sexta-feira, 22 de setembro de 2017

FIM DO MUNDO VEM AÍ


Gravuras do mexicano José Guadalupe Posada

"CURA GAY" e "TERRA PLANA":
ISSO É MESMO O FIM DO MUNDO!

 Para quem acredita em “Cura Gay”, “Teoria da TERRAPLANA”, “Perna Cabeluda” e outros bichos de orelha tudo é possível! A palhaçada da vez é uma teoria conspiratória que afirma que o mundo acabará amanhã (23 de setembro de 2017), espatifado por um planeta chamado NIBIRU. Não duvido da existência de tal planeta porque o mesmo  já era assunto dos astrônomos da velha Mesopotâmia uns 6 mil anos antes de Cristo. Como os habitantes da Mesopotâmia foram os inventores da CERVEJA, eu não duvido, jamais, da sabedoria desse povo.

Essa  história de FIM DO MUNDO é tão antiga quanto a própria história da humanidade. Em  1900 não se falava noutra coisa. Em 1999 também. É próprio do ser humano alimentar temores, receios e fascínio pelo desconhecido. O dilúvio bíblico, por exemplo, é descrito por quase todas as civilizações. Pode mesmo ter havido um tsunami no Crescente Fértil que dizimou as civilizações então existentes. Os cientistas (que são criaturas preclaras, entendidas e superiores) não duvidam disso.

Leandro Gomes de Barros, o primeiro sem segundo da Literatura de Cordel, riu a bandeiras despregadas quando lhe disseram que o Cometa de Halley iria exterminar a vida na terra em 1910. A sátira do velho poeta de Pombal continua atualíssima, pelo visto.

* * *


O Cometa de Halley, um dos corpos celestes mais famosos na história da astronomia, sempre visto com medo e desconfiança pelas pessoas simplórias do mundo inteiro, passou a ser mais temido a partir de 1881. Não era exatamente o medo de que ele viesse a se chocar com a Terra. O que aconteceu é que um astrônomo descobriu que a cauda de todos os cometas contém um gás letal chamado cianogênio. Essa onda de pânico, alimentada pela imprensa sensacionalista da época, aumentou ainda mais depois que descobriram que o Halley passaria pertinho da Terra em 1910 – o cometa passa a cada 76 anos e cruzou a órbita terrestre novamente em 1986.  Até jornais importantes, como o New York Times, lançaram teorias que toda a humanidade morreria envenenada pelo gás. Foi preciso que cientistas de bom senso analisassem a questão com mais clareza, a fim de acalmar as pessoas, garantindo que a cauda dos cometas, na verdade, é formada por vapor d’água e um pouquinho de hélio e amoníaco, e que nessas quantidades não fazem mal a ninguém. E, de fato, nenhuma tragédia aconteceu quando da passagem do famoso viajante espacial.

Como se vê, o pânico se instaurou em todo o planeta e foi alimentado pela imprensa sensacionalista. Não se tratava, portanto, de um ataque de histeria coletiva das populações do Nordeste, sempre vistas como atrasadas e supersticiosas. O poeta Leandro Gomes de Barros estava a par do assunto desde sempre. Ele viajava constantemente nos trens da Great Western, participava das rodas de conversas no Largo das Cinco Pontas e no Mercado São José, lia também os jornais, revistas e almanaques que circulavam no seu tempo. Em suma, viu nesse episódio um tema para uma deliciosa sátira, onde esbanja a sua finíssima ironia e sarcasmo:


Eu andava aos meus negócios,
Na cidade de Natal,
No hotel que hospedei-me
Apareceu um jornal,
Que dizia que no céu
Se divulgava um sinal.

O sinal era o cometa
Que devia aparecer,
Em Maio, no dia 18
Tudo havia de morrer,
Aí sentei-me no banco,
Principiei a gemer.

Gemi até ficar rouco
Fiquei logo descorado,
Depois o sangue subiu-me
Que fiquei quase encarnado,
Imaginando n’um livro
Que um freguês levou fiado.

