terça-feira, 10 de setembro de 2013

É FEIO, MAS É BOM!

 
CAMPINAS DE SEU ZUQUINHA 

Por: Arievaldo Viana
 

Campinas de ‘seu’ Zuquinha
Homem branco de respeito
Cu-do-mundo da Lili
Repuxo do Barrão Preto... 

Zuca Idelfonso  ou 'Seu' Zuquinha das Campinas,  homem branco de respeito,  como ele próprio se autodenominava, foi um personagem inteligente, espirituoso, desbocado e pra lá de autêntico. Nasceu e se criou nos sertões adustos de Quixeramobim, em território posteriormente desmembrado com a emancipação do distrito de Madalena. Ultimamente tenho ido amiúde às comunidades de Macaóca, Sabonete, Cacimbinha e Vila Campos, locais onde o Zuca ainda hoje é lembrado pela sua irreverência. Seus filhos Chaguinha e Manoel, parentes indo e voltando (tanto pela parte do meu avô Manoel Barbosa Lima, quanto pela de minha avó Alzira de Sousa Viana) sempre me visitam e enriquecem o repertório anedótico com novas histórias.

Minha parenta Auri Araújo, que anda empenhada em montar a árvore genealógica das famílias Sousa, Viana, Araújo, Crisóstomo, dentre outras daquela região, tem obtido em suas andanças um precioso material inconográfico que vem postando regularmente numa página da internet, criada especialmente para este fim. Foi de lá que resgatamos estas duas preciosidades: uma foto do Zuca, já idoso e da casa onde morava, na localidade de Alegre. 

 

QUEM ERA MESMO
‘SEU’ ZUQUINHA?

 

José de Sousa Araújo, o Zuquinha, não tinha papa na língua, nem mandava recado. Dizia o que bem queria em qualquer hora e lugar. É o tipo da figura que extrapola qualquer comentário, que excede qualquer anedotário e que não cabe nas páginas de livro algum, tamanha é quantidade de "causos" que lhe são atribuídos, alguns dos quais impublicáveis.

Everardo Lima, comerciante na Fazenda Ouro Preto (hoje Madalena, antigamente Quixeramobim), teve o prazer de conviver com este singular personagem sem contudo captar a íntegra de seu "tirocínio". "O Zuca me contou mil histórias, mas eu perdi mais da metade" - admite.  A verdade é que, apesar de falecido, o Zuca continua sendo lembrado freqüentemente pelas pessoas que o conheceram, graças a inegável qualidade do anedotário que lhe é atribuído. Se é verdade ou mentira o que dele contam, isso é outra estória, as anedotas do Zuca já se tornaram de domínio público, como as de Quintino Cunha, Manezim do Bispo, 'Seu' Lunga e tantas outras figuras folclóricas do Ceará. Uma particularidade: adorava questão. Contam que ele dava um boi para entrar numa briga e depois da confusão formada não consta que corresse com a cangalha!

Falava  de uma maneira bastante singular, trocando o "s" pelo "x" - anos luz antes do surgimento da Xuxa  -  e a letra "v" pelo "g".  A propósito desse seu distúrbio de linguagem, é notório o caso do Presidente Dutra  (1945  a 1951), que também falava "imprialzim" ao Zuca, conforme constatou a historiadora cearense Isabel Lustosa em seu livro "Histórias de Presidentes  A República no Catête", obra fartamente ilustrada com desenhos de J. Carlos e outros chargistas da época. O capítulo dedicado ao Marechal Dutra intitula-se "Voxê qué xabê?". Por conta dessa particularidade, Dutra foi "massacrado" pelos chargistas seus contemporâneos.

O forte do Zuca era o seu poder mordaz de satirizar situações. Troçava com a ordem estabelecida, a moral e os bons costumes. Sertanejo astuto, feroz observador, não poupava nem a própria sombra. Em muitas de suas ações  como na vez em que amarrou um pedaço de xique-xique sob a cauda de uma rês que lhe invadira o roçado -  ele lembra o "Baixim", o Fradim sacana do cartunista Henfil.

Gostava de implicar com todo mundo, inclusive os parentes. Os Vianas eram seu alvo predileto: "Giana é igual a pelo de hortênsia, desgraxa uma bebida!". Também teria afirmado, em outra ocasião: "Giana é um bicho muito parexido com gente... pé de Giana é como picarete, do tanto que tem pra frente, tem pra trás!"

