sábado, 31 de agosto de 2019

CENTENÁRIO DE JACKSON




Correios lançam selo em homenagem ao centenário de Jackson do Pandeiro



Apresentação oficial do selo ocorreu no dia 25 de maio, no Memorial Jackson do Pandeiro, em Alagoa Grande

O centenário de nascimento do cantor e compositor Jackson do Pandeiro inspirou a criação de um selo comemorativo pelos Correios e Telégrafos. O ‘rei do ritmo’, como é conhecido o paraibano, nasceu em 31 de agosto de 1919 na cidade de Alagoa Grande, no Brejo paraibano, a 103 quilômetros de João Pessoa.
Jackson, que tinha como nome de batismo José Gomes Filho, passou boa parte da vida na cidade de Campina Grande. A motivação para a arte nasceu da admiração pelo trabalho da mãe, que cantava coco, com quem ele começou a tocar aos sete anos.
O artista trabalhou em várias rádios em Campina Grande, João Pessoa e Recife. No momento em que foi para Pernambuco, passou a receber a atenção da mídia e ficou conhecido como o homem orquestra pelo domínio da percussão. O estouro do talento do paraibano aconteceu quando ele gravou o sucesso ‘Sebastiana’ na década de 1950.

Jackson morreu em 10 de julho de 1982, em Brasília, quando tinha 62 anos de idade. Ele brilhou no forró e também no samba.

A apresentação oficial do selo aconteceu no dia 25 de maio, no Memorial Jackson do Pandeiro, em Alagoa Grande, com a presença de representantes dos Correios, dos criadores do selo, autoridades, além de convidados e da população em geral.


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

IMAGENS DA BIENAL

Participamos da XIII BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ, um dos maiores eventos literários do país. Mais uma vez, o destaque ficou por conta da PRAÇA DO CORDEL, o recanto mais animado da feira. Seguem algumas imagens do evento, para os leitores do blog ACORDA CORDEL que lá estiveram ou não puderam se fazer presentes:


Com Maílson Furtado Viana


Com Paola Torres

 

Com Luciano Dídimo, no lançamento de 100 SONETOS DE 100 POETAS


Lançamento de Klévisson e Arlene Holanda


Lançamento de OS MILAGRES DE ANTÔNIO CONSELHEIRO
com Manoel Severo Barbosa e Bruno Paulino


Com meu querido amigo Jáder Soares - o Zebrinha


Turma boa do Cordel


Meu pai, Evaldo Lima, declamando na Praça do Cordel ao lado de Bule-Bule


Stand da Editora IMEPH


Com meu caçulinha João Miguel


Com Fabiano Piúba, Camilo Santana, Klévisson Viana e 
meu sobrinho Khalil Antônio.





quarta-feira, 21 de agosto de 2019

CORDELTECA DA UNIFOR


Poesia, música e cantoria marcam a inauguração da Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel

Equipamento reúne mais de 2 mil folhetos e é o primeiro do Brasil a catalogar obras de literatura de cordel


A Cordelteca funciona de segunda a sexta-feira, de 8h30 às 17h e sábados de 8h às 13h. Foto: Ares Soares.

Ao som dos acordes de Pavão Misterioso, do cantor cearense Ednardo, e da poética rimada do cordel, a Fundação Edson Queiroz inaugurou na manhã desta terça-feira, 20 de agosto, a Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel, a primeira do Brasil a reunir obras de literatura de cordel devidamente catalogadas. O novo equipamento, situado no 1º andar da Biblioteca Central da Unifor, tem acervo de mais de 2 mil títulos, instrumentos musicais e xilogravuras e homenageia a primeira mulher a publicar um folheto de cordel no Brasil, em 1938.


A professora Paola Torres foi a idealizadora da Cordelteca (Foto: Unifor)

A cerimônia de lançamento, realizada no auditório da Biblioteca Central, contou com a presença da presidente e da vice-presidente da Fundação Edson Queiroz, respectivamente, Lenise Queiroz Rocha e Manoela Queiroz Bacelar, do chanceler Edson Queiroz Neto, da reitora Fátima Veras, de vice-reitores, dos secretários de Cultura do Ceará e do Rio Grande do Norte e da idealizadora da cordelteca, a professora do curso de Medicina Paola Tôrres, além de professores, alunos, cordelistas e de familiares da homenageada, entre os quais a filha Alzinete Pimentel.


