segunda-feira, 9 de junho de 2014

ADEUS A MANOEL MONTEIRO

Poeta Manoel Monteiro, em xilogravura de William Jeovah

A poesia popular está de luto. Um dos maiores entusiastas do cordel na sala de aula e um dos maiores cordelistas em atividade foi encontrado morto num quarto de hotel, em Belém do Pará. Conheci Manoel Monteiro em 1999, quando comecei a levar mais a sério a minha atividade como cordelista. Trocamos diversas correspondências e, finalmente, em 2001 ele veio me fazer uma visita em Fortaleza. Ficou hospedado na minha casa. Depois fui visitá-lo em Campina Grande, onde recebi sua maravilhosa acolhida. Participamos juntos de um evento na UEPB, a convite do professor Rangel Júnior. Guardo do poeta quase toda a sua obra e diversas correspondências que trocamos ao longo desses anos. 
(Arievaldo Viana)


Foto publicada em 23/09/2005, no Diário da Borborema


A matéria que circula hoje num jornal da Paraíba diz o seguinte:


POETA MANOEL MONTEIRO ENCONTRADO 

MORTO EM HOTEL DE BELÉM-PA

Está confirmado, o corpo do poeta Manoel Monteiro, 77, que estava desaparecido desde o dia 30 de maio, foi encontrado num quarto de hotel, em Belém do Pará, neste sábado (7). Uma das filhas do poeta, Kátia estará viajando por volta das 21h de hoje para fazer o reconhecimento.

Segundo informações de Kátia Monteiro, ela recebeu uma ligação na tarde deste sábado e a recepcionista do Hotel conferiu com ela a documentação do poeta, com a qual ele deu entrada para se hospedar e, ficou confirmado que se tratava mesmo do poeta Manoel Monteiro.
Ainda conforme explicou Katia, a recepcionista lhe informou que o poeta chegou na última terça-feira (3), entrou no quarto e não saiu mais de lá. Até que os funcionários começaram a desconfiar e sentir um mal cheiro, foi quando resolveram entrar em contato com a Polícia.
Após entrarem no quarto, encontraram o poeta Manoel Monteiro sem vida. Kátia disse que nos últimos dias, seu pai vinha falando que já tinha vivido demais e que já tinha feito o que devia em vida.
Ela acrescentou que o poeta Manoel Monteiro se encontrava num quadro depressivo e que tinha muito medo de se tornar uma pessoa inválida e dependente dos familiares, portanto, resolveu sair de casa sem avisar a ninguém e viajou para a cidade de Belém do Pará, onde foi encontrado hoje.

"Nós vínhamos lhe dando o máximo de atenção porque víamos por sua conversa que ele estava triste. Ele estava sempre dizendo que já tinha feito o que tinha de fazer em vida e que não queria se tornar uma pessoa inválida, dependente dos filhos e acabou nos pregando essa surpresa desagradável e triste. Estarei viajando agora à noite com o coração destruído….", desabafou sua filha, Kátia.

* * *

Comunicado da ABLC
No momento em que o colegiado da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, perde um dos seus mais luminosos astros, o presidente da entidade Gonçalo Ferreira da Silva, depois de consultar sua diretoria, decreta três dias de luto oficial em homenagem ao grande mestre Manoel Monteiro.
Gonçalo Ferreira da Silva

quarta-feira, 28 de maio de 2014

NOVO LIVRO



Acabo de receber alguns exemplares do meu novo trabalho, desta feita pela editora Manolle/Amarilys, uma adaptação da obra do grande dramaturgo inglês Shakespeare. Este leitor da foto parece que aprovou...

SOBRE O LIVO

Considerada um dos grandes legados da dramaturgia, a obra do inglês William Shakespeare, um dos maiores e mais conhecidos autores do gênero, sempre causou grande admiração, interesse e curiosidade naqueles que tiveram contato com ela. Em função disso e também da celebração dos 450 anos do nascimento deste grande dramaturgo, apresentamos aqui uma releitura, em linguagem de cordel, de um de seus textos clássicos: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO.
Sonho de uma noite de verão é um clássico da dramaturgia. Trata-se de uma comédia cheia de conflitos e desencontros, que mistura elementos da mitologia grega e da fábula, dando um ar fantástico à história. Neste livro, apresentamos uma releitura em cordel dessa peça clássica, mantendo a fidelidade ao texto original de William Shakespeare.

