segunda-feira, 24 de setembro de 2012

GONZAGA, DE PAI PRA FILHO: UM BELO FILME

Por: ASSIS ANGELO
 
Preparem-se para boas surpresas no filme Gonzaga – de Pai Pra Filho, que assisti na última sexta à tarde na sede da distribuidora Paris Filmes em São Paulo, ao lado de Chambinho do Acordeon (no cartaz, ao lado) e outros amigos.
O filme, mais um belo longa do carioca descendente de paraibano Breno Silveira, trata da vida do pernambucano Luiz Gonzaga e sua conturbada relação com o filho adotivo, Luiz Gonzaga do Nascimento Jr.
Começa com Gonzaguinha ligando um gravador para tomar declarações do Rei do Baião sobre as suas origens.
Chambinho interpreta Gonzaga no período compreendido entre os 27 e 50 anos de idade, ou seja: desde o início da sua brilhante carreira até seu declínio no começo dos anos 1960, com a Bossa Nova em ascenção e o surghimento da Jovem Guarda, do Tropicalismo e dos festivais da música popular que revelaram, entre outros, Caetano, Vandré, Milton, Elis e Gil, que, aliás, marca belo tento com música que fez especialmente para a trilha do filme.
E surge a primeira surpresa: a atuação marcante de Chambinho, que toca e canta de verdade e atua com a categoria dos grandes atores.
Coube a Land Vieira interpretar Gonzaga, dos 17 aos 23 anos; e a Adélio Lima, aos 70.
Gonzaguinha também é revivido em três épocas.
A primeira dos 10 aos 12 anos, por Alison Santos; a segunda dos 17 aos 23 anos, por Giancarlo Di Tommaso; e a terceira dos 35 aos 40, por Julio Andrade.
Participam do filme uma centena de atores e dois mil figurantes.
Gonzaga – de Pai Pra Filho tem tudo para se tornar um grande sucesso de bilheteria, inclusive cenas que levam ao riso e às lágrimas.
Numa palavra: é belo.
A estreia nas telas de todo o País está prevista para o final de outubro.
Antes, a partir do próximo domingo, estreia no programa Fantástico, da TV Globo, a primeira de três partes de um documentário sobre o Rei do Baião.

Veja trailer do filme, no blog do ASSIS ANGELO: www.assisangelo.blogspot.com

sábado, 22 de setembro de 2012

JÔ OLIVEIRA NA REVISTA CONTINENTE

 
A CRIAÇÃO DO MITO E DA CARICATURA

Escrito por Conrado Falbo
Quem hoje tem 30 e poucos anos não sabe o que é a vida sem Luiz Gonzaga. É o meu caso: cresci escutando sua voz nas canções e reconhecendo imediatamente sua fi gura sempre que aparecia na televisão, no jornal ou nas lojas de discos. Obviamente, o fato de eu ter nascido no Recife faz com que essa presença tenha um signifi cado todo especial, mas é igualmente óbvio que sua força foi percebida muito além das fronteiras de minha terra natal. Luiz Gonzaga é um símbolo cultural de grande alcance e complexidade. Como não estive lá para ver o fenômeno surgir, meu ponto de vista necessariamente inclui as caricaturas que também aprendi a reconhecer e que já foram incorporadas à persona pública desse artista. Existem pelo menos três delas: o mito, o estereótipo e o ritmo.

O mito e o estereótipo são duas faces de uma mesma moeda e estão profundamente relacionados à dicotomia entre nordestinos e sulistas, uma divisão do mundo que o próprio Gonzaga ensinou em suas canções. Do lado dos nordestinos, o mito evoca uma realidade de exclusão social e sofrimento, mas acaba gerando uma identifi cação positiva, já que a “voz da seca” pertence a um cantor de enorme sucesso. Conforme essa lógica ambivalente, Luiz Gonzaga representa o retirante bem-sucedido, que venceu as dificuldades e conquistou a terra dos sulistas cantando sua própria terra.


Leia a matéria na íntegra na edição 138 da Revista Continente.

domingo, 9 de setembro de 2012

A PARTIDA DO SANFONEIRO



A fazenda Ouro Preto está mais triste. Partiu o nosso sanfoneiro PEDRO ANTONIO DE ARAUJO, "Meu Pedro" ou simplesmente Pedim, que era a alegria dos matutos, resgatando o verdadeiro forró pé de serra e as composições antigas que aprendeu de seu pai Edmundo. Pedro foi sepultado hoje (domingo) no cemitério de São José de Macaóca, onde também descansa minha avó materna, Áurea Viana e meus tios José Viana e Noélia.
Sempre que nos encontrávamos Pedrinho tocava "Saudade de Ouro Preto", "Brejeiro", "13 de dezembro" e "Baião do Cabra Chico", peças indispensáveis ao repertório de qualquer sanfoneiro que se preza. E isso ele fazia com maestria pois sabia tocar nos baixos como ninguém.


A trilha da minha infância
Tem esse toque brejeiro
Tem valsa, xote, mazurca,
Tem quadrilha no terreiro
Tem muita festa animada
No alpendre, na latada,
Por Pedrinho Sanfoneiro.

 
Pedrinho foi se juntar
A Sivuca e Gonzagão
Reencontrar Edmundo
E seus tios no salão
Da corte celestial
Promover um festival
De xote, valsa e baião.

 
Mestre Neu, o seu avô
Já era um bom sanfoneiro
E Edmundo, o seu pai,
Seguiu o mesmo roteiro
Mas os filhos do Pedrinho
Não seguiram este caminho
Pra arte não há herdeiro.

 

domingo, 2 de setembro de 2012

NA BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO

 
Com o poeta ABDIAS CAMPOS (O João Melchíades de "A Pedra do Reino")

 
Com o sósia de Rolando Boldrin (primo de Jô Oliveira)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

LUIZ NUNES HOMENAGEIA ZÉ MARCOLINO



Outra vez, vê-se o povo sublimar
A memória do poeta Marcolino,
Entoando-lhe, na missa, o mesmo hino,
Tabira, uma vez mais, cedendo o altar.
A cidade que aceitou concelebrar
A missa-homenagem, a cada ano,
Mantém, determinada, o mesmo plano
Concebido pelo emérito padre Assis,
Num momento para ele o mais feliz,
Assim como para todos, sem engano.
 
 
No sábado terceiro de setembro,
Tal como a cada ano acontece,
Na igreja de Tabira, ao que me lembro,
Falta espaço para quem quer fazer prece.
A família Marcolino comparece
Unida, para a todos abraçar,
Contentíssima em poder testemunhar
O estremado amor do tabirense
À memória do poeta um sumeense,
Que o nordeste sempre soube admirar.
 
Luiz Nunes

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL


A coleção ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL é composta de oito adaptações em cordel de romances do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), selecionados entre os títulos mais relevantes de sua produção literária. Levando em conta a diversidade de temáticas, foram escolhidos três romances indianistas, três urbanos/de costumes e dois regionalistas. Oito cordelistas de reconhecimento notório no meio literário foram selecionados para assinar as versões:

Títulos da Coleção
Adaptadores
Iracema
Stélio Torquato
O Guarani
Fernando Paixão
Ubirajara
Godofredo
Lucíola
Marco Haurélio
A Viuvinha
Rouxinol do Rinaré
Senhora
Gadelha do cordel
O Sertanejo
Evaristo Geraldo
O Tronco do Ipê
Arievaldo Viana

José de Alencar é um dos escritores cearenses de maior relevância no cenário nacional. Considerado por muito analistas como o fundador de uma literatura nacional, suas obras podem ser classificadas dentro de quatro tendências: indianistas, urbanas/de costumes, regionais e históricas. Um dos primeiros a explorar temáticas brasileiras como a fauna, a flora, o elemento indígena, a obra de Alencar foi decisiva para criar uma feição nacionalista nas letras, valorizando a língua portuguesa e a cultura brasileira. A obra de José de Alencar oferece subsídios para entendimento da formação da sociedade brasileira, sobretudo em relação ao elemento indígena e suas relações com o colonizador. É importante, porém, fazer uma leitura crítica, considerado a época em que as obras foram escritas e as interpretações da historiografia atual para os contextos expostos.

O cordel teve, ao longo do tempo, estreita ligação com obras literárias em prosa. Desde o século XIX, histórias europeias e orientais vêm sendo adaptadas em verso por poetas nordestinos, constituindo-se no primeiro ciclo temático do cordel. A adaptação de romances em cordel facilita o acesso a obras da literatura erudita, sendo extremamente oportuna sua utilização na sala de aula e em projetos de leitura. Além de atrair o leitor, por se utilizar de uma forma de expressão já conhecida e apreciada, constituem-se em um estimulo a para uma leitura posterior da obra original. Em relação ao romance brasileiro, um dos primeiros adaptados para o cordel foi Iracema, pelo poeta Alfredo Pessoa, em 1927. O livreto alcançou grande popularidade, sendo responsável por difundir a obra de Alencar em um circuito de leitores oriundos da zona rural, com pouco grau de instrução formal. Inspirado nessa experiência pioneira, esta coleção objetiva a difusão da obra do escritor, da literatura de cordel, bem como os estudos críticos relacionados aos contextos históricos e sociais.
 
 
Nota: A coleção ALENCAR NAS RIMAS DO CORDEL integra o catálogo do ARMAZÉM DA CULTURA.
 
FONTE: CORDEL ATEMPORAL - www.marcohaurelio.blogspot.com