terça-feira, 27 de novembro de 2012

ENTREVISTA À VISTA


 
Na tarde de hoje, eu e o poeta Stélio Torquato Lima estivemos na TV Assembléia gravando participações no programa Cabeceira, sobre a coleção "Alencar nas rimas do Cordel", adaptações de obras do grande escritor cearense José de Alencar para a linguagem do cordel. Outros autores também participam do projeto. São eles: Evaristo Geraldo, Godofredo Silva, Gadelha do Cordel, Rouxinol do Rinaré, Marco Haurélio e Arlene Holanda.
 
Aproveitando o ensejo, gravei também mais uma participação no documentário sobre Luiz Gonzaga, que estreará dia 05 de dezembro, em sessão solene da Assembléia Legislativa do Ceará. Segundo a produtora Ana Célia, existem duas versões do mesmo, uma com cerca de uma hora de duração e outra mais longa, que será dividida em três capítulos de 45 minutos.

EM TEMPO: Stélio Torquato complementa a informação: A coleção, organizada pela Arlene Holanda e que estará publicada completamente até a metade de 2013, é formada pela versão dos seguintes livros de José de Alencar: Iracema – Stélio Torquato; O Tronco do Ipê - Arievaldo Viana; O Guarani – Fernando Paixão; Ubirajara – Godofredo Solon; Lucíola – Marco Haurélio; A viuvinha – Rouxinol do Rinaré; Senhora – Gadelha do Cordel; e O sertanejo – Evaristo Geraldo.

Cada livro contará com um estudo crítico, em linguagem acessível ao público alvo, contextualizando a obra ao período histórico e movimento filosófico-literário, com a finalidade de subsidiar a exploração do texto de forma interdisciplinar em Língua Portuguesa, Literatura, História e Sociologia.

sábado, 24 de novembro de 2012

TALENTO SERTANEJO

Pintor canindeense retrata a saga do vaqueiro em exposição

 O vaqueiro João Cândido (Fabiano Chaves)

O pintor cearense Raimundo Cela (Sobral CE 1890 - Niterói RJ 1954), também gravador e professor da Escola de Belas Artes, notabilizou-se por pintar os jangadeiros das praias de Camocim, transpondo para suas telas toda a beleza, cor e movimento desses heróis anônimos na sua faina diária. Seguindo as pegadas de Raimundo Cela, o jovem canindeense Fabiano Chaves, um talento nato desde a meninice, vem pintando tipos populares dos Sertões de Canindé, com destaque para a figura do vaqueiro, com toda a sua rica indumentária, suas expressões marcantes, tendo ao fundo a caatinga do Semi-árido, com o seu céu azulado contrastando com a garrancheira de árvores ressequidas.  No seu processo criativo, Fabino baseia-se, principalmente, em fotografias que ele próprio realiza no dia-a-dia. Caso desta imagem do vaqueiro João Cândido, flagrado durante a tradicional "Missa dos Vaqueiros". 

No meu livro “Mala da Cobra – Almanaque Matuto”, ainda inédito, apresento o João Cândido, o singular personagem retratado por Fabiano Chaves nesse quadro. João é Viana, filho da tia Mariquinha, irmã de minha avó materna Áurea Viana. Vamos ao ‘causo’, aqui intitulado de:

O CALEB VELHO

O João Cândido era um sujeito muito desleixado com o visual. Não era, propriamente, um embrulho de velocípede, mas parecia com um saco de cruzes. Cabelos em desalinho caindo pelos ombros, barba por fazer e roupas amarrotadas. Gostava de exercer a profissão de vaqueiro, mas a sua vestimenta de couro em nada melhorava a sua aparência. Deveria ser herança de seu bisavô, dado o estado em que se encontrava. Dizem que os bolsos do velho gibão eram a morada predileta de lacraus, grilos e baratas. Certa feita, perseguindo um novilhote,  conseguiu acuar essa rês no quintal de uma casa, provocando grande alarido com seus aboios. A dona da casa, um pouco assustada, mandou uma filha pequena saber do que se tratava. A menina voltou  apavorada, sem um pingo de sangue no rosto e relatou assombrada:

- Mamãe é um bicho véi tão feio, fedendo a macaco esfaqueado, montado num cavalo preto, com os cabelos pelos ombros, uma barba que parece o Pai-Luís e o gibão véi todo rasgado...

