sexta-feira, 13 de abril de 2012

1 ANO DE ATIVIDADES


Ontem, 12 de abril, nosso blog ACORDA CORDEL completou UM ANO de atividades. Durante esse período procuramos sempre renovar as nossas postagens com assuntos relacionados à cultura popular brasileira, principalmente a LITERATURA DE CORDEL. Temos atualmente 170 seguidores (uma boa marca, hein?) e já caminhamos para 120 mil visitas, o que dá uma média de quase 10 mil visitas por mês. Obrigado a todos, leitores, comentaristas e colaboradores.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

MARATONA DE LANÇAMENTOS


Dia 17 de abril estaremos na BIENAL BRASIL DO LIVRO, na Esplanada dos Ministérios, em Brasilia, fazendo o lançamento dos livros "A peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau" e "O Coelho e o Jabuti", publicados pela EDITORA GLOBO. Ambos os livros vêm tendo boa aceitação em diversas escolas de todo o país como paradidáticos. Do Rio Grande do Sul, recebemos esta mensagem, postada em outro blogo que mantemos, o www.fotolog.terra.com.br/acorda_cordel, da Sra. Fabiana. Ela mantém o blog ROSAEBLUE, que contém dicas muito interessantes sobre educação infantil:

"Olá, sou autora e editora do blog www.rosaeblue.com.br. Mãe de 3 meninos, achei seu livro nas estantes da livraria Cultura de Porto Alegre, RS. Confesso que gostei muito da maneira como o livro é escrito, pelo fato de remeter a nossa realidade brasileira e principalmente por contar duas versões da mesma história. Gostaria de fazer um post no blog recomendando seu livro, pode ser? Obrigada pela atenção."

Fabiana

Gostaria de lembrar que antes desse evento, no dia 14 de abril (sábado) eu e Jô Oliveira estaremos no II WEBFOR lançando nossas publicações e apresentando nosso novo livro "O REI DO BAIÃO - DO NORDESTE PARA O MUNDO" que está saindo pela editora PLANETA JOVEM. Estamos nos mobilizando também para fazer o pré-lançamento da 3ª edição de O BAÚ DA GAIATICE, livro responsável pela minha estréia no mercado editorial.
Conto com a presença de todos vocês, leitores deste blog, residentes ou de passagem por Fortaleza e Brasília nas datas previstas.

FIQUE ATENTO: Dia 14/04 - no II WEBFOR
Gran Marquise Hotel - Avenida Beira-Mar, 3980 - Meireles/Mucuripe

Dia 17/04 - Brasília, a partir das 14 horas, na
BIENAL BRASIL DO LIVRO.

terça-feira, 10 de abril de 2012

LANÇAMENTO EM BRASILIA


Dia 17 de abril estaremos novamente em Brasília, na BIENAL BRASIL DO LIVRO, lançando dois livros (O coelho e o jabutiA peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau) no stand da EDITORA GLOBO. Confiram os convites enviados pela assessoria de imprensa da editora.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

EXPOSIÇÃO ITINERANTE


Por e-mail, o artista plástico BENÉ FONTELES manda-nos o convite de sua mais nova exposição, que conta com trabalhos em gravura de nossa autoria no seu acervo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PAIXÃO DE CRISTO EM CORDEL


OS SOFRIMENTOS DE JESUS CRISTO
Autor: José Pacheco da Rocha



Oh! Jesus, meu redentor
Dos altos céus infinitos
Abençoai meus escritos
Por vosso divino amor
Leciona um trovador
Com divina inspiração
Para que vossa paixão
Seja descrita em clamores
Desde o princípio das dores
Até a ressurreição.



Dentro do livro sagrado
São Marcos com perfeição
Nos faz a revelação
De Jesus crucificado;
Foi preso e foi arrastado
Cuspido pelos judeus
Por um apóstolo dos seus
Covardemente vendido
Viu-se amarrado e ferido
Nas cordas dos fariseus.



