quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

MINC ENTREGA CERTIFICADOS DO PREMIO PATATIVA DO ASSARÉ

Foto: João Bosco Bomfim

 

Literatura de Cordel

Ministra Ana de Hollanda entregou nesta quarta-feira, em Fortaleza, o Prêmio Mais Cultura Patativa do Assaré para 200 contemplados


A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, premiou nesta quarta-feira, 7, os contemplados pelo Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição Patativa do Assaré. O MinC investiu R$ 3 milhões na iniciativa, que beneficiou 200 projetos na área de pesquisa, produção e difusão do cordel e linguagens afins. Na cerimônia, realizada em Fortaleza, Ana anunciou que o ministério já está preparando a segunda edição do edital para 2012. Também participaram do evento o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, o diretor de Livro, Leitura e Literatura do MinC, Fabiano dos Santos Piúba, o chefe da representação do MinC no Nordeste, Fábio Lino, a secretária de Cultura de Fortaleza, Fátima Mesquita, a secretária-adjunta de Cultura do Ceará, Maninha Moraes, o assessor-especial da presidência do Banco do Nordeste, Paulo Mota, e o representante da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Arievaldo Viana.

EM TEMPO: Ao fazer uso da palavra, na qualidade de representante da ABCL, falei da importancia do premio para revitalização da Literatura de Cordel e estímulo ao surgimento de novos valores. Falei de alguns problemas que ocorreram na primeira edição (Patativa do Assaré) e sugeri ao Diretor de Livro, Leitura e Literatura do MINC, Fabiano Piúba, que a próxima edição homenageie o poeta LEANDRO GOMES DE BARROS, pioneiro na publicação de folhetos rimados no Nordeste. Ele me garantiu que no próximo ano será lançada a segunda versão do edital Mais Cultura de Cordel.
Foto: João Bosco Bomfim
“Com esse edital podemos afirmar em alto e bom tom que a literatura de cordel virou assunto de política pública no Brasil”, disse Ana de Hollanda. A ministra entregou o certificado de premiação aos primeiros classificados em cada uma das quatro categorias do edital: Criação e Produção, Pesquisa, Formação e Difusão em suas respectivas subcategorias. Para os premiados, a ministra disse que “o trabalho de produção artística deles enaltece a cultura brasileira”.
O prêmio recebeu 618 inscrições, sendo 449 projetos classificados. Trata-se da primeira iniciativa do MinC para este segmento da cultura popular e que vem ressaltar a importância da literatura de cordel como patrimônio imaterial brasileiro. A premiação atende também à demanda do setor, quando da realização do Seminário de Políticas Públicas do I Encontro Nordestino de Cordel, em Brasília, em 2009. “Esse programa aponta na direção do que quer a presidenta Dilma Rousseff e a ministra Ana de Hollanda, de que se promova a cultura em todos os cantos do Brasil, reconhecendo a diversidade das expressões culturais do nosso país”, disse Galeno Amorim.

A categoria Criação e Produção foi a que recebeu a maior quantidade de inscrições (323) e também a com mais contemplados – 100, sendo 80 para folhetos e 20 para outras obras. Nesta categoria foi destinado um montante de R$ 1 milhão para a produção de livros, folhetos de cordel, CDs e DVDs, distribuídos entre novos trabalhos e reedições de obras esgotadas. O projeto de José Mauro de Alencar Correia – “O Canto do Patativa” – foi o primeiro colocado na categoria Criação – Produtos Artísticos e também foi a iniciativa que obteve a maior pontuação em todo o edital (96). O projeto consta de um livro, com 13 poemas de Patativa do Assaré, e um CD, com a declamação destes textos, além de uma biografia do mestre cordelista, em formato de cordel. “Este prêmio é um incentivo fundamental, acha visto que o cordel é a literatura-base brasileira”, diz Correia.

A área de Pesquisa recebeu prêmios no valor global de R$ 250 mil, com 10 agraciados. Já o segmento de Difusão teve 40 projetos contemplados – sendo 30 de iniciativas novas – com investimento total de R$ 900 mil.

