segunda-feira, 3 de junho de 2019

Feira do Livro de Limoeiro do Norte


VI FEIRA DO LIVRO DE LIMOEIRO DO NORTE

Dias 06, 07 e 08 de Junho de 2019

Lançamento do livro OS MILAGRES DE ANTONIO CONSELHEIRO, de Arievaldo Vianna e Bruno Paulino. Dia 07 de junho (sexta) às 20 horas.



Feira do Livro de Limoeiro do Norte 
chega à 6ª edição

 Por Oswaldo Scaliotti em Eventos (Tribuna do Ceará)

Como parte da programação do evento, que acontece de 6 a 8 de junho na Praça da Matriz, é realizada no Auditório do NIT a VI Jornada das Letras

Está chegando a hora do maior evento literário da região do Vale do Jaguaribe, no Ceará. De 6 a 8 de junho acontece a VI Feira do Livro de Limoeiro do Norte, evento que se consolida a cada ano por enaltecer a vocação da cidade para as letras, estimulando a leitura e a produção literária. São três dias festivos congregando romancistas, contistas, cordelistas, autores e leitores, professores e estudantes, pessoas de todas as idades que compartilham do prazer da leitura e do reconhecimento da importância do livro na formação de todo cidadão.
A Praça José Osterne (Praça da Matriz), no Centro da cidade, é palco de boa parte da programação com recitais, apresentações musicais e teatrais, oficinas, lançamentos de livros e da feira propriamente dita, com estandes de editoras e autores.
No Auditório do NIT acontece no dia 7 a VI Jornada das Letras, que integra a programação da Feira do Livro com Roda de Conversa reunindo professores e escritores.
A VI Feira do Livro de Limoeiro do Norte é uma realização do Instituto Brasil de Dentro, com apoio da Prefeitura de Limoeiro do Norte e do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Cultura. Apoio: FAFIDAM/UECE, Unimed e Auri Transp. Agradecimento: Enel.
SERVIÇO
VI Feira do Livro de Limoeiro do Norte – De 6 a 8 de junho de 2019 em Limoeiro do Norte – Ceará. Programação nos três dias na Praça José Osterne (Praça da Matriz, Centro) e no dia 7 também no Auditório do NIT (Rua Cônego Bessa, 2381, Centro) local da VI Jornada das Letras. Informações: (88) 99661-0512. Facebook: feiradolivrodelimoeirodonorte



quinta-feira, 16 de maio de 2019

NOTÍCIAS DA ABLC



Rosilene Melo, de Campina Grande, é pesquisadora de Literatura de Cordel no Brasil já 30 anos — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Professora da UFCG é primeira mulher paraibana na Academia Brasileira de Literatura de Cordel

Rosilene Alves de Melo é professora no campus da UFCG em Cajazeiras, no Sertão. Pesquisadora há 30 anos, ela vai ocupar cadeira pertencente ao folclorista Câmara Cascudo, destinada àqueles que contribuem para a pesquisa e difusão do cordel no Brasil.


Uma professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) é a primeira mulher paraibana a ocupar uma cadeira da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Campinense e professora de história no campus da UFCG em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, Rosilene Alves de Melo é pesquisadora da literatura de cordel há 30 anos.
A posse da pesquisadora, que aconteceria nesta quarta-feira (15), na sede da ABLC, no Rio de Janeiro, foi adiada devido à paralisação nacional nas instituições públicas de ensino no país. Segundo Rosilene, a nova data de posse está para ser marcada. Na Academia, a professora ocupará a cadeira pertencente ao folclorista Câmara Cascudo, destinada àqueles que contribuem para a pesquisa e difusão do cordel no Brasil.
 “A academia congrega não só poetas, mas os pesquisadores também, que tem um trabalho importante desde o século XIX de promover essa literatura, então eu acho necessário essa aproximação e esse reconhecimento também de vários pesquisadores”, explica Rosilene.
No ano passado, Rosilene Alves redigiu o dossiê de registro da Literatura de Cordel como Patrimônio Cultural do Brasil, tendo coordenado a equipe de pesquisadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que realizou o inventário do cordel brasileiro.