Antes que a menina terminasse o seu relato, João Cândido que ouvia toda a descrição depreciativa feita pela pequena, apareceu na janela e fez as devidas apresentações:

- ... É o cão, é o diabo, é o satanás, é o bilifute, é o Caleb Véi...  Já ouviram falar dele? Pois olhem ele aqui, em carne e osso!
Nem precisa dizer, que mãe e filha assombradas com aquela aparição, trataram de fechar portas e janelas e rezar o Creio-em-Deus-Padre.
Como não há mal que não traga um bem, a partir desse dia, o vaqueiro João Cândido tornou-se mais zeloso com a sua aparência.

 
Figura 1 – Vaqueiro, de Fabiano Chaves
Figura 2 – Jangadeiros, de Raimundo Cela
Figura 3 - Pescador - Raimundo Cela

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

TEXTO DE JOSÉ WALTER PIRES

 
Lançamento do meu livro “As noventa e nove moedas de ouro”,
dentro da coleção Reino do Cordel.
Viajando, Vivendo e aprendendo
 
De volta ao meu rincão catingueiro, já com um cenário menos lúgubre, de terra agradecida pela chuva que caiu nesses últimos dias. Ah, se chovesse com frequência por aqui! Não haveria nada melhor para se consumar o verdadeiro sertão produtivo. Retorno do Ceará (Fortaleza), onde todos já sabem a razão da minha ida, pela segunda vez este ano, na trilha do cordel e para o meu enriquecimento cultural. Na primeira vez, para a comemoração do centenário de Joaquim Batista, o meu patrono na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e, na segunda, para a X Bienal Internacional do Livro do Ceará, onde lancei o meu livro “As noventa e nove moedas de ouro”, dentro da coleção Reino do Cordel, juntamente com os poetas Arievaldo Viana (O crime das três maçãs), Evaristo Geraldo da Silva (O conde mendigo e a princesa orgulhosa), Rouxinol do Rinaré (O papagaio real ou o príncipe de Acelóis), Marco Haurélio (O rapaz pobre que teve a sorte de casar com a princesa) e o nosso, já citado acima, cinco maravilhosas produções, com ilustrações de elevado bom gosto e criatividade nas tintas de Suzana Paz, Rudson Duarte e Arlene Holanda, esta, artista, escritora, poeta, que ao lado de Telma Regina e outros, integram o elenco da Casa Editora e Espaço Multicultural – Armazém da Cultura, pessoas que acreditaram no sucesso dessas obras multifacetadas da literatura infanto-juvenil cujo objetivo é proporcionar aos jovens leitores o encantamento das tradições culturais, sonhos e fantasias de todos os tempos, possibilitando-lhes a reinterpretação do mundo atual pela reflexão e busca incessante do conhecimento.
Foram quase três dias de franca e sadia convivência entre poetas de todos os naipes, em especial poetas cordelistas e cantadores, na exposição dos seus temas irreverentes, humorísticos, fantasiosos, encantados, realísticos, estes, revelando as preocupações com a sociedade, a política, o meio ambiente, a solidariedade humana, todos em recitação empolgantes, nascidas das prodigiosas memorizações dos seus textos, que me matam de inveja.
Não quero correr o risco de citar nomes desses consagrados menestréis, defensores intimoratos da literatura de cordel na sua legítima construção, nessa caminhada atemporal, para tê-la hoje, nos umbrais das Universidades, ganhando espaços além das bucólicas feiras públicas, praças das cidadezinhas, aos tons de vozes enrouquecidas ou de, no máximo, megafones cansados, já estão fora de moda, para as praças das bienais, expostos em espaços populares, conquistados pela fibra, diferentes da literatura canônica, porém, atrativos, misteriosos, lúdicos, curiosos, diante dos olhares de um público que, aos poucos, vai compreendendo a importância dos seus criadores para o cenário literário do Brasil. Foram muitos e as fotos publicadas são testemunhas desses momentos.
Tive recepção calorosa e amiga. Inicialmente do meu anfitrião, Arievaldo Viana, baita poeta, escritor, cordelista de ponta, contador de causos, que me proporcionou hospedagem em sua casa, no seu jeito nativo de ser, fiel aos seus costumes, simples e autêntico, diante do amontoado de livros, CDs, dvs, cordéis de todos os naipes, tudo isso irrigado de bom papo, música autêntica e, claro, cerveja. Dormir na rede, foi a maior novidade. Ele me ensinou a manha. Não de comprido, atravessado. Me adaptei. Não fossem os velhos joelhos que não ajudavam muito na hora de levantar. Arievaldo não me largou durante todo o tempo. Klévisson, portador das mesmas virtudes poéticas do irmão, produtor de eventos, mais uma vez demonstrou a sua cordialidade comigo. Marco Haurélio, festejado pesquisador do cordel, escritor e exímio cordelista, mostrou-se no seu jeito do catingueiro sereno, observador, culto, nascido em Riacho de Santana, aqui em nossa Região, tornou-se uma grata amizade, dessas que como as outras, precisam ser cultivadas com zelo especial. Aí, seguiram-se os demais: Rouxinol de Rinaré, quanta versatilidade no tracejar dos seus versos; Evaristo Geraldo de Souza, o novo colega na coleção Reinos do Cordel, chegando para acontecer; Paulo de Tarso e a sua gentil esposa, grande menestrel, cordial e comunicativo como sempre, Stélio Torquato, também feliz contato e amizade construída, enfim, outros que desfilaram nos meus dois dias da X bienal Internacional do Livro do Ceará. Só me resta agradecer a todos, sem me esquecer de Telma e Arlene , Lucinda do IMEPH, com quem não me encontrei, mas fiquei sabendo que tinha me procurado.
Aprendi muito mais com eles. Estou entre essas feras. Agora é só botar o pé na estrada e curtir mais vezes esses momentos culturais.
 