Outros R$ 850 mil foram destinados para projetos de Formação – sendo 10 iniciativas já existentes e 40 novas. Afonso Fernando Alves de Oliveira foi um dos vencedores nesta categoria, com o projeto “Método canavial”, uma oficina de capacitação na área de produção cultural, para moradores da zona rural de Vicência (PE). Com o prêmio, durante cinco meses, ele capacitará 35 pessoas – oriundas de assentamentos rurais, comunidades quilombolas e grupos de artistas – ajudando-os a elaborar projetos culturais, ou seja, futuros vencedores de prêmios como o Edital Mais Cultura de Literatura de Cordel. Ele destaca que a iniciativa do MinC reconhece um importante nome da poesia popular, Patativa do Assaré, além de celebrar o cordel e a poesia popular, os grupos de coco, emboladores e repentistas. “É um prêmio que revela a cultura do interior do Brasil e cria uma grande produção de livros, de filmes, de capacitações”, diz.

O Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel visa divulgar e estimular a produção literária e demais expressões culturais neste segmento, bem como valorizar e apoiar a propagação da cultura popular, estimulando a geração de renda para poetas e demais artistas que atuem no campo da Literatura de Cordel e linguagens afins. Segundo Fabiano dos Santos, o prêmio confirmou o princípio de Patativa do Assaré, de que ainda temos muito o que cantar, além de criar espaço para que a cultura brasileira seja exercitada.

A cerimônia de entrega da premiação contou com a presença da Banda Dona Zefinha, que musicou poemas da literatura de cordel.

FONTE: Site do Ministério da Cultura

Quadro resumo: Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel

Categoria
Subcategoria
Premiados
Premiação total (em R$)
Criação e Produção
Folheto
80
560.00
Criação e Produção
Produtos
20
440.000
Pesquisa

10
250.000
Formação
Iniciativas existentes
10
250.000
Formação
Iniciativas novas
40
600.000
Difusão
Iniciativas existentes
10
300.000
Difusão
Iniciativas novas
30
600.000
Total

200
3.000.000

FELIZ NATAL, BOM ANO NOVO

Infogravura: ARIEVALDO VIANA (Todos os direitos reservados)

 

CARTÃO DE NATAL

Luiz Gonzaga e Zédantas

Ouvindo os sinos de Deus
Repicando na matriz
Para você e os seus
Peço um Natal bem feliz

Blem, blem, blem
Blem, blem, blem

Um ano novo afortunado
Venturoso e abençoado
Tão ditosa oração do além
Seja ouvida por Deus
E que os anjos digam amém

Blem, blem, blem
Blem, blem, blem

O Senador Inácio Arruda (PCdoB) está fazendo uma homenagem a Luiz Gonzaga no seu cartão natalino com a letra desta canção e xilogravuras de Arievaldo Viana.

VOA, PAVÃO, VOA...

Desenho: JÔ OLIVEIRA


 
A amiga ROSÁRIO PINTO mandou-me esse texto sobre a cordelteca da FUNARTE, onde estão disponiveis mais de 10 exemplares do clássico "Pavão Misterioso" para consulta digital, inclusive a primeira edição da versão em quadrinhos da obra.
 
A Cordelteca - Memória da Literatura de Cordel, da Biblioteca Amadeu Amaral/CNFCP, tem mais de 10 edições distintas sobre o folheto.
Vá no Site www.cnfcp.gov.br em Base de Dados, e no campo de busca digite C0848 será aberto um mundo de edições distintas sobre o PAVÃO MISTERIOSO! EXPERIMENTE!

VOA!!! PAVÃO, VOA!!!!

PAVÃO MISTERIOSO!!!!

O cordel tem dado mostras
De sua versatilidade
Navega na internet
Com a maior tranqüilidade
Escreve em verso o jornal
Cultura imaterial
É tema da atualidade.

Chegando à modernidade,
O cordel virou “global”
Vem de muitos idos tempos,
Na TV é cabedal.
Está presente na tela:
Acompanhe a novela.
Lá tem papel virtual.