Ao centro, Alzinete Pimentel, filha da homenageada (Foto: Unifor)


Lenise Queiroz Rocha, presidente da Fundação Edson Queiroz, destacou em seu discurso o cordel como expressão literária da região Nordeste e o papel de Maria das Neves que, mesmo em uma época marcada pelo pelo machismo e preconceito soube expressar sua arte e criatividade. “A inauguração da cordelteca é mais um passo para legitimar a literatura de cordel que, em 2018, foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Brasil. E ao escolhermos o nome de Maria das Neves, queremos ressaltar a importância de celebrarmos a pluralidade, premissa básica na cultura, na preservação da história e de nossas potencialidades enquanto povo”, pontuou.

O secretário de Cultura do Ceará, Fabiano Piúba, declarou que a literatura de cordel é o cordão umbilical do povo nordestino, por meio do qual o ritmo, a melodia e a métrica contribuem para divulgar o amplo repertório cultural da região. E elogiou a Fundação Edson Queiroz por abrigar a cordelteca. “O acervo literário agora instalado na Unifor é uma referência de pesquisa não só para o Ceará mas para todo o Brasil”, destacou. O secretário de Cultura do Rio Grande do Norte, cordelista Joaquim Crispiniano Neto, também enalteceu a iniciativa da Fundação Edson Queiroz ao “abraçar a ideia de criação da cordelteca, por tudo o que ela representa de defesa da literatura de cordel”.

Em seu discurso, o pesquisador Bráulio Tavares lembrou frase do escritor Ariano Suassuna. “Segundo Ariano, existem o Brasil real e o Brasil oficial, e claro está que a literatura de cordel retrata o nosso Brasil real, de uma forma poética e bela”. Bráulio ressaltou ainda que os cordelistas são os únicos poetas a viver única e exclusivamente de poesia, daí necessitarem de apoio e de divulgação. “Os grandes poetas brasileiros nunca viveram de poesia, afinal, eram diplomatas, advogados ou médicos. Já os cordelistas dependem de seus cordéis para sobreviver”, salientou.

Em nome de Maria das Neves, a filha Alzinete Pimentel agradeceu a iniciativa da Fundação Edson Queiroz, acrescentando que a família ficou bastante lisonjeada com a homenagem. “Nossa família tem mais de 30 poetas, mas certamente minha mãe teve papel de destaque por ser autodidata e por ser a primeira mulher a usar o cordel para se expressar numa época marcada pelo machismo, mesmo que sob o pseudônimo masculino de Altino Alagoano”, afirmou.

Ao final dos discursos, houve apresentação musical de Paola Tôrres e da cantora paraibana Renata Arruda, que cantaram Pavão Misterioso e uma música de autoria da dupla. Em seguida, os presentes se dirigiram até a cordelteca e puderam conferir declamação de cordelistas e cantorias.


Maria das Neves Baptista Pimentel

Paraibana e cordelista, Maria das Neves Baptista Pimentel foi a primeira mulher a publicar um folheto de cordel. Seu amor pela literatura de cordel foi herdada de seu pai, que era poeta e editor de uma livraria e uma tipografia. “O violino do diabo ou o valor da honestidade” foi o título de sua primeira obra, publicada e vendida na livraria de seu pai, em 1938.
A cordelista teve que usar o pseudônimo Altino Alagoano, formado pelo nome de seu falecido marido e o estado onde ele havia nascido. A época patriarcal não era favorável às mulheres, que enfrentaram preconceitos de gênero. Somente nos anos 1970 foi possível a publicação de folhetos de cordelistas mulheres.

Serviço
Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel
1º piso da Biblioteca Central da Unifor
Funcionamento: Segunda a sexta-feira de 8h30 às 17h e sábados de 8h às 13h
Aberta ao público
Mais informações: (85) 3477.3169



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

LENDAS DO FOLCLORE BRASILEIRO




VEM AÍ A SEGUNDA EDIÇÃO de uma obra da dupla ARIEVALDO VIANNA e JÔ OLIVEIRA. O livreto LENDAS BRASILEIRAS EM CORDEL, onde narro as lendas da MÃE DO OURO, CURUPIRA, BOTO COR-DE-ROSA e A MULA SEM CABEÇA. A primeira edição desse trabalho, lançado em 2012, foi feito por encomenda dos CORREIOS que lançou quatro selos de Jô Oliveira referentes à essas lendas do povo brasileiro. A seguir, trechos da LENDA DO CURUPIRA:


A LENDA DO CURUPIRA EM CORDEL
Autor: Arievaldo Viana – Desenhos: Jô Oliveira

1 - A poesia é um dom
Que a musa divina inspira
É a pepita que ofusca
O cascalho da mentira
Peço ajuda ao universo
Para narrar, no meu verso,
A lenda do Curupira.