Fazia pouco caso da polícia e do clero. Quando foi buscar uma parteira para assistir o primeiro parto de sua mulher, Zuca fez o seguinte comentário:

- Padre, Parteira e Xoldado... ô três classe de gente xem futuro!!!

É ilustrativo o seu comentário sobre a candidatura do ex-deputado Barros dos Santos. Almoçando na residência do Sr. Neles Secundino, de quem era parente e amigo fiel, Zuca foi admoestado pelo anfitrião a aderir à candidatura do Sr. Barros dos Santos à Assembléia Legislativa.  Seu Neles caprichou na boca de urna:

- Compadre Zuca, este aqui é o grande advogado Barros dos Santos, pessoa da nossa estima, da nossa amizade e consideração. Ele disputa uma cadeira de deputado, por isso esperamos contar com o seu valioso apoio... 

Dr. Barros era um mulato e Zuca, como a maioria das pessoas de sua geração, era meio racista. Depois de analisar detidamente o candidato, Zuca  que não tinha papa na língua nem falava pelas costas  mostrou-se muito decepcionado e detonou a candidatura:

- Cumpade Neles, voxê num tem gergonha de me xeduzir pra votar no diabo d'um nêgo???

- Ma- mas Zuca, o Dr. Barros...

- E ainda por xima Dotô??? É por ixo que num chove!!!  arrematou o Zuca.

 

HÁ VIDA APÓS A MORTE?

 

O velho Chico de Sousa -  o Fitico do Castro -, foi um dos homens mais religiosos de que se teve notícia em Quixeramobim. Ele e seu genro Mané Aderaldo eram praticamente uns beatos, de tanto que rezavam, além do respeito imensurável por tudo que se relacionava com as coisas da Igreja Católica. Tal sentimento jamais foi partilhado pelo Zuca, sujeito irreverente e livre pensador, anarquista por pura intuição, uma vez que jamais deve ter lido livro algum que o doutrinasse neste sentido.
 
Francisco de Assis de Souza, o Fitico do Castro

O certo é que Zuca costumava zombar deste apego desmedido às coisas do outro mundo, a ponto de imaginar um Inferno repleto de maravilhas terrenas, sanfoneiros, dançadeiras seminuas e bebida da melhor qualidade, enquanto o Céu seria um lugar monótono, sem qualquer atrativo, onde as almas bocejavam de tédio sobre brancas nuvens de algodão azul.

Acerca dessa questão, um sobrinho do Zuca, o Albani, afirma que o viu comentar certa vez:

" - Já penxou quando nós tiver tudim no 'inxerno', danxando com as nêga e bebendo xerveja... ô que beleza! Já o pobre do Mané Aderaldo, coitado,  tão triste, lá em xima, trepado naquelas nuvens xem graça, doidim prá cair na gandaia e num pode...!"

De certo modo, seu jeito irreverente lembra as peripécias de Cancão de Fogo, o célebre "amarelinho" criado por Leandro Gomes de  Barros  - de quem voltaremos a falar  no terceiro capítulo deste livro - que  também zombava da morte:

 
"Quando ele viu que morria
Chamou a mulher pra junto
E disse: - Minha mulher
Não precisa chorar muito
Não há tempo mais perdido
Do que chorar por defunto.

 
A pessoa que tomar
Remédio pra não morrer
É como quem salga carne
Depois dela apodrecer,
É rezar para São Bento
Depois da cobra morder.
 

Chegou um frade e lhe disse:
- Venho ajudá-lo a morrer...
Respondeu Cancão de Fogo:
- Tenho que lhe agradecer,
Deite-se aí para um canto
Cuide logo em se torcer.
 

- Torcer como? Disse o frade,
Disse o Cancão: - Meu amigo,
O senhor não vem morrer
Para ir junto comigo?
O frade responde: - Vôtes!
Um burro é quem vai contigo!
 

Disse o Cancão de Fogo:
- Se eu não estivesse prostrado
Você tinha que sair
Cortês e civilizado
E só entraria em casa
Depois que fosse chamado. 
 

- Meu irmão, lhe disse o frade
Eu vim aqui exortá-lo,
O inferno está aberto
O diabo a esperá-lo
As chamas do purgatório
Estão prontas pra queimá-lo.
 

- Se entrei na tua casa
Foi para te confessar,
Pois levas grandes pecados
Para o leito tumular
Vim salvar-te do diabo,
Pra ele não te levar.
 

