segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mestre Azulão homenageado em livro e DVD

Uma feira de saudades

Mestre Azulão e os poetas Arievaldo, Piúdo e Izaias Gomes

Livro conta a história da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, a partir de depoimentos de migrantes e também de poemas de cordel.

“A feira de São Cristóvão não é exatamente uma feira. Ou não é só isso. Instalada há mais de sessenta anos no Campo de São Cristóvão, zona norte do Rio de janeiro, o lugar é, fundamentalmente, um ponto de encontro. Qualquer que seja ele. É lá que o povo nordestino, que deixou sua terra em busca da sorte da cidade grande, pode recuperar um pouco do que ficou para trás. Ali ele se reencontra com o forró e a cachaça, com a macaxeira e o feijão-de-corda, com a pimenta, com o xaxado e o baião, com os cheiros, com os versos, com a chita e a renda (...)”.
  • Um relato repleto de memórias, cheiros, sabores, sons, cores e histórias. Assim pode ser descrito o livro “Feira de São Cristóvão – a história de uma saudade”, da historiadora Sylvia Nemer, publicado neste ano pela editora Casa da Palavra. A obra é fruto de uma pesquisa de doutorado realizada pela autora e reconstrói a memória cultural deste tradicional ponto de encontro, com uma linguagem fluida e apaixonada, auxiliada pela variedade de imagens que acompanham a obra.
    São mais de 50 anos de uma história que, na maioria das vezes, se confunde com a memória pessoal de retirantes nordestinos, os quais encontravam na feira um espaço para se reaproximar, nem que fosse em um único dia na semana, das tradições de sua terra natal. O Nordeste aqui é recriado por um conjunto de recordações que transbordam saudade. A literatura de cordel é uma das fontes principais- por meio dos poemas, os cordelistas do Rio de Janeiro escrevem muito sobre o próprio migrante e sua luta para sobreviver no ambiente físico e social da metrópole.
    “A saudade da família, de sua terra, de sua casa, faz com que os migrantes encontrem na Feira seu novo lar, seu novo conforto. E foi a partir desta constatação e com a possibilidade de concretizar um sonho antigo, que me dediquei a este tema, a princípio reservado aos nordestinos. A ideia é resgatar a tradição e fazer a união entre o Nordeste e o Rio de Janeiro, mediada pelas histórias contadas nos folhetos escritos pelos cordelistas da cidade”, conta Sylvia.
    Vale lembrar que esta edição do livro vem acompanhada do DVD “A feira do Nordeste por um poeta cabra da peste”, de Maria de Andrade. O filme narra a história do poeta e cordelista, Mestre Azulão, um dos fundadores da Feira de São Cristóvão, cuja obra também serviu de fonte para a pesquisa historiográfica realizada por Sylvia.

    “Feira de São Cristóvão – A história de uma saudade” tem 144 páginas e custa R$75.

Fonte da matéria: www.revistadehistoria.com.br

 

domingo, 18 de dezembro de 2011

FLAGRANTE

 

O GATO E O BATIZADO

Por PEDRO PAULO PAULINO


É do nosso saber que os gatos são malandros, preguiçosos e dorminhocos. Enquanto, à noite,o cachorro vigia a casa, o gato está invadindo os cômodos da residência, principalmente a cozinha. Há um dito popular, segundo o qual, “os cães têm dono e os gatos, escravos”. De certos maneirismos encontrados nos gatos, surgiu até um adjetivo muito apropriado a certas pessoas: gatuno. O grande escritor Edgar Alan Poe deixou bem claro em um de seus mais celebrados contos, o quanto um gato é malino, mesmo depois de morto… Enquanto isso, o cachorro foi aclamado apenas com aquela música do Waldick Soriano que todo mundo conhece; aliás, com muito menos cabo aos caninos. No cordel, o cachorro fiel e dedicado é retratado com maestria por Leandro Gomes de Barros no clássico “O cachorro dos mortos”.