Envolvimento com a ABLC
O envolvimento da paraibana com a Academia Brasileira de Literatura de Cordel teve início em 2010, quando a professora começou a participar dos trabalhos de registro da Literatura de Cordel como Patrimônio Cultural do Brasil.
 “Eu conheci o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, que é o presidente da Academia e vários acadêmicos, então foram oito anos de convivência, muito próxima com eles, e agora eu recebi dos poetas essa honra, e eu recebo com muita humildade e muita gratidão, afinal de contas eu não sou poeta, eu sou uma pesquisadora, mas é um reconhecimento pelo nosso trabalho, pela nossa dedicação”, frisa a professora.

Paixão pela Literatura de Cordel
A pesquisadora conta que a paixão pelo cordel começou em um sítio em Queimadas, no Agreste da Paraíba, onde o avô dela morava. “Lá eu escutava muita cantoria, depois, na adolescência, eu participei de alguns festivais de violeiros, assisti os festivais que aconteciam na AABB, no bairro São José, em Campina Grande, e quando eu fui pra UFCG, como aluna do curso de história, eu comecei a pesquisar literatura de cordel, e agora já são 30 anos de pesquisa”.
Autora de diversos estudos e projetos de fomento ao cordel, a professora é autora do livro Arcanos do Verso: trajetórias da literatura de cordel. “Esse é um trabalho que eu fiz sobre uma editora de cordel lá da cidade de Juazeiro do Norte, da Tipografia São Francisco, que foi uma das editoras mais importantes dedicadas exclusivamente à produção do folheto de cordel no Brasil”.




quarta-feira, 8 de maio de 2019

DUPLO LANÇAMENTO


Poetas Arievaldo Vianna e Bruno Paulino lançam cordel sobre os milagres de Antônio Conselheiro

Por Diego Barbosa


Ilustração de Arievaldo Vianna para o livro de sua autoria e Bruno Paulino

Lançamento acontece nesta sexta-feira (10), na Livraria Lamarca; na ocasião, Bruno Paulino também lança, de forma individual, outra obra

Das memórias que Arievaldo Vianna carrega consigo da época de infância, aquelas relacionadas às caminhadas com a avó Alzira são ternas e ultrapassam o componente afetivo: remontam a conhecimentos importantes, adquiridos à boca pequena. Ao visitar o município de Quixeramobim, ela fazia questão de mostrar ao neto os lugares históricos e relembrava episódios de seus antepassados.
Um desses saberes, que o poeta batizou em livro de "Lições informais de história", diz respeito à casa de Antônio Conselheiro e o sobrado onde ainda funciona a Câmara Municipal da cidade. Falando-se propriamente do antigo lar do líder do movimento messiânico que reuniu milhares de sertanejos no arraial de Canudos, no Nordeste da Bahia - para resistir às tropas do Governo Federal, em novembro de 1896 -, o escritor recorda ter iniciado, ali, uma relação de estreitamento com a figura do histórico e relevante personagem.
"Eu nasci no sertão Central, na divisa de Quixeramobim com Canindé, onde hoje é Madalena. E, desde pequeno, o Conselheiro foi um personagem que me fascinou. Mas eu nunca tinha feito nada em cordel a respeito dele", explica Arievaldo.
A nova empreitada do poeta, realizada com outro autor quixeramobinense, Bruno Paulino, dá um basta a esse hiato. "Os milagres de Antônio Conselheiro" traduz, nas celebradas rimas da cultura popular, os feitos mágicos do "peregrino", como ele se autodenominava. A obra será lançada nesta sexta-feira (10), às 19h, na Livraria Lamarca. Na sequência, um bate-papo com os autores terá mediação de Zeca Lemos, representante da nova safra de escritores da cidade.
Na ocasião, Bruno Paulino também lançará, de forma individual, seu quinto livro, "Ofertório dos Pássaros", estreia solo no gênero poesia.