Dantes predisse o senhor
Meus discípulos me rodeiam
E todos comigo ceiam
Mas um me é traidor,
Sobre a mão do pecador
Meu  corpo ao suplício vai
Porém vos digo que ai
Do homem que, por dinheiro,
Transforma-se em traiçoeiro
Contra o Filho do Deus Pai.



Todos na mesa consigo
Clamavam em alta voz
Senhor, Senhor, qual de nós
Vos trai, dos que estão contigo?
Disse Cristo: - É quem comigo
Justamente molha o pão
E todos me deixarão
Mas São Pedro respondeu:
- Mestre, garanto que eu
Não vos deixarei de mão.



Em verdade deixarás
Nessa noite, sem tardar,
Antes do galo cantar
Três vezes me negarás
Pedro com gestos leais
Disse em voz compadecida
És-me a morte preferida
Mas não serei teu contrário
Ainda que necessário
Me seja perder a vida.



Estava tudo benquisto
Com Pedro dizendo igual
Até na hora fatal
Da prisão de Jesus Cristo,
Então quando se deu isto
Pedro a espada puxou
Num fariseu despejou
Um golpe tão desmedido
Que destampou-lhe o ouvido
Quando a orelha voou...



Ouviu a voz sublimada
De Cristo em reclamação
Dizendo em repreensão
Pedro, guarda a tua espada,
Deixa, não promovas nada,
Porque tudo é permitido
Não sejas enfurecido
Não tentes e nem te alteres
Pois se com o ferro feres
Com ele serás ferido!



Depois da tropa chegada
Jesus foi interrogado
Bastantemente acusado
e Pedro viu da calçada
quando veio uma criada
perguntando com rigor
- Tu és acompanhador
do que está preso aqui?
Pedro disse: eu nunca vi
nem conheço esse Senhor.


E assim continuou
de quando em vez a negar
antes do galo cantar
3 vezes Pedro negou
depois então se lembrou
do que Jesus tinha dito
amargo e bastante aflito
derramou pranto no chão
porque fez a transgressão
do que disse a Jesus Cristo.


Jesus além da prisão
bofetes e pontapés
ainda diziam: tu és
réu da crucificação
e procuravam razão
para o tal cruel transporte
uma testemunha forte
com legalidade pura
que lhe desse a desventura
passando a pena de morte.


O sacerdote indagou
perante os fariseus
tu és o Filho de Deus
disse Jesus Cristo: - Eu sou
em breve verão que vou
pra meu pai Celestial
eis a voz sacerdotal
pra que testemunha mais
do que as blasfêmias tais
da boca do mesmo tal.


E rasgando-lhe o vestido
cuspiram as faces divinas
logo das mãos assassinas
foi espancado e ferido
nas cordas foi envolvido
atado de braço e mão
no outro dia então
ordenou Poncio Pilatos
dizendo aos insensatos:
- Dai-lhe crucificação.


Pilatos bem que sabia
quase com realidade
que por inveja ou maldade
deu-se essa algozaria
mas Jesus nada dizia
Pilatos quis revogar
mas não podia falar
a tantos que lhe cercavam
que lhe pedindo gritavam:
- Mandai-o crucificar.


Sob o poder dos ingratos
escribas e fariseus
Jesus o Filho de Deus
foi entregue por Pilatos
os mais horrendos mal tratos
cada um deles fazia
Jesus a cruz conduzia
golpe de sangue lançava
do peso que carregava
quando topava caía.


Do seu vestido brilhante
brutalmente lhe despiram
depois noutro lhe vestiram
de púrpura agonizante
uma coroa infamante
de espinhos tecida a mão
pra fazerem mangação
na cabeça lhe botando
todos gritavam zombando
viva o rei da nação.


Um algoz lhe espancou
com uma cana pesada
que com esta bordoada
sua cabeça sangrou
seu sangue se derramou
lavando-lhes os ombros nus
e marchando em passo truz
para em Gólgota chegar
aonde ia se findar
morto e pregado na cruz.