Encontramos numa tese acadêmica da PUC/RJ, intitulada “O cometa do fim do mundo: Ciência e superstição na imprensa carioca de 1910”, de Maria Elisa Bezerra de Araujo, algumas considerações do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão sobre a passagem do famoso cometa no início do Século XX. Na sua análise, as expectativas dos cientistas no início do século com relação à aparição do Halley era de que não houvesse mais reações de medo. Segundo o autor, depois que Edmund Halley, em 1695, descobriu que os cometas obedeciam a leis da física e estabeleceu o ciclo do cometa que leva seu nome, “acreditou-se que todo o temor em relação aos cometas deveria cessar numa civilização racional e tecnologicamente desenvolvida”. No entanto, prossegue Mourão, o que se constatou foi que por todo o mundo surgiam manifestações de pânico. O astrônomo afirma ainda que “a despeito de todo o avanço científico, o homem ainda mantém todo um universo de sentimentos e expectativas onde os cometas continuam a ser mais que astros catalogados astronomicamente, pressagiando desgraças ou renovando esperanças”.

Leandro não embarca nessa onda de histeria coletiva. Além de não levar a sério esse temor infundado, vale-se de sua irreverência e bom humor para criticar a usura dos ingleses e comerciantes, que se apressam em cobrar as dívidas dos seus fregueses antes do “fim do mundo”. É salvo, com toda família, graças a uma poderosa oração, recitada em prosa no final do poema, e o providencial auxílio de uma bendita panelada e um garrafão de sua bebida predileta, a famosa “aguardente Imaculada”, do engenho do Sr. Láu. Trata-se, evidentemente, de um dos melhores folhetos “jornalísticos” do mestre de Pombal-PB.

A esse respeito é importante observar o que escreveu o pesquisador cearense Francisco Cláudio Alves Marques em seu livro “Um pau com formigas ou o Mundo às avessas” (Edusp, 2014): “Geralmente, na literatura de cordel, as histórias em torno do tema da cachaça têm valor como comentário sobre a moralidade do álcool e os costumes da sociedade. Contudo, em Leandro Gomes de Barros, a bebida é concebida como um dos prazeres da vida e não como um vício; válvula de escape e pretexto para que se digam as verdades mais contundentes sobre o sistema e seus representantes”. O autor enxerga neste e noutros poemas de Leandro traços de uma “festa dionisíaca”.

(Arievaldo Vianna)



O COMETA
Leandro Gomes de Barros (escrito em 1910)



Caro leitor vou contar-lhe
O que foi que sucedeu-me,
O medo enorme que tive,
Que todo corpo tremeu-me,
Para falar a verdade
Digo que o medo venceu-me.

Eu andava aos meus negócios,
Na cidade de Natal,
No hotel que hospedei-me
Apareceu um jornal,
Que dizia que no céu
Se divulgava um sinal.

O sinal era o cometa
Que devia aparecer,
Em Maio, no dia 18
Tudo havia de morrer,
Aí sentei-me no banco,
Principiei a gemer.

Gemi até ficar rouco
Fiquei logo descorado,
Depois o sangue subiu-me
Que fiquei quase encarnado,
Imaginando n’um livro
Que um freguês levou fiado.

Disse ao dono do hotel:
Senhor eu estou resolvido,
Antes de 20 de Maio,
Nosso mundo é destruído,
Visto não durar um mês,
Não pago o que tenho comido.

A dona da casa disse-me:
O senhor está enganado,
Se eu for para o outro mundo,
O cobre vai embolsado,
Eu subo, porém em baixo
Não deixo nada fiado.

Me resolvi a pagar,
Foi danado esse processo,
Não paguei, tomaram à força,
O que é verdade, confesso,
Se havia de morrer de desgraça
Antes morrer de sucesso.

Tratei de tomar o trem
E seguir minha viagem
Disse: - Vai tudo morrer
Para que comprar passagem?
Inglês vai perder a vida,
Perca logo essa bobagem.

O condutor perguntou-me:
- Sua passagem, onde está?
Eu disse: - Na bilheteira,
Quando eu vim, deixei-a lá.
Não comprou? – perguntou ele,
Pois paga o excesso cá!

Eu lhe disse: - Condutor,
O mundo vai se acabar,
Para que quer mais dinheiro,
É para lhe atrapalhar?
A mortalha não tem bolso,
Onde é que o pode levar?