Hoje de manhã, entrei em um cômodo de minha moradia, onde se encontram livros e minha coleção de folhetos de cordel. Flagrei na hora um bichano, ainda adolescente, bem tranquilo descansando sobre meus folhetos. E, para maior surpresa, ele estava bem agasalhado na prateleira da estante, tendo ao lado o folheto escrito por meu amigo Arievaldo Viana, intitulado (vejam só que ironia!) “O Batizado do Gato”. Ari vai mostrar algumas das estrofes desse seu trabalho:





Depois do poder de Deus

O dinheiro é o segundo.

Uma vez disse-me um velho,

De saber muito profundo:

"Dinheiro e mulher bonita

é quem governa esse mundo"



Este velho que me disse

A sábia filosofia

Narrou-me mais essa história

Curiosa em demasia

O batizado de um gato

Que presenciara um dia



A dona deste felino

Há anos era casada

E como não tinha filhos

Já estava desesperada

O marido deu-lhe um gato

Pra distrai-la, coitada



Era um bichano mourisco

Pêlo sedoso e com brilho

Nasceu de uma ninhada

Dentro da palha do milho

Sua dona tresloucada

O tratava como  filho



Até nome o gato tinha:

Belarmino foi chamado

Nunes Pereira da Costa

Em cartório registrado

O sobrenome dos donos

O bichano havia herdado



Comprava bife e lagosta

Para o felino jantar

Bacalhau da Noruega

Lhe davam para almoçar

Uma criada então disse:

- Só falta se batizar!



Ela mal  fechou a boca

O dono disse apressado:

Sua idéia é muito boa

Que plano mais acertado!

Vou falar com o capelão

E marcar o batizado



A mulher muito feliz

Foi tratar do enxoval

Enquanto o marido ia

À Casa Paroquial

Falar com padre Nonato

Pra batizar o animal.


(...)


O Batizado do Gato - MP3




Download OUVIR...
Mestre Azulão declama "O Batizado do Gato" de Arievaldo Viana
O BATIZADO DO GATO - Autor ARIEVALDO VIANA
Arquivo de áudio MP3 [4.9 MB]
O BATIZADO DO GATO NO YOUTUBE
Com Serginho, do grupo PAJEARTE
CORDEL - BATIZADO DO GATO.wmv


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Enviado por em 03/10/2010
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O DISCO DA SEMANA

Luiz Gonzaga – Seu Canto, Sua Sanfona e Seus Amigos – Vol. 7



Luiz Gonzaga – Seu Canto, Sua Sanfona e Seus Amigos – Vol. 7


Musicas

01 – Quem É
02 – Roendo Unha
03 – Sivuca No Baião
04 – Se Não Fosse Este Meu Fole
05 – Forró Gostoso
06 – Bamboleado
07 – Cajueiro Velho
08 – Mazurca
09 – Súplica Cearense
10 – Sanfoneiro Zé Tatu
11 – Nessa Estrada Da Vida
12 – Baião No Braz
13 – De Teresina À São Luis
14 – Aquilo Bom
15 – Galo Garnizé
16 – O Baião Vai
17 – Terra, Vida E Esperança
18 – No Mundo Do Baião


(Contribuição: William Paiva – Recife – PE)


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

CORDEL E CINEMA

Glauber Rocha e a literatura de cordel: uma relação intertextual


Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/livros/glauber-rocha-e-a-literatura-de-cordel-uma-relacao-intertextual

Rodrigo Elias

O cinema de Glauber Rocha pode ser caracterizado de várias maneiras, menos como algo simplório. Assim também acontece com a cultura popular. No livro de Sylvia Nemer, a análise dos filmes “Deus e o diabo na terra do sol” (1964) e O dragão da maldade contra o santo guerreiro” (1969) leva em consideração a literatura nordestina de cordel, com toda a mitologia do cangaço. Em trabalho que lhe rendeu o Prêmio Casa de Rui Barbosa, a autora destrincha a “estética da fome” de Glauber, mostrando que o cineasta não “representava” simplesmente a violência da condição social (e natural) à qual esteve (e está) submetida parte considerável dos brasileiros do Nordeste. Ao contrário, ele conseguiu desenvolver, através do seu discurso cinematográfico, uma linguagem da violência, presente na apropriação que ele faz da cultura popular do cordel e na representação dos personagens, das situações e falas na tela grande. A abordagem, com marcante ancoragem teórica, torna o livro de interesse preferencialmente para especialistas.