Jesus depois de cravado
ouviu-se os gemidos seus
clamando Deus oh! Meu Deus
porque fui abandonado
e viu-se o astro nublado
trevas pelo mundo inteiro
um centurião fronteiro
disse verdadeiramente
este homem é inocente
filho de Deus verdadeiro.


(...)




quarta-feira, 4 de abril de 2012

A vida de Jesus na Literatura de Cordel


O trabalho a seguir é um dos textos mais inspirados sobre a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi concluído em 1966, pelo grande poeta DIMAS BATISTA:


JESUS, FILHO DE MARIA

I PARTE - A INFÂNCIA DO SALVADOR

Autor: Dimas Batista
Dedicado à Silvestre Alves da Silva
Trabalho concluído em 17 de abril de 1966


Ó sagrada onipotência
Dá-me inspiração dileta,
Pois sou um pobre poeta
Despido de inteligência.
Muito embora sem ciência
De História ou Teologia,
Pretendo, em fraca poesia,
Descrever todo o passado
Do Santo Verbo Encarnado
Jesus, Filho de Maria!



Quatro Evangelhos no mundo
Firmados na lei de Deus,
Primeiro, o de São Mateus,
De São Marcos, o segundo,
Sendo o terceiro, profundo,
Que São Lucas anuncia,
O quarto tem primazia,
Foi escrito por São João,
Que amava de coração
Jesus, Filho de Maria!



Uma Virgem Soberana,
Natural de Nazaré,
Esposa de São José,
Filha de Joaquim e Ana;
Dentre toda a raça humana,
Sendo Virgem, Pura e Pia,
Por Deus, escolhida, havia,
De ser a Mãe de Jesus,
Futuro mártir da cruz,
Jesus, Filho de Maria!



Entre os hebreus consagrados
Essas coisas foram ditas,
Nas verdades infinitas
Dos profetas inspirados!
Há muitos anos passados,
Afirmava a profecia,
Que, lá dos céus, desceria
Pra remir o mundo inteiro,
O Sacrossanto Cordeiro
Jesus, Filho de Maria!



Vindo da Santa Mansão
Gabriel desceu do espaço,
A vinte e cinco de março,
Dia da Anunciação!
Fez o anjo a saudação:
“Bendita és tu, Virgem Pia,
Deus a dizer-te, me envia,
Que, em teu ventre imaculado,
Gerar-se-á, sem pecado,
Jesus, Filho de Maria!



Guardar sempre a virgindade
Maria a Deus prometeu
São José, esposo  seu,
Também jurou castidade!
Mas a virgem de bondade
Que, santamente, vivia,
Dessa forma concebia
Por obra do Espírito Santo
Gerado estava, portanto,
Jesus, Filho de Maria!


Depois disso, nas montanhas,
A Santa Esposa Fiel
Foi visitar Isabel,
Já com Jesus nas entranhas
Chegando, foram tamanhas,
As sensações de alegria,
Que Isabel estremecia,
Vendo a mãe do Deus menino,
Bendito, Verbo Divino,
Jesus, Filho de Maria!



Dessa visita que fez,
Com três meses, regressava,
E, n’Ela, já se notava
Sintomas de gravidez!
Faltavam, no entanto, seis
Meses pra chegar o dia,
Em que d’Ela nasceria
Repleto de Luz e Fé,
Sem ser filho de José,
Jesus, Filho de Maria!



José encheu-se de espanto
Vendo Maria pejada!
E, ali sem dizer nada,
Ficou triste o esposo santo!
O seu ciúme foi tanto,
Que nem de noite dormia,
Pois São José não sabia
Desse mistério divino,
Que era gerado o menino
Jesus, Filho de Maria!