Disse-lhe o Cancão de Fogo:
- Frade, quero que me dê
explicação do Inferno,
Lhe peço como mercê,
No Inferno inda haverá,
Um diabo como você?
 

O frade saiu dali
Se benzendo amedrontado
Dizendo: - Aquilo é o Cão
Em um ente transformado
Me valha rosário bento
E o madeiro sagrado."
 

A FESTA DO ZUCA
 

Certa feita o Zuca resolveu fazer uma festa em sua casa. Já diz um velho adágio popular que festa é muito bom... na casa dos outros. Festa no sertão termina sempre em briga, em candeeiro apagado, em fole furado e outras desavenças do gênero. Prevendo tais contratempos e temeroso de que os brigões puxassem estacas de sua cerca, Zuca mandou cortar 50 cacetes de jucá e os empilhou no terreiro. Todo convidado que chegava ele dava o aviso:

- Olhe xeu xela da puta, se quigé brigá ali tem caxête de xobra! Num é prexijo arrancá as vara da minha cerca!

A festa  que por sinal não tinha alvará de licença  foi das mais bagunçadas. Briga por cima de briga, araca por cima de araca... um verdadeiro pandemônio.

No dia seguinte, como já era de se esperar, o Zuca foi intimado a comparecer perante o delegado de Quixeramobim, onde registrou-se o seguinte diálogo:

- Senhor José de Sousa Araújo...

- Xou eu!!!

- Soube que o senhor fez uma festa sem licença e  que a mesma resultou em muita briga...

- Menos a verdade! Em primeiro lugá eu num prexijo de lixença pra fazer festa na minha casa, porque lá quem manda xou eu. Em segundo lugá, xó houve uma briga... comexou a boca da noite e terminou de manhã!

 

ZUCA NAMORADOR

 

Tudo que se disser do Zuca é possível. Toda vez que passava pela Vila Campos, seu amigo Neles Secundino gostava de "dar corda" para ver o Zuca se soltar... De uma feita, estava hospedado na casa do amigo quando chegou um conhecido fazendeiro, filho de família rica e respeitada, que era o supra-sumo da elite rural do interior de Canindé, naqueles tempos idos. Seu Neles apressou-se em apresentar-lhe o rapaz, certo de que o Zuca soltaria uma das suas. Só não imaginava é que a brincadeira fosse tão pesada:

- Zuca, este aqui é o fulano, filho de fulano de tal...

- Ah! É 'xilho' de fulano? Namorei muito com a xinhora  xua mãe!

- Quando ela era solteira...?

- Depois de 'cajada" também!

 

(In ‘O Baú da Gaiatice’, Editora Assaré, 3ª. Edição, 2012)

 

A HERANÇA DO PARAÍBA (É feio, mas é bom...)
 

Chico Paraíba foi um caboclo velho do oco do mundo que apareceu certo tempo na Fazenda Cacimbinha puxando apenas uma corda... a cachorra havia morrido de fome no caminho. Trabalhador e extremamente usurário, um pirangueiro de peso e medida, não lhe foi difícil amealhar alguns cobres depois de alguns meses de extenuante trabalho. Chico aplicava suas economias comprando cabeças de gado e jumentos que criava nas capoeiras do patrão. Trabalhou noutras fazendas da região, tangeu comboios no rumo da serra do Baturité e, ao cabo de alguns anos, já era possuidor de 14 cabeças de gado, um lote de jumentos e um capital avaliado em mais de dois contos de réis.

Mas não há bem que sempre dure... Mal alimentado, já que não usufruía de seus haveres da maneira devida, acabou contraindo uma infecção intestinal, uma fraqueza crônica ou outra moléstia mais grave que lhe desfigurou o corpo e consumiu-lhe as forças. Tocado pela mão negra do destino, resolveu procurar abrigo na casa de seu antigo patrão, o velho Olímpio Viana, proprietário da Fazenda Cacimbinha.

