terça-feira, 12 de abril de 2011

FOLHETIM GLOBAL DIFUNDE A LITERATURA DE CORDEL

A TRILHA DE CORDEL ENCANTADO

Cena da abertura da novela, com desenho imitando xilogravura

Logo no início das atividades deste blog postamos a matéria abaixo falando da estréia da novela global "Cordel Ecantado", seus erros e acertos. Como se pode ver, um dos tópicos mais marcantes fala sobre a trilha sonora do folhetim, cuja abertura foi entregue ao veterano Gilberto Gil. Propúnhamos, para dar uma identidade mais próxima da Literatura de Cordel, músicas de Alceu Valença, Ednardo, Zé Ramalho etc, compositores mais ligados à estética do cordel. Pois bem... Com o desenrolar da trama percebemos que o cordel em si entra na tessitura da trama como fonte de inspiração uma vez que ali estão presentes alguns mitos consagrados dessa literatura: o rei, a rainha, a princesa, o beato (ou profeta), o cangaceiro etc. Além do mais, constatamos que músicas de Alceu Valença, João do Vale e Lenine foram inseridas na trama. Um bom sinal.
Também, vez por outra, aparecem folhetos de cordel nas mãos das crianças ou mesmo pendurados em alguns pontos comerciais da cidade cenográfica. Esse registro é oportuno. Não sei se o texto publicado nesse blog e reproduzido em outros sites (como o portal VERMELHO, por exemplo) chegou a ser lido por algum consultor da novela, mas o que é certo é que algumas dicas foram seguidas.
Arievaldo Viana (17-05-2011)

Novela Global "Cordel Encantado" comete alguns pecados em nome da “licença poética” 
Por: Cancão de Fogo
Foto: Divulgação

Apesar de bem-resolvida visualmente, a trama de Duca Rachid e Thelma Guedes que mistura sertão e contos de fada, poderia ter evitado alguns deslizes e valorizado mais o Romanceiro Popular Nordestino.
O primeiro deslize já começa na abertura... Apesar das xilogravuras em movimento, bem no clima da Literatura de folhetos do Nordeste, a música de Gilberto Gil e Roberta Sá não se encaixa bem na proposta. Pusessem um Alceu Valença, um Ednardo ou um Zé Ramalho para compor aquela trilha e a história seria outra. Aliás, eu vou mais longe... Para dar mais autenticidade ao folhetim, as vozes mais adequadas para aquela abertura seriam MESTRE AZULÃO ou OLIVEIRA DE PANELLAS. Estes sim, entendem de cordel, porque são do ramo e conhecem as toadas mágicas dos velhos folheteiros. Não estou aqui negando o talento de Gilberto Gil como compositor, apenas estou mostrando que existem outras alternativas que se encaixam melhor dentro da proposta da trama global.
Segundo a crítica especializada, "o primeiro capítulo da novela Cordel Encantado foi um dos mais bem resolvidos da atual teledramaturgia brasileira. Com a moral garantida junto à direção Globo por conta do sucesso de Cama de Gato, exibida no horário das 18h em 2010, a dupla de autoras Duca Rachid e Thelma Guedes voltou à faixa horária misturando monarquia e sertão nordestino na passagem entre os séculos 19 e 20." O pecado fica por conta dos sotaques, mas uma vez exagerados, estereotipados, distantes da realidade da maioria dos Estados da Região Nordeste. Parece que, para o povo do Sudeste, o único sotaque que prevalece é aquele do "baiano preguiçoso", de fala cantada, que a própria mídia se encarregou de criar e difundir. Desde já fique claro o meu respeito e admiração pelo povo baiano!

COISA DE CINEMA -  Outra coisa que surpreendeu foi a qualidade das imagens. Por conta da captação de 24 quadros por segundo, a novela é a primeira a ter ares de cinema. Isso ficou evidente na alta definição das imagens panorâmicas gravadas na França e no Sergipe e nos closes generosos no elenco. Mas aí, vem o segundo pecado. Enquanto o figurino do núcleo de SERÁFIA está impecável, a indumentária dos “cangaceiros” passa é longe dos trajes usados por Lampião e seu bando. Estão mais para vaqueiros desajeitados, com enormes gibões medalhados e perneiras, chapéus de sola (e não o tradicional chapéu de couro do cangaço). Pode-se dizer que é por conta da licença poética, mas quem conhece a riqueza pictórica do cangaço nordestino – as roupas e bornais bordados magistralmente por Dadá e outras cangaceiras – acha que o figurino dos cangaceiros globais está paupérrimo em termos de encantos visuais.