Brumado, 20.11.2012
José Walter Pires

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

NATAL VEM AÍ


 
Tendo como fonte de inspiração uma ilustração do genial artista plástico Juraci Dórea, que utiliza elementos da gravura popular nos seus desenhos, recriei esse tema, mesclando um pouco com meu próprio estilo, pensando numa ilustração para o NATAL... Um Natal Nordestino, como nos convém.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

CORDEL NA BIENAL

LANÇAMENTO DA COLEÇÃO REINOS DO CORDEL,
DA EDITORA ARMAZÉM DA CULTURA

Arlene Holanda, José Walter Pires, Rouxinol do Rinaré,
Arievaldo Viana, Marco Haurélio, Evaristo Geraldo e Stélio Torquato.

 
CORDELISTAS NA BIENAL
 
Lucas Evangelista, Melchiades, Zé Walter Pires, Marco
Haurélio, dentre outros poetas presentes a X Bienal do Ceará

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cordelistas do Interior estão na X Bienal Internacional


 
Lucas Evangelista, Gonçalo Ferreira, Dalinha Catunda, Elias de França e Dideus Sales

Representantes da literatura popular cearense mostram as coisas do sertão na programação da mostra
Crateús. Cordelistas do interior marcarão presença no maior evento literário do Ceará. Pela segunda vez, o cordelista Lucas Evangelista, deste município, participará da Bienal Internacional do Livro, que acontece desde a última quinta-feira até o próximo dia 18 em Fortaleza. Ele participará com as suas produções montadas no espaço destinado à exposição dos folhetos. Levará também livros e CDs. Além disso, o Mestre da Cultura ministrará oficinas e, junto com os cordelistas do interior e Capital, atuará na divulgação durante o evento.

Lucas Evangelista (primeiro à esquerda), um dos poetas que está na Bienal, integra movimento de escritores cearenses FOTO: SILVANIA CLAUDINO

"Gostei da participação no ano passado, que foi a minha primeira vez em iniciativas como essa. Vi muitos escritores e me senti reconhecido pelos novos cordelistas, que em muitos momentos se referiam a mim como um nome expressivo na arte do cordel", ressalta o crateuense Evangelista, que iniciou nas lides do cordel ainda na adolescência e de lá não mais parou de produzir ou viajar mundo afora com os seus folhetins.