 “Pai” Viana o tratou com benevolência e a caridade digna de um verdadeiro cristão, fornecendo-lhe um quartinho isolado da casa para abrigar-se e uma pessoa para tratar de sua doença, que julgava-se contagiosa. O velho possuía um verdadeiro “putufu” de dinheiro nos dois bolsos da calça, pois havia passado o seu rebanho bovino nos cobres, ficando apenas com alguns jumentos. Não se apartava de suas economias por nada. Dormia agarrado com os bolsos. Um dia, sentindo que ia morrer, chamou seu Viana e pediu-lhe que pagasse algumas contas que devia, mandasse celebrar algumas missas em intenção de sua alma e fizesse bom proveito do dinheiro que sobrasse. O velho morreu, as missas foram celebradas, as dívidas foram pagas e uma parte do dinheiro foi convertida em esmolas.  Viana não queria ficar com aquele dinheiro impregnado do suor do moribundo e ganho a duras penas. Resolveu levar o restante para o Juiz de Quixeramobim  dar-lhe o destino que melhor aprouvesse à Justiça. Nesta dita viagem, levou o seu genro Caboclo Viana, para casar no civil com a  Aurinha, e trouxe uns sacos de cal para caiar o oitão da casa.

Foi o bastante para o maledicente Zuca Idelfonso, falador por natureza, poeta ocasional, aproveitar o ensejo para fazer o “testamento” do falecido Chico  Paraíba, dizendo quem havia lucrado com os bens por ele deixados. Eis alguns trechos do irreverente poema:

 
REFRÃO:

É xeio, mas é bom
Deixe quem quigé falar...

 
- A morte do Paraíba
Causou grande rejultado
“Giana” pintou a casa
Caboclo xaiu cajado,

E até o Chico Lobo
Que era xeu axilhado (afilhado)
Entrou no xeu testamento
Ganhou um par de calxado:
Uma chinela de pneu
Com o calcanhar furado...

É xeio, mas é bom,
Deixe quem quigé falá! 

Os  chinelos deixados pelo finado Paraíba eram de pneu, com buracos em forma de meia lua no calcanhar e outros profundos sulcos no local dos dedos. Zé Viana assegura que na marca do dedão cabia um ovo de capota. 
 
 

Tempos depois recolhi aleatoriamente uma outra estrofe, que se encaixa dentro da mesma melodia (algo parecido com a música Calango da Lacraia, de Luiz Gonzaga), onde o Zuca vergasta o meu tio Dica Viana e outros vizinhos. Provavelmente não faz parte da versalhada sobre a herança do Paraíba: 

O Dica ta no Inxerno
E o Zé Gomes nas profundas
O Zé Chole também vai
Com um bode ‘alei’ nas cacundas... 

É xeio, mas é bom,
Deixe quem quigé falá! 

(In ‘A mala da cobra’, livro inédito)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MAIS MÉDICOS NO CEARÁ

 

MANUAL DE ANATOMIA CEARENSE
PARA MÉDICOS CUBANOS
Arievaldo Viana e Pedro Paulo Paulino
 
Trechos:

Vem gente de todo canto
No Brasil fazer de tudo.
Uns vêm para passear,
Outros, pra fazer estudo,
Uns atrás de namorada,
Outros pra não fazer nada,
É bastante o conteúdo. 

De toda parte vem gente
Para este chão soberano.
Em vista disso, é brutal,
Desonroso e desumano,
Esses protestos grosseiros
Feitos pelos brasileiros
Contra os médicos cubanos.
 
Setecentos municípios
Desta nação brasileira
Não têm um médico sequer,
Muitos nem têm enfermeira.
Sem ter pra quem apelar
Muitos vão se consultar
Com raizeiro ou parteira. 

As premissas de Hipócrates
Para muitos são lorotas.
Tem médico que se recusa
Passar por dentro de grotas,
E diz: - Não vou trabalhar
Naquele horrendo lugar
Que Judas perdeu as botas! 

Pois já que os daqui desprezam
A nossa população,
Sem atender todo o mundo,
Como manda a profissão,
Foi necessário importar
Médicos de outro lugar,
E eu pergunto: “Por que não?!” 

Assim, vamos ajudar
Da maneira mais decente,
Informando aos novos médicos
Como aqui se fala a gente
Acerca de anatomia,
Conforme este nosso guia
Que segue daqui pra frente. 

O crânio se chama quengo,
É onde fica a moleira,
O pau da venta e os beiços,
Caixa dos “zói”, ou viseira.
Tudo em riba do pescoço
Que pode ser fino ou grosso
Em cima da “Cantareira”. 

A íris, bila dos zói,
A coluna é espinhela,
Tem o osso do vintém
Bem no final da canela;
O rádio é cana do braço,
Cervical é espinhaço
E abdômen, titela.
 
Injusto protesto contra os médicos cubanos no Ceará

(...)