Ouvimos muito falar
De um pavão encantado
De um pássaro formoso,
Em um reino afastado
Repleto de peripécia
“Que levantou vôo da Grécia”
De amor acalantado

Foi num antigo reinado
Nos tempos da oralidade
Onde havia uma princesa
Menina de pouca idade
O seu pai muito grosseiro
Trancou-a em cativeiro
Num reino de falsidade

Essa história tem versões
De poeta afamado
José Camelo de Melo
É o mais reivindicado
Pela autoria dos versos
Por motivos adversos
Foi por outro aclamado.

Esse outro poeta foi
O Melquíades Ferreira
Que vendeu muito folheto.
João Camelo, na carreira
Desgostoso e bem zangado
Rasgou os versos guardados,
Que não venderam na feira

Tá chegando o Carnaval:
A temática é cordel.
O Salgueiro homenageia
Nosso vate menestrel
O poeta bem atento,
Acompanha o seguimento
Observando o plantel

Agora vem o Salgueiro
Com o Pavão Misterioso
Trazendo no seu desfile
Também Boi Misterioso
Tem zabumba, tem pandeiro
E tem velho mandingueiro:
Carnaval ambicioso

Pavão Misterioso chega
Na avenida, vem voando
Soltando as suas plumas
A arquibancada gritando:
Voa, voa meu Pavão
Hoje é dia do povão
O Pavão está abafando
(Rosário Pinto)

Abra o link e leia mais de 10 edições distintas e, realize suas pesquisas em:



SILVA, João Melquíades Ferreira da. História do pavão misterioso. Ed. Especial. Campina Grande: [s.n.], 1955. 32 p.
Observe a nota ao final do folheto:
Esta edição traz uma nota do poeta Abraão Batista acerca da autoria.
"Segundo Expedito Sebastião da Silva, poeta gráfico da antiga Editora de José Bernardo. João Melquíades plagiou o Pavão Misterioso, o "original" de José Camelo de Melo. O plágio vendeu melhor do que o original. A gráfica José Bernardo segui o gosto popular. José Camelo, desgostoso rasgou o seu original que perdera a concorrência"

--
Rosário Pinto
ACESSE AS ÚLTIMAS NOVIDADES EM:
http://rosarioecordel.blogspot.com
http://cordeldesaia.blogspot.com
http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria

domingo, 4 de dezembro de 2011

O DISCO DA SEMANA

Luiz Gonzaga – Sangue de nordestino

luiz-gonzaga-1979-sangue-de-nordestino-capa

Fonte: www.forroemvinil.com O áudio é uma colaboração do Cleiton de Abreu, e as capas foram postadas pelo DJ IVAN.

luiz-gonzaga-1979-sangue-de-nordestino-selo-aluiz-gonzaga-1979-sangue-de-nordestino-selo-b


luiz-gonzaga-1979-sangue-de-nordestino-verso


Dezembro é  mês de GONZAGÃO... Dia 13 está chegando, data em que ele faria 99 anos de idade, se vivo fosse. Essa coletânea que traz o clássico “Samarica Parteira” de Zé Dantas. Infelizmente, a EMI-ODEON tinha o hábito de partir a música ao meio, deixando somente a primeira parte. A versão integral saiu num compacto, pelo selo JANGADA.

Luiz Gonzaga – Sangue de nordestino
1979 – Jangada


01. Samarica parteira (Zé Dantas)
02. Só xote (Onildo Almeida)
03. Frei Damião (Janduhy Finizola)
04. O fole roncou (Nelson Valença – Luiz Gonzaga)
05. Tei tei arraiá (Onildo Almeida)
06. Daquele jeito (Luiz Gonzaga – Luiz Gonzaga)
07. Cidadão de Caruaru (Janduhy Finizola – Onildo Almeida)
08. Sangue nordestino (Luiz Guimarães)
09. Fogo pagou (Rivaldo Serrano de Andrade)
10. Retrato de um forró (Luiz Gonzaga – Luiz Gonzaga)
11. A mulher de meu patrão (Nelson Valença)


Para baixar esse disco, clique aqui.

sábado, 3 de dezembro de 2011

CONVITE AOS POETAS


O Ministério da Cultura enviou este convite a todos os participantes do Prêmio MAIS CULTURA 2010 - Edital PATATIVA DO ASSARÉ. O evento será no próximo dia 07 de dezembro, em Fortaleza.