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SINOPSE DA TRAMA 

A história apresentada foi a de como a princesa Aurora/Açucena (Bianca Bin) foi parar vivendo na mesma casa que seu amado, Jesuíno (Cauã Reymond), filho do cangaceiro mais temido da fictícia Brogodó, Herculano (Domingos Montagner).
Tudo culpa da viagem que o rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia), líder do fictício país europeu Seráfia, faz ao Nordeste brasileiro em busca de um tesouro. Só que tudo dá errado.
Os cangaceiros atacam a família real, enquanto a duquesa Úrsula (Debora Bloch) e seu mordomo e amante, Nicolau (Luiz Fernando Guimarães), conspiram para matar a rainha Cristina (Alinne Moraes) e seu bebê, a princesa Aurora, para que a filha de Úrsula fique então com o trono.
Desesperada com a perseguição, a rainha consegue deixar sua princesa aos cuidados de uma família nordestina, antes de ser morta por Nicolau.
Os diretores Ricardo Waddington e Amora Mautner conseguiram mesclar na dose certa o ritmo da trama. O primeiro capítulo foi ágil, sem deixar de dar tempo necessário para que o público conhecesse os personagens principais e embarcasse na história.
Apesar das muitas plásticas, o ator Luiz Fernando Guimarães mostrou competência ao fazer um divertido dueto de maldades com Debora Bloch, sua parceira dos tempos de TV Pirata.
Matheus Nartergaele também demonstrou seu já conhecido talento na pele de Miguézim, o profeta nordestino, que anuncia a vinda do rei. Outras boas surpresas foi a volta à TV de Berta Loran, como a rainha-mãe, e a chegada às novelas de José Celso Martinez Corrêa, o mito vivo do teatro brasileiro.
Com o lirismo nordestino recheado de pitadas de conto de fadas, Cordel Encantado tem todos os elementos necessários para conquistar o telespectador típico do horário das 18h.
Miguel Arcanjo Prado, do R7

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AQUECIMENTO NO MERCADO EDITORIAL DO CORDEL – Para o poeta e escritor Marco Haurélio, da assessoria de comunicação da Editora Nova Alexandria, A estreia da novela global Cordel Encantado, segunda, 11 de abril, veio cercada de expectativa. Alguns autores e editores acreditam que, finalmente, a literatura de cordel terá o reconhecimento, há muito reclamado. “O cordel é a bola da vez!”, afirmam os mais entusiasmados. Para a Nova Alexandria, no entanto, o cordel sempre esteve em evidência. A coleção Clássicos em Cordel, criada em 2007, grande sucesso editorial, reúne em seu elenco algumas das maiores estrelas do universo cordeliano.”

Eu, particularmente, considero que os caminhos para o cordel são muito promissores mas esse “oba oba” gerado pela novela pode ser uma faca de dois gumes. A nossa arte já vem sendo muito massacrada por pseudo-cordelistas, gente que não é do ramo, mas aproveita a onda para se infiltrar no mercado editorial. Até escritores "eruditos", que antes repudiavam o cordel, estão se bandeando para os lados do romanceiro popular. Isso poderá resultar numa verdadeira enxurrada de porcarias invadindo o mercado. Os editores precisam ser cuidadosos na seleção dos projetos. Parabéns a editoras como FTD, Cortez e NOVA ALEXANDRIA, que são criteriosas na escolha dos títulos que lançam no mercado.