Sobre o autor:
Arievaldo Viana é escritor, poeta popular, ilustrador, chargista e xilogravador. Através do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, criado em 2000, Arievaldo tem percorrido diversos estados brasileiros, realizando palestras, oficinas e recitais para estudantes, educadores e amantes da poesia popular nordestina.

Arievaldo foi eleito em 2000 para a cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Em 2002, conquistou o prêmio Domingos Olímpio de Literatura, promovido pela Prefeitura de Sobral, no Ceará. É autor de mais de 100 folhetos de cordel e tem cerca de 30 livros publicados, alguns dos quais adotados pelo MEC através do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

quarta-feira, 30 de abril de 2014

ABAIXO A POESIA!



MORTE AOS POETAS!
E BANANAS, MUITAS BANANAS PARA TODOS...

A cada dia que passa a gente se surpreende com mais um ato de barbárie ou de imbecilidade coletiva nesse velho país do futebol. Enquanto o oportunista Neymar posa com uma banana, dizendo que “SOMOS TODOS MACACOS”, um maluco quebra a estátua do poeta Ascenso Ferreira, às margens do rio Capibaribe, em Recife. Tempos atrás foi a vez do Patativa, que teve seu monumento quebrado em Assaré. É meus caros, no país do futebol parece que poesia é mesmo um estorvo!

A humanidade hoje em dia
Perdeu de vez o bom senso
Já quebraram o PATATIVA
Apedrejaram o ASCENSO
Em Recife, Pernambuco,
Que o mundo está maluco
Cada vez mais me convenço.

Nesse país tropical
Só se fala em futebol
Poesia é um estorvo
É baba de caracol
Bananas ao preconceito
Eu não quero ser prefeito
Nem estátua exposta ao sol.




ESTALTA DISMANTELADA
Patativa psicografado por
Arievaldo Viana e Pedro Paulo Paulino

Ô mamãe você num sabe
O qui foi qui aconteceu
Cum a minha bela estalta
Qui o dotô Luço mi deu...
Apregaram lá na praça
Feliz e achando graça
Mas veja só o caé...
Um sujeito ruim da vista
Cabilerêro, paulista,
Veio batê no Assaré.

O moço era atuleimado
E se dizia meu fã
Chegô na praça cedinho
Oito horas da menhã
Querendo tirá retrato
Fez um grande ispaiafato
Se atrepô no pedestá
Da estalta e desabô
Na queda ele me puxou
Cousa munto naturá.

Os meninos lá de casa
Pensando sê vandalismo
Trataro de discubrí
Quem me jogô no abismo...
Quebrei as perna, a cabeça,
Por incríve que pareça
Quebrei tombém as custela
Fiquei todo fachiado
Lá no chão, desmantelado
Cum tão medonha sequela.

Inda bem que esse moço
Não andou lá no Dragão
Imbora que ele dichesse
Qui tinha boa intenção
Se a ôtra estalta ele visse
Fazia a merma tolice
E num me deixava bem
Mamãe, eu tenho certeza
Se ele fosse a Fortaleza
Quebrava a ôtra tombém.


Eu já li foi no jorná
Escuitei em alta voz
Já quebram inté a estalta
Da Raquezim de Queiroz
Ô mundo dismantelado
Eu já não sei de que lado
Eu posso ficar em pé
Pois vivo nessa incerteza
Se fico na Fortaleza
Ou mermo no Assaré!

Nem estalta neste mundo
Tem um momento de calma
Na terra, eu sou uma estalta
E aqui tou como alma
Vagando na eternidade
Mas sinto munta é sodade
Da terrena vida minha
Fazendo verso e fumando
E de noite chamegando
Com minha insposa Belinha.

Aqui em riba, no céu
Eu num corto mais cabelo
Num vou a cabilerêro
Só pra num ver dismantelo
Aqui fiquei bom da vista
Cabilerêro paulista
Aqui num tira partido
E si vier me quebrá
É arriscado levá
Mãozada no pé-do-uvido.