CORDEL EM CD

 

ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA EM CD

MESTRE AZULÃO GRAVA PARTICIPAÇÃO NO CD ACORDA CORDEL

José João dos Santos, o famoso MESTRE AZULÃO, autor de mais de 300 folhetos de cordel, cordelista pioneiro na Feira de São Cristóvão-RJ, cuja obra é pesquisada e admirada em países como Portugal, França e Estados Unidos, acaba de gravar uma participação especialíssima no CD do Projeto ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA.

Mestre Azulão colocou a sua viola afinada na faixa "A BOTIJA ENCANTADA E O PREGUIÇOSO AFORTUNADO", de Arievaldo e Klévisson Viana, que é declamada no CD por ARIEVALDO.

Mas a grande sensação é a faixa O BATIZADO DO GATO, um cordel de Arievaldo Viana, interpretado por AZULÃO, ao som de sua magnífica viola.

EIS O REPERTÓRIO DO CD:

1 – ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA – Autor: Arievaldo Viana

2 – OS PASSOS DO LETRAMENTO – Autor: Arievaldo Viana

3 – MATEMÁTICA EM CORDEL – Autores: Zé Maria e Jocélio

4 – PORQUE NÃO APRENDI A LER – Autor: Alberto Porfírio

5 – O ABC DA VIDA – Autor: Arievaldo Viana

6 – A BANDEIRA BRASILEIRA – Autor: Dr. Antônio Ferreira

7 – CEARÁ SELVAGEM – Autor: Rogaciano Leite

8 – A GRAMÁTICA EM CORDEL – Autor: Zé Maria de Fortaleza;

9 – CONFISSÃO DE CABOCLO – Autor: Zé da Luz

10 – O BATIZADO DO GATO – Autor: Arievaldo Viana

11 - Faixa Bônus:  A BOTIJA ENCANTADA E O PREGUIÇOSO AFORTUNADO
Autores: Arievaldo e Klévisson Viana

PARA ADQUIRIR O KIT COMPLETO DO PROJETO ACORDA CORDEL (LIVRO, CAIXA DE FOLHETOS E CD) entre em contato conosco através do e-mail:
acordacordel@ig.com.br

ENVIAMOS PELO CORREIO PARA QUALQUER PARTE DO BRASIL.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

FABIO SOMBRA EM FORTALEZA


Encontra-se de passagem por Fortaleza o escritor, cordelista e violeiro Fábio Sombra, realizando pesquisa para mais um de seus livros. Ontem tivemos animado bate-papo, com direito a vinho e boa música em minha residência. Ele veio na companhia de seus livros e de um curioso instrumento português chamado "Ukulelê", uma pequena viola, mais parecida com um cavaquinho, de sonoridade bem interessante. O instrumento foi batizado carinhosamente com o nome de 'Francisquinho'. Fábio encantou-se com as canções de Zé Viola, a rabeca de Beto Brito e o Pastoril do Velho Faceta. Seja bem vindo, companheiro!

Yuri experimenta o "Francisquinho"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO


MELINDROSO NA VERSÃO LIVRO

Finalmente o 'Jumento Melindroso' saiu na tão esperada versão livro infanto-juvenil, com o patrocínio da Fundação Sintaf e apoio cultural da AAFEC e do SINTAF-CE. O lançamento será no dia 22 de dezembro, durante o NATAL DOS FAZENDÁRIOS, no Círculo Militar de Fortaleza.

O livro saiu com o selo editorial da PREMIUS EDITORA, de Fortaleza, com tiragem inicial de 2 mil exemplares. Texto e ilustrações do autor, que contou com a colaboração de EDUARDO AZEVEDO na composição de algumas cenas.

A história, ambientada no final do século XIX, quando ainda governava o imperador D. Pedro II, é ambientada no Sertão Central do Ceará e fala de um astucioso jumento que afronta os saberes acadêmicos de dois renomados cientistas europeus.

Breve nas melhores livrarias de Fortaleza.

Pedidos para: acordacordel@ig.com.br
DESCONTOS ESPECIAIS PARA ESCOLAS QUE QUEIRAM ADOTAR A OBRA COMO LIVRO PARADIDÁTICO.