quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

MAIS UM POETA QUE PARTE...


Através da seção de comentários deste blog tomei conhecimento da morte do poeta ANTÔNIO AMÉRICO DE MEDEIROS, com quem mantive intensa e proveitosa correspondência desde o longínquo ano de 1999. Ele me deu muitas dicas preciosas para um poeta "iniciante" que estava também se lançando como editor de sua própria obra e da obra de outros poetas. Tive a honra de fazer a capa do único folheto que Américo publicou pela Editora LUZEIRO, sob a orientação do poeta Marco Haurélio...

A informação é do leitor ANCHIETA FRANÇA:

"Faleceu hoje na cidades de Patos -Pb, o poeta Sabugiense, Antônio Américo de Medeiros,conosco fica seu legado e a admiração ao grande Mestre do cordel e da viola... Fica nossos sentimentos a família enlutada ...
Soube da notícia através do Poeta Israel Galvão e que o Poeta Cícero Nascimento nos confirmou!

Antônio Américo de Medeiros

Era natural de São João do Sabugi-RN, onde nasceu a 7 de fevereiro de 1930. cantador profissional, começou a percorrer o Nordeste com sua viola aos 15 anos, em 1945. Criou um programa de violeiros na Rádio Espinharas, de Patos-PB, em 1960, permanecendo 23 anos no ar. Em 1977 escreveu seu primeiro romance História completa da Cruz da Menina, do qual já publicou diversas edições. Mesmo durante a maior crise da Literatura de Cordel, que aconteceu no período de 1988 a 1998, manteve sua banca de folhetos no Mercado Público de Patos, sempre com um estoque acima de 200 títulos, inclusive obras de autores consagrados como Leandro Gomes de Barros, José Pacheco e José Camelo de Melo Resende. Nessa atividade, permanece até os dias de hoje.
Antônio Américo segue a linha dos velhos mestres, escrevendo histórias longas e bem feitas, geralmente de 48 páginas. São de sua autoria os seguintes títulos: A moça que mais sofreu na Paraíba do Norte , A vida de Antônio Silvino, Lampião e a sua história contada em cordel, Os mestres da Literatura de Cordel, O marco do Sabugi, História da Guerra de Juazeiro do Padre Cicero em 1914, A fada do Bosque Negro e a Princesa de Safira, O fracassado ataque de Lampião a Mossoró, A vida de Lampião - intriga, luta e cangaço, História completa da Cruz da Menina."


Estudo em nanquim para capa do folheto A MOÇA QUE MAIS SOFREU...

sábado, 11 de janeiro de 2014

AGENDA DA SEMANA





Amanhã, dia 12/01 - entrevista no programa NORDESTE CABOCLO, do Carneiro Portela, na TV Diário.

Terça-feira, 14 de janeiro - FEIRA DO CORDEL no Dragão do Mar, espaço Rogaciano Leite Filho.

Sexta-feira, 17 de janeiro - Oficina de CORDEL e Recital, em Água Nova-RN.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

HOJE É DIA DE SANTOS REIS

Desenho do artista plástico cearense RONALDO CAVALCANTI (bico de pena)

 
 
Bumba-meu-boi - desenho de Arievaldo Viana
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

TROVAS NATALINAS



Geraldo Amancio 
Trovas Natalinas

CRISTO EM SEU PLANO DIVINO,
FEZ DE NÓS TODOS SEUS ALVOS,
SENDO DEUS SE FEZ MENINO
PARA OS HOMENS SEREM SALVOS.

NA CELEBRAÇÃO DO AMOR 
QUE AS MÃOS OPOSTAS SE DÊEM,
E A LUZ DA FÉ DO SENHOR
ILUMINE OS QUE NÃO CRÊEM.

OH CRISTO DEUS FEITO CRIANÇA
QUE A SUBLIME ESTRELA TUA,
ENCHA DE PAZ E ESPERANÇA
OS MORADORES DE RUA.

LIVRAI NOSSOS SEMELHANTES
MEU JESUS DE NAZARÉ
DOS PREGADORES FARSANTES
EXPLORADORES DA FÉ.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

VIVA GONZAGÃO




O amigo do Rei


Sinval Sá teve a honra de escrever a primeira biografia sobre Gonzagão. O sanfoneiro do Riacho da Brígida — Vida e andanças de Luiz Gonzaga foi lançado em 1966. Agora, por conta do centenário de nascimento do mestre, a ser comemorado em 13 de dezembro, o livro chega à 9ª edição. Sá estará presente na solenidade comemorativa, em Recife, apresentando a nova versão de seu rebento. “Na época, o lançamento em Fortaleza teve a presença do próprio Luiz”, relembra o escritor, orgulhoso, aos 90 anos. Sinval vive em Brasília há 46 anos e já publicou outros dois romances e dois livros de contos.

Segundo o autor, foi o próprio Gonzaga quem tratou de divulgar a biografia: levava para os shows Brasil afora e a vendia em suas andanças. Na época, os 10 mil exemplares se esgotaram rapidamente. Paraibano de Conceição, filho de pais pernambucanos, Sá morava no Ceará quando escreveu o retrato do sanfoneiro, no começo dos anos 1960. “Eu ia ao Rio, onde ele morava, e passava algumas temporadas na casa dele. A convivência era muito boa. Era uma pessoa maravilhosa, bem educada. Vinha à minha casa quando estava em Brasília. Me chamava de ‘doutorzão do Ceará’”, diverte-se.

O sanfoneiro... é contado de forma fiel aos relatos de Gonzaga, com pitadas de ficção. Sá até tentou romancear um pouco, mas o biografado não aprovou e pediu que o escritor se ativesse ao que haviam conversado. Ele assistiu à cinebiografia que está nos cinemas e notou que algumas passagens são parecidas com as retratadas em seu livro. “Sei que eles se basearam no Gonzaguinha e Gonzagão, da Regina Echeverria, mas ela me consultou para fazer o livro dela e, inclusive, me cita”, destaca. Na película de Silveira, entretanto, Sinval não teve nenhuma participação — pelo menos não diretamente. (Gabriel Sá - Correio Brasiliense)



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PELAS TERRAS POTIGUARES

Com o poeta Antonio Francisco Teixeira de Melo, à sombra do juazeiro
em Água Nova, município do Rio Grande do Norte




Participei ontem de um maravilhoso evento realizado no município de Água Nova-RN, em companhia do poeta Antônio Francisco, de Mossoró: A II FEIRA LITERÁRIA do projeto "Contágio pela Leitura", realizado pelos Voluntários da Leitura na Escola Municipal Manoel Raimundo, naquele município.
Estive lá, atendendo convite das coordenadoras do projeto Keutre Gláudia Soares Bezerra e Sédima Ferreira França Viana. Acolhida maravilhosa, platéia lotada, público atento e participativo foram as marcas desse momento inesquecível. Agradecemos a todos os envolvidos no projeto e parabenizamos o município de ÁGUA NOVA-RN pela grande iniciativa, que deve ser imitada por outros municípios Nordestinos. Uma verdadeira SEMENTE DE LUZ nesses momentos de ESCURIDÃO CULTURAL que enfrentamos. As imagens são do site www.aguanovanews.com




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

PROFECIAS DE FREI VIDAL DA PENHA

Município de São Rafael, no Rio Grande do Norte

Às vezes minha avó Alzira tinha umas conversas fragmentadas, um tanto misteriosas, que fugiam inteiramente à minha compreensão de menino curioso e o jeito que havia era perguntar até dizer “chega”, para tentar entender pelo menos vinte por cento do assunto. Dentre essas conversas estavam as profecias de antigos pregadores que palmilharam os nossos sertões infundindo uma fé sedimentada no terror e no fim das Eras. Como ocorre desde que o mundo é mundo, profecia que se preza tem que ser dita em linguagem cifrada, misteriosa, o que possibilita as mais variadas interpretações.
Nessa lista de profetas se incluíam Antonio Conselheiro, Padre Cícero, Frei Damião de Bozzano e o mais acreditado de todos: o catastrófico Frei Vidal da Penha, famoso missionário do Século XVIII, ainda lembrado em todos os quadrantes onde realizou o seu apostolado. Para o povo Nordestino, esse profeta é mais importante que o próprio Nostradamus. Minha avó dizia sempre que, estando ele em Quixeramobim e tendo sido mal recebido por parte da população predisse que aquela cidade um dia se tornaria “cama de baleia”, dando a entender que seria inundada ou vítima de um grande abalo sísmico. Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, deve ter sido fortemente influenciado pela crônica popular a respeito deste célebre pregador. Sua profecia mais famosa anuncia que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. De certo modo, isso cumpriu-se com a construção da barragem de Cocorobó, que alagou o antigo Arraial de Canudos. E Quixeramobim? Será que algum dia vai virar mesmo “cama de baleia”, como predisse Frei Vidal?
Aliás, diversas cidades foram ameaçadas com essa tétrica profecia, dentre as quais Santana do Acaraú, onde um gaiato pregou uma peça de extremo mau gosto no virtuoso sacerdote. Conta-se que tendo parado às margens do rio que corta aquela cidade, Frei Vidal aproveitou para beber água e banhar-se, tendo deixado o seu chapéu no galho de uma árvore. Um sujeito de maus bofes aproveitou sua distração para defecar dentro do mesmo. Ao sair dali, Frei Vidal fez exatamente como os apóstolos de Jesus, retirou suas sandálias, bateu o pó que as impregnava e vaticinou que Santana estaria fadada a tornar-se “cama de baleia” e crescer sempre para baixo, como o rabo de sua alimária. As cidades que nasceram às margens do Rio Jaguaribe também foram ameaçadas com igual vaticínio, pois segundo ele, Aracati seria a primeira da lista e as águas invasoras de um possível Tsunami iriam transformar a distante Icó em porto de navio.

Seu verdadeiro nome era Vitale da Frascarolo (ou Frescolero). Esse missionário capuchinho também é citado como Frei Vidal de Fraccardo. O nome “da Penha” é em alusão ao convento de Nossa Senhora da Penha, localizado em Recife no estado de Pernambuco, onde o mesmo vivia antes das suas missões. Italiano que peregrinava pelos sertões de Pernambuco e Ceará nos últimos anos do século XVIII, tinha como marca registrada a catequese dos habitantes e índios da região.
No Aracati deu-se um fato extremamente curioso. Conta-nos em suas memórias o escritor José Correia da Silva (O Aracati que eu vivi - Editora Queima-Bucha, 2011) que de passagem por aquela cidade, Frei Vidal estarreceu a todos com uma estranha revelação. Uma moça de certa posição social engravidara e conseguira esconder sua gravidez até da própria família. Quando o bebê nasceu, ela procurou livrar-se do mesmo, abandonando-o no mato. Tida com virgem e virtuosa, freqüentava os atos litúrgicos e gostava de sentar-se nos primeiros bancos da igreja. Quando Frei Vidal iniciou a sua pregação, uma cobra enorme veio se contorcendo e entrou na igreja. O frade serenou o alvoroço da turba dizendo que a mesma estava a procura de uma certa pessoa e que não faria mal a ninguém. De fato a cobra parou exatamente diante da moça que havia se livrado do bebê, fitando-a de maneira estranha. O padre teria dito então: - Mulher, bota o teu seio para fora e amamenta o teu filho! Teria o Frei Vidal adivinhado o crime daquela jovem ou teria sabido do fato através de alguma beata mexeriqueira? Prefiro acreditar na primeira hipótese, pois a virtude desse profeta italiano não é questionada por nenhum outro escritor.
Diz o mesmo José Correia da Silva que em meados do Século XVIII, quando o avô de Santos Dummont ainda nem era nascido, o frade profetizou que no Século XX “gafanhotos de ferro haveriam de cruzar os ares”. Falou também de “cavalos sem cabeça correndo pelas ruas”, cento e tantos anos antes da invenção do automóvel.
 Bisbilhotando no Google e no Wikipédia, duas ferramentas de grande valia para a pesquisa moderna, embora pouco confiáveis, encontrei o seguinte:
“Era seu costume mandar construir, por onde passava, igrejas e cruzeiros, muitos deles foram marcos para o começo de formações de povoados e futuras cidades, como exemplo a cidade de Itapajé e Bela Cruz no Ceará. Há registro de sua passagem por várias regiões do Ceará. Também ficou famoso por suas profecias catastróficas de fim do mundo, que por muitos anos permaneceram no imaginário da população local, que acreditava em suas palavras, e propagavam seus relatos. Um fato peculiar de suas profecias lendárias é que ele sempre mencionava "o rabo baleia" ou "a baleia adormecida", animal que segundo ele, vivia adormecido sob as cidades da região. Segundo ele, ao se acordar e se mover nas entranhas da terra, a "baleia" provocaria grande devastação. Outra lenda, que ele teria contado foi na cidade de Santana do Acaraú, afirmou que a mesma e outras cidades vizinhas seriam inundadas por arrombamento de um açude pelo movimento do lendário mamífero adormecido nas entranhas da terra, previa ainda que esse açude seria construído no Rio Acaraú, afirmando ainda que o açude teria nome de um pássaro. Lenda ou não o açude realmente fora construído, o Açude Araras, e nos últimos anos diversas cidades da Região Norte do Ceará, próximas a Sobral sofreram abalos sísmicos.
 Por onde passava, a multidão ouvia-o enternecida à sua palavra de ouro e fé. Ao longo do vale de Crateús, certo dia, manhã clara de sol intenso, Frei Vidal bate a porta da casa grande do fazendão do Coronel José Ferreira de Melo, onde foi recebido alegremente. Era uma honra hospedar a figura singular e marcante do notável missionário. Anunciada a prédica, juntou-se uma multidão de gente, vinda de toda parte. Foi nesta oportunidade que Frei Vidal, fez veemente um apelo ao rico fazendeiro, no sentido de que mandasse construir uma capela. Homens daqueles tempos idos e vividos, não faltavam com a palavra, promessa feita, promessa cumprida.”
Hoje, Frei Vidal da Penha empresta seu nome a uma movimentada rua da cidade de Crateús. Teria ele predito a sina de municípios como Jaguaribara-CE e São Rafael-RN, inundados pelas águas de suas barragens? E o Tsunami que tragará Fortaleza, que há mais de cinco anos vem sendo anunciado pela moderna imprensa, estaria mesmo por vir? Com a palavra, os “profetas” da FUNCEME.
Arievaldo Viana
(In 'No tempo da lamparina - Volume II de Memórias)