Chego em casa muito triste,
Achei a mulher trombuda,
Perguntei: - Filha, o que tem?
Respondeu-me, carrancuda:
- Ora, a 18 de maio
O mundo velho se muda!

Perguntei: - Tem jantar pronto?
Venho com fome e cansado,
Desde ontem, respondeu-me,
Que o fogão está apagado,
Devido a esse cometa
Não querem vender fiado.

Eu estava tirando as botas
Quando chegou um caixeiro,
Esse vinha com a conta,
Que eu devia ao marinheiro,
Eu disse: - Vai morrer tudo,
Seu patrão quer mais dinheiro?

Fui falar um fiadinho,
Que eu estava de olho fundo,
O marinheiro me disse:
- Já por ali, vagabundo!
Eu disse: - Venda Seu Zé,
Que eu pago no outro mundo!

A 19 de maio,
Quando acabar-se o barulho,
Eu hei de ver vosmecê
Que o senhor vai no embrulho,
Só se esconder-se aqui
Debaixo de algum basculho.

Quero 10 quilos de carne,
Uma caixa de sabão,
Quatro cuias de farinha,
Doze litros de feijão,
Quero um barril de aguardente,
Açúcar, café e pão.

Manteiga, azeite e toucinho,
Bacalhau e bolachinhas,
Vinagre, cebola e alho,
Vinte latas de sardinhas,
Duas latas de azeitonas,
Umas dezoito tainhas.

O marinheiro me olhou,
E exclamou: - Oh! Desgraçado!
Então inda achas pouco
Os que já tens enganado,
Queres chegar no inferno,
Com isso mais no costado?

Eu disse: - Meu camarada,
Isso é questão de dinheiro,
Ganha quem for mais esperto,
Perde quem for mais ronceiro,
Aonde foram duzentos
Que tem que vá um milheiro?

Perguntei ao marinheiro:
— Não faz o fiado agora?
O marinheiro me disse:
— Vagabundo vá embora!
Eu lhe disse: — Pé de chubo,
Você morre e está na hora.

Voltei e disse à mulher:
— Minha velha, está danado.
O cometa vem aí,
De chapéu de sol armado,
Creio que no dia 18,
Lá vai o mundo equipado.

Deixe ir lá como quiser,
A cousa vai a capricho,
Comer, nem se trata nel,
Nossa roupa foi ao lixo,
Vamos ver se lá no céu
Tem onde matar-se o bicho.

Fui onde vendiam fato,
Comprei uma panelada,
Comprei mais um garrafão
De aguardente imaculada,
Disse a mulher: - Felizmente,
Já estou de mala arrumada.

A 17 de maio,
A fortaleza salvou,
Eu comendo a panelada
Que a velhinha cozinhou,
Quando um menino me disse:
- Papai, o bicho estourou!

Aí eu juntei os pratos,
Embolei todo o pirão,
Botei o caldo num pote,
Peguei-me com o garrafão,
Me ajoelhei, rezei logo,
O ato de contrição.

A mulher disse chorando:
- Meu Deus, fica a panelada.
Disse o menino: - Papai,
Onde está a imaculada?
Eu disse: - Filho sossega,
Aqui não me fica nada.

E me ajoelhando aí,
Tratei logo de rezar
O ato de confissão,
Senti um anjo chegar
Dizendo reze com fé
Ainda pode escapar.

Aí disse eu:

— Eu beberrão me confesso a pipa, a bem-aventurada imaculada de Serra Grande, ao bem-aventurado vinho de caju, a bem-aventurada genebra de Holanda, vinhos de frutas, apóstolos de deus Baccho, e a vós, oh caxixi que estais à direita de todas as bebidas na prateleira do marinheiro.
Amém.

Quando eu acabei de orar,
Olhei para amplidão,
Ouvia dançar mazurca,
Cantar, tocar violão,
Era um anjo que dizia:
- Bravos de tua oração!

Aí um anjo chegou,
Com uma túnica encarnada,
Disse: - Sou de Serra-Grande,
De uma fazenda falada,
Eu sou o que cerca o trono
Da gostosa imaculada.

