sexta-feira, 1 de abril de 2016

EX-LIBRIS


Ex libris (do latim ex libris meis) é a expressão que significa, literalmente, "dos livros de" ou "faz parte de meus livros", empregada para associar o livro a uma pessoa ou a uma biblioteca. Portanto, ex libris é um complemento circunstancial de origem (ex + caso ablativo) que indica que tal livro é "propriedade de" ou obra "da biblioteca de".
A inscrição pode estar inscrita numa vinheta colada em geral na contra capa ou página de rosto de um livro para indicar quem é seu proprietário. A vinheta em geral contém um logotipo, brasão ou desenho e a expressão "Ex libris" seguida do nome do proprietário. É possível que contenha um lema, ou citação.
Inscrições de propriedade em livros não eram comuns na Europa até ao século XIII, quando outras formas de biblioteconomia se tornaram comuns. No Brasil, o "ex-líbris" da Biblioteca Nacional foi criado em 1903 pelo artista Eliseu Visconti, responsável pela introdução do art-nouveau no país.

segunda-feira, 21 de março de 2016

PALESTRA EM SOUSA-PB

AS AVENTURAS DO CANTOR DA BORBOREMA NO ABRIL DAS LETRAS



No mês que vem retornaremos ao Centro Cultural Banco do Nordeste, de Sousa-PB, a fim de realizar uma palestra sobre João Melchíades Ferreira da Silva, ex-combatente da Guerra de Canudos, possivelmente o primeiro poeta popular a escrever e publicar um folheto sobre Antônio Conselheiro e seus seguidores. Dentre o material pesquisado para essa palestra, estão alguns folhetos raríssimos de Melchíades localizados na Biblioteca da USP, no acervo que ficou conhecido como 'Fundos Villa-Lobos'. São eles: 'Os homens da Cordilheira' que fala de velhas figuras do Brejo Paraibano e da Serra da Borborema; e 'Melchíades escreve a Cícero Galvão sobre a açudagem no Seridó'. Esse Cícero Galvão, militar reformado, era bibliotecário da Biblioteca Nacional. De antemão registramos os nossos agradecimentos à dra. Elisabete Marin Ribas e a Lucas Pugliesi, da USP, pela gentileza de localizar e fotografar esses documentos.

No folheto 'Os homens da Cordilheira' Melchíades informa que era neto do Beato Antônio Simão, um seguidor do Padre Ibiapina, que curiosamente vestia-se como Antônio Conselheiro e tinha um modo de vida parecido. O neto, sargento do Exército Brasileiro, combateu em Canudos ao lado das tropas do Governo. O CCBNB vai homenagear, no ABRIL DAS LETRAS, Euclides da Cunha e revelar também outras visões sobre este importante acontecimento de nossa história. Vejamos algumas estrofes extraídas das páginas 19-20:

Tu vês aquela capela
Do Olho D’água de Fora
Bem na testa da montanha
Que Manoel da Silva mora?
Dá uma história bonita
Que hás de saber agora.

Ali morava um beato
De nome Antônio Simão
Que vivia em penitência
Igual a um ermitão
Porque Padre Ibiapina
Deu-lhe esta obrigação.

Era proibido falar
No dia de sexta-feira,
Jejuava quarta e sexta,
Depois a quaresma inteira
Ensinava a doutrina
Ao povo da Cordilheira.

Trajava um manto azul
Camisola de algodão
E não usava chapéu
Só vivia de oração,
Às quatro da madrugada
Já estava em devoção.
(...)


(In Os homens da Cordilheira - FVL, 12.)

quarta-feira, 16 de março de 2016

ARIEVALDO NA PARAÍBA



Ilustração: Klévisson Viana


Amanhã, dia 17 de março, o poeta ARIEVALDO VIANNA se apresentará no Centro Cultural BNB da cidade paraibana de Sousa, a partir das 19h00, com o recital "A Peleja de Zé Limeira com Zé Ramalho da Paraíba e outros poemas. Além de cordéis de sua própria autoria, Arievaldo irá declamar criações de Zé da Luz, Patativa do Assaré, Leandro Gomes de Barros, Luiz Campos e Alberto Porfírio.


