terça-feira, 6 de novembro de 2012

Benjamim Abraão, Padre Cícero e Lampião


 LANÇAMENTO:
 
Benjamin Abrahão:
entre anjos e cangaceiros

Autoridade na cultura do Nordeste do Brasil, o historiador Frederico Pernambucano de Mello nos apresenta o livro Benjamin Abrahão: entre anjos e cangaceiros (Escrituras Editora), que traz a biografia do secretário particular do padre Cícero, do Juazeiro, de 1917 a 1934, além de fotógrafo autorizado do cangaceiro Lampião, tendo acompanhado os diferentes bandos de que este dispunha em sete Estados do Nordeste, no meado de 1936, creditando-se como responsável pela mais completa documentação do cangaço jamais obtida, ao incorporar a imagem cinematográfica às velhas fotografias conhecidas.
A obra é ensaio interdisciplinar que ocupou boa parte da vida do autor, e também um livro de arte, com dezenas de fotografias e de fotogramas históricos da trajetória do sírio Benjamin Abrahão Calil Botto -- um “conterrâneo de Jesus”, como se declarava, por conta do nascimento em Belém, na Terra Santa --, que desembarcou no Porto do Recife em 1915, aos 15 anos de idade, fugindo da Grande Guerra, para trilhar uma aventura extraordinária pelos sertões do Brasil setentrional.
No livro, Pernambucano de Mello, reconhecido por Gilberto Freyre, já em 1984, como “mestre de mestres em assuntos de cangaço”, apresenta pesquisa profunda, feita ao longo de 40 anos. Pela primeira vez, é divulgado o conteúdo da caderneta de campo deixada por Benjamin Abrahão, recolhida pela polícia no momento de seu assassinato com 42 punhaladas, no começo de 1938, no sertão de Pernambuco, aos 37 anos de idade. Cobrindo os anos da missão sobre o cangaço, a caderneta abrange o período 1935-1937, com lançamentos alternados em português e em árabe, assim impusesse a necessidade de sigilo sobre o assunto. O historiador trabalhou por três anos, com dois professores de árabe, traduzindo, ponto a ponto, o conteúdo averbado -- muitas vezes resultante de conversas noite adentro com Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros -- que são relatos que matam polêmicas e contestam versões atuais sobre fatos e figuras das décadas de 1910, 1920 e 1930, como o polêmico Floro Bartolomeu da Costa e a apregoada amizade entre Lampião e o padre Cícero, além de informações que dizem respeito ao real combate do Batalhão Patriótico à Coluna Prestes, para o qual traz entrevista inédita que fez com Prestes, em 1983, no Recife.

Particularmente importante, pela originalidade, é a revelação da matriz setecentista e estrangeira do pensamento social brasileiro dos anos 1930 sobre o cangaço, presente, sobretudo no chamado romance nordestino, tendente a culpar a sociedade e a desculpar os excessos dos protagonistas do fenômeno. O mesmo se diga sobre a revelação, de todo desconhecida até o presente, dos esforços de apropriação internacional do apelo épico que o tema encerra, por parte das facções travadas em luta de morte ao longo da década aludida: o Reich alemão contra o Soviete russo, Hitler contra Stalin, ao tempo em que Lampião dava as cartas na caatinga.

O livro traz ainda apêndice com a reprodução de importantes documentos, colhidos em pesquisa que contou com o apoio de muitos colaboradores e instituições, como a Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, a Cinemateca Brasileira de São Paulo, os arquivos Renato Casimiro/Daniel Walker, do Juazeiro, e da antiga Aba-Film, de Fortaleza, ambos do Ceará, entre outros.

Sobre o autor:

Frederico Pernambucano de Mello possui formação em história e direito. Na Fundação Joaquim Nabuco, do Ministério da Educação, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre, de 1972 a 1987, período em que se especializou no estudo da cultura da região Nordeste do Brasil, tendo publicado os seguintes livros: Rota batida: escritos de lazer e de ofício, Recife, Edições Pirata, 1983; Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil, Recife, Editora Massangana/ Fundação Joaquim Nabuco, 1985 [ora em 5ª edição pelo selo A Girafa, de São Paulo]; Quem foi Lampião, Recife-Zürich, Stähli Edition, 1993 [ora em 3ª edição]; A guerra total de Canudos, Recife-Zürich, Stähli Edition, 1997 [ora em 3ª edição pela A Girafa]; Delmiro Gouveia: desenvolvimento com impulso de preservação ambiental, Recife, Editora Massangana/ Fundação Joaquim Nabuco-CHESF, 1998; Guararapes: uma visita às origens da Pátria, Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2002; Tragédia dos blindados: a Revolução de 30 no Recife, Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2007; Estrelas de couro: a estética do cangaço, São Paulo, Escrituras Editora, 2010, livro finalista do Prêmio Jabuti de 2011, nas categorias projeto gráfico e ciências humanas.  É membro dos Institutos Históricos de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, e da Academia de História Militar Terrestre, tendo sido curador internacional da Fundação Bienal de São Paulo para a Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 Anos, São Paulo, 2000, e presidente da União Brasileira de Escritores – Seção de Pernambuco.  Na Academia Pernambucana de Letras, ocupa a cadeira 36 desde o ano de 1988. Pela originalidade de seus estudos, pelo volume da obra que produziu, e por se dedicar a aspectos de nossa história considerados ásperos e de pesquisa difícil, tem sido considerado o “historiador do Brasil profundo”, na palavra do professor Nelson Aguilar.