* * *

quarta-feira, 23 de abril de 2014

450 anos do bardo bretão


Shakespeare no traço do paraense J. Bosco 

Shakespeare e Arievaldo Viana, por Jô Oliveira

SHAKESPEARE NUMA RELEITURA POPULAR

Desde criança tenho muito interesse e curiosidade pela obra de William Shakespeare, o renomado dramaturgo inglês, cujo nascimento ocorreu a 450 anos! Isso me levou a verter algumas de suas obras para a linguagem da poética popular. A adaptação de clássicos da literatura universal para a Literatura de Cordel não é uma novidade. Leandro Gomes de Barros, considerado um pioneiro nesse gênero, ocupou-se de livros como As mil e uma noites, História de Carlos Magno, Donzela Teodora e outros textos em prosa, de forte apelo popular, para extrair inspiração para seus folhetos. Há quem diga que, em sentido inverso, Willian Shakespeare aproveitou-se de matrizes populares, textos que circulavam em folhas soltas, para extrair assunto para suas peças magistrais.

O dramaturgo cearense José Mapurunga, ao analisar a minha adaptação de Macbeth, disse o seguinte: “Muitos enredos das maravilhosas peças teatrais de Shakespeare foram colhidos em cordéis vendidos nas feiras européias no século XVI. Eram enredos simples, escritos a maioria das vezes em prosa, que ganharam sangue, carne e nervos nas reflexões sobre a natureza humana tecidas por um dos mais geniais autores de todos os tempos. Daí, causa-me um certo espanto serem poucos os textos de Shakespeare que retornaram ao cordel feito no Brasil, acrescentados dos elementos que induzem às pessoas a refletirem sobre os maus passos que possam dar sob a influência de pensamentos destruidores.”
Em Sonho de uma noite de verão o grande dramaturgo inglês mistura elementos da mitologia grega e da fábula, dando um ‘toque de Midas’ com a sua genialidade, o que faz de seu texto uma obra sempre visitada e própria para releituras. A presença de personagens com poderes mágicos como a Rainha das Fadas, Oberon, o Rei dos Elfos e o atrapalhado Puck dão um toque de encantamento à história que ainda hoje fascina pessoas de todas as idades. Os desencontros iniciais entre os dois casais culmina em um final feliz, coisa que não é comum na obra desse autor. Eu gosto de histórias com final feliz. Quando o ilustrador Jô Oliveira propôs a adaptação de algumas obras de Shakespeare para um formato infanto-juvenil, achei que essa fosse uma das peças mais adequadas para esse público.

De antemão asseguro que essa adaptação prima pela fidelidade ao original do bardo britânico, com o mérito de renovar a linguagem para um estilo brasileiro por excelência, a Literatura de Cordel, através de 40 sextilhas (estrofes de seis versos de sete sílabas) a modalidade mais recorrente nesse gênero poético. No cordel, a rima e a métrica emprestam um ritmo a narrativa tornando-a muito agradável quando lida em voz alta. Que venham novas adaptações, pois Shakespeare bem que o merece. E o público leitor, principalmente das escolas, tem muito a ganhar com isso.

Arievaldo Viana


P.S - Adaptamos a pedido da Editora Pallas, Othelo, o mouro de Veneza, vertido para o cordel e ilustrado por Jô Oliveira. Temos também, já quase concluída, uma adaptação de Hamlet, o príncipe da Dinamarca.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Dona Baratinha na V Feira do Livro

Com a escritora Saskia Brigido, na Rádio O POVO-CBN

O circo da leitura
A Feira do Livro Infantil de Fortaleza começa hoje com programação na Praça do Ferreira e no CCBNB. Oficinas, lançamentos de livros, contação de histórias e shows musicais marcam o evento.