O Mestre conta que a sua participação na Bienal também consta de homenagem que será feita pelo cordelista Rouxinol do Rinaré, que lançará livro destacando Lucas Evangelista como um dos grandes nomes do cordel no Estado do Ceará.
Adolescente
Lucas escreveu o primeiro cordel aos 16 anos, intitulado "Os Valentões dos Sertões de Maria Pereira" e conta que teve forte influência da mãe, que era apreciadora da arte e das cantorias de viola, naquela época comum nos sertões do município. Antes disso, porém, lembra que ainda criança agregava em torno de si nas noites enluaradas do interior a criançada da vizinhança e os adultos, que apreciavam o seu jeito de contar os causos e estórias. "E muitos me paravam nas estradas pedindo para contar aquelas histórias", lembra. Após trabalhar na lavoura e com o pouco gado que a família tinha foi parar na cidade. Então, iniciou os estudos que logo foram interrompidos pela necessidade de trabalhar. Atuou no comércio antes de enveredar pela arte do cordel, com a produção do primeiro folheto. "Daí não fiz mais outra coisa. Comecei a viver do cordel e ganhei as praças. O cordelista é um homem das praças, do mundo... e assim vivo até hoje", destaca Evangelista. Atualmente, Lucas trabalha o cordel e CD em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. Com o título "A Visita de Luiz Gonzaga ao Padre Ciço Romão", o cordelista tem viajado a região de Crateús, divulgando e espalhando a sua arte.

Transformar ideias em cordéis sempre foi um dos sonhos de Valmir Pereira dos Santos. Autor de várias obras de literatura popular, o poeta agora tem a oportunidade de expor parte de sua produção na X Bienal Internacional do Livro do Ceará.

"Foi mais um passo importante que aconteceu na minha vida", disse. "Uma oportunidade de conhecer outros autores, trocar ideias e fazer intercâmbio com os leitores". O cordelista reside em Cedro, no Centro-Sul do Ceará, e contou que escreve desde pequeno. Como profissional foi a partir de 2004.

Valmir dos Santos lançou seus primeiros cordéis em 2006 e de lá para cá já se foram várias edições. Dentre os seus títulos publicados estão: ´Pessoas do bem, promovendo a paz´; ´O preço da mentira´; ´Lula antes, Lula depois´; ´O diálogo das raças´; ´A saga do país do faz-de-contas´; ´O mensalão´; ´O símbolo da vida´; ´A indústria da fé´; ´Os marqueteiros da fofoca´; ´Vida e Obra do Rei do Baião´; e ´A garra das patrulhas´.

Ele fez questão de ressaltar que, em seus textos, procura abordar assuntos que tratem da realidade, dos problemas do dia a dia. "Escrevi sobre mensalão, preconceito, adoção. Temas sobre a vida real". Valmir trabalha na Secretaria de Educação do município, onde desenvolve projetos nas áreas de esporte e literatura. É autor do livro ´Canção de Amor´, escrito em 2006.

O poeta nasceu na Bahia, mas morou por 22 anos em Manaus. No Amazonas, foi motorista, funcionário público, agente de saúde, coordenador de feiras e mercados e assessor político. Depois de morar e passear em outras cidades, o coração o prendeu em Cedro. "O meu maior sonho é um mundo melhor para todos, sem preconceito e com direito à vida com dignidade", disse. Além de escrever literatura de cordel, ele também faz palestras em escolas alertando para o perigo das drogas.

Nas estrofes de Valmir, a cultura brasileira não é esquecida. Uma prova disso é o cordel "Vida e obra do Rei do Baião", o saudoso Luiz Gonzaga, que no próximo dia 13 de dezembro completaria 100 anos de vida. "O Estado de Pernambuco/ Recebe seu filho Gonzaga/ Com sete anos de idade/ Luiz pegava na enxada/ Mas, sua prioridade/ Era uma sanfona "xonada...", diz a obra escrita em 2007.

Mais Informações: X Bienal Internacional do Livro do Ceará - Até dia 18 de novembro - Centro de Eventos - Fortaleza - Ceará

Fonte: Diario do Nordeste
SILVANIA CLAUDINOREPÓRTER

terça-feira, 13 de novembro de 2012

IMAGENS DA BIENAL

Algumas imagens dessa terça-feira, 13 de novembro, na X Bienal Internacional do Livro do Ceará.

Com Zé Maria de Fortaleza, Mestre Azulão e Geraldo Amâncio

Com Marco Haurélio, Arlene Holanda e Marcos Mairton