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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

OS TRAÇOS DE LEANDRO

 Foto clássica do poeta Leandro Gomes de Barros
 
Ilustração publicada no blog de Newton Thaumaturgo


No blog "Muncipalismo", de Newton Thaumaturgo (www.newtonthaumaturgo.blogspot.com.br) encontra-se essa ilustração retratando o poeta Leandro Gomes de Barros. O desenho está muito bonito, mas a boca não corresponde à fotografia clássica do poeta Leandro Gomes de Barros. Na verdade Leandro tinha os labios finos, coisa que ele mesmo atesta em um poema auto-biografico. Outra característica são os olhos "bem azuis, da cor do mar" que também não aparecem dessa forma na ilustração. Vejamos o auto-retrato do poeta:

LEANDRO POR ELE MESMO
Os Traços de Leandro Gomes de Barros[1]
 
A cabeça, um tanto grande e bem redonda,
O nariz, afilado, um pouco grosso:
As orelhas não são muito pequenas,
Beiço fino e não tem quase pescoço.

Tem a fala um pouco fina, voz sem som,
Cor branca e altura regular,
Pouca barba, bigode fino e louro,
Cambaleia um tanto quanto no andar.

Olhos grandes, bem azuis, têm cor do mar:
Corpo mole, mas não é tipo esquisito -
Tem pessoas que o acham muito feio,
Mas sua mãe, quando o viu, achou bonito!

___________________________________
[1] Auto-retrato de Leandro Gomes de Barros na quarta-capa do folheto Peleja de Manoel Riachão com o Diabo.

Arievaldo Viana
 
OUTRAS IMAGENS DO POETA DE POMBAL
 

Capa do folheto "Discussão com uma velha de Sergipe"
 

 
Leandro por Jô Oliveira


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DIÁRIO DE VIAGENS

Arievaldo Viana e Fernando Assumpção
 
 
Esta semana estivemos no eixo Rio-São Paulo participando de um documentário intitulado "Mestres do Cordel", produzido pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC, com direção e roteiro de Fernando Assumpção, juntamente com os poetas Mestre Azulão, Olegário Alfredo e Dideus Sales. Ao todo, foram colhidos 20 depoimentos que após a edição e sonorização serão disponibilizados na internet. Outros produtos poderão surgir a partir desses depoimentos, inclusive um livro.

EM TEMPO: Quero agradecer de coração a maravilhosa acolhida que recebi dos amigos Gonçalo Ferreira, Fernando Assunção, Marcus Lucenna, Chico Salles, Mestre Azulão e Maria Rozário Pinto. Muito bacana, o pessoal da produção do documentário. Nota dez para a Chiquita, onde nos reunimos para gravar e almoçar. Senti falta da minha amiga Dalinha Catunda.
 
EM SÃO PAULO
 
 
 
No período de 29 a 31 de outubro, realizamos uma série de palestras nos SESI's de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Mauá. Ao lado de Moreira de Acopiara, realizamos também uma apresentação em Diadema. Em todos os lugares fomos tratados com muito carinho e atenção, mas o momento mais marcante foi este acima, uma homenagem dos alunos de São Bernardo, num teatro lotado por mais de 500 estudantes. Na ocasião, cantaram músicas de Luiz Gonzaga e declamaram meu cordel "Romance de Luzia Homem", vencedor do prêmio Domingos Olympio de Literatura, em 2002.
 
Nosso sincero agradecimento a Ricardo Barros, diretor do SESI, responsável pelo convite que nos levou até São Paulo. Os agradecimentos se estendem também aos poetas Marco Haurelio e Moreira de Acopiara e ao casal Mauro Viana/Natália, que me hospedou em seu apartamento no bairro do Cambuci.


Arievaldo Viana


 
Encontro na Livraria Cortez, com Mouzar Benedito,
Mauro Viana e Marco Haurélio.
 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

NOSSOS MESTRES DO CORDEL


 
Arievaldo Viana


Mestre Azulão

"Nossos Mestres do Cordel" registra 20 Poetas



Depois de 10 dias de gravações, em dois meses e mais de 80 horas de fitas gravadas, o projeto financiado pelo IBRAM "Nossos Mestres do Cordel" completa a primeira fase de captura de depoimentos. "Iniciaremos a edição, a mixagem do som e a finalização. Produziremos 20 depoimentos que estarão disponível ao público pesquisador e amante da literatura de cordel. Atraves deste depoimentos, que ficarão disponiveis na web, poderão surgir outras pesquisas que não exigirão a presença física do poeta-entrevistado e pesquisador-entrevistador" Relata Fernando Assumpção, gerente do projeto.
Neste ultimos dias 27 e 28 de outubro, foram registrados os Poetas Olegário Alfredo, Arievaldo Vianna, Dideus Sales e Mestre Azulão.
 
