quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DEPÓSITO LEGAL NA BN - Parte II


A postagem sobre Depósito Legal de Literatura de Cordel na Biblioteca Nacional foi record de visualizações e de comentários também, pois gerou um interessante debate sobre a iniciativa e também rendeu criticas à forma equivocada com que alguns setores da elite cultural brasileira ainda tratam a chamada poesia popular. O escritor Aderaldo Luciano chamou a atenção para o fato de que os folhetos existentes na BN estão catalogados na seção de MÚSICA. Rosário Pinto, da Biblioteca Amadeu Amaral, da FUNARTE, falou do excelente trabalho realizado naquela instituição, que digitalizou e disponibilizou quase 10 mil folhetos. O poeta Pedro Paulo Paulino lamentou que a Biblioteca Nacional tenha um acervo de folhetos tão pequeno, uma vez que a literatura de cordel existe há 120 anos, pelo menos. Admar Branco foi mais além... falou de um folheto que ele foi deixar pessoalmente na Biblioteca Nacional, com ISBN e ficha catalográfica, que desapareceu misteriosamente das prateleiras da instituição. Finalmente, Moreira de Acopiara falou da necessidade de agregar valores e mobilizar a classe poética em torno da valorização do cordel.
Na postagem de hoje, publicaremos versos do poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC, sobre o Depósito Legal de folhetos na BN:


DEPÓSITO LEGAL

Gonçalo Ferreira da Silva

  
Lei  do DEPÓSITO LEGAL
Há muito tempo em vigor
Permite à Biblioteca
Nacional e o autor
Uma parceria perfeita
E de notável valor.

Enviem seus exemplares
Que aqui serão preservados
Por mãos profissionais
Com dedicação  tratados
E em ambientes próprios
Com mil cuidados guardados.

BN e ABLC
Deram o passo inicial
Fazendo uma parceria
Simplesmente genial
Consolidando de vez
Nosso DEPÓSITO LEGAL.


QUER SABER MAIS? Visite a postagem anterior sobre DEPÓSITO LEGAL NA BN e leia os comentários dos leitores.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

RARIDADE!!!


Mais uma postagem referente ao CENTENÁRIO DO REI DO BAIÃO. Trata-se de uma foto de Januário e Santana, pais de Gonzagão, ele no oito baixos, ela no zabumba, rodeados pelos filhos. Note-se bem o casal LUIZ GONZAGA e HELENA entre os pares dançantes. Zé Gonzaga está de chapéu de couro e parece que estar dançando com uma de suas irmãs...

Filhos de JANUÁRIO e SANTANA

* JOÃO JANUÁRIO (JOCA) : *17/09/1910 e +11/09/1947. Morreu em São Paulo/SP e deixou dois (02) filhos e adotou uma (01) filha.
* LUIZ GONZAGA: *13/12/1912 e +02/08/1989. Morreu em Recife/PE e deixou dois (02) filhos.
* EFIGÊNIA BATISTA (GENI): *15/04/1915 e +23/04/2003. Morreu no Rio de Janeiro/RJ e não teve filhos, mas criou dois (02) filhos.
* SEVERINO JANUÁRIO (SEVERINO JANUÁRIO): *04/10/1918 e +02/07/1988. Morreu no Crato/CE e deixou seis (06) filhos.
* JOSÉ JANUÁRIO (ZÉ GONZAGA): *15/01/1921 e +12/04/2002. Morreu no Rio de Janeiro/RJ e deixou um (01) filho que reside no Rio.
* RAIMUNDA JANUÁRIO (DONA MUNIZ): *25/06/1923 e +22/02/2011. Morreu no Rio de Janeiro/RJ e deixou seis (06) filhos.
* FRANCISCA JANUÁRIO (CHIQUINHA GONZAGA): *11/12/1925 e +15/03/2011. Morreu no Rio de Janeiro/RJ e deixou três (03) filhos e adotou dois (02) filhos.
* MARIA DO SOCORRO (DONA SOCORRO): *15/08/1927 e +02/12/1994. Morreu no Rio de Janeiro/RJ e deixou quatro (04) filhos.
* ALOÍSIO JANUÁRIO (ALOÍSIO): *13/05/1934. e +23/03/1985. Morreu no Rio de Janeiro/RJ e deixou três (03) filhos.

Fonte: http://fabiomota1977.wordpress.com/

Luiz Gonzaga, Januário, Aloísio, Chiquinha, Zé Gonzaga e ....

FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA


Compadre e editor de
Leandro Gomes de Barros

Em 2007 tivemos o prazer de entrevistar o poeta Paulo Nunes Batista, filho do poeta, livreiro e editor paraibano Francisco das Chagas Batista, membro de uma família de inspirados trovadores nordestinos, que tem como tronco Agostinho Nunes da Costa e Hugolino do Sabugi. Como nosso objetivo principal era a biografia de Leandro Gomes de Barros, Paulo nos forneceu detalhes muito interessantes sobre o relacionamento dos dois pioneiros do cordel. Eram compadres duas vezes... Leandro era padrinho de Pedro Werta Batista e Chagas foi padrinho de Julieta (Giovanetta) Gomes de Barros. Nessa interessante postagem do site Itaú Cultural, temos a lista dos filhos de Chagas e Hugolina, pelo ano de nascimento:

FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA nasceu no dia 5 de maio de 1882, na fazenda Riacho Verde, Teixeira, PB. Poeta popular publicou mais de cem folhetos de feira e três livros, dentre os quais destacamos História Completa de Antônio Silvino – sua vida de crimes e seu julgamento (1960), A lira do poeta, Cantadores e poetas populares. Faleceu no dia 26 de janeiro de 1930, na cidade de João Pessoa, PB.
Chagas Batista (Vila do Teixeira PB 1882 - João Pessoa PB 1930) publicou, em 1902, seu primeiro folheto, Saudades do Sertão, em Campina Grande PB. Na década de 1910 trabalhou como carregador de água e lenha e operário da Estrada de Ferro de Alagoa Grande. Por volta de 1911 estabeleceu a livraria Popular Editora, em João Pessoa PB. Em 1929 ocorreu a publicação de seu livro Cantadores e Poetas Populares, pela Editora Batista Irmãos. Entre suas obras poéticas estão os folhetos A Vida de Antonio Silvino (1904), História Completa de Lampeão (1925), As Manhas de um Feiticeiro (1930) e A Escrava Isaura (1930), este último uma versão do romance de Bernardo Guimarães em versos. De acordo com Luís da Câmara Cascudo, "Francisco das Chagas Batista não foi cantador mas um dos mais conhecidos poetas populares. Sua produção abundantíssima forneceu vasto material para a cantoria.”.


NASCIMENTO/MORTE
1882 - Vila do Teixeira PB - 5 de maio
1930 - João Pessoa PB - 26 de janeiro
LOCAIS DE VIDA/VIAGENS
1882/1900 - Vila do Teixeira PB
1900/1909 - Campina Grande PB
1909/1910 - Guarabira PB
1911/1930 - João Pessoa PB
VIDA FAMILIAR
Filiação: Luís de França Batista Ferreira e Cosma Felismina Batista
1909 - Guarabira PB - Casamento com Hugolina Nunes da Costa, filha de seu tio materno, o cantador Ugolino Nunes da Costa
1910 - Guarabira PB - Nascimento do filho Francisco
1911 - João Pessoa PB - Nascimento da filha Hugolina
1912 - João Pessoa PB - Nascimento do filho Luís
1913 - João Pessoa PB - Nascimento da filha Maria das Neves
1914 - João Pessoa PB - Nascimento do filho Pedro Werta
1918 - João Pessoa PB - Nascimento da filha Maria das Dores
1921 - João Pessoa PB - Nascimento da filha Maria Leonor
1923 - João Pessoa PB - Nascimento da filha Maria das Dores Batista Leite
1924 - João Pessoa PB - Nascimento do filho Paulo
1925 - João Pessoa PB - Nascimento do filho Sebastião
1926 - João Pessoa PB - Nascimento do filho João
1927 - João Pessoa PB - Nascimento do filho José Nunes Batista
CONTATOS/INFLUÊNCIAS
Convivência com Leandro Gomes de Barros
ATIVIDADES LITERÁRIAS/CULTURAIS
1902 - Campina Grande PB - Publicação do primeiro folheto, Saudades do Sertão
1929 - João Pessoa PB - Publicação do livro Cantadores e Poetas Populares pela Editora Batista Irmãos
OUTRAS ATIVIDADES
1900/1909c. - Campina Grande PB - Carregador de água e lenha e operário da Estrada de Ferro de Alagoa Grande
1911c. - João Pessoa PB - Estabelecimento da livraria Popular Editora
GÊNEROS
Literatura de Cordel
LEITURAS CRÍTICAS
"Francisco das Chagas Batista não foi cantador mas um dos mais conhecidos poetas populares. Sua produção abundantíssima forneceu vasto material para a cantoria. A gesta de Antônio Silvino possuiu em Chagas Batista um dos melhores e decisivos elementos. Divulgou em versos a Escrava Isaura (Escrava Heróica), e um resumo do Quo Vadis? (O Amor e a Virtude), além de dezenas e dezenas de folhetos comentando os principais acontecimentos de sua época."
Cascudo, Luís da Câmara [1939]. Resumo biográfico dos cantadores: Francisco das Chagas Batista. In: ___. Vaqueiros e cantadores. p.325.
FONTES DE PESQUISA
CASCUDO, Luís da Câmara. Resumo biográfico dos cantadores: Francisco das Chagas Batista. In: ___. Vaqueiros e cantadores. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1984. p.325-326. (Reconquista do Brasil. Nova série, 81).
LITERATURA popular em verso: antologia: Francisco das Chagas Batista. Apres. Homero Senna. Notícia biobibliográfica Sebastião Nunes Batista. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1977. v.4.
ICONOGRAFIA
BATISTA, Chagas. A escrava Isaura. Rio de Janeiro: Ed. Ged., s.d. Capa do folheto.
Literatura popular em verso, op. cit., p.9, p.35.