Eis o teor do convite:

CONVITE
O Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional/MinC convidam
para a entrega dos certificados do
Prêmio Mais Cultura de Literatura de
Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré
. O evento acontecerá no dia 07 de
dezembro de 2011, das 14h00 às 16h30, no Teatro do Centro Cultural do Banco
do Nordeste do Brasil, na sede da CCBNB, em Fortaleza-CE.
Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

NOVA PELEJA DE PETER PAN X ARIZONA




ARIZONA DIZ:



Se trabalho fosse bom

Jumento seria louro

Teria o casco de ouro

E só chupava bombom

Jumenta usava batom

Perfume e água de cheiro

Bebia uísque estrangeiro

Trajava seda e cetim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.



PETER PAN:



Mas eu já penso o contrário

Pois no meu modo de ver

Tem gente que quer fazer

Quem trabalha, de otário

Trabalhar pra salafrário

É melhor ser pirangueiro

Vender pimenta de cheiro

Pedir esmola no cais

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - O trabalho é desgastante

Pois traz cansaço e fadiga

Queima mais do que urtiga

Pois é tarefa estafante

Pobre não vai adiante

Mesmo sendo interesseiro

Porque um patrão fuleiro

Me rouba e zomba de mim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.



PP - Trabalho dignifica

Favorece a honradez

Quem não trabalha, talvez

Malvisto no mundo fica

Tem gente que se dedica

Ao trabalho a vida inteira

Mas se o cabra der bobeira

Só trabalha e nada faz

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - Eu trabalhei certa vez

Para um prefeito ladrão

Embusteiro, falastrão,

E sabe o que ele me me fez?

Aquele rato pedrês

Era um fino trambiqueiro

Deu-me um "chêcho" tão certeiro

E ainda veio com pantim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.



PP – Eu também já trabalhei

Uns seis meses enfincado

Num servição empreitado

Por um tal de Sidney

Quando um dia me cansei

Sem da grana “ver o cheiro”

Virei um pai-de-chiqueiro

Dei pinote e tudo o mais

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - Deus estava no seu posto

E disse ao pobre do Adão

Irás ganhar o teu pão

Com o suor do teu rosto

Adão com muito desgosto

Seguiu o triste roteiro

Não saiu do atoleiro

E morreu bem "pobrezim"

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.





PP – Veja o caso de Jacó

Que trabalhou pra Labão

Querendo ganhar a mão

Da filha dele tão só

Mas Labão passou-lhe um nó

Jacó prosseguiu solteiro

Enganou-lhe o sorrateiro

Covarde velho e sagaz

Trabalhar é bom demais

Quando se ganha dinheiro.



A - Porém Jacó foi esperto

E findou virando o jogo

Igual o Cancão de Fogo

Aplicou um golpe certo

Nas quebradas do deserto

Ele fez um mealheiro

Ovelha, bode e carneiro

Tudo isso ele deu fim

Trabalhar é muito ruim

Bom mesmo é ganhar dinheiro.





BREVE SERÁ LANÇADO UM FOLHETO

COM A PELEJA COMPLETA!

AGUARDEM!!!








quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MESTRES DO CORDEL - VII

João Melchíades Ferreira da Silva (2)




Clique no vídeo para reproduzir

João Melchiades Ferreira, violeiro e poeta da Literatura de Cordel
Bananeiras / PB

João Melchíades Ferreira da Silva nasceu em Bananeiras-PB, aos 7 de setembro de 1869 e faleceu em João Pessoa-PB, no dia 10 de dezembro de 1933. Foi sargento do exército. Combateu na Guerra de Canudos e na questão do Acre. É autor do primeiro folheto sobre Antônio Conselheiro.

João Melchíades é autor de mais de 20 folhetos, dos quais destacamos os seguintes:

- ROMANCE DO PAVÃO MYSTERIOZO
- COMBATE DE JOSÉ COLATINO COM CARRANCA DO PIAUÍ
- HISTÓRIA DE JUVENAL E LEOPOLDINA
- AS QUATRO ÓRFÃS DE PORTUGAL
- ROLDÃO NO LEÃO DE OURO
- HISTÓRIA DO VALENTE ZÉ GARCIA
- A GUERRA DE CANUDOS
- PELEJA DE JOÃO MELQUÍADES COM JOAQUIM JAQUEIRA
- CAZUZA SÁTIRO, O MATADOR DE ONÇAS
- DESAFIO DE JOÃO MELCHÍADES COM CLAUDINO ROSEIRA

Fonte:
www.camarabrasileira.com/cordel35.htm


JOÃO MELCHÍADES FERREIRA

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

O poeta popular e cantador João Melchíades Ferreira da Silva nasceu em Bananeiras, Paraíba, em 7 de setembro de 1869.
Filho de pequenos proprietários ficou órfão de pai muito cedo. Nunca freqüentou a escola. Aprendeu a ler com o beato Antônio Simão que pregava o catolicismo e alfabetizava adultos e crianças, por ordem do Padre Ibiapina.
Entrou para o exército aos 19 anos e, cinco anos depois, foi promovido a sargento. Combateu os partidários de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos, em 1897, e participou das campanhas do Acre, na disputa de território entre o Brasil e a Bolívia, em 1903.
Em 1904, depois de reformado do Exército voltou a morar na capital paraibana, onde casou e teve quatro filhos, tornando-se poeta popular e cantador. Segundo alguns, era mais poeta popular do que cantador, não se enquadrando como um repentista nato.
Intitulava-se o Cantor da Borborema e é invocado, com nome e codinome, na obra de Ariano Suassuna A Pedra do Reino.
É autor do folheto A Guerra de Canudos, o primeiro cordel sobre Antônio Conselheiro, publicado no início do século XX que, apesar de não ter sido assinado, foi identificado como seu pelo pesquisador José Calasans.
Os seus folhetos, na sua grande maioria, eram revisados e impressos na tipografia do seu amigo Francisco das Chagas Batista.
Considerado um dos grandes poetas populares da primeira geração de cordelistas do Nordeste brasileiro, Melchíades já publicava folhetos com regularidade em 1914.
Era um poeta-cronista da sua região de origem, principalmente da Serra da Borborema, narrando histórias e feitos dos seus habitantes, beatos, heróis e valentes, além de descrever seus usos e costumes.
Estima-se que seja autor de 36 cordéis. Da sua obra podem ser destacados, além d'A Guerra de Canudos, O Pavão Misterioso; História do valente sertanejo Zé Garcia; As quatro órfãs de Portugal ou o valor da honestidade; Combate de José Colatino com o Carranca do Piauí; História de Rosa Branca de castidade; História de Antonio Silvino; A história de Carlos Magno e os 12 pares de França; Peleja de Joaquim Jaqueira com João Melquíades; História do Rei do Meio Dia e a moça pobre; História sertaneja; Quinta peleja dos protestantes com João Melquíades; História do viadinho e a moça da floresta; O príncipe Roldão no Leão de Ouro; A besta de sete cabeças; As quatro moças do céu: fé, esperança, caridade e formosura
João Melchíades Ferreira da Silva morreu em João Pessoa no dia 10 de dezembro de 1933.


Recife, 15 de dezembro de 2008.


FONTES CONSULTADAS:

ALMEIDA, Átila Augusto F. de; ALVES SOBRINHO, José. Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada. João Pessoa: UFPB, Editora Universitária; Campina Grande: Centro de Ciências e Tecnologia - UFPB, 1978. v. 1.
BENJAMIM, Roberto. João Melchíades Ferreira: biografia. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMelquiades/joaoMelquiades_biografia.html>. Acesso em: 5 dez. 2008.
GRILLO, Maria Ângela de Faria. A arte do povo: histórias na literatura de cordel (1900-1940). 255 f. 2005. Tese (Doutorado em História).- Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, 2005.
JOÃO Melchíades Ferreira: poeta popular. Disponível em: <http://fotolog.terra.com.br/editora_coqueiro%3A503>. Acesso em: 5 dez. 2008.
COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: GASPAR, Lúcia. João Melchíades Ferreira. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.