 


terça-feira, 23 de outubro de 2012

GABRIELA EM CORDEL

 
EDITORA LUZEIRO RELANÇA
GABRIELA EM CORDEL


A editora Luzeiro inaugura um novo tempo e coloca novamente em seu catálogo uma das grandes obras escritas por Manoel D’Almeida Filho, um dos mais consagrados autores de cordel. Amigo de Jorge Amado que era, verteu este romance para a linguagem do cordel que agora ganha mais uma edição, enriquecido pelas ilustrações de Walfredo de Brito, o livro traz a apresentação de Aderaldo Luciano:

(...)
Mas eis que resolve escrever em cordel a sua visão da novela Gabriela, cravo e canela, transmitida pela televisão em 1975, adaptada do romance homônimo de autoria de Jorge Amado. Como não poderia deixar de ser, aventura-se pela narrativa longa para apresentar seu filtro sobre a cidade de Ilhéus, seus personagens em conflito e suas mulheres exuberantes, oferecendo o calor de seus seios e a sedução de seus corpos no amor pago, entre as paredes do obsequioso Bataclã. Todos e tudo comandados pela mão de ferro e pelo ferro na mão do poderoso Coronel Ramiro. A história corre solta no estilo precioso do autor cujo narrador, a serviço da boa narrativa, aparteia o leitor sempre que quer mudar a cena observada ou os fatos apresentados.

Mais informações:
96 páginas
ISBN 978-85-7410-123-1
R$ 20,00
Editora Luzeiro (11) 5585-1800
vendas@editoraluzeiro.com.br

Fonte: www.fotolog.terra.com.br/varnecicordel

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

LANÇAMENTO

Sesc lança cordel no Mercado Central

 



 
LiteraturaNeste sábado (20/10), o Sesc realiza o lançamento do cordel dos poetas populares Arievaldo Viana e Jota Batista, intitulado “Aprendeu andar de moto, mas não sabia parar”.





O evento acontece, a partir das 11 horas, no Mercado Central de Fortaleza. Exemplares do cordel serão distribuídos gratuitamente.
Baseado numa história real e muito engraçada, o folheto conta a confusão feita por João Bianor, um sacristão todo errado, na cidade de Canidé –interior do Ceará. Cansado de andar em cima de uma jumenta, o sacristão compra uma moto com motor alemão, para lhe servir de transporte. O problema era que José Bianor, que pela falta de princípios também era conhecido pelo nome de “Pornô”, não sabia parar o veículo e “desembestou” pela cidade.
Os detalhes dessa confusão serão apresentados durante o lançamento do cordel, onde os poetas fazem uma mistura de música e versos, recitando acompanhados do violão este e outros causos para o público presente.
 
Cordel “Aprendeu andar de moto, mas não sabia parar”/ Foto: Divulgação.

Sesc Cordel
SERVIÇO

Sesc lança cordel no Mercado Central

Local: Mercado Central de Fortaleza
(Av. Alberto Nepomuceno, 199 – Centro)
Período: 20/10
Horário: 11h
Informações: (85) 3252-2215
:::Gratuito:::

TRECHO:


Frei Raimundinho Cornélio
Veio lá da Alemanha
Trouxe uma motocicleta
Que parecia uma aranha
Não para pegar piranha
Que ele era Capelão,
Vigário de profissão,
Mas o transporte abafou
Tanto até que despertou
Inveja no sacristão.

 
Quando o vigário passava
No seu transporte bonito
Muita mulher suspirava
E renegava o “bendito”
Oh! tentação do maldito
Mulher loura, mulher crespa...
Fez empréstimo na BOVESPA
O sacristão invejoso
E andava todo garboso
Amontado numa VESPA.
 

Esse dito sacristão
Era José Bianor
Porém por não respeitar
Os princípios do pudor
Só lhe chamavam “Pornô”
De dia era na igreja
E de noite na cerveja
Bebendo e dizendo: - Figa!
Só atrás de rapariga
Ora mais e ora veja!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

DECLAMANDO




ARENA DAS HISTÓRIAS - 58ª Feira do Livro de Porto Alegre-RS (2011)
 
ACORDA CORDEL - NOVA EDIÇAO - ADQUIRA JÁ A SEGUNDA EDIÇÃO DO "KIT" DO PROJETO
ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA.

1 - LIVRO COM 144 páginas, tamanho 28x21cm, com a história da Literatura de Cordel, técnicas da poesia popular e exercícios para professores e estudantes.

2 - CAIXA COM 12 FOLHETOS, de autores diversos, incluindo a Gramática em Cordel e a Didática do Cordel.

3 - CD com 10 poemas musicados ou declamados por Arievaldo Viana, Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza e Mestre Azulão.

Valor total do KIT - R$ 60,00 + DESPESAS POSTAIS. Enviamos pelo CORREIO para qualquer parte do Brasil.

DESCONTOS ESPECIAIS PARA REVENDEDORES.

Maiores informações: acordacordel@ig.com.br
 
 
Oficina do projeto ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA
com professores da Secretaria de Educação de Boa Viagem-CE