Fonte: Instituto Itaú Cultural

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CORDEL EM PORTO ALEGRE

Literatura de Cordel auxilia na Educação escolas


Autor defende projeto para que o cordel passe a ser utilizado nas escolas


Arievaldo Vianna e Jô Oliveira

Feita de rimas, versos e um jeito muito rico de contar as histórias, a literatura de cordel vem ocupando espaços como ferramenta auxiliar na Educação e contribuindo para a criança ou o estudante tomar gosto pela leitura.

Se no Nordeste o Cordel é degustado como pão, lido nas casas a dezenas de ouvintes e responsável por fazer muita gente aprender a ler para decifrar as histórias, no Rio Grande do Sul é recém-chegado, mas bem trazido por Arievaldo Viana, que esteve na 57 Feira do Livro da Capital.

O autor de "Acorda Cordel na Sala de Aula - a Literatura Popular como Ferramenta Auxiliar na Educação" defende projeto nacional para que o cordel passe a ser utilizado nas escolas.




Para tanto, viaja, espalha a ideia, já se encontrou oficialmente com o ex-presidente Lula e desde o ano passado vem a Porto Alegre trazido principalmente pelo projeto de Adaptação em Cordel da obra de Simões Lopes Neto, editado pela Corag.

Escrito por Viana com ilustrações de Jô Oliveira, desta vez chegam dois novos folhetos: "Romualdo Entre os Bugios" e "Quintas de São Romualdo". Neles, o gaúcho Simões Lopes Neto oferece os "Casos de Romualdo" a Viana, com pedido que ele faça cordel da prosa.

Encomenda aceita e trabalhada, agora as crianças ganham as histórias de Lopes repletas de sonoridade, harmonia, cadência e maneira leve e faceira de contar as fábulas de amor e de fé, os gracejos, as aventuras e os duelos escritos nos folhetos de oitavo de página.

Depois de ter contato com o cordel, Viana leu seu primeiro livro: o clássico "Iracema", do escritor José de Alencar.

LINK PARA O JORNAL:

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CORDEL NA CARTA CAPITAL

Tecnologia - Cordel digital

Tradição nordestina ganha espaço na rede com obras completas disponibilizadas por instituições. Foto: Reprodução

Popularizada em feiras livres da Região Nordeste do Brasil, onde seus folhetos impressos em papel pardo adornados por xilogravuras ficavam expostos em varais, a literatura de cordel também pode ser acessada via internet. Uma das principais fontes para tal é a Fundação Casa de Rui Barbosa, localizada no Rio de Janeiro.
Repositório de literatura popular desde 1989, o órgão disponibilizou parte do acervo de 9 mil folhetos em um site especialmente construído para facilitar o acesso remoto. Segundo Dilza Ramos Bastos, chefe de Serviço de Biblioteca da instituição, o trabalho começou em 2001. Inicialmente, a ideia era divulgar o material por meio de CDs e, depois, migrou para a rede.
A digitalização foi uma medida importante para a preservação do próprio acervo, que passou a ser menos manipulado por pesquisadores.
“Nós diminuímos a manipulação e facilitamos o acesso à informação visual do texto e das ilustrações”, explica. “Hoje são raros os casos em que precisamos dar acesso direto ao documento.”
A origem exata da literatura de cordel é difícil de ser pontuada. Formas literárias similares são encontradas em outros países, como França, Espanha e Portugal. Os romances ibéricos em versos, oriundos da tradição oral e posteriormente impressos em folhetos, e os desafios improvisados do Nordeste, são indicados por pesquisadores como algumas das forças criadoras do cordel. Surgido na primeira metade do século XIX em Pernambuco e na Bahia, a forma clássica do cordel atingiu o auge da produção entre 1930 e 1960.

VER MATÉRIA COMPLETA AQUI:
http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/cordel-digital/


NOTA DO BLOG - Esta edição de "Peleja de Riachão com o Diabo", com o sub-título FOLK-LORE NORDESTINO, deve ter sido feita entre 1918 - 1921 por Pedro Baptista, genro de Leandro Gomes de Barros, em Guarabira-PB.