Atenção, doutor cubano,
É preciso que lhe diga:
Se o paciente queixar-se
De dor no pé da barriga,
Não tem o menor segredo
Pode receitar sem medo,
Remédio contra lombriga.
 
As doenças por aqui
No Ceará, nosso Estado,
Têm nomes peculiares:
Um “catarro amalinado”
É que chamam de virose
E tem a tal de “trombose”
Que deixa “desmastreado”. 

Tem cobreiro, tem curuba,
Tem pereba, tem coceira.
Uma micose entre os dedos
A gente chama é frieira.
O paciente, coitado,
Diz que tá “todo enchanhado”
Com tosse, lepra e “gafeira”.
 
Uma doença venérea
Chamam “doença do mundo”.
E toda a região glútea
A gente chama é de ‘fundo’.
A genitália é “as parte”,
Se o cabra “fizer um arte”
Sente um desgosto profundo.
 
Às vezes chega um velha
Doente da “espinhela”,
Se queixando de “puxado”
E forte dor na titela,
Se não for tuberculose,
Na certa é uma virose
Com inflamação na “guela”.
 
(...)

EM BREVE, O FOLHETO COM O TEXTO INTEGRAL (32 estrofes) será publicado pela Editora Coqueiro, de Recife-PE. AGUARDEM!!!

 
 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

FEIRA DO LIVRO INFANTIL

LANÇAMENTO DE "DONA BARATINHA
E SEU CASÓRIO ATRAPALHADO"

Está agendado para hoje, 28 de agosto, às 16h00, na Praça do Ferreira, o lançamento do livro "DONA BARATINHA E SEU CASÓRIO ATRAPALHADO", texto em cordel de Arievaldo Viana, pelas Edições Demócrito Rocha, na IV Feira do Livro Infantil de Fortaleza.
 
Autor: Arievaldo Viana
Poeta popular, radialista e publicitário Arievaldo Viana Lima exercita sua verve poética desde criança. Aos 22 anos, lançou, juntamente com Pedro Paulo Paulino, a coleção Cancão de Fogo, com 10 folhetos de cordel. Criador do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, que utiliza a poesia popular na alfabetização de jovens e adultos, em 2000, foi eleito membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na qual ocupa a cadeira de nº 40. Tem publicados mais de 100 folhetos de cordel e quatro livros: O Baú da Gaiatice, São Francisco de Canindé na Literatura de Cordel , Mala da Cobra e Acorda Cordel na sala de aula, didático relatando a execução do projeto homônimo.
Ilustradoras: Selma Ginez e Marisol Albano
Pedagoga, Arte educadora e Artesã Selma Ginez é fascinada por trabalhos manuais. Adora o que faz e procura tirar inspiração do brilho dos olhos das crianças, das flores e da superação da dor. As ilustrações deste livro foram produzidas em parceria com a filha Marisol Albano - bióloga, artesã e cantora – com quem ilustrou, também, os livros De fio em fio a história se desfia, de Elvira Drummond e Vaga-vaga Vagalume, de Valkíria Kaminski. Utilizando a técnica do patchwork, elas confessam ter sido um prazer ir recortando e bordando paninhos, para contar essa nova versão do casamento da Dona Baratinha. Em meio à lembrança da historinha que Selma costumava contar para Marisol, quando criança, foram surgindo de forma lúdica e, ao mesmo tempo bem-humorada, os personagens que, mais uma vez divertirão as crianças, nesse relato de amor, esperança e persistência.
Sinopse: 
Dona Baratinha e seu casório atrapalhado é uma nova versão da clássica musiquinha que embalou o sono de crianças de várias gerações. Na readaptação de Arievaldo Viana para o cordel, a personagem continua romântica e sonhadora e vive inúmeras decepções com os pretendentes que encontra, até o dia do seu atrapalhado casamento com o guloso João Ratão.
 