Memória

Com prefácio assinado pelo jornalista e pesquisador Gilmar de Carvalho e ilustrações de Arievaldo Vianna e Jô Oliveira, o cordel começou a ter seu projeto modelado há cerca de dois anos, quando uma iniciativa do Sesc-Ler convidou os autores para ministrar oficinas sobre o tema, ampliando perspectivas.
Segundo Arievaldo, "Canudos nem existia quando ele fez o primeiro milagre. Chegou em Monte Santo, onde havia uma seca muito grande, pediu para pregar e traçou uma cruz na parede da Igreja com o cajado. Começou a pingar água do teto do templo naquele mesmo momento". Com criatividade, o feito é narrado no cordel, aliado a outros tantos.


Poetas quixeramobinenses, Bruno Paulino e Arievaldo Vianna iniciaram o projeto de "Os milagres de Antônio Conselheiro" a partir de oficinas organizadas pelo Sesc-Ler
Foto: Tarcísio Filho
Bruno Paulino ressalta ainda que a obra teve como base capítulos do livro "O Capitão Jagunço" (1946), do escritor Paulo Dantas. "Claro que recorremos a outras fontes, como Euclides da Cunha, Ariano Suassuna e José Calazans, pois nossa intenção era também evocar outros aspectos da mística do Beato, como a pregação apocalíptica e o Sebastianismo latente em Canudos", detalha.
Perguntado sobre a relevância de as pessoas ainda hoje se debruçarem sobre a personalidade de Antônio Conselheiro, Arievaldo não titubeia:

"Hoje, mais do que nunca, sua figura é importante para mostrar às pessoas que, por mais humildes que sejam, elas são capazes de uma reação, de se insurgir contra um sistema que está oprimindo, massacrando, retirando direitos, tirando a liberdade, privando das coisas mais elementares".

Divino mistério
Por sua vez, "Ofertório dos pássaros" reúne poesias de Bruno Paulino gestadas sobretudo no último ano. "Dei um conceito à obra de celebração do divino mistério, que é a própria ideia que tenho de poesia, e que também é o mesmo sentido místico da missa", considera. "Por isso a divisão do livro em duas partes do rito religioso: homilia sombria dos dias e ofertório dos pássaros".
O exemplar, de acordo com o poeta, também vai ao encontro de confrontar o que observamos atualmente no Brasil a nível político e social. "No livro, deixo claro que essa é a razão existencial do poeta: ofertar pássaros como resistência, apesar do tempo sombrio". É ler para conferir.

Serviço
Lançamento dos livros “Os milagres de Antônio Conselheiro” e “Ofertório dos Pássaros” e bate-papo com autores. Nesta sexta-feira (10), às 19h, na Livraria Lamarca (Avenida da Universidade, 2475, Benfica). Entrada gratuita. Contato: Facebook da livraria


Os Milagres de Antônio Conselheiro
Arievaldo Vianna e Bruno Paulino
Independente
2019, 46 páginas
R$ 15


Ofertório dos Pássaros
Bruno Paulino
Luazul Edições
2019, 78 páginas
R$ 25


segunda-feira, 6 de maio de 2019

CORDEL DE MORAES MOREIRA


Foto: Divulgação

DÁ PARA VIVER SEM CULTURA?


O poeta José Walter Pires, meu confrade na Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, acaba de me enviar um cordel de autoria do seu irmão MORAES MOREIRA, cantor e compositor dos mais inspirados, que há algum tempo se enveredou também pelo universo do CORDEL.