Sr. Láu, o proprietário,
Do reino onde ela mora,
Me mandou agradecer-lhe,
A súplica que fez agora,
Aí apertou-me a mão
E lá foi o anjo embora.

Aí eu disse: Mulher,
Visto termos nos salvado,
Desmanchemos nossas trouxas,
Já estava tudo arrumado,
Toca comer e beber,
Foi um bacafu danado.

FIM

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O BAÚ NA IMPRENSA

LANÇAMENTO DO LIVRO "O BAÚ DA GAIATICE"

Há 18 anos (maio de 1999) fizemos o lançamento do livro O BAÚ DA GAIATICE no Pirata Bar da Praia de Iracema, com show do humorista Hiran Delmar e presença maciça dos amigos. O livro já está na terceira edição, totalizando uma tiragem de 5 mil exemplares.


Matéria de capa no tablóide HOJE, que circulava em Fortaleza.

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

O BAU DA GAITICE
3ª Edição / Editora Assaré
Crônicas e poesia popular
220 páginas

PEDIDOS: acordacordel@hotmail.com

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

COXA & SOBRECOXA


"Transformam o país inteiro num puteiro,
pois assim se ganha mais dinheiro..."
(O tempo não para - Cazuza)

PREGAÇÕES DE FREI 
MANÉ MAGO NO DESERTO


Frei Mané Mago de Jurema e seus discípulos peregrinavam pelo Sertão Central da Galiléia, rumo à terra dos Monólitos, onde deveriam esperar a chegada do Cavaleiro da Esperança. Sua marcha foi interceptada bruscamente por meia dúzia de Coxinhas e Fariseus, todos com aspecto alucinado e espumando de ódio, parecendo estarem possuídos por espíritos malignos.
Um dos Fariseus, que parecia liderar o minguado grupo de gatos pingados, tremendo visivelmente os dedos e a boca, adiantou-se da comitiva e bradou:
— Sabeis que não temos ladrão de estimação e que desejamos ver todos os gatunos na cadeia! Com os poderes do Sinédrio Curitibano, haveremos de ver o vosso chefe apodrecer detrás das grades! Afinal de contas, a culpa é do PT! Desde que a serpente tentou a nossa Mãe Eva no Jardim do Éden, desde quando o Criador resolveu mandar o Dilúvio, desde quando a humanidade ergueu a Torre de Babel, a culpa é desse maldito partido. Não duvido que tenham sido responsáveis pela extinção dos dinossauros!
Mestre Mané Mago retrucou, simplesmente:
— Que tendes vós conosco? Que vos importa o que fazemos ou deixamos de fazer? Vós que enfiastes as panelas no rabo, por que não botam a viola no saco?
— No rabo? Disse um deles pálido de raiva...
Frei Mané Mago, lembrando-se do Padre João, de “O Auto da Compadecida”, sorriu e lhes disse:
— Desculpe, eu deveria ter dito "na CAUDA". Deve-se respeito aos enfermos, mesmo que sejam da mais baixa qualidade.

* * *

Os Fariseus ficaram a ponto de explodir e começaram a dirigir toda sorte de imprecações contra Frei Mané Mago e seus discípulos. Querendo pôr termo à infrutífera querela, o Mestre os repreendeu brandamente:
— Acalmai-vos, meus irmãos. Jamais ouvi algum de vós clamar pela prisão dos golpistas, dos vendilhões da pátria, sobretudo do Cheira-Pó das Gerais ou de seu amigo dono do Helifanta.
— Helifanta?  Que diabos é Helifanta? – Perguntou um dos Coxinhas, ao que o mestre explicou prontamente:
— Então não sabíeis que está proibido chamar o tal helicóptero da “esparrela” pelo nome daquele outro refrigerante. Doravante o chamaremos de Helifanta, Helipepsi, Helipóptero e o que mais nos vier à cabeça.
Os paneleiros se entreolharam confusos. Alguns já demonstravam claros sinais de arrependimento, mas por pudor, não tinham coragem de assumir. Apenas um deles disse timidamente:
— Saiba que já mandamos o GOLPISTA para a China...
 Outros, por serem totalmente néscios, teimavam ainda com redobrado furor. Aos que se arrependeram, o Mestre aconselhou nesses termos:
— Diz a lenda que o PANELEIRO que passar SETE DIAS calado, sem estrebuchar nas redes sociais, sem ofender o seu próximo e sem repetir o discurso vazio que há muito perdeu a validade, será perdoado por todas as cagadas que praticou.