PROGRAMAÇÃO DA FEIRA DO LIVRO INFANTIL
 


Ver lançamento de "Dona Baratinha na programação da IV Feira



 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

MESTRES DO CORDEL - JOÃO JOSÉ

 
João José da Silva é um nome importantíssimo da Literatura de Cordel por sua larga atividade como poeta e editor. A Luzeiro do Norte (que de certo modo deu origem à Luzeiro de São Paulo) foi a editora que revelou grandes poetas depois que João Martins de Athayde encerrou suas atividades editoriais.
Vamos saber um pouco mais sobre esse poeta, desaparecido em meados da década de 1990, num texto extraído do blog CORDEL ATEMPORAL, do amigo Marco Haurélio:
 
"JOÃO JOSÉ DA SILVA nasceu em 24 de junho de 1922, em Vitória de Santo Antão, PE. Filho de agricultores, revelou-se poeta desde menino. Aos 10 anos de idade já improvisava versos para seus amigos e conhecidos. Por falta de recursos, só conseguiu nessa época fazer o curso primário, vindo a se aperfeiçoar somente na meia idade, como autodidata. Em 1947 se tornou profissional da poesia, escrevendo então seu primeiro livro em versos, O macaco misterioso. Escreveu mais de 164 obras, distinguindo-se entre as mais procuradas O macaco misterioso e A fera de Petrolina. Viveu em Recife, PE, onde chefiou sua família trabalhando no ramo de Literatura de Cordel, `frente da tipografia Luzeiro do Norte, até início da década de 1970. Faleceu em 1997.Folhetos lançados pela Editora Luzeiro: A condessa Rosa NegraA fera de PetrolinaO caçador sertanejo."
 
 

sábado, 17 de agosto de 2013

JOSÉ PACHECO, um mestre do Cordel

JOSÉ PACHECO DA ROCHA


Segundo Átila de Almeida e José Alves Sobrinho, em seu Dicionário Bio-Bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada Volume 1, publicado em 1978 pela Editora Universitária de João Pessoa-PB, "José Pacheco da Rocha nasceu em 1890, em Porto Calvo (AL) e faleceu no dia 27 de abril de 1954." As informações sobre a vida do grande poeta são escassas e cheias de controvérsia. Há quem afirme que ele era Pernambucano de Correntes. Segundo José Costa Leite, que o conheceu pessoalmente no final da década de 40, na feira de Itabaiana-PB, Pacheco era um camarada alegre, brincalhão e irreverente. Era acaboclado, de estatura mediana, e tinha um braço mais grosso que o outro. Gostava de trajar terno branco e promovia verdadeiros espetáculos recitando seus poemas nas feiras nordestinas. É autor de diversos clássicos da poesia popular como A chegada de Lampião no Inferno, A intriga do cachorro com o gato, A festa dos cachorros e A mãe do Calor-de-figo.


Os grandes poetas do presente e os pesquisadores que realmente entendem de Literatura de Cordel, consideram José Pacheco um dos grandes pilares da trindade máxima do cordel, ao lado de Leandro Gomes de Barros e José Camelo de Melo.
Seu gênero preferido parece ter sido o gracejo, no qual nos deu verdadeiros clássicos. Escreveu também folhetos de outros gêneros, inclusive romances de grande repercussão, como “A princesa Rosamunda e a morte do gigante”. 

Num folheto editado pelo próprio autor na década de 1940, encontra-se um AVISO na contracapa que fala de sua ligação com o editor João Martins de Athayde e dá como seu endereço residencial a Rua Primitivo de Miranda, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco. Poetas que o conheceram, como José Alves Sobrinho e João Firmino Cabral informavam que nos últimos anos de sua vida abraçou desregradamente o alcoolismo, sendo encontrado constantemente bêbado pelas feiras.



Na antologia de Literatura de Cordel lançada pelo BNB e organizada pelo saudoso Ribamar Lopes verificam-se as seguiantes informações sobre José Pacheco:

Há controvérsia sobre o lugar de nascimento de José Pacheco. Para alguns, ele nasceu em Porto Calvo, alagoas; há quem afirme ter sido o autor de A Chegada de Lampião no Inferno pernambucano de Correntes. A verdade é que José Pacheco, que teria nascido em 1890, faleceu em Maceió na década de 50, havendo quem informe a data de 27 de abril de 1954, como a do seu falecimento. Seu gênero preferido parece ter sido o gracejo, no qual nos deu verdadeiros clássicos. Escreveu também folhetos de outros gêneros.

(...)

José Pacheco foi poeta fecundo. De sua considerável obra, apresentamos apenas alguns títulos.