Eis abaixo, o poema com o qual Moraes Moreira faz o seu protesto criativo, consciente e sobretudo cultural, contra os que atentam contra a cultura brasileira em geral, sobretudo porque a desconhecem ou não foram capazes se irem além da mesquinhez e probreza dos seus próprios conhecimentos.  Moares, com o seu estilo fenuíno de compositor, poeta e cordelista, esgrime com a costumeira maestria os seus versos, numa mistura de música e poesia, para brindar mais uma vez o seu velho/novo e fiel público nas apresentações pelos palcos artísiticos do Brasil, em especial na casa do nosso poeta maior, O Teatro Castro Alves, onde a sua estrela sempre brilhou. Já o disse e repito que não sou suspeito nada, quando falo a respeito dele, em especial porque, modesto, sempre submete as suas criações ao velho mano, antes de divulgá-las na mídia. Fico feliz e agradecido, antecipando a alegria do noso encontro, na próxima sexta-feira, com a declamação deste belo poema. Vamos, pois, ao Castro Alves! 

DÁ PRA VIVER SEM CULTURA?
.
Sem alma, corpo é cadaver;
Sem corpo, alma é fantasma.
Ah, como é triste se ater
Com quem não se entusiasma!
Prefiro uma sepultura
Do que viver sem cultura,
Onde a matéria não plasma.
.
A história da humanidade
Jamais se escreveu sem arte;
Em toda e qualquer idade
O grande artista fez parte,
Eternizando  momentos,
Verdadeiros monumentos,
Em várias formas, destarte.
.
E quem é que não precisa
Dessas ricas referências?
O sorrir de “Mona Lisa”,
Entre outras aparências,
A beleza foi pintada;
Van Gogh  - “Noite Estrelada”
A despertar consciências.
.
Veja bem como se trata
O traço do grande esteta:
Composição abstrata
A sua obra é completa;
Quão genial é seu toque,
O americano Pollock,
Pintando, era um poeta.
.
Apresentou seu talento
No mundo da lua, o artista!
Ali, naquele momento,
Era ele o impressionista..
Vou olhar de pincenê
O trabalho de Monet,
Que vai encher minha vista.  
.
Do amor se fez o tesouro!
Dei nota dez e dou vinte,
Pintado em folha de ouro
Assim foi o “Beijo” de  Klimt,
Tela que pegou na veia,
Foi ela, - “A Última Ceia”
De Leonardo da Vinci.
.
 Não demorou muitas horas
O mestre, pra dar ouvidos:
Senhores e minhas senhoras!
Os relógios derretidos,
O Salvador, desses ismos,
Formigas, surrealismos,
Dali, dos tempos vividos.
.
Tema: “Bombardeamento”
Traz a tristeza no traço;
Tem um arrebatamento
Que leva a gente ao abraço.
A vida significa,
Admirando “Guernica”
Do grande Pablo Picasso!
.
Michelangelo pintou
No céu, “Capela Sistsina”
O que Papa encomendou     
Aquilo que o mestre ensina,
Em suas visões idílicas,
Mostrou-nos passagens bíblicas,
Que a gente nem imagina.
.
As obras primas são tantas,
Só acha quem as procura.
Ó gênios, como me encantas
Com a divina loucura! 
Meu povo, vai, não vacila!       
“Abaporu” de Tarsila!   
Dá pra viver sem cultura?
.

Moraes Moreira 22 de abril 2019

quarta-feira, 24 de abril de 2019

CARIRI CANGAÇO 2019



PROGRAMAÇÃO CARIRI CANGAÇO
QUIXERAMOBIM 2019

SEXTA-FEIRA
Dia 24 de Maio de 2019

17h – Solenidade de Abertura
Memorial Antonio Conselheiro
Quixeramobim, Ceará
Mestre de Cerimônia
Aílton Siqueira

17h10min – Formação da Mesa de Autoridades
17h15min – Hino Nacional
Cecília do Acordeon
Redenção-CE

17h30min – Apresentação do Cariri Cangaço
Por Conselheiro
Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE
O
17h40min - Fala das Autoridades

18h - Entrega de Diplomas aos Homenageados
Pedro Igor Azevedo
Bruno Paulino
Francisco Antônio Rabelo
 Neto Camorim
Goreth Pimentel