De hoje até o próximo dia 12 de abril, Fortaleza será a sede da magia, de bichos falantes, de objetos fantásticos, dos superpoderes e do que mais couber no universo das crianças. A Feira do Livro Infantil inicia hoje sua quinta edição com programação na Praça do Ferreira e no Centro Cultural do BNB (CCBNB). O evento terá bate-papo com os escritores, lançamentos de livros, oficinas, shows e contação de histórias. Com entrada gratuita, a feira reunirá atrações locais, nacionais e internacionais em torno do tema “o circo chegou!”.
Amanda tem quatro anos e já garante presença na feira deste ano. “É muito importante criar esse hábito da leitura desde cedo. À medida que a gente vai se familiarizando pelos livros, vai criando interesse e esse costume é levado para o resto da vida”, afirma a advogada Ingrid Feitosa, mãe da pequena “leitora”. Ingrid diz que a filha ainda está aprendendo a ler, mas “gosta muito de ver as figuras”.
Para encher ainda mais os olhos dos pequenos, a feira traz como tema a magia das artes circenses. Abrindo o evento logo mais às 18 horas, a banda Dona Zefinha apresenta o show O circo da lona furada no CCBNB. Atração internacional, os mexicanos Martin Corona, Israel Muñoz e Alethia Valdes misturam contação de histórias e malabarismo em Juglaria, Circo y Narración.
“Literatura pode ser uma grande brincadeira assim como o circo. A leitura é uma arte e, para a criança, pode ser algo simples e prazeroso”, afirma Júlia Barros, coordenadora executiva do evento. De acordo com Júlia, a feira visa trabalhar a leitura infantil para muito além da sala de aula.
O evento traz também oficina para contadores de histórias com a argentina Mónica Chiesa, que se apresenta quinta e sexta. A programação inclui atrações da literatura de diversos estados brasileiros como Alexandre Azevedo (SP) e Marisa Oliveira (RJ), além dos cearenses Raymundo Netto, Gylmar Chaves, Klevisson Viana, Arievaldo Viana, Assis Almeida, Rouxinol do Rinaré, entre outros.
A coordenadora garante que o evento se preocupa em oferecer livros mais baratos para os leitores. “A Feira do Livro Infantil é diferente de muitas outras feiras, as editoras não pagam para participar. Em contrapartida, elas oferecem descontos de até 40% no preço de capa”, diz.

Fonte: http://www.opovo.com.br/




LANÇAMENTO:


Dona Baratinha e seu casório atrapalhado




Dona Baratinha e seu casório atrapalhado é uma nova versão da clássica musiquinha que embalou o sono de crianças de várias gerações. Na adaptação de Arievaldo Viana para cordel, a personagem continua romântica e sonhadora e vive inúmeras decepções com os pretendentes que encontra, até o dia do seu atrapalhado casamento com o guloso João Ratão.




LANÇAMENTO DIA 12 DE ABRIL, 10 horas da manhã, no Centro Cultural BNB - Fortaleza-CE.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

SHAKESPEARE EM CORDEL


Mais um livro a caminho... nova parceria com JÔ OLIVEIRA

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

TRECHOS...

À Grécia dos Tempos Clássicos
Quero agora retornar
Pois na cidade de Atenas
Por decreto milenar
O pai escolhia o noivo
Para a filha se casar.

Em Atenas residia
Um velho chamado Egeu
E o mesmo foi se valer
Do governante, Teseu,
Porque sua filha Hérmia
Tal lei desobedeceu.

Poderes de vida e morte
Dava a lei ultrapassada,
Egeu elegeu Demétrio
Julgando escolha acertada,
Mas por Lisandro, outro jovem
Hérmia estava apaixonada.

Hérmia por esse motivo
Resolve então afrontar
A autoridade paterna
E combinou de encontrar
Na floresta com Lisandro
Para bem longe casar.

Além do mais, que Helena
Sua amiga predileta
Amava o jovem Demétrio
Então traçaram uma meta
Julgando que assim teriam
Felicidade completa.

(...)

domingo, 6 de abril de 2014

CORDEL E XILOGRAVURA



Texto publicado no blog CORDEL ATEMPORAL (http://marcohaurelio.blogspot.com.br/)

Em 2007, o casamento da xilogravura com a literatura de cordel completou cem anos. Para celebrar a data, o pesquisador Jeová Franklin e a produtora cultural Ana Peigon organizaram, em Brasília, um evento que, na palestra de abertura, contou com a presença do mítico Ariano Suassuna. A convite de Arievaldo Viana, escrevi, em parceria com ele um folheto, Cem Anos da Xilogravura na Literatura de  Cordel, publicado pela editora Queima-Bucha, de Mossoró (RN).