ACORDA CORDEL EM BOA VIAGEM-CE


Estátua do Cavalo Morto, centro de Boa Viagem-CE



A convite do prefeito Fernando Assef e da Secretária de Educação e Cultura professora Lucirene Castelo Branco realizamos oficina de capacitação do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula para 40 professores da rede municipal de ensino. O aproveitamento foi espetacular. Apesar de ter apenas 08 horas de duração, conseguimos transmitir um pouco da história da literatura de cordel, suas regras básicas, sua influencia nas outras artes (música, cinema, teatro etc) e ainda produzimos um folheto coletivo contando a história do município de Boa Viagem desde a sua fundação até os dias atuais.


UMA CIDADE QUE NASCEU DE UM ROMANCE


Boa Viagem começou de uma grande história de amor... Em meados do século XVIII, o casal Domingues e Agostinha, como no famoso “Romance de Mariquinha e José de Sousa Leão”, teve de fugir para se casar. Levavam em sua companhia apenas uma escrava, ama de leite de Agostinha e eram perseguidos tenazmente por um grupo de jagunços que estava sob o comando do pai da moça. Num dado momento, Domingues teve que deixar a noiva e a criada num local que julgava seguro para ir até certa cidade (uns afirmam que foi Recife, mas é improvável, devido a distância e os meios de transporte da época) para buscar uns documentos a fim de realizar o matrimônio. Quando retornou ao esconderijo, Agostinha estava faminta e assustada e a pobre escrava havia sido devorada por uma onça perigosa.


NOVA FUGA E A PROMESSA REDENTORA

 Fugiram mais uma vez, perseguidos pelo grupo de cangaceiros, até que o cavalo em que viajavam cansou e morreu na beira de uma lagoa... Segundo os historiadores, essa lagoa situava-se no lugar onde hoje encontra-se erguida a igreja matriz de Boa Viagem. A construção da referida capela foi uma promessa de Domingues e Agostinha com Nossa Senhora da Boa Viagem. Foram atendidos, pois uma febre começou a dizimar o grupo perseguidor que acabou desistindo da perseguição. Os detalhes dessa história fantástica estão minuciosamente descritos no folheto coletivo produzido na oficina.

Todos os participantes da oficina receberam um kit contendo o livro ACORDA CORDEL, o CD com 10 faixas (tiragem feita especialmente para esse evento) e caixa com 12 folhetos de vários autores. Fizemos a leitura coletiva do folheto "A intriga do cachorro com o gato" e explicamos a diferença entre CORDEL e POESIA MATUTA. Os professores se encantaram com a declamação do poema "EU E MARIA" do poeta Geraldo Amâncio, que coincidentemente nos ligou no momento da oficina dizendo que estava assistindo entrevista de Arievaldo Viana na TV Cultura.

Destaque para o poeta Toinho, já traquejado na arte do verso, autor de estrofes como esta que veremos a seguir:

"Se eu fosse o presidente
Deste país tropical
Eu baixaria um decreto
De valor fenomenal
4 dias de quaresma
40 de carnaval."

Segundo Toinho, o vigário é que não gostou muito da idéia...


INTERESSADOS EM CONTRATAR UMA OFICINA DO PROJETO ACORDA CORDEL devem entrar em contato conosco através do e-mail:  acordacordel@hotmail.com





Esse texto também está disponível no site JORNAL DA BESTA FUBANA, coluna MALA DA COBRA, espaço semanal escrito por Arievaldo Viana: http://www.luizberto.com/coluna/mala-da-cobra-arievaldo-vianna

VISITE E COMENTE!

* * *
Eis um folheto que também lembra a história da fundação de Boa Viagem.

Roques Mateus do Rio São Francisco

Literatura de Cordel


Autor: Leandro Gomes de Barros
Categoria: Literatura de Cordel
Formato: .pdf
Tamanho: 1,11 MB
Link: http://www.4shared.com/document/AGiL9p-2/Roques_Mateus_do_Rio_So_Franci.html

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NATAL NORDESTINO


Infogravura: ARIEVALDO VIANA


JESUS SERTANEJO
Luiz Gonzaga

Jesus, Meu Jesus sertanejo
Presença maior, minha crença
Nestas terras sem ninguém


Silêncio, Na serra, nos campos
Ai desencanto que a gente tem
E o vento que sopra, ressoa
Ai sequidão que traz desolação.


Ô ô Jesus razão
Tão sertanejo
Que entende até de precisão.


De sol vou sofrer ou morrer
E as pedras resplandem
A dureza, a pobreza desse chão
João, um menino, um destino
Ai nordestino, de arribação
Cenário de dor e de calvário
Ai muda a face desta provação.


Do céu há de vir solução
Na terra, a semente agoniza
Preconiza solidão
E a tarde que arde, acompanha
Ai tanta sanha de maldição
Aqui vou ficar, vou rezar
Ai vou amar a minha geração.


Ô ô Jesus razão
Tão sertanejo
Que entende até de precisão.


Ilustração de JÔ OLIVEIRA