Entrega por Conselheiros e Convidado
Luiz Ruben Bonfim
Paulo Afonso-BA
Manoel Serafim
Floresta-PE
Professor Pereira
Cajazeiras-PB
Rangel Alves da Costa
Poço Redondo-SE
Jorge Figueiredo
Grupo Sertão Nordestino

20h10min -  Comenda a Antônio Vicente Mendes Maciel
Em Memória - "Personalidade Eterna do Sertão"
Roberto Maciel
Por Personalidades
Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros
Rio de Janeiro-RJ
Mucio Procópio Araujo
Natal-RN

20h20min - Entrega de Comendas às Instituições
"Equipamento Imprescindível
 à Memória e Cultura do Sertão"
IPHANAC
AQUILETRAS
ESCOLA HUMBERTO BEZERRA
ESCOLA JOSÉ ALVES DA SILVEIRA
Por Conselheiros:
Elane e Archimedes Marques
Aracaju-SE
Aderbal Nogueira
Fortaleza-CE
Cristina Couto
Lavras da Mangabeira-CE
Ana Lúcia Souza
Petrolina-PE

20h30min - Entrega da Premiação do Concurso
"Antônio o Conselheiro do Brasil"
das Escolas de Quixeramobim
Homenagem Póstuma a Marcílio Maciel
Sérgio Machado
Fundação Canudos
Terezinha Oliveira
AQUILetras
Linda Lemos | Academia de Letras Juvenal Galeno
Paulo Roberto Neves | ACLA - Academia Ciências ,Letras e Artes Columinjuba



 20h40min - Conferência de Abertura
"Igreja e República Frente ao Mundo Beato
O Martírio de Antonio Conselheiro"
 Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros
Rio de Janeiro-RJ 

21h45min - Coquetel de Abertura
Apresentação
Quirino Silva e Célia Maria
João Pessoa-PB


SÁBADO
Dia 25 de Maio de 2019

8h30min - Saída para Visita Técnica

9h - Fazenda e Vila da Canafístula Velha

9h10min - Descerramento de Quadro Comemorativo à Memória de
Dona Marica Lessa - Guidinha do Poço
Capela da Sagrada Família
Manoel Severo | Fortaleza-CE
Bruno Paulino | Quixeramobim-CE
Rodrigo Honorato | Exu-PE

10h15min - Apresentação
"O Rabicho da Geralda"
Francine Maria
Ibiapina-CE

10h30min – Conferência
“O Sertão de Dona Guidinha”
Bruno Paulino | Quixeramobim-CE
Carlos Alberto | Natal-RN

Ilustração: ARIEVALDO VIANNA (Direitos Reservados)

11h30min – Lançamento do livro
“Os Milagres de Antônio Conselheiro”
Arievaldo Viana | Fortaleza-CE
Bruno Paulino | Quixeramobim-CE

12h00min - Lançamento
"Dona Marica Lessa"
Paulo de Tarso, o Poeta de Tauá | Tauá-CE

13h - Almoço Literário na Fazenda Barro Doce
Forró Pé de Serra
Cecília do Acordeon e Artistas da Terra

13h45min - Roda de Conversa
Facilitadores
Pedro Igor e Manoel Severo
O
“O que ficou de Antônio Conselheiro
e Canudos no Imaginário Popular de Quixeramobim”
Goreth Pimentel
Quixeramobim-CE
“Os Caminhos de Conselheiro”
Neto Camorim
Quixeramobim-CE
"Santo Antônio dos Mares e o Rio Grande do Norte"
João da Mata Costa
Natal-RN

16h – Visita ao Salva Vidas
Capela de Nossa Senhora das Graças

16h15min - Apresentação
"Antonio Conselheiro"
Francine Maria
Ibiapina-CE
 
 "A História de Antônio Conselheiro"
Geraldo Amâncio
Fortaleza-CE
                                       
Lançamento
“O Cinema dos Fósseis”
Alan Mendonça
Fortaleza-CE

NOITE

21h30min

Programação Sugerida
Show Musical na Ponte Metálica
Country Bar
David Einstein



DOMINGO
Dia 26 de Maio de 2019

8h30min - Conferência de Encerramento
Hotel Veredas
"Antônio Vicente Mendes Maciel: O Homem, O Mito”
Múcio Procópio
Natal-RN

9h10min - Lançamento
"Luiz Gonzaga nos Carnavais"
Coronel Marcelo Leal
Fortaleza-CE

9h40min - Saída para Caminhada
Roteiro Histórico de Quixeramobim
Bruno Paulino
Ciro Barbosa
Beto Camurim

Casa de Dona Marica Lessa – Guidinha do Poço
Casa de Antônio Conselheiro
Casa de Manoel Bandeira
Casa de Câmara e Cadeia
Igreja Matriz de Santo Antônio

Cariri Cangaço Quixeramobim 2019

Realização
INSTITUTO CARIRI DO BRASIL
Co-realização
IPHANAC
Apoio
AQUILETRAS - ACADEMIA QUIXERAMOBIENSE DE LETRAS
FUNDAÇÃO CANUDOS
PREFEITURA MUNICIPAL DE QUIXERAMOBIM
CÂMARA MUNICIPAL DE QUIXERAMOBIM
SBEC- SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO
GECC - GRUPO DE ESTUDOS DO CANGAÇO DO CEARÁ
GPEC-GRUPO PARAIBANO DE ESTUDOS DO CANGAÇO
ICC - INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PAJEÚ
ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS
ACLA-ACADEMIA DE CIÊNCIAS LETRAS E ARTES DE COLUMINJUBA
SOCIEDADE CEARENSE DE GEOGRAFIA E HISTORIA
Mídia e Redes Sociais
GRUPO LAMPIÃO CANGAÇO E NORDESTE
GRUPO OFICIO DAS ESPINGARDAS
COMUNIDADE O CANGAÇO
GRUPO HISTORIOGRAFIA DO CANGAÇO
O CANGAÇO NA LITERATURA
GRUPO SERTÃO NORDESTINO
PROGRAMA RAÍZES DO SERTÃO
ODISSÉIA DO CANGAÇO
BLOG ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA

Fonte: Cariri Cangaço | http://cariricangaco.blogspot.com/

quinta-feira, 11 de abril de 2019

“ - PRETO NÃO ENTRA!”



PERCALÇOS E PRECONCEITOS ENFRENTADOS POR LUIZ GONZAGA NA SUA ESCALADA PARA A FAMA

Por: Arievaldo Vianna*

Negro, pobre, Nordestino (ou nortista, como se dizia na época) e semianalfabeto. Era esse o perfil de Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), que viria a ser aclamado Rei do Baião, depois de enfrentar toda sorte de afrontas e preconceitos. Forte, determinado, inteligente e obstinado, ele foi vencendo todas as barreiras que impediam a sua trajetória, se afirmando como gênio da música brasileira. Foi uma carreira cheia de percalços, de proibições, de afrontas que fariam com que muitos na sua condição desanimassem na metade do caminho. Mas o ‘Lua’ superou tudo isso com seu talento e também com a sua teimosia.
Fugido de casa em 1930, com 18 anos incompletos, devido o preconceito do pai de sua namorada, que não queria a filha branca namorando com um negro, Luiz Gonzaga sentou praça no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza. Para tanto, teve que aumentar a idade a fim de ser aceito como recruta, sem a devida autorização de seus pais. No Exército ele percorreu vários Estados do Brasil. Depois de servir as Forças Armadas por uma década, deu baixa em 1940 e resolveu se apresentar no Mangue, zona boêmia do Rio de Janeiro, então Capital da República, passando um pires depois das apresentações para recolher donativos, com os quais tentava sobreviver modestamente. Morava na casa de outro músico, Xavier Pinheiro, que juntamente com Dina, sua esposa, se tornaria responsável pela criação do filho Gonzaguinha.
Luiz Gonzaga era um danado. Nunca foi acomodado. Tentou a sorte em vários programas de calouros, sendo “gongado” em alguns ou tirando notas medíocres noutros, sem jamais desistir de seu intento. Um grupo de estudantes cearenses pediu-lhe que deixasse de tocar valsas, polcas e tangos que costumava apresentar nas boates, para tocar a música regional do Nordeste, aquela melodia dos sambas de latada, dos pés-de-serra do sertão. A dica foi preciosa. Com “Vira e Mexe”, “Xamego” e “Pé-de-Serra”, três solos genuinamente sertanejos, conseguiu se projetar e acabou tirando nota máxima no programa de auditório do exigente Ary Barroso. Daí por diante o sucesso começou a lhe sorrir e o sanfoneiro do Araripe foi contratado pela RCA Victor, uma gravadora multinacional responsável pelo lançamento de grandes nomes como Orlando Silva e Nélson Gonçalves.
Mas logo veio o diabo do preconceito. Os diretores da gravadora diziam que ele tinha “voz de taboca rachada” e o proibiam de cantar. Também foi proibido de cantar no rádio, a grande vitrine da época,  o que o levou a entregar suas composições a outros intérpretes, como Manezinho Araújo, o Rei da Embolada, e o conjunto Quatro Ases e Um Coringa, formado por jovens músicos do Ceará.  Foram eles os responsáveis pela primeira gravação de Baião, que teve um sucesso estrondoso. Na opinião dos entendidos, a voz de Luiz Gonzaga estava longe de corresponder aos padrões estéticos da época, em que predominavam os vozeirões de Vicente Celestino, Francisco Alves e Orlando Silva. Usando da sua astúcia habitual, Gonzaga blefou, dizendo que iria gravar na concorrente Odeon, usando o pseudônimo de Januário, nome de seu pai. Victório Lattari, diretor da RCA, acabou consentindo. Nessa época os discos 78 rpm traziam apenas duas gravações, uma em cada face. A condição era continuar gravando um ‘solo’ no lado A e uma composição cantada no lado B. Aos poucos Luiz Gonzaga foi agradando e conquistando uma legião de admiradores. O sucesso foi tão grande, que a sua cota de direitos autorais praticamente dobrou. O diretor balançava a cabeça e dizia:

“— Há gosto para tudo nesse mundo!”
Mas preconceito pior ainda estava por vir...  Foi um verdadeiro pandemônio quando ele tentou se apresentar no auditório da Rádio Nacional usando um chapéu e assessórios de couro na sua vestimenta, lembrando dois tipos característicos do Nordeste: o vaqueiro e o cangaceiro. Sua intenção era explicitar a sua condição de Nordestino, a exemplo do que fazia outro sanfoneiro, o gaúcho Pedro Raymundo, que entrava no palco trajando o chapelão, as bombachas e a cuia de chimarrão, traje típico do Sul do País. Floriano Faissal, diretor artístico da Rádio Nacional, ficou possesso quando o viu caracterizado daquela maneira e decretou:
“— Enquanto eu mandar nesta rádio, não permitirei que você apareça diante de nosso público vestido de bandido de Lampião”.
Em 1951, após dez anos de uma carreira sempre ascendente, apesar do sucesso e da fama que experimentava em todo o País, ainda teria de enfrentar outras agruras e humilhações ao longo de sua carreira. A pior delas aconteceu em São Paulo,  quando foi barrado na portaria da Rádio Gazeta, então conhecida como “a emissora da elite”, que não permitia a entrada de pretos em seu auditório.


Luiz Gonzaga, Marinês e Pedro Sertanejo, num forró em São Paulo.

Revista do Rádio, número 81 - março de 1951

(Acervo da Biblioteca Nacional)

Numa matéria intitulada “PRETO NÃO ENTRA – LUIZ GONZAGA TEVE SUA ENTRADA BARRADA NA PORTA DA RÁDIO GAZETA, DE SÃO PAULO”, a Revista do Rádio, edição de número 81, de 27 de março de 1951, lemos o seguinte:

“O assunto já havia sido tratado, e bem tratado, pelos nossos colegas paulistas de “Radar”: Luiz Gonzaga tivera sua entrada impedida nas dependências da Rádio Gazeta, capital bandeirante, semanas atrás, apenas porque era preto. Incrível que pareça, isso acontece em pleno Brasil, em plena capital de um dos nossos maiores Estados! E eis agora, dias passados, o acaso nos põe diante de Luiz Gonzaga, lá mesmo em São Paulo, no aeroporto. E ainda o acaso nos traz o assunto à baila.
— É isso mesmo, Luiz, que a Gazeta proibiu sua entrada no estúdio por ser você de cor?
E, atendendo o nosso pedido, para que nos detalhe o caso tal qual se passou, Luiz Gonzaga começou:
— Uma artista da Rádio Gazeta, aliás senhora de um amigo meu, convidou-me para assistir ao seu programa. Trata-se aliás de uma grande acordeonista e eu, por laços de amizade com o casal e também por apreciar imenso o acordeón, acedi ao convite. À hora marcada cheguei à porta de entrada da Rádio Gazeta. Veio o porteiro ao meu encontro e disse:
— O senhor não pode entrar.
— Mas... eu sou artista. Sou Luiz Gonzaga.
— Sem convite não entra!
— Mas onde apanhar um convite? Ou mesmo comprar?
— Com ninguém. Não tem mais.
— Percebi então, pois não sou tolo, (Luiz Gonzaga recomeça a palestra conosco) que não se tratava de convite, mas sim de preconceito de cor. Pedi ao porteiro que me deixasse entrar para falar com um diretor da rádio. Nada. Insisti. Nada ainda. Resolvi então entrar por minha conta e peguei o elevador. No primeiro andar, porém, ele e outros já me esperavam. E diante da minha insistência foram então sinceros e explicaram a razão pela qual eu não podia entrar. Questão de cor. Em outras palavras eles queriam dizer: PRETO NÃO ENTRA.
— E que fez você, Luiz Gonzaga?
— Mandei chamar o meu amigo, o esposo da artista que aliás já tinha até iniciado o programa.
— E tudo se resolveu?
— Ele foi ao diretor da Rádio Gazeta. Explicou quem eu era, um artista brasileiro, um intérprete da música nacional, um cantor, um compositor, um homem do Brasil, enfim! Pouco depois o caso estava resolvido. Consegui entrar, mas que luta!
— E o que você diz a isso, Luiz? Que acha você dessa atitude da Gazeta, tentando implantar o preconceito de cor em seus domínios.
— Prefiro não dizer nada. O que narrei foi o que se passou realmente. O público agora que tire as suas conclusões e que julgue como melhor entender.
E aí terminou a palestra sobre o assunto.”

Fiz questão de colocar em negrito essa última frase de Luiz Gonzaga para mostrar o quanto ele era sensato em relação a casos dessa natureza. Em vez de abrir as baterias contra a Rádio Gazeta ou mesmo xingar o porteiro que impediu, obstinadamente, o seu ingresso na emissora paulista, ele limitou-se a dizer que narrara apenas o fato do modo que acontecera e que o julgamento caberia ao público. Ora, a essa altura Luiz Gonzaga já era uma grande atração em São Paulo, para onde viajava toda semana, cantando às vezes na marquise da rádio, já que não havia espaço para a multidão que se comprimia nas ruas dentro do auditório da emissora. Curiosamente, foi nesse mesmo ano, 1951, que aconteceu o terrível acidente automobilístico, no qual o Rei do Baião e seus músicos Zequinha e Catamilho quase perderam a vida. Eles viajavam para São Paulo... Quanto ao preconceito contra preto e Nordestino, fica a pergunta: — Será que mudou alguma coisa de 1951 para cá???

* Autor dos livros “O Rei do Baião – do Nordeste para o mundo” (Editora Planeta, 2012) e “O be-a-bá do Sertão na voz de Gonzagão”, parceria com Arlene Holanda (Armazém da Cultura).