O folheto, composto em setilhas, está abaixo reproduzido:

Brasília está promovendo
Uma festa de cultura
Que trata sobre os 100 anos
Da nossa Xilogravura,
Impressa sobre o papel
Dos folhetos de cordel,
Popular literatura.
O cordel é mais antigo
Vem do século dezenove
Com Leandro e Pirauá
Começou, ninguém reprove
Minha rima, pois agora
Eu ando Nordeste afora
E tiro a prova dos nove!
Outros pioneiros são
João Melchíades Ferreira,
Galdino da Silva Duda,
Um poeta de primeira,
Francisco Chagas Batista
Também foi um grande artista
Da cultura brasileira.
Mil novecentos e sete,
Conforme a história apura,
Foi o ano em que o cordel
Casou com a xilogravura.
Num “taco” bem pequenino
Gravaram Antônio Silvino
Numa tosca iluminura.
Antes disso, só havia
A chamada “capa cega”,
Com letras e arabescos.
Assim a história prega
E quem conhece a história,
Puxando pela memória,
Essa verdade não nega.

(...)

Na gravura popular,
Uma escola muito forte
É a que ainda produz
Em Juazeiro do Norte,
Desde o passado milênio,
Que teve e tem em Stênio,
O verdadeiro suporte.
Pernambuco também traz
Contribuição certeira
No traço de Manoel
Apolinário Pereira.
Outro artista genuíno
Foi Cirilo ou Severino
Gonçalves de Oliveira.
Da mesma escola saído,
Com talento e sem enfeite,
Seu traço característico
É pra muitos um deleite.
É um poeta afamado
E um xilógrafo respeitado
Nosso José Costa Leite.
Jerônimo, que hoje respira
Em São Paulo novos ares,
Com seu traço singular,
Está em vários lugares.
A sua arte se expande,
Pois ele é filho do grande
Poeta José soares.
Também Marcelo Soares,
Que é de Jerônimo irmão,
Desenvolveu um estilo,
Que já beira a perfeição.
E ele, além de gravador,
É também um trovador
Pleno de inspiração.
J.Borges de Bezerros
Possui traço primoroso,
É A Prostituta no Céu
O seu taco mais famoso.
Ele é poeta e editor,
Com quem o Pai Criador
Foi bastante generoso.
O João Antônio de Barros
É de Glória do Goitá.
Com o nome de Jota Barros
Ele se projetará
No verso e na ilustração
E também na Coleção
Famosa de Jeová.
Dila é outro gravador,
Que possui boa figura.
Trabalhando na borracha,
Criou a linogravura.
Lampião, Rei do Cangaço,
Está presente em seu traço
E em sua literatura.
Na Bahia, Minelvino,
Que foi poeta e editor,
Escreveu a sua história
Também como gravador.
Co’ inspiração soberana
Ele traçou na umburana
Fé, caridade e amor.
Também deve ser citado,
Da terra de Minelvino,
Franklin Cerqueira Maxado,
O Maxado Nordestino,
Trovador e ensaísta
Que optou por ser artista,
Forjando o próprio destino.
Em Alagoas, a terra
Dos guerreiros de Palmares,
Floresceu a arte do
Poeta Enéias Tavares,
Que escreveu sobre João Grilo
E no cordel e na xilo
Possui obras singulares.
Não esqueçamos Nireuda,
Gravadora potiguar,
O mestre Antônio Lucena,
Que era bom no versejar.
Assim, a xilogravura,
Com nomes desta estatura,
Têm muito a comemorar.
E José Martins dos Santos
Não pode ser olvidado:
Com O Soldado Francês
Ou O Baralho Sagrado,
Fez com traço harmonioso
Um tema muito famoso,
Já por Leandro versado.
Dizem que José Camelo,
Cordelista talentoso,
Também fez xilogravuras
Com um traço primoroso.
Escreveu, com maestria,
Coco Verde e Melancia
O Pavão Misterioso.
A gravura popular
Está muito divulgada
Até no primeiro mundo
É exposta e pesquisada
Arte simples do sertão
Na Europa e no Japão
Se tornou admirada.
Brasília que sempre foi
Porto de muitas culturas
Vai expor em grande estilo
A coleção de gravuras
Que vale mais do que ouro,
Um verdadeiro tesouro
Para as gerações futuras.