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Veja alguns títulos do nosso estoque:

- Romance do Pavão Misterioso
- As proezas de João Grilo
- O Soldado Jogador
- Chegada de Lampião no Inferno
- O Batizado do Gato
- A gramática em cordel

- A noiva do gato
- A vida de Pedro Cem
- Iracema, a virgem dos lábios de mel
- A donzela Teodora
- A didática do cordel
- João Bocó e o ganso de ouro
- O rico ganancioso e pobre abestalhado
- O justiceiro do Norte
- O castigo da inveja ou o filho do pescador
- Jerônimo e Paulino ou o prêmio da bravura
- A sorte do preguiçoso e o peixinho encantado
- Quirino, o vaqueiro que não mentia
- Peleja de Zé Ramalho com Zé Limeira, o poeta do Absurdo
- Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum
- Juvenal e o Dragão
- Pedrinho e Julinha
- Viagem a Baixa da Égua


LIVROS:

- Pavão Misterioso em quadrinhos
- Batalha de Oliveiros com Ferrabras em Quadrinhos

- 2ª Edição do livro ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA

- 12 Contos de Câmara Cascudo em CORDEL - Caixa temática

- Antologia de cordéis do poeta Bule-Bule

- Vertentes e evolução da Literatura de Cordel



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BICHO MACHO X BICHO DOS QUADRIS DE TRINCHETE

JOÃO GONÇALVES
X
FLÁVIO CAVALCANTI
Por Arievaldo Viana


Flávio Cavalcanti  - Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti (Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 1923São Paulo, 26 de maio de 1986) foi um jornalista, apresentador de rádio e televisão e compositor brasileiro. Ele costumava quebrar discos de artistas, notadamente os que não faziam parte da panelinha da MPB e levavam sua arte para outro público, fora do eixo Rio-São Paulo, (principalmente nordestinos ou cantores da Região Sul do País, como o saudoso trovador gaúcho Teixeirinha) após crititicá-los na TV. Teixeirinha deu uma resposta à altura ao abusado apresentador:
O “seu” Flávio Cavalcanti
Ele não usa o que eu uso,
Também não pode cruzar
Os lugares onde eu cruzo...
Qualquer dia ele me solta
Que eu faço ele dar mais volta
Do que porca em parafuso.

Mas foi com o paraibano João Gonçalves – considerado O rei do DUPLO SENTIDO, que ele arranjou a “tampa do tabaqueiro”. Após fazer pesadas críticas ao cantor e compositor nordestino, autor, dentre outros, dos sucessos “Severina Xique-Xique”, “Ás de Copas”, “Mata o véio” e “Galeguim dos zói azu”, Flávio Cavalcanti resolveu quebrar o LP “Pescaria em Bouqueirão”, seu disco de 1977. No ano seguinte, João Gonçalves deu-lhe o troco com a excelente música RESPOSTA, do LP “Nordeste de Hoje”. Vejam que obra prima, que sátira escrachada:

Bicho dos quadris de trinchete
Banguelo da venta de bolão
Um dia tu entra no cacete
Para não bancar o gostosão,
Bicho do sangue de procotó
Tu tiveste a ousadia
De criticar meu forró!
Disse que sou mau compositor
Que bom mesmo é discoteque
Que xote não tem valor...

Vai tomar banho na cacimba
Quando tu levanta os braços
Ninguém aguenta a catinga (bis)

Tira esse fuá da cabeça
Bicho besta
Tira esse badalo do pescoço
Bicho grosso
Pega essa língua e dobra ela
Bicho ruim
Pra tu nunca mais falar de mim.

Flávio Cavalcanti é citado também nas músicas “Tu és o MDC da minha vida”, de Raul Seixas, “O adventista”, do grupo baiano Camisa de Vênus e na música “Nome aos bois”, do grupo paulista Titãs.

QUEM É JOÃO GONÇALVES

Por JOSÉ TELES, crítico musical do Jornal do Commercio, de Pernambuco.

JOÃO GONÇALVES - O homem por trás de Severina Xique-Xique

João Gonçalves é o autor do grande sucesso imortalizado por Genival Lacerda. São dele também inúmeras outras canções de duplo sentido, que já o fizeram passar por apertos
José Teles (teles@jc.com.br)
O campinense João Gonçalves é um dos pioneiros do forró de duplo sentido. No início dos anos 70, ele emplacou uma série de estrondosos sucessos nacionais, entre os quais Severina Xique-Xique, Mata o véio, A filha de Mané Bento (estas na voz de Genival Lacerda). Como cantor, João estourou, em 1973, com Pescaria em Boqueirão, do impagável refrão: “Ô lapa de minhoca/ Eita que minhocão/ Com uma minhoca dessas/ Se pega até tubarão”. “Naquele tempo não se fazia a contagem de vendas como acontece hoje em dia. Sei que só com esta música vendi muito mais de cem mil discos, isto pelas contas da gravadora,” diz Gonçalves, que lançou uma dúzia de LPs, por gravadoras de São Paulo, a maior parte pela Tapecar.
Suas músicas foram gravadas por muitos artistas, tocaram bastante no rádio, ele ganhou dinheiro, mas não levava vida mansa. Sua carreira transcorreu durante o período mais barra-pesada da ditadura militar. João Gonçalves tornou-se visitante contumaz das dependências da Polícia Federal: “Eu praticamente fui proibido de trabalhar na Paraíba, pelo doutor Clóvis (não lembra mais o sobrenome) da Polícia Federal. Fui preso duas vezes, uma em João Pessoa, e outra em Cajazeiras”, conta Gonçalves.
A implicância do policial era contra Pescaria em Boqueirão. Nesta prisão em Cajazeiras, ele lembra que nem ousou cantar a música, porque soube que o “doutor Clóvis” estava na cidade: “A banda só tocou. Quem cantou a música inteirinha foi o público”, diz João. Mas não adiantou. O arbitrário policial alegou que já havia avisado que ele não poderia cantar “A minhoca” (como o forró ficou conhecido) em território paraibano.
Mas João não sofria apenas a prepotência da polícia, foi também um dos compositores da época mais perseguidos pela censura (e isto não está nos livros que registram este período mais infeliz da nossa história): “Eu mandava 40, 30 músicas para fazer um LP com 12 faixas. O pessoal da censura via o nome João Gonçalves e já ia cortando as músicas. Por causa daquela que diz ‘o bode comendo acaba’, a polícia tocou fogo em 3,6 mil cópias do meu disco. Estas bandas de hoje, fosse naquele tempo nem gravavam”, comenta o forrozeiro, cujas letras, se comparadas com as de bandas como Saia Rodada ou Cavaleiros do Forró, são inocentes trocadilhos infantis.
Apesar de todo o sucesso no passado, João Gonçalves não tem um único show agendado este período junino, nem mesmo nos palcos “culturais” (onde segregam os trios pé-de-serra) do forrozão de Campina Grande. Aos 71 anos, ele sofre da coluna, mas ainda faria shows, se houvesse espaço para o forró tradicional: “Em nenhuma destas grandes festas ninguém quer mais cantor solo. Só querem as bandas, que fazem um show à parte, mas as letras são horríveis. Eu faço o duplo sentido com classe. Deixo uma expectativa em quem está ouvindo, não uso o palavrão. Naquilo que faço tem cultura, as bandas é só a pornografia. Este pessoal da prefeitura faz umas histórias, aquelas palhaçadas, botam um trenzinho, umas casinhas com um trio de forró, e pagam uma mixaria. Dinheiro mesmo é para as bandas. Estou fora do São João”, critica Gonçalves.
Embora grave esporadicamente, tenha seus discos fora de catálogo, João Gonçalves continua sendo uma lenda entre os forrozeiros e, pela temática de suas composições, constantemente procurado pelos empresários das bandas: “Do jeito que eles querem eu não faço não. Eles gravam as antigas. Catuaba com Amendoim gravou Mariá, Severina Xique-Xique. Tem até uma música que eu fiz para Tom Oliveira que a Aviões do Forró gravou, Locadora de mulher, mas não é de letra pesada, é só engraçada (cantarola o refrão): ‘Eu descobri uma locadora de mulher/ Lá tem mulher do tipo que o homem quiser’”.
João Gonçalves mora numa casa modesta, no distante bairro do Cruzeiro, na periferia de Campina Grande. Mas não se queixa. Reconhece que gastou sem pensar quando ganhava muito dinheiro com discos, shows e direitos autorais, “Ainda componho. Genival Lacerda e outros artistas de forró gravam minhas músicas, mas direito autorais recebo muito pouco. A pirataria não deixa cantor nenhum ganhar dinheiro”.

(© JC Online)

PARA BAIXAR:
QUEM QUISER CONHECER A OBRA DE JOÃO GONÇALVES, TEM QUE FAZER UMA VISITA AO SITE "FORRÓ EM VINIL"
Lá, o visitante irá encontrar diversos LP'S desse
grande artista para DOWNLOAD gratuito:

www.forroemvinil.com
http://www.nordesteweb.com/not04_0607/ne_not_20070617b.htm

O TRONCO DO IPÊ EM CORDEL

Fonte da matéria: www.vilacamposonline.blogspot.com

Blog mantido pelo poeta PEDRO PAULO PAULINO.



C O R D E L
ARIEVALDO VIANA ADAPTA ROMANCE DE JOSÉ DE ALENCAR PARA O CORDEL
A escritora, artista gráfica e editora cearense Arlene Holanda, premiadíssima em diversos certames literários, realiza mais um projeto coletivo envolvendo ilustradores e poetas de cordel. Trata-se da adaptação de dez romances do escritor cearense José de Alencar para a arte de Leandro Gomes de Barros. Dez poetas populares, inclusive a própria Arlene, trabalham nessas adaptações. O poeta Arievaldo Viana escolheu “O Tronco do Ipê”, obra que conhece desde a infância, de enredo muito apropriado para um bom romance de cordel, com suspense, traição, amor, sofrimento e perdão. O Tronco do Ipê foi publicado em 1871 e logo ganhou novas reedições, graças à sua aceitação. A história acontece em uma fazenda cujo o nome é Nossa Senhora do Boqueirão. O projeto inicial da editora previa que cada cordel deveria ter, no máximo, 100 estrofes em sextilhas ou setilhas. Arievaldo optou pelas setilhas e, para não prejudicar o encadeamento da história, teve que extrapolar o número de estrofes, chegando a 130. Vejam a seguir, alguns trechos da adaptação:

Quando as musas do Parnaso
Resolvem me visitar
Eu escolho um bom romance
E me ponho a folhear...
Como este que se lê
O livro “O TRONCO DO IPÊ”
De José de Alencar.

Mergulhando na leitura
Nas profundezas do sonho
As musas vão me guiando
E a nada disso me oponho
Tudo que vou lendo em prosa
Eu transformo em rima e glosa
E para o “CORDEL” transponho.

Foi no século dezenove
No tempo da escravidão
Na região fluminense
Ali viveu um barão...
De belas terras se apossa
Sua fazenda era Nossa
Senhora do Boqueirão.

Tinha uma filha somente
Um anjo louro e mimoso
Alice era o seu nome
Tinha o sorriso bondoso
No verdor de sua infância
Dava maior relevância
Ao cenário majestoso.
Ali vivia um garoto
Pelo barão adotado
Seu pai fora muito rico
Porém morrera arruinado
A sua mãe adorada
Era como uma agregada
Isso o tornou revoltado.

Mário, o menino falado,
Brincava em companhia
De Alice e uma amiga
Mil travessuras fazia,
Porém, quando se zangava
A menina destratava
Com desprezo e ironia.

Apesar de tudo isso
Alice não se importava
Porque desde pequenina
Ao Mário ela estimava
Com carinho e paciência
Na flor de sua inocência
Não sabia que o amava.

Mário tinha treze anos
Já era um adolescente
Alice era mais jovem
E tinha onze, somente,
Era feliz e risonha
Na quadra que a gente sonha
Do jeito mais inocente.

Numa belíssima manhã
Saíram os três animados
Por um pajem e mucamas
Muito bem acompanhados
Visitar “Pai Benedito”
Num sítio um tanto esquisito
De mistérios insondados.

(...)

INFORMAÇÃO IMPORTANTE: Arlene Holanda nos informa que as obras serão lançadas pela editora ARMAZÉM DA CULTURA.

O projeto ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL visa editar oito livros com adaptações em cordel de romances do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), selecionados entre os títulos mais relevantes de sua produção literária. Levando em conta a diversidade de temáticas, foram escolhidos três romances indianistas, três urbanos/de costumes e dois regionalistas.
o projeto foi vencedor do EDITAL MECENAS II da Secretaria de cultura do estado do ceará;

Títulos da coleção/adaptado por:
LIVRO 1 - Iracema – Stélio Torquato
LIVRO 2 - O Guarani – Klevisson Viana
LIVRO 3 – Ubirajara - Godofredo
LIVRO 4 - Lucíola – Marco Haurélio
LIVRO 5 - A viuvinha – Rouxinol do Rinaré
LIVRO 6 – Senhora – Josenir Lacerda
LIVRO 7 - O sertanejo – Evaristo Geraldo
LIVRO 8 - O tronco do ipê – Arievaldo Viana


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