Peleja de Zé Ramalho com Zé Limeira
Arievaldo Viana

Glorioso Santo Afonso
Da Siqueira do Tetéu
Chica Bela, Neco Filho
Meu "padini" Cabra Miguel
Ajudai a minha lira
Pra rimar mais um Cordel...

Eu falo de uma peleja
Cantoria de primeira
Que houve no ano passado
Lá na Serra do Teixeira
Entre o cantor Zé Ramalho
E a alma de Zé Limeira.

Eu estava um dia na feira
Traçando um velho baralho
Soprou uma ventania
Mais quente do que borralho
Chegou ali de helicóptero
O Cantador Zé Ramalho.

Desceu e foi se sentando
Bem na ponta da calçada
O cabelo "arrupiado"
E a viola bem afinada
Disse: Marquei um encontro
Com uma alma penada!


(...)

terça-feira, 8 de março de 2016

DIA INTERNACIONAL

DA MULHER SERTANEJA

Imagem encontrada no facebook (infelizmente não sei o nome do autor)


DIA INTERNACIONAL DA MULHER SERTANEJA
Arievaldo Vianna

Dia 8 de março, nessa data,
Comemora-se o dia da mulher
Recomendo a quem se propuser
A cantá-la em verso ou serenata

Que repare este cenário e esta lata
E na força que nela é um mister,
É um tolo quem não a bendisser
Seja branca, pretinha ou mulata.

Entre espinho, xique-xique e cardeiros
Ela trilha calmamente o seu roteiro
Com o briho da pureza benfazeja.

Nesse Dia da Mulher o meu soneto,
Nesses versos singelos que cometo,
Louvo o brilho dessa joia sertaneja.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

ORIGENS DA BAJULAÇÃO

Clique na imagem para ampliar

PROEZAS DE UM BABÃO
Ou a difícil arte do repuxamento de saco
Cordel escrito em parceria pelos poetas
JOTA BATISTA e ARIEVALDO VIANNA


O chaleira, o puxa-saco,
O corta-jaca, o babão
São frutos do mesmo cacho
Sementes do mesmo chão
São peças do mesmo jogo
São cinzas do mesmo fogo
Todos têm pauta com o cão.

São pedras da mesma trempe
São gente da mesma laia
Pêlos do mesmo sovaco
Atletas da mesma raia
Tacos da mesma sinuca
Varas da mesma arapuca
São piores que lacraia

Areia da mesma praia
E praias do mesmo mar
Tem a mesma consciência
Das quengas do lupanar
Tijolos do mesmo muro
Ratos do mesmo monturo
Redes do mal balançar.



Ninguém pode se livrar
Das astúcias de um babão
Porque é capaz de tudo
Para agradar ao patrão
Lambe chão, escova bota
Só para ver a derrota
De alguém da repartição.

Todo local de trabalho
Tem um sujeito babão
Que vive dependurado
Nos testículos do patrão
Chama a todos de colega
Mas na hora da entrega
Delata até um irmão...

É um Coxinha da vida
É uma arapuca armada
Pra ver o chefe contente
Vive de contar  piada
O chefe finge que ri
Sabendo que aquele ali
E uma barca furada.

É o primeiro que chega
O derradeiro que sai
Se o patrão chama ele vem
Se o chefe manda ele vai
Agrada os superiores
Pra bajular os “doutores”

A própria mãe ele trai.

(...)

ADQUIRA O FOLHETO E DESCUBRA O DESFECHO DESSA HISTÓRIA 
SENSACIONAL.