* * *

Ora, bem sabia o Mestre que um Paneleiro é incapaz de passar SETE MINUTOS em silêncio, quanto mais SETE DIAS. Ao terminar sua prédica, Frei Mané Mago retomou o seu caminho, seguido por seus discípulos, enquanto os Coxinhas tentavam arrebanhar outros gatos pingados para sua diminuta caravana.
Ao se afastarem do local daquele encontro indesejável, um discípulo de Frei Mané Mago adiantou-se e perguntou:
— Mestre, eles estão cegos? Estão surdos? Estão loucos? Não percebem a desgraça que trouxeram sobre o nosso país.


O mestre suspirou e respondeu desolado:
— Em verdade, em verdade vos digo: os COXINHAS estão amando isso aí. A raiva deles era ver pobre andando de avião, empregada doméstica falando em “meus direitos”, filho de preto na universidade... Ver pobre doente, sofrendo numa fila de hospital, leva qualquer paneleiro a um orgasmo múltiplo. Ver pobre sendo enxotado, maltratado e perseguido é um bálsamo, um colírio para os olhos de um Coxinha Fascista.
— Será possível? Disse Frei Candonga. O Mestre prosseguiu:
— Lascado mesmo é o COXINHA POBRE, que não se reconhece como tal. Aquele que foi manipulado pela mídia e iludido pelo pato amarelo. Que continua teimando, que ainda estrebucha porque não caiu a ficha...  Aquele miserável que foi uma vez à Flórida, outra ao Paraguai e já pensa que é rico. Usa roupa importada (de procedência duvidosa), anda de Hi-Lux (que comprou fiado) e mora de aluguel, na base do VIVA O LUXO e MORRA O BUCHO!
Frei Cancão de Fogo não se conteve e o VERBO se fez látego:
— Esse merece pagar dobrado. Mas o COXA verdadeiro, aliás aquele SOBRECOXA que tem pedigree e bala na agulha, que possui dinheiro mal adquirido num banco da Suíça, esse gosta mesmo é de ver o país do jeito que está... Trabalhador com direitos aviltados, subtraídos e solapados. Aumento do preconceito contra negros, nordestinos, homossexuais e outras minorias. Esse Fariseu não vai mais às ruas, não reclama de nada, fechou-se em copas. Colhe os frutos de sua plantação: Abandono dos programas sociais, venda das estatais. Enfim, os Três Poderes nadando na podridão enquanto ele nada em rios de dinheiro.
Frei Mané Mago, ombros caídos, vista perdida na imensidão do horizonte, concluiu deste modo:
— Os papangus que vistes ainda há pouco, é um substrato dessa raça que se julga superior. Meros idiotas que almejam adentrar nesse panteão de mentiras. Pobres diabos iludidos pelo canto da Sereia do Capitalismo. Em verdade, em verdade vos digo. É mais fácil uma baleia adaptar-se às areias do Saara que um desses pobres paneleiros arrepender-se. Acho até mais viável o Satanás ter piedade e compaixão pela humanidade, que um desses admitir que está errado.


Extraído dos manuscritos de Frei Cancão de Fogo do Amor Divino

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

II FEIRA DO CORDEL

MOMENTOS MARCANTES DA II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO - CAIXA CULTURAL

 Palestra sobre o CEGO ADERALDO


Homenageados da II Feira do Cordel Brasileiro


Palestra sobre o Cego Aderaldo



Show de Jorge Mello




Marcus Lucenna, Jorge Mello e Chico Salles


Com Raymundo Neto, Chico Salles e Jorge Mello

 João Miguel e Juliana vendendo cordel

Com meus pais Evaldo Lima e Hathanne Vianna. Também na foto:
Klévisson Vianna, Maria Clara e Paula Torres.





domingo, 20 de agosto de 2017

FEIRA DO CORDEL HOMENAGEIA CEGO ADERALDO



Hoje, domingo, dia 20 de agosto, a II Feira do Cordel Brasileiro presta homenagem ao famoso CEGO ADERALDO (Aderaldo Ferreira de Araújo), relembrando os 50 anos de sua morte. A partir de 14 horas, no teatro da Caixa Cultural (Avenida Pessoa Anta) será realizada a Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste” com o cineasta Rosemberg Cariry e os escritores João Eudes Costa e Arievaldo Vianna. O mediador será o poeta Orlando Queiróz. Logo em seguida, haverá exibição do Filme Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito, de Rosemberg Cariri.



