projeta o seu encanto com beleza.

A água formatando a correnteza
Desliza esplendorosa, sobre o chão
E o sol pra efetivar a respiração
Oxida a clorofila com grandeza.

Num ventre abençoado por Maria
Vislumbro rara flor, que tem magia,
Criada com carinho e muito amor.

É ela, a doce rosa abençoada,
Que faz da meiga mãe a sua latada
E traz o nome de Maria Flor.

DIA DOS NAMORADOS

EVANGELISTA E CREUSA
O CASAL MAIS ROMANTICO DA LITERATURA DE CORDEL


Então uma certa noite
Depois de um mês passado
Evangelista chegou
Na janela do sobrado
E Creuza não mais dormia
Só esperando o amado.

Rapidamente ela entrou
Na cabine do pavão
Quando o rapaz decolou
Um guarda de prontidão
Tocou depressa um alarme
Para avisar ao sultão.

O sultão enfurecido
Começou a praguejar
Vendo a bela princesinha
Com o rapaz se afastar
Um guarda disse: - O destino
Não há quem possa mudar!

A noite estava belíssima
E a lua na amplidão
Refletia os seus raios
Sobre a cauda do pavão,
Creuza abraçava o rapaz
Com ternura e gratidão.

(...)

O Pavão Misterioso - Versão de Arievaldo Viana
ilustrada por Jô Oliveira - Editora IMEPH, 2006

ABC dos namorados - Rodolfo Coelho Cavalcante

Coco Verde e Melancia, do grande José Camelo de Melo.


História de Mariquinha e José de Souza Leão


OUTROS PARES ROMÂNTICOS
NA LITERATURA DE CORDEL



Alonso e Marina, Baman e Gercina, Apolinário e Helena, João de Calais e Constança, Pierre e Magalona, Carlos e Celina, Lindalva e Juraci, Amédio e Lucinda... o amor sempre foi um tema presente nos folhetos de cordel.


* * *

NOTÍCIA

Hoje, 12 de junho, nosso blog completa 2 meses de atividades. Agradecemos a todos os nossos visitantes do Brasil e do exterior (Portugal, Bélgica, EUA, Alemanha, Itália, França, Índia, Reino Unido, Espanha, Argentina e Holanda).
Já estamos beirando a marca das 13 mil visitas.

sábado, 11 de junho de 2011

PALESTRA EM CAPUAN

ESCOLA JOSÉ ALEXANDRE - CAPUAN - CAUCAIA-CE


Zé Maria e o diretor da escola, Prof. Bartolomeu


Alunos atentos prestigiaram a nossa apresentação


Ontem, em companhia do poeta ZÉ MARIA DE FORTALEZA realizei a palestra  Literatura de Cordel na Escola no colégio José Alexandre, na localidade de Capuan, distrito de Caucaia-CE. Uma turma animada e interessadíssima no assunto prestigiou a nossa apresentação. O convite partiu da professora Eneida Caminha. Agradecemos também ao diretor da escola, Sr. Bartolomeu, que serviu até de "pedestal" para o microfone do poeta Zé Maria, que está igual ao vinho... quanto mais velho (com o perdão da palavra, que ele não gosta), melhor. Inspiradissimo.

ATENÇÃO! Interessados em contratar a palestra "CORDEL NA SALA DE AULA", dos poetas Zé Maria de Fortaleza e Arievaldo Viana, devem entrar em contato conosco pelo e-mail: acordacordel@ig.com.br