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CORDEL E CARNAVAL

NA FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO-RJ


Em outubro de 2012 estive no Rio de Janeiro, gravando um depoimento em áudio e vídeo para a ABLC (Academia Brasileira de Literatura de Cordel) e aproveitei o ensejo para rever a Feira de São Cristóvão, na companhia dos poetas Marcus Lucenna e Zé Duda. Num dos pavilhões, encontrei adereços utilizados pela Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, vencedora do carnaval daquele ano, com enredo baseado na cultura nordestina e na Literatura de Cordel.


Na época, o poeta Marcos Mairton reproduziu em versos de sua lavra, no blog MUNDO CORDEL, os principais atrativos da escola campeã do carnaval de 2012:

"Já chegou o carnaval!",
Canta o povo brasileiro.
E o Cordel vai ser assunto
lá no Rio de Janeiro.
Porque, neste carnaval,
Cordel é o tema central
Do desfile da Salgueiro!

Vai ter ala "Padim Ciço"
E Ala dos Violeiros,
Homenagem a Patativa
Ala dos bois mandingueiros.
Mostrando samba no pé
Passistas virão até
Vestidos de cangaceiros.

Esse encontro cultural
Vai chamar muita atenção,
Juntando Samba e Cordel
No meio da multidão.
Vai ser festa garantida
Se espalhando na avenida
Na maior animação.

Pois, se o Samba é popular,
O Cordel não fica atrás.
O Samba traz alegria,
Isso o Cordel também faz.
No carnaval, o Cordel
Cumprirá bem o papel

De falar de amor e paz.



sábado, 23 de janeiro de 2016

Feira de Bolonha - Itália


O livro VOZES DO SERTÃOda editora Cortez, que reúne contos e poemas, organizado por Lenice Gomes, foi selecionado para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha, Itália, publicado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). A obra inclui três textos em CORDEL, da autoria de Arievaldo Vianna, Arlene Holanda e José Walter Pires. O livro foi ilustrado por Rui de Oliveira, que está sendo homenageado no catálogo da FNLIJ.

VOZES DO SERTÃO
Cortez Editora
Organizador: Lenice Gomes
Ilustrador: Rui de Oliveira
ISBN: 9788524921605
Número de páginas: 100
Formato: 21.00 X 28.00
Peso: 1700 gramas

SINOPSE
Vozes do sertão viagem pela memória traduzida em palavras. São nove histórias, entre cordéis e contos, que fazem um passeio pelo sertão nordestino e também das Minas Gerais. "O sertão é o mundo", como diria Riobaldo, o jagunço sertanejo da Grande Sertão: Veredas, obra-prima de Guimarães Rosa. Um mundo cheio de histórias contadas e recontadas, com a força do sertanejo que enfrenta a vida e a morte e insiste em contemplar a beleza e o encantamento do mundo.
O texto que abre a coletânea é o meu cordel O HOMEM QUE QUERIA ENGANAR A MORTE.

TRECHOS


Diz um antigo provérbio
Que a morte ninguém desvia
Até mesmo Salomão
Com sua sabedoria
Quis mudar o seu destino
Mas o desígnio divino
Tal coisa não consentia.

Tentar mudar o destino
Que nos traça o Soberano
Mostrou-se, através dos tempos,
O mais lamentável engano
Todo homem, quando nasce
A Morte grava-lhe a face
Com a marca do desengano.

Ceifar da face da terra
Todo e qualquer ser vivente
É esta a sua missão
Imutável, permanente,
Tentar enganar a Morte
É pelejar contra a sorte
Numa luta inconseqüente.

Manter gelo no sol quente
Sem ter refrigerador
É querer guardar dinheiro
Depois que perde o valor;
Renegar o Evangelho,
Viajar num carro velho
Depois que bate o motor.

Num pequeno vilarejo
Encravado no agreste
Residia um potentado
O mais rico do Nordeste
Fazendeiro respeitado
Dono de ouro e de gado
Sovina que só a peste.

(...)