ADERALDO FERREIRA DE ARAÚJO - (Crato - 24 de junho de 1878 + Fortaleza  - 29 de junho de 1967)
No dia 29 de julho de 2017, completaram-se 50 anos do desaparecimento daquele que é considerado um dos mais importantes poetas populares nordestinos, Aderaldo Ferreira de Araújo - o famoso Cego Aderaldo. Nascido no Crato (CE), ele veio morar muito jovem na cidade de Quixadá (CE), depois de ficar órfão de pai, empregando-se na estrada de ferro. Cegou aos 18 anos. Trabalhava abastecendo uma caldeira quando tomou um copo de água fria e os olhos estalaram imediatamente, fazendo com que perdesse a visão pelo resto da vida. Comprou então o seu primeiro instrumento e descobriu que sabia fazer versos. Achava humilhante ter que pedir esmolas por isso exerceu diversas profissões: além de cantador foi comerciante e exibia filmes num cinematógrafo lhe presenteado por Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo.

20 de agosto (Domingo)
Teatro
14h – Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste”
Exibição do Filme Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito – Classificação: Livre
Palestrantes: Rosemberg Cariry (Fortaleza/CE), João Eudes Costa (Quixadá/CE) e Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
           Mediação: Poeta Orlando Queiroz (Quixadá/CE)

Arievaldo Vianna

João Eudes Costa

Orlando Queiróz



AINDA A PROGRAMAÇÃO... 

Palco Cego Aderaldo
16h – Chico Pedrosa (Olinda-PE) e Antônio Francisco (Mossoró/RN)
16h30min – Forró pé-de-serra: Kutuka a Burra (Fortaleza/CE)
17h – Canções de Viola: Antônio Jocélio (Fortaleza/CE)
17h30min – Marcus Lucenna (RN) e Cacimba de Aluá (Fortaleza/CE)
18h30min – Show de Encerramento: Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)



EXPOSITORES:
1.    ABLC (Rio de Janeiro/RJ)
2.    AESTROFE (Fortaleza/CE)
3.    Arievaldo Vianna (Sertão Central-CE)
4.    CECORDEL (Fortaleza/CE)
5.    Chico Pedrosa (Olinda/PE)
6.    Cordelaria Flor da Serra (Fortaleza/CE)
7.    Edições Patabego (Tauá/CE)
8.    Editora Coqueiro (Olinda/PE)
9.    Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)
10.  Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE)
11.  Francisco Melchiades (Fortaleza/CE)
12.  Francorli (Juazeiro do Norte/CE)
13.  Geraldo Amâncio (Fortaleza/CE)
14.  Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
15.  João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE)
16.  José Lourenço (Juazeiro do Norte/CE)
17.  Jotabê (Fortaleza/CE)
18.  Lucarocas (Fortaleza/CE)
19.  Nonato Araújo (Fortaleza/CE)
20.  Olegário Alfredo (Belo Horizonte/MG)
21.  Regina Drozina (Guararema/SP)
22.  Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG)
23.  Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE)
24.  Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)
25.  Valentina Monteiro (Campina Grande/PB)
26.  Tupynanquim Editora (Fortaleza/CE)

Serviço:
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: De 17 a 20 de agosto de 2017
Horários: Quinta a sábado: 14 às 20h | Domingo: 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre
GRATUITO

Atendimento à imprensa:
Helena Félix – (085) 99993-4920 / pontualcomunicacao@gmail.com e
Kiko Bloc-Boris – (085) 98892-1195 / kikobb@gmail.com

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE):
Bebel Medal – (85) 99934-0866
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