GRACEJO:

· A Intriga do Cachorro com o Gato

· As Palhaçadas de um Caboclo na Hora da Confissão

· A Propaganda de um Matuto com um Balaio de Maxixe

· A Chegada de Lampião no Inferno

· O Grande Debate de lampião com São Pedro

· A Festa dos Cachorros 
 

· A mãe do Calor de Figo



OUTROS GÊNEROS:

· A Beata que viu Meu Padrinho Cícero Sexta-feira da Paixão

· Grinaura e Sebastião

· A Mulher no Lugar do Homem

· A Princesa Rosamunda ou a Morte do Gigante

· Os Prantos de Cacilda e a Vingança de Raul

· Peleja de um Embolador de coco com o Diabo

· Os sofrimentos de N. S. Jesus Cristo.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

AGOSTO E OS POETAS



Dizem que o mês de agosto tem uma aura de mistério. Mês do desgosto, segundo os supersticiosos... Não é a toa que os poetas tem um certo receio do dia 24, dia de São Bartolomeu. Vejamos o que diziam Leandro Gomes de Barros e José Pacheco:

“Vinte quatro de agosto
Uma data duvidosa
Dia em que o diabo se solta
E pode dizer uma prosa,
Nesse dia foi o parto
Da Vaca Misteriosa”

(O boi misterioso – Leandro)

A vinte quatro
Do oitavo mês do ano
Todo pessoal ‘romano’
Teme a São Bartolomeu...

(Peleja de um cantador de coco com o diabo – José Pacheco)

Justamente nesse mês, que ainda está na metade, morreram três grandes expoentes da poesia popular.
Por e-mail, o poeta Geraldo Amâncio nos informa sobre o falecimento de dois grandes repentistas: “Nos últimos dois dias, perdemos dois poetas repentistas, coincidentemente ambos tinham o nome de Luiz, Luiz Campos de Mossoró e Luiz Bonifácio de Campina Grande. A notícia da morte do primeiro eu soube através do poeta Zé Lucas de Barros e do segundo através do poeta Moacir Laurentino. Luiz Campos foi de uma verve invejável, de uma criatividade ímpar em termos de improviso. Como seria bom se os novos cantadores   se espelhassem nesse exemplo, perdessem o medo de improvisar, esquecessem a mania de escrever, cujo gesto denigre a história da cantoria improvisada.Há centenas de estrofes de Luiz Campos sendo declamadas, recitadas, lembradas de boca em boca, e não há ninguém declamando estrofes dos cantadores que só cantam o que escrevem. Moacir Laurentino diz com muita precisão, que a cantoria decorada é condenada pela própria natureza. Siginifica dizer que morrendo o decoreba nada fica na memória do povo. Luiz Campos além do improviso, também escrevia poemas matutos de belo feitio.



Luiz Bonifácio era um bom improvisador. A sua obra mais conhecida foi o poema "Ninguém cortou meu destino" muito cantado nos programas de rádio e nas cantorias em épocas passadas.

MORTE CRUEL ASSASSINA,
CARREGOU DE UMA VEZ SÓ
UM LUIZ DE MOSSORÓ,
OUTRO LUIZ DE CAMPINA.
NO MUNDO DO DESAFIO
FICA UM ETERNO VAZIO
DE CAMPOS E BONIFÁCIO.
GORGEIAM DOIS SABIÁS
NOS SALÕES CELESTIAIS, 
LÁ NO DIVINO PALÁCIO. 
(Geraldo Amâncio)”

Do poeta Marco Haurélio recebemos também por e-mail a notícia da morte do poeta baiano Antônio Alves da Silva:



Morreu ontem, 14 de agosto, aos 85 anos, um dos maiores poetas da literatura de cordel brasileira, Antonio Alves da Silva. Extraordinário romancista, dominava todas as formas fixas do verso popular e tinha no humor seu traço mais marcante. Admirador do poeta, autor de clássicos como João Terrível e o Dragão Vermelho e Maria Besta Sabida, incluí um romance seu, João sem Destino no Reino dos Enforcados, na Antologia do Cordel Brasileiro, publicada pela Global Editora. Em 2003, venceu o concurso temático do Metrô e da CPTM, idealizado por Assis Angelo, com o cordel A Maldição das Serpentes no Sítio do Velho Chico.

Durante os dois anos em que trabalhei na Editora Luzeiro, editei vários de seus textos, adquiridos por esta casa publicadora, entre eles Maria Besta SabidaJoão Azarento na corte da rainha MaravilhaAs Palhaçadas de João ErradoÚltimos Dias de Antônio Conselheiro na Guerra de CanudosA Matança de Corisco Para Vingar a Morte de LampiãoHorácio de Matos, Herói da Chapada DiamantinaJoão Corta-Braço e O Encontro de Lampião com Antônio Silvino no Inferno