2 - Tem os cabelos vermelhos
Dentes de rara beleza
Verdes como a esmeralda
Luz de vagalume acesa
Não gosta de caçador
É o gênio protetor
Das coisas da Natureza.

3 - Diz a lenda que um índio
Um dia, por distração,
Adormeceu na floresta
E acordou de supetão
Na sua frente sorria
O Curupira e queria
Comer o seu coração.

4 - O caçador já matara
Ali alguns animais
Então concebeu um plano
Astucioso e sagaz
Um coração lhe arranjou
O Curupira provou
E sorriu, pedindo mais.

5 - Um coração de macaco
O caçador lhe entregou
O Curupira comeu
O coração e gostou,
O caçador respondeu:
- Agora me dê o seu;
Que o meu você devorou...

6 - O Curupira inocente
Agiu com todo respeito
Pediu a faca do índio
E cravou no próprio peito
Depois ficou estirado
E o caçador assombrado
Saiu depressa, sem jeito.

7 - Por muito tempo o tal índio
Não queria mais caçar
Por mais que os seus amigos
Viessem lhe convidar
Ele inventava desculpa
No peito trazia a culpa
Medo, tristeza e pesar.

8 - A filha do caçador
Pediu a ele um colar
O índio, pai devotado,
Resolveu ir procurar
Os dentes do Curupira
Brilhantes como safira
Para a filhinha enfeitar.

9 - Achou o crânio do gênio
E ali mesmo procurou
Bater com ele na pedra
Mas logo que o tocou
De uma maneira funesta
O espírito da floresta
Depressa ressuscitou.

10 - O Curupira entendeu
Que ele fosse o responsável
Por sua ressurreição
E de modo muito amável
Deu-lhe um arco pra caçada
E uma flecha encantada
De valor inestimável.


(...)

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Lançamento na BIENAL DO CEARÁ




Instituto Horácio Dídimo lança coletânea 
“100 SONETOS DE CEM POETAS”

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade tem a grata satisfação de convidar a todos para o lançamento da coletânea "100 Sonetos de 100 Poetas" que acontecerá às 17h30min do dia 25/08/2019 no Espaço Juvenal Galeno da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Eventos do Ceará, na Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz - Fortaleza-CE.


A coletânea, que conta com participação de 100 poetas sonetistas de todo o Brasil,  foi organizada por Luciano Dídimo com a colaboração dos professores Bôscoly Morais e Carlos Gildemar Pontes, sendo enaltecida com o  prefácio de Sânzio de Azevedo, um dos maiores especialistas cearenses em  Teoria do Verso!

Na ocasião o livro poderá ser adquirido pelo preço promocional 

de R$20,00 a unidade, com desconto de 25% 

na compra de 10 unidades (R$150,00).

Confira abaixo a lista dos 100 poetas participantes:

1.      
Adriano de Alvarenga Azevedo – Ideal de Paz
Airton Uchoa Neto – Andropausa
Alana Girão de Alencar – A… calma
Alan Bezerra Torres – Metanoia
Ana Maria Nascimento – Presença de Outono
Ana Néo – Antissoneto
Antônio Francisco Pereira – A Travessia
Antônio Ortiz – Soneto de meu pai
Arievaldo Vianna – Dilemas de Ícaro
Arlindo Tadeu Hagen – O Breu da Ausência
Batista de Lima – Outonal
Bôscoly Morais – Ninho Vazio
Bruno Paulino – Poema do Peregrino
Caio Fraga – Soneto Resoluto
Carlos Gildemar Pontes – Na luz da tua imagem
Carlos Vargas – Cristo: Alimento da Igreja
Carlos Vazconcelos – Em defesa do soneto
Célia de Paula – Entardecer
Daniel Perroni Ratto – Soneto da Busca
Décio Romano – Soneto 113
Diana Balis – Verdade
Dimas Carvalho – O Espelho
Diogo Fontenelle – Soneto ao Eu-Menino
Edir Pina de Barros – Confissões
Edmar Freitas – O Tempo
Elimax de Andrade – Solidão
Elvira Drummond – O Muro e a Ponte
Estela da Paz – Soneto à Rainha do Carmelo
Eugênia Carra’h – As Pérolas da Vida
Fabiana Guimarães – Primeiro Soneto
Fernando Saboia – Soneto para a Alma
Francisco Lopes Neto – Cânticos, 6
Francisco Silvino – O Tempo
Gilliard Santos da Silva – Soneto de Esperança
Giselda Medeiros – Insanidade
Gonzaga Mota – Sentido da Vida
Guiomar Frota – Saudade
Henrique Beltrão – Soneto Torto
Inês Carolina Rilho – Ecoando n’alma
Isabel Furini – Batalha Poética
Ismar Dias de Matos – Diamantina
Israel Batista de Sousa – Rosemary
Izaíra Silvino – Sonho Alentado
Jader Soares – Vira-lata
João de Arimateia de Melo – Líquidas Palavras
José Feldman – Mistérios da Vida
José M. M. Pedro – Antes que surja o amor
Josenir Lacerda – Anseio
José Valdivino – Carmelitas
J. Udine – A Morte do Velho Monge
Júlio César Martins Soares – A mulher nasce do sonho
Júnior Bonfim – Eu Sou
Karla Karenina – Soneto do Amor Passado
Kléber Cação – Tentativas Vazias
Leo Rocha – Sinestesia da Fome
Linhares Filho – À Amada do Octogenário
Luciano Dídimo – Sonetos e Sonatas
Lucineide Souto – Então
Magna Maricelle – Terra à vista
Manoel Virgílio – Nada
Márcio Catunda – O Filho Pródigo
Marcos Antônio de Abreu – Soneto do Amor 
Marisa Maria Ribeiro – Morada Poética
Marli Voigt – Palco das Flores
Mary Nascimento – Renascimento
Michelle Gomes Moreira – Detalhados Segredos
Mihai Eminescu (Tradução de Luciano Maia) – Veneza
Nádya Gurgel – Redondilhas Menores Doridas
Nahor Lopes de Souza Junior – Não sou poeta
Nealdo Zaidan – Prova Irreal
Nicodemos Napoleão – Filosofia
Nilze Costa e Silva – Navegando
Oliveira de Castela – Sonito
Oswald Barroso – Amor sem medida
Oswaldo Francisco Martins – Amor e Bem Verdadeiros
Paulo Roberto Coelho Ximenes – Magia no Mundaú 
Paulo Roberto de Oliveira Caruso – Soneto Decassilábico de Guia
Pedro Bezerra de Araújo – Caminhar, Errar, Perdoar
Pedro Francisco Alves – Força do Equilíbrio
Pedro Ernesto – Os Falsos Heróis da Modernidade
Pedro Sampaio – Soneto à Liberdade
Roberto Coelho – Onde florescem os sonhos?
Roberto Ferrari – Paixão Sentida
Rosanni Guerra – Quartos Vazios
Sânzio de Azevedo – Versos ao Sono
Sônia Cardoso – Manhã
Sônia Nogueira – Serenidade
Stélio Torquato Lima – Fugaz
Tetê Macambira – Soneto do Querer
Tito de Andréa – Para Lyria
Totonho Laprovitera – Feliz e Satisfeito
Túlio Monteiro – E há pó de estrelas pelas estradas
Vianney Mesquita – Espirituosidade Comedida
Vicente Delgado Carreto – Razone tendrá la muerte
Vicente de Paula Maia Santos Lima – Sorriso de Criança
Vicente Freitas – Soneto ao meu pai morto
Vicente Vieira – Louco Poeta
Virgílio Maia – Soneto de Iracema e de Martim
Wilamy Carneiro – Soneto de Amor!
Xico Torres – Ide

sábado, 27 de julho de 2019

LANÇAMENTO EDITORA IMEPH


Lucília Garcês lança livro sobre Ariano 
Suassuna com ilustrações de Jô Oliveira



Credito: Reprodução. Ilustração de Jô Oliveira para o livro Ariano Suassuna, 
de Lucília Garcez.

Por: Severino Francisco

Ariano Suassuna era um personagem em busca de um autor ou de autores que o apresentassem às crianças. Não é mais. Ele encontrou a escritora Lucília Garcez e o ilustrador Jô Oliveira, uma mineira e um pernambucano que se rebrasileirizaram em Brasília. Eles escreveram uma encantadora biografia de Ariano para as crianças (Editora Imeph), mas, que, como toda obra de qualidade pode ser lida por pessoas de qualquer idade.


Ilustração de Jô Oliveira: o real e o mítico entrelaçados na vida de Ariano Suassuna.

A narrativa de Lucília e Jô evolui como um cortejo de maracatu, numa sintonia perfeita entre palavra e imagem. Nos joga, de maneira sensorial, no mundo de Ariano, com sensibilidade e delicadeza: o cotidiano em Taperoá,cidadezinha do sertão da Paraíba; as feiras, as festas populares, os teatrinhos, as cantorias, a chegada do circo. Na precariedade, era possível garimpar um universo cultural riquíssimo. Ariano puxou o fio da tradição medieval transplantada para o nordeste brasileiro.
Como bem diz Flávia Suassuna na apresentação, a biografia revela não apenas os elementos que fizeram Ariano ser Ariano, mas, também, as formas, os sons e as cores. É, ao mesmo tempo, uma biografia e uma fábula.
Ele parece um personagem saído diretamente de um folheto de cordel para a realidade.

Quando era garoto, quis fugir com o circo e só não conseguiu porque levou uma tremenda bronca da mãe. Ficou a frustração de ser palhaço, mas, na fase final da vida, Ariano realizou a vocação plenamente com as suas aulas-espetáculos, em que mistura a erudição de professor de estética com a verve popular de João Grilo paraibano. Ao arrancar o riso das plateias ele ficava com o brilho nos olhos de menino encantado, comemorava cada gargalhada como se fosse um gol.


 Capa do livro Ariano Suassuna; de Lucília Garcez, com ilustrações de Jô Oliveira.

Antonio Candido disse que os grandes homens desapareceram, pois eles dependem das utopias. E Ariano é dessa linhagem, é um Quixote paraibano de múltiplos talentos, mas, antes de tudo, poeta. O Quixote é um herói moral, tem um ideal tão alto que as derrotas não o desmerecem; as derrotas o engrandecem.

A biografia escrita por Lucília e ilustrada por Jô nos revela que a história de Ariano se entrelaça de maneira indivisível com a história brasileira e com a história da cultura popular nordestina. Ele é um personagem épico. E, neste momento, nós estamos precisando, dramaticamente, de brasileiros que nos engrandeçam.
Imagino que, onde estiver, ao folhear o livrinho de Lucília e Jô, Ariano deve estar chorando as lágrimas de esguicho de que fala Nelson Rodrigues, lágrimas da mais pura alegria.



Ilustração de Jô Oliveira: Ariano tinha múltiplos talentos, mas era, antes de tudo, poeta

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

quinta-feira, 25 de julho de 2019

MENDIGOS TROVADORES


Antiga estampa do padroeiro de Canindé

NOTAS FOLCLÓRICAS SOBRE OS FESTEJOS DE SÃO FRANCISCO DE CANINDÉ


Santuário de São Francisco


O poeta, prosador e jornalista José da Cruz Filho (foto ao lado), nascido em Canindé, aos 16 de outubro de 1884 – e falecido em Fortaleza, a 24 de agosto de 1974, foi príncipe dos poetas cearenses, e membro da Academia Cearense de Letras. Como jornalista, fundou o primeiro jornal que circulou em sua terra natal (O Canindé, de 1903) e colaborou em outros que surgiram posteriormente. Num artigo extraído do jornal A IMPRENSA, do qual foi redator, temos um curioso artigo onde o poeta se diz “folclorista”.

As oficinas gráficas do Convento de Canindé-CE lançaram, a 22 de junho de 1913, um semanário chamado A IMPRENSA, mantido pela Casa de São Francisco e redigido pelo poeta Cruz Filho. A direção do estabelecimento tipográfico naquele tempo coube a Tomás Barbosa. Apareceram ao todo trinta números deste órgão, até 11 de janeiro de 1914. No livro “São Francisco das Chagas de Canindé” Frei Venâncio Willeke destaca um artigo publicado num dos números daquele semanário, possivelmente escrito por Cruz Filho, seu principal redator. Eis a transcrição de um artigo da IMPRENSA de 4-10-1913 referindo-se aos cantadores cegos ou aleijados que esmolavam durante os festejos do padroeiro de Canindé:

“NOTAS FUGACES”

Ele veio de longe, dos sertões altos de S. João do Rio do Peixe, no Estado da Paraíba do Norte... Apoiado às muletas frágeis, vencendo as areias ardentes, transpondo as duras charnecas, com uma imensa desventura nos olhos tristes e uma radiosa esperança no coração, viu, numa clara manhã de alegre sol, brancas e fulgindo no azul, as torres prestigiosas de São Francisco de Canindé.
Fugira o aleijadinho às mãos sábias dos médicos, que lhe quiseram amputar a perna chagada, num hospital do Recife, e viera, vingando as ásperas charnecas, sentar-se à sombra magnânima do templo prestigioso e unir a sua voz, numa ardente súplica rimada à confusa voz de outros náufragos da vida, – cegos, leprosos e aleijados – que a mesma ingrata vaga dos negros destinos humanos lançara e fraternizara nos mesmos estreitos palmos de terra. E ali no burburinho tumultuoso dos pregões festivos, no profuso rumor das multidões complexas, implorando a caridade das turbas felizes, o bando sinistro dos desgraçados, para quem a vasta noite da vida não tem esperança de aurora, procura chamar a atenção indiferente dos ditosos e estranhos para a sua imensa desventura sem remédio...
A festa de São Francisco de Canindé reúne a mais variada coleção de tipos sociais. São vastas ondas humanas que afluem, sôfregas, a presenciar os festejos celebérrimos do grande Santo dos doces milagres.
E o folclorista, curioso e deslumbrado, vê abrir-se ante os seus pasmos olhos de psicólogo amador uma estranha flora da emoção do vago sentimento da rude alma popular. E‟ a parte dolorosa da poesia do povo. São rudes almas de poetas que dizem cantando a sua imensa desdita. Ponteando os brados alegres, surtem como tristes ais doloridos, essas vozes mendigas de desgraçados sem lar que cantam e que imploram:

Meu irmão me dê uma esmola,
Que eu lhe peço, é por amor
Pelo cálice, pela hóstia
Que hoje se levantou! . . .

E as multidões param assombradas, diante desses poetas maltrapilhos, e as moedas caem sonoras nas bacias minúsculas de folha de flandres, acompanhadas pela aflita voz implorativa que agradece em ingênuas rimas sinceríssimas:

A quem me deu sua esmola,
Deus acrescente seu bem;
Que de um produza dez,
Que de dez produza cem...


Poeta Bentevi Neto


Cantadores se apresentavam nessas barracas, construídas no leito do Rio Canindé


Vai nessas rimas toda a psicologia desses simples, toda a sua arte de mover, com as angustiadas estrofes, o duro coração humano:

Quando Deus andou no mundo,
A São Pedro disse assim:
Quem não quer pobre na porta,
Também não me quer a Mim...

A luta amarga pela vida lhes ensinou, a eles, que nunca viveram os caminhos amáveis do coração e os meios ardilosos de prender e comover a fugitiva caridade das turbas:

Meus irmãos, me deem uma esmola,
Por Jesus de Nazaré,
Por São Francisco das Chagas,
Padroeiro do Canindé...

E ele, esse poeta de treze anos que viera pelos duros caminhos sertanejos, das longes terras da Paraíba do Norte, erguia também, no confuso tumulto das cantigas trêmulas, a sua fina voz de criança, dizendo toda a infinita amargura da sua triste primaveras sem botões:

Meus irmãos, me deem uma esmola,
E queiram me proteger,
Que eu perdi minha saúde,
Não tenho mais que perder...
Perdi os gostos da vida;
Vivo triste até morrer...

Aquela voz de mendigo justificava perante a desatenta caridade humana o seu amargurado e angustioso pedido em versos ingenuamente impressionadores:

Meus irmãos, me deem uma esmola;
Tenham dó do meu penar
Que eu perdi minha saúde,
Não posso mais trabalhar.

Se eu tivesse minha saúde,
Como todos têm a sua,
Não ia de porta em porta,
Pedindo esmola na rua,
Comendo fora de horas...
Ai meu Deus, que sorte crua!...

E as moedas, os níqueis, os cobres caíam, choviam na bacia de folhas de flandres estendida à caridade dos transeuntes e, de novo, a triste voz magoada se elevava, sonora e agradecida:

A quem me deu sua esmola,
Deus o leve num andor,
Acompanhado de anjos,
Circulado de fulô...
Nossa Senhora o proteja
Quando deste mundo for...

“É uma vasta classe, digna do estudo de um amador perspicaz, essa classe dos mendigos – possuindo o seu argot particular, mantendo a sua solidariedade, também a sua rivalidade feroz de oficiais do mesmo ofício”.

In WILLEKE, Frei Venâncio - São Francisco das Chagas de Canindé, Editora Vozes, 1973