Assim, planejou, ciumento,
Sua esposa abandonar!
Mas veio um anjo avisar:
“ – José, não sejas violento;
Não faças mau pensamento,
Nem sofras melancolia:
Pois Deus mesmo é quem confia,
Dela, o mistério profundo,
Do qual surgirá, no mundo,
Jesus, Filho de Maria!



José, depois de avisado
Pelo enviado bendito,
Ficou triste  muito aflito
Por ter, assim, censurado!
Indo viver consolado
Com divina regalia,
Pois, agora, conhecia,
Que a divina esposa virgem
Concebeu, por santa origem
Jesus, Filho de Maria!



César Augusto, o soberano,
Decretou, com fundamento,
Um geral recenseamento
Do grande império romano.
E, naquele mesmo ano
Esse édito se cumpria;
São José, que não sabia,
Foi lá, cumprir seu dever,
Onde havia de nascer
Jesus, Filho de Maria!



Maria fez a viagem
Para se recensear,
Já perto de descansar,
Ninguém lhe dava hospedagem!
São José fez estalagem
Numa pobre estrebaria,
Nessa humilde hospedaria,
Cheia de paz e pureza,
Nasceu, em  plena pobreza,
Jesus, Filho de Maria!



Naquela gruta singela
Tão pobre, humilde e serena,
A Virgem Mãe nazarena
Deu à luz, ficou donzela,
São José, pertinho dela,
Imenso gosto sentia;
Enquanto alegre, sorria,
Na mais divina ternura,
Nos braços da Virgem pura
Jesus, Filho de Maria!



Os três magos do Oriente
Vieram adorar Jesus,
Guiados por uma luz
Duma estrela refulgente.
O astro pairando em frente,
Da escura gruta sombria,
Os Magos viram que havia,
De palha, um berço, no centro,
Onde, alegre, estava dentro,
Jesus, Filho de Maria!



Herodes foi informado
De haver, no reino, nascido,
O Messias Prometido,
O Salvador desejado!
E os Magos tendo chegado,
Herodes que os percebia,
Disse, fingindo alegria:
“Ide e vinde me informar,
Quero também adorar
Jesus, Filho de Maria!”



Quando os três Magos chegaram
Fizeram do seu tesouro,
O incenso, a mirra, o ouro,
Como oferta consagraram,
Prostrados, O adoraram,
Cheios de gosto e alegria;
Iam voltar no outro dia,
Com a glória de terem visto,
Rei Santo, Sagrado, Cristo,
Jesus, Filho de Maria!



Herodes fez mau juízo
De assassinar a criança;
Da projetada vingança,
Os Magos tiveram aviso.
Uma voz do Paraíso,
Aos três, em sonho, dizia:
“Regressai por outra via,
Que Herodes, pra se vingar,
Tem pretensão de matar
Jesus, Filho de Maria!”



Indo os Magos de regresso
Por caminho diferente,
Herodes, ao ser ciente,
De raiva ficou possesso!
E decretou, por excesso,
De bruta selvageria,
A morte dura e sombria
Das crianças de Belém,
A fim de matar também
Jesus, Filho de Maria!


Mas, por um anjo, foi dito,
Que por decreto divino,
José, Maria e o menino
Fugissem para o Egito.
Que Herodes, rei maldito,
Matar Jesus pretendia!
São José, em companhia
De sua fiel consorte,
Fugiu, livrando da morte,
Jesus, Filho de Maria!


Lá no Egito altaneiro,
Nação mui celebrizada,
Teve a Família Sagrada
Seu refúgio hospitaleiro,
Junto ao Nilo prazenteiro,
Gigante d’água bravia,
Que goza a supremacia
Doutros rios africanos,
Onde viveu sete anos,
Jesus, Filho de Maria!



São José já regressava,
Maria e Jesus também,
Não para Jerusalém,
Onde Arquelau dominava!
Pois esse príncipe odiava
Tudo que a Deus pertencia,
E, por isso, poderia,
Querer perseguir os três
Ou mesmo, matar, talvez
Jesus, Filho de Maria!



Jesus, Maria e José
Por ordem da Providência,
Fixaram residência
Numa casa, em Nazaré.
Viviam cheios de fé,
De paz, de amor, de harmonia;
A Luz da Sabedoria
Divina multiplicava
Mais a mais, iluminava,
Jesus, Filho de Maria!



São José, bom carpinteiro,
Trabalhava a toda hora;
Lutava Nossa Senhora
No seu serviço caseiro!
No tear o dia inteiro,
Belas túnicas tecia;
Diariamente se via,
Na tenda de Nazaré,
Ajudando a São José,
Jesus, Filho de Maria!



Com sábios e professores,
Certa vez, Jesus, no templo,
Do seu saber deu exemplo,
Discutindo com os doutores!
Calaram-se os demais senhores
E o povo, abismado, ouvia,
Frases de sabedoria
Jorravam dos lábios d’Ele,
Doze anos tinha Aquele
Jesus, Filho de Maria!

(...)



Dimas Batista Patriota, nasceu no ano de 1921, na então Vila Umburanas, município de São José do Egito, hoje cidade de Itapetim-PE. Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Batista Patriota ambos paraibanos. Dotado de uma intelência Privilegiada, aos cinqüenta anos de idade, formou-se em letras clássicas na mesma faculdade de onde seria professor de língua portuguesa. Era considerado o cantador mais culto de todos os tempos. Além de repentista renomeado, era historiador geógrafo e poliglota. Dimas fez a sua primeira cantoria aos quinze anos de idade, na cidade de São José do Egito. Faleceu em Fortaleza em 1986, vítima de acidente vascular cerebral; sepultou-se em tabuleiro do Norte, local onde residia. Obras: Jesus Filho de Maria; História da CNEC (Em versos); As Três cruzes;Desafio (Dimas e Cabeleira)”

terça-feira, 3 de abril de 2012

MEU TRABALHO É FAZER UM CORDEL...


O livro ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA, de Arievaldo Viana,
traz a história do cordel, seus principais expoentes e as modalidades
desse gênero literário.

PEDIDOS: acordacordel@hotmail.com


Quase todo dia recebo em meu blog Mundo Cordel manifestações como essas:

“Ai eu tô presisando de um cordel para um trabalho da escola, eu ñ sei fazer e por isso pesso a ajuda de vcs por favor me manda um ainda hoje!!!!!!!” 

“eu não sei fazer um cordel pois minha Professora de Lingua Portuguesa quer que eu e meus colegas de sala passem um cordel mais ninguem sabe tem como voçes mim ajudarem um pouco ou então da uma dica de como é um cordel ?” 

“ahhhhhhh ate vc (…) a prof de poRTUGUES Passou esse mtrabalho!!!!!!!!!!!!!poiser gente nao tenho a minima como criar um cordel me ajudemm………..por favor” 

“n sei fazer cordel presiso pra 2 trabalho de arte”

Longe de querer tripudiar sobre a dificuldade que essas pessoas demonstram para a comunicação por meio da Língua Portuguesa – até porque em geral são crianças, que dão seus primeiros passos na linguagem escrita – pretendo chamar a atenção para um fato que parece estar relacionado com a popularidade que a Literatura de Cordel vem reconquistando nos últimos anos.

Bem se sabe que atualmente, nas escolas brasileiras, é comum se falar de Cordel na sala de aula, seja para o estudo da Literatura de Cordel como manifestação artística, seja usando o Cordel para estudar outros temas, como ecologia, história e até matemática.

Para mim, que sou cordelista – e penso que, para os cordelistas em geral – é animador ver o Cordel ocupando esse espaço na educação, seja de crianças, seja de jovens e adultos. A linguagem simples e direta, associada ao ritmo da escrita rimada e metrificada, sem dúvida são fatores que ajudam no aprendizado, e, ao que tudo indica, os resultados já são sentidos pelos educadores que lançam mão do Cordel em seu trabalho.

A par disso, parece-me estranho que alguns professores estabeleçam a criação de um Cordel, tratando desse ou daquele assunto, como trabalho a ser desenvolvido pelos alunos, valendo nota. Quando recebo os pedidos de ajuda dos estudantes internautas, pergunto-me: “É razoável exigir de um estudante, especialmente uma criança, que aborde determinado tema em versos, observando as regras de rima e de métrica características da Literatura de Cordel?”.

Ainda não cheguei a uma posição definitiva, mas, até agora, o estabelecimento da criação de um Cordel como tarefa válida para obtenção de nota, tem me parecido um tanto forçado. Chego a pensar se os professores que agem assim vêem o Cordel com algo banal, que qualquer pessoa poderia criar. Por outro lado, não posso crer nisso, pois sei que os professores que utilizam o Cordel como ferramenta educativa são exatamente aqueles que o valorizam e admiram, e quem estuda a Literatura de Cordel sabe que não é fácil escrever rimando, metrificando e, ainda por cima, sintetizando o conteúdo para desenvolver ideias, às vezes complexas, em estrofes de seis, sete ou dez linhas.

Aliás, até se torna relativamente fácil para quem tem o dom, o que não depende de educação e cultura, pois muitos são os cordelistas de renome que praticamente não tiveram estudo, embora a maioria reconheça que a leitura enriquece o vocabulário e amplia as possibilidades para a abordagem de assuntos mais variados.

Sabendo disto, parece-me natural que, em um grupo de estudantes, um ou outro tenha condições para escrever em forma de Cordel, mas boa parte simplesmente não conseguirá. Afinal, é de arte que se está a tratar, e arte requer um mínimo de talento.

“Mas, crianças não desenvolvem atividades com tintas e pincéis, sem ser artistas plásticos?”, é a pergunta que me vêm à mente. E junto me vem uma resposta: “É verdade. Como é verdade também que crianças fazem pequenas dramatizações sem ser atores e atrizes, mas, não é comum que crianças componham canções ou executem peças musicais ao violino”. No final, salvo os casos de crianças-prodígio, nem o quadro será arte plástica, nem a dramatização será uma peça de teatro, mas alguma coisa será feita. Já a canção, pode ser que nunca fique pronta. Quanto ao violino, além de ser complicado até para músicos, o ruído que faz quando mal utilizado é simplesmente insuportável.

Talvez as coisas sejam assim mesmo. Algumas manifestações artísticas suportam bem que pessoas que não têm vocação para elas brinquem com suas ferramentas, outras nem tanto. Pelo que tenho visto nos pedidos de ajuda que chegam ao Mundo Cordel, parece-me que, tendo como ferramenta a palavra, e sendo necessário que o uso da palavra observe algumas regras rígidas, a Literatura de Cordel é muito divertida para ser lida, declamada, interpretada, mas a sua criação costuma deixar em pânico aqueles que não têm pelo menos um pouco de habilidade inata para fazê-lo.

Nessa linha de pensamento, creio que até faça sentido adotar como atividade escolar a tentativa de elaboração textos em forma de Cordel, como trabalho de grupo, mas sem o dever de se chegar a um resultado final muito elaborado. Isso daria oportunidade para que cada um desenvolvesse o seu talento e criatividade, mas sem gerar pressão sobre os que não conseguissem chegar a um resultado apresentável.

Claro que essa é a minha visão, como cordelista, sem qualquer garantia de que outros cordelistas pensem assim, e sem saber o que pensam os educadores sobre o assunto. Estes talvez tenham explicações que afastem totalmente essas minhas ponderações, e eu bem que gostaria de conhecê-las.

Por: MARCOS MAIRTON
Fonte: Mundo Cordel

P.S.  O kit do projeto ACORDA CORDEL tem um capítulo intitulado "Como fazer um cordel em classe passo a passo". O kit é composto de um livro, um CD e uma caixa com 12 folhetos de vários autores